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3 The International Portfolio Management Model

A metafunção textual relaciona-se à construção e à organização do texto. Esta função envolve tema e informação, ou seja, a sentença como mensagem, permitindo ao ouvinte/ leitor distinguir um texto de um conjunto de orações agrupadas ao léu, porque compreende coesão e

ligações com contextos situacionais (SILVA, 2003: 61). De acordo com Halliday (1975), um dos aspectos mais importantes da função textual é o estabelecimento de relações de coesão entre as orações de um determinado texto, mas o autor lembra, também, que esta função serve de base para a descrição de alguns tipos de “variação linguística”, tais como a escolha pelo uso de uma oração ativa ou passiva para expressar certo significado. Ao analisarmos um texto visando ao fator funcional da função textual, devemos levar em conta seus aspectos semânticos, gramaticais e estruturais, uma vez que “a gramática é o mecanismo linguístico que opera ligações entre as seleções significativas derivadas das funções linguísticas, realizando-as em estrutura unificada” (RESENDE & RAMALHO, 2006: 58).

Existem dois sistemas para organizar a informação em uma mensagem: o sistema temático (TEMA/REMA) e o sistema de hierarquização da informação (DADO/NOVO). Tema é o ponto de partida para a mensagem, Rema é o resto da mensagem. Dado é a informação já conhecida pelo ouvinte e Novo é a informação nova. Um falante pode escolher o Tema a partir do Dado e colocar o foco do Novo dentro do Rema.

O sistema de Tema organiza a oração para mostrar o seu contexto local em relação ao contexto geral no qual o texto está inserido. A escolha do Tema de uma oração geralmente está relacionada à maneira como se desenvolve a informação no texto.

O Tema pode ser expresso através de:

a) Um SINTAGMA NOMINAL: O desafio do governo é justamente fortalecer e

articular as ações de proteção aos meninos e meninas que se encontram em situação de risco.

b) Um SINTAGMA ADVERBIAL: Em junho deste ano, cerca de 600 profissionais

da rede passaram por capacitação.

c) Um SINTAGMA PREPOSICIONAL: Com as dificuldades em torno do passe

estudantil no DF, Dos Anjos e professores tiram do próprio bolso o dinheiro da passagem para que os alunos não deixem de ir ao colégio.

Segundo Halliday (1994), o Tema pode ser Ideacional, Interpessoal ou Textual. O Tema Ideacional (ou Tópico) pode ser reconhecido como o primeiro elemento da oração que expressa algum tipo de significado experiencial. É a etapa ideacional do Tema. Pode ser expresso por um processo, um participante ou uma circunstância.

O Tema Interpessoal é a parte do tema que inclui o finito quando aparece em posição inicial indicando a espera de uma resposta. Pode apresentar-se também como um pronome relativo, um vocativo, um adjunto realizado de maneira típica por um advérbio, que apresenta um comentário, avaliação ou atitude do falante ou, ainda, como uma oração mental de primeira e segunda pessoa que expressa uma opinião do falante ou procura lograr uma opinião do interlocutor.

O Tema Textual constitui a primeira parte do Tema que vai antes de qualquer tema interpessoal. Os elementos que estabelecem destaque aos temas textuais com função relacional são: conjunções estruturais que relacionam orações coordenadas (mas, porque etc) ou subordinadas (se, que); pronomes relativos que relacionam orações subordinadas adjetivas12 (que,

quem, cujo etc); conjuntivos que estabelecem coesão com o discurso anterior (ademais, além

disso, logo etc); continuativos que estabelecem relação com um discurso prévio (bem, ou seja

etc).

As três metafunções podem contribuir com a realização do tema de uma oração, no entanto, somente é obrigatória a realização do tema ideacional ou tópico. Contudo, quando analisamos uma oração da esquerda para a direita, devemos verificar onde se encontra o limite entre o Tema e o Rema. Se, ao analisarmos uma oração, observarmos que o Tema se estende desde o seu princípio e inclui também qualquer elemento textual e/ou interpessoal, além do elemento experiencial, temos um Tema Múltiplo.

Halliday ainda faz a distinção entre tema marcado e não-marcado. De acordo com Ghio & Fernández (2008), quando o primeiro elemento de uma oração declarativa é o sujeito, o Tema é neutro, não-marcado, ou seja, não há dá destaque especial do tema. Mas se o primeiro elemento da oração não é o sujeito, o Tema coincide com o Dado e o Novo coincide com o Rema, o tema é

marcado. Ao estudarem sobre o Tema no Português Europeu (PE) e no Português Brasileiro (PB), Gouveia & Barbara (2006: 65) nos apresentam a seguinte conclusão: “Tema é o assunto da

mensagem, aquilo que o falante tem em mente quando começa a produzir uma oração, mesmo que corresponda a qualquer realização morfológica13”.

Cabe, aqui, adiantar que a função textual é incorporada à ação por Fairclough (2003), uma vez que é ela que nos permite analisar aspectos do significado acional em textos. Uma

12 Nesse caso, os relativos também podem servir como tema tópico, porque assim como relacionam orações relativas com uma precedente, também servem para especificar um participante.

observação a mais se faz necessária: as abordagens funcionais da linguagem procuram enfatizar o caráter multifuncional dos textos. É nesse sentido que Halliday (1994) registra que os textos têm simultaneamente as funções ideacional, interpessoal e textual.

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

A Linguística Sistêmico-Funcional, enquanto ferramenta de análise da interioridade da linguagem, permite um estudo linguístico-discursivo a partir do contexto de cultura no qual os textos estão inseridos. Trata-se da Gramática Sistêmico-Funcional, que tem como função mostrar como a língua é usada. Cada texto, tudo aquilo que é dito ou escrito, insere-se em algum contexto de uso. A língua é interpretada como um sistema de significados, acompanhados por formas por meio das quais os significados podem ser concretizados. Os componentes fundamentais do significado na linguagem são componentes funcionais. Esses componentes, chamados metafunções, são as manifestações, no sistema linguístico, dos dois propósitos muito gerais que subjazem a todos os usos da linguagem: (i) entender o contexto (ideacional), e (ii) atuar nele com os outros (interpessoal). Combinados a estes, existe um terceiro componente metafuncional, o

textual, que dá relevância aos outros dois (HALLIDAY, 1994: xiii).

Conforme Silva (2009: 66), reforçar o diálogo entre a LSF e ADC é fundamental para a compreensão das relações de poder, pois o texto, além de envolver simultaneamente as funções ideacional, interpessoal e textual deve ser visto como ação (gênero), representação (discurso) e identificação (estilo), que são os três elementos de ordem do discurso. Nesse sentido, cabe ao analista crítico combinar a LSF e a ADC para estudos de texto, pois a LSF se preocupa com o estudo das escolhas linguísticas (registro) para agir e interagir em um contexto de cultura (gênero), e a ADC enfatiza a necessidade de se analisar também como as ordens do discurso e as relações de poder forçam essas escolhas linguísticas.

CAPÍTULO 4

CAMINHOS METODOLÓGICOS

discussão dos procedimentos teórico-metodológicos constitui o foco deste capítulo, composto por sete seções. A primeira seção é dedicada à definição da pesquisa qualitativa (descritiva e interpretativa) enquanto campo de investigação. Na segunda seção faço uma reflexão sobre os cuidados éticos na pesquisa qualitativa, sobretudo, porque a pesquisa foi realizada junto a uma população em situação de vulnerabilidade. Na terceira seção, discuto as estratégias de investigação e os métodos utilizados no levantamento da amostragem e posterior seleção de dados, no caso, dados de natureza documental. A quarta seção detalha os procedimentos utilizados para a geração dos dados empíricos que compõem os corpora. Com vistas à verticalização comparativa, ao lado do corpus básico da presente pesquisa, trabalhei com um

