Além das afirmativas feitas utilizando-se a escala Likert, foram realizadas questões abertas, cujo objetivo foi verificar a razão da implantação do Método de Casos no ensino da Contabilidade; como foi essa implantação e se este foi implantado em todas as disciplinas ou em algumas e quais foram elas; se o Método contribuiu para o ensino da Contabilidade pela Instituição, se faria ajustes após ter aplicado o Método e quais desvantagens apurou com a utilização do Método.
A seguir passa-se a uma análise qualitativa das respostas.
Com relação à Razão da Implantação do Método de Casos, questionou-se aos Coordenadores, a razão pela qual iniciaram o processo de implantação do
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Método de Casos no ensino da Contabilidade. Realizou-se um apanhado das razões expostas e chegou-se as principais:
a) Público adulto: Método de Casos é mais adequado para esse público. b) Teoria x Prática: permitir ao aluno a vivência prática dos conceitos recebidos na teoria.
c) Curso Modular: em razão do tipo de curso (em módulos) optou-se por esse método.
d) Convergência Contábil: em função das alterações na legislação societária, com o advento da Lei n ° 11.638/2007 e dos Pronunciamentos Contábeis (CPCs), necessita-se, ainda mais, o contato do aluno com casos práticos.
Na questão sobre Como se deu a Implantação, para cada respondente houve uma resposta diferente, exceto pelo modo de implantar que teria sido gradual, ou seja, inciado em uma disciplina específica para servir de “piloto” e depois disseminado para outras. Ainda em algumas Instituições o Método permanece aplicado em uma ou duas disciplinas. A seguir destacam-se algumas respostas dos entrevistados, identificados pela sigla “CR” de Coordenador Respondente, acompanhada de um número para identificá-lo.
A pergunta feita aos coordenadores foi: Como ocorreu a implantação?
Gradativo, Contabilidade geral, tributária e laboratório. (CR5).
A implantação foi efetuada de forma autônoma e com a liberdade de cátedra do docente, muitos se sentem à vontade de trabalhar o estudo de casos com discussão através de grupos para gerar críticas ao relato e à vida fora dos bancos escolares. Embora estimulado quando possível, ainda percebo que tem docentes que não conseguem vincular as necessidades do dia a dia com o meio acadêmico, ficando somente com a bibliografia como base de ensino. (CR4).
Decidido por colegiado de Curso, elencou-se uma disciplina para essa especificidade. (CR15).
Com relação à Quantidade de Disciplinas Implantadas verificou-se, através das respostas dos Coordenadores, que o Método de Casos ainda é implantado em algumas disciplinas apenas. Alguns demonstraram claramente na
resposta a intenção de estender para todo o curso de Contábeis. A seguir destacam- se algumas respostas:
Como o curso está indo para o quinto semestre isso somente tem sido observado com a disciplina de Contabilidade introdutória, direito, computação aplicada à Contabilidade, análise econômico-financeira, empreendedorismