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3. Theoretical framework

3.1 The interdependence of the soybean complex

O CAp/UFRGS é considerado uma escola laboratório, um espaço de produção de conhecimento pedagógico, portanto, essa característica propicia a implementação de diversas propostas institucionais que visem avanços da área em geral ou específica.

Dessa forma, o Projeto Político Pedagógico (PPP) da instituição (COLÉGIO DE APLICAÇÃO, 2000, p. 1) incentiva e defende toda e qualquer prática que visem à transformação e melhoramento da práxis educativa:

O Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [...] constitui-se em espaço privilegiado para a reflexão e a renovação das práticas pedagógicas, serve de estímulo à pesquisa institucional [...] tem como referência o ensino que compreende a interação professor-aluno como base, em uma perspectiva dinâmica. [...]. A prática deve ser tratada como investigação, experimentação, espaço de descoberta e de construção [...]. Ao professor cabe fazer da sala de aula um campo de pesquisa e de seu ambiente de trabalho um laboratório. [...]. A condição privilegiada junto à UFRGS possibilita o desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão voltados para propostas pedagógicas inovadoras e viáveis aos desafios contemporâneos da Educação Fundamental e Média. [...]. A prática pedagógica deve ser tratada como uma investigação, uma experimentação, um espaço de descoberta e de construção, através da qual se promovem as liberdades de pensamento e a busca de uma ação crítica e transformadora.

Foi nesse sentido que a proposta de (des)seriação da EF no EM foi construída, levando em consideração tanto as metas do projeto vigente para esta etapa do ensino, orientadas pelas DCNEM (2011) e PPP da escola, quanto aos enfrentamentos da área com relação à participação dos alunos.

Antes de explicar a implementação da proposta de (des)seriação da EF, objetivo dessa pesquisa, pretende-se realizar uma descrição sucinta da implementação do projeto do qual a proposta faz parte.

O projeto Ensino Médio em Rede (EMR), como já dito, surgiu da necessidade de readequação do projeto denominado Ensino Médio Inovador (EMI) – implementado em 2010 – após a avaliação realizada pelos professores do EM, que contou com um levantamento de pontos positivos e negativos da proposta na opinião de professores e alunos.

A partir desse momento, inúmeras reuniões pedagógicas dessa equipe de trabalho trataram esse assunto e, assim que os professores se conscientizaram dos diversos problemas apresentados, decidiram adequar a proposta vigente.

Em junho de 2011 foi constituída uma comissão de estudos por professores desse grupo de trabalho – na qual contou com a participação desta pesquisadora –, que teve como propósito organizar os dados, interpretá-los, discuti-los e fundamentá-los,

retornando sempre ao grupo de trabalho e à comissão de ensino da escola, para, posteriormente, apresenta-los aos professores de outras etapas escolares, direção e famílias com vistas à aprovação.

Com base nos apontamentos feitos por alunos e professores para a adequação do projeto, a comissão de estudos se propôs reajustar os objetivos pré-estabelecidos para esse nível de ensino, conforme o PPP da escola, em vista não apenas de uma proposta estrutural, como também uma proposta pedagógica que possibilitasse e justificasse a nova reelaboração. Assim, objetivou-se elevar a autoestima dos estudantes ao visualizarem o seu progresso diante do esforço e empenho despendidos. O propósito era levá-los a percorrer um caminho transparente e seguro com relação aos objetivos pedagógicos, com mais confiança em sua capacidade e respeito à sua singularidade, reconhecendo os avanços realizados e as habilidades e competências desenvolvidas nos módulos curriculares cursados no semestre, ao invés de reprová-los em todo ciclo (semestre/ano).

4.1.2 – Adaptações estruturais e práticas para o projeto EMR do CAp

1. Divisão dos Módulos: evitar o isolamento e a falta de comunicação entre as

áreas do conhecimento, além de estruturar-se na ideia de habilidades e não de conteúdos a serem vencidos ao final de cada módulo. As habilidades e competências requeridas em cada módulo foram estabelecidas entre as áreas e os departamentos e compartilhadas, primeiramente, no Seminário de Verão de 2012 e, posteriormente, nas reuniões de equipe de trabalho. Ao final do período do EM, o aluno terá que concluir os 06 módulos propostos. Os módulos são oferecidos a partir de 2012 e de acordo com o semestre em questão. Os semestres pares contariam com o oferecimento de módulos pares (2, 4, 6) enquanto que semestres ímpares (1, 3, 5) seriam oferecidos nos respectivos semestres ímpares.

2. Turmas: Foram constituídas por módulos, divididos por período semestral.

Os módulos possuíam mais independência entre si, além de possibilitar ao aluno maior oportunidade de aprendizagem, já que, seriam ofertadas diferentes possibilidades de recuperação ao estudante, reduzindo-se assim o número de reprovação e eliminando os termos de compromisso. Os módulos ímpares dependeriam um do outro, ou seja, para cursar o módulo 3, o aluno deve ter sido aprovado no módulo 1 e não necessariamente no módulo 2. Por outro lado, o aluno que reprovou no módulo 2, poderá cursar 3, porém não poderá cursar o 4 sem haver sido aprovado anteriormente no 2.

Turmas em caráter especial: a iniciação científica (IC) e as disciplinas

eletivas (DE) seriam compartilhadas com a EF, de modo que todos os alunos do EM, independente do módulo, fossem divididos em duas partes, ficando uma sob a responsabilidade da EF em dois períodos de 1h05min, e a outra sob a responsabilidade das DE e IC, com duração de 1h05min cada disciplina. Os alunos teriam que, obrigatoriamente, cursar 2 disciplinas eletivas e 2 disciplinas de IC ao final de 2 semestres.

3. Recuperação dos Módulos: No segundo semestre do primeiro ano letivo, os

alunos reprovados no módulo 1 poderão cursar todas as disciplinas do módulo 2, em horário regular. Como proposta de recuperação, o aluno poderá se matricular na disciplina de recuperação do módulo 1 (na disciplina em que foi reprovado no semestre anterior), que acontecerá no turno inverso, nos horários de laboratório de ensino. A recuperação será oferecida como disciplina regular, com trabalhos e/ou avaliações, de acordo com a decisão do professor. O aluno que não for aprovado na recuperação ou optar por não fazer a disciplina deverá cursar, no primeiro semestre do ano seguinte, o módulo 1 da disciplina que foi reprovado e o módulo 3 de todas as outras disciplinas. Caso o aluno tenha sido aprovado na disciplina de recuperação, cursará o módulo 3 de todas as disciplinas, atrasando-se assim em apenas 1 semestre da disciplina reprovada e não 1 ano inteiro. O mesmo sistema de reprovações e recuperações acontece para os módulos pares, com as recuperações sendo oferecidas no primeiro semestre de cada ano letivo.