corpus complementar composto por dados analisados em pesquisa anterior (Moreira, 2007), bem como por dados gerados em uma pesquisa-ação desenvolvida entre 2011 e 2012. Esses dados são apresentados na quinta seção, intitulada “Os atores e seus relatos”. Na sexta seção, discuto brevemente sobre a abordagem comparativa, utilizada na análise dos dados documentais em relação aos dados gerados em entrevistas com adolescentes em situação de rua/risco. A sétima seção é dedicada aos métodos de análise. Para o enfoque social da linguagem, utilizo a metodologia da Análise de Discurso Crítica conjugada com a da Linguística Sistêmico- Funcional, uma vez que o trabalho analítico encontra-se balizado pelas diretrizes e ferramentas metodológicas dessas duas abordagens científicas. A Análise de Discurso Crítica como método será utilizada na macroanálise dos dados, tendo como base o arcabouço teórico-metodológico sugerido por Chouliaraki e Fairclough (1999). Para a microanálise, sigo os passos propostos por Halliday e Matthiessen (2004), visto que o caminho da Linguística Sistêmico-Funcional permite ao pesquisador explorar a interioridade do sistema linguístico, além de facilitar a macroanálise, conforme proposta da ADC. Na oitava seção, apresento o programa WordSmith Tools e sua aplicação na análise linguística dos dados documentais selecionados. Encerro o capítulo com algumas considerações.

4.1 Pesquisa Qualitativa

Uma pesquisa qualitativa, de acordo com Denzin & Lincoln (2006: 17), equivale a “um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo”. Esse conjunto de práticas envolve várias atividades interpretativas que possibilitam descrever e interpretar uma série de representações do mundo. Esse tipo de pesquisa envolve a coleta de uma série de materiais empíricos e várias práticas interpretativas interligadas para que o estudo possa apresentar uma compreensão melhor do assunto que está sendo investigado. Tal combinação permite, uma triangulação de dados, o que será apresentado na presente pesquisa através de:

corpus documental; entrevistas com crianças e adolescentes em situação de rua realizadas em pesquisa anterior (MOREIRA, 2007); e entrevistas e relatos gerados em grupo focal, em uma pesquisa-ação realizada com crianças e adolescentes em situação de risco/exclusão social, em 2011 e 2012.

Segundo Cohen e Manion (1983: 233), o método da triangulação pode ser definido como o uso de dois ou mais métodos de coleta/ geração de dados no estudo de qualquer aspecto do comportamento humano. É interessante notar, ainda, que enquanto para alguns estudiosos a triangulação constitui um princípio metodológico para a validação de um trabalho científico, Silverman (2006) enfoca a questão da validade na condição de busca da essência de um fenômeno, o que implicaria realidades e concepções únicas, razão pela qual o referido autor sugere que a triangulação deve ser vista como uma estratégia de enriquecimento da pesquisa, propósito que subjaz ao presente estudo.

Ainda segundo Stubbs (1987: 234), o termo triangulação é usado de diferentes maneiras, mas se refere essencialmente à coleta e à comparação de diferentes perspectivas de uma situação.14 Sugere o autor o termo ‘triangulação indefinida’ para procedimentos de diversos tipos. Em suas palavras:

I use the expression 'indefinite triangulation' to suggest that every procedure that seems to 'lock in' evidence, thus to claim a level of adequacy, can itself be subjected to the same sort of analysis that will in turn produce yet another indefinite arrangement of new particulars or a rearrangement of previously

14

The term triangulation is used in different ways, but essentially it refers to collecting and comparing different perspectives on a situation. (STUBBS, 1987: 234)

established particulars in 'authoritative', 'final', 'formal' accounts15. (STUBBS,

1987: 234)

Enquanto processo, a pesquisa qualitativa envolve três atividades genéricas, interligadas, que segundo Denzin & Lincoln (2006: 32), “seguem uma variedade de rótulos diferentes, incluindo os de teoria, método, análise, ontologia, epistemologia e metodologia”. De acordo com os autores:

Por trás desses termos, está a biografia pessoal do pesquisador, o qual fala a partir de uma determinada perspectiva de classe, de gênero, de raça, de cultura e de comunidade étnica. Esse pesquisador marcado pelo gênero, situado em múltiplas culturas, aborda o mundo com um conjunto de idéias, um esquema (teoria, ontologia) que especifica uma série de questões (epistemologia) que ele então examina em aspectos específicos (metodologia, análise). Ou seja, o pesquisador coleta materiais empíricos que tenham ligação com a questão, para então analisá-los e escrever a seu respeito. Cada pesquisador fala a partir de uma comunidade interpretativa distinta que configura, em seu modo especial, os componentes multiculturais, marcados pelo gênero, do ato da pesquisa. (DENZIN & LINCOLN, 2006: 32)

Neste trabalho de tese, parto do meu interesse em estudar as representações discursivas voltadas para crianças e adolescentes em situação de risco/exclusão social, principalmente, as representações que lhes garantam o direito de inclusão no sistema educacional. O panorama em que vivem crianças e adolescentes em situação de risco e de exclusão social no Brasil e o que diz a lei sobre seus direitos são discutidos no Capítulo 1, que trata da contextualização da pesquisa em consonância com o esquema teórico conjugado nos Capítulos 2 e 3: Análise de Discurso Crítica e Pesquisa Social Crítica, bem como Linguística Sistêmico-Funcional – Aportes para Análise da Interioridade da Linguagem sob a Perspectiva Social. As questões de pesquisa (epistemologia) e as estratégias utilizadas na construção do corpus constituem o cerne do presente capítulo. Os Capítulos 5 e 6 serão dedicados às análises interpretativas do material empírico, balizados pelos métodos escolhidos.

A pesquisa qualitativa lida com interpretações das realidades sociais.

A mensuração dos fatos sociais depende da categorização do mundo social. As atividades sociais devem ser distinguidas antes que qualquer frequência ou percentual possa ser atribuído a qualquer distinção. É necessário ter uma noção

15

Tradução livre: Eu uso a expressão "triangulação indefinida" para sugerir que cada procedimento parece ter a evidência trancada, assim, para reivindicar um nível de adequação que poderá ser submetida ao mesmo tipo de análise que, por sua vez, produzirá ainda um outro arranjo indefinido de novas indicações ou um rearranjo dos elementos previamente estabelecidos em relatos 'autoritários', 'finais', 'formais'.

das distinções qualitativas entre categorias sociais, antes que se possa medir quantas pessoas pertencem a uma ou outra categoria. (BAUER, GASKELL & ALLUM, 2002: 24).

Nesse sentido, observamos a importância do método, uma vez que exerce um efeito na produção de conhecimento que se reflete na teoria, a qual objetiva validar o conhecimento e a compreensão por meio da representação da natureza, dos fatos sociais, bem como da qualidade das experiências pessoais.

Outra vantagem, ao adotar o método, é que “a pesquisa qualitativa é, em si mesma, um campo de investigação” (DENZIN & LINCOLN, 2006: 16). Sendo assim, a pesquisa que envolve esse tipo de metodologia deve apresentar uma abordagem interpretativa, naturalista, para o mundo, isto é, “seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem” (DENZIN & LINCOLN, 2006: 17).

Uma pesquisa qualitativa requer do pesquisador um paradigma, ou seja, um esquema interpretativo, um “conjunto básico de crenças que orientam a ação” (GUBA, 1990: 17, apud DENZIN & LINCOLN, 2006: 34). O paradigma utilizado nas estratégias de investigação desta pesquisa parte de critérios críticos sociais, embasados na ADC e na LSF. É sobre essas estratégias que tratarei a seguir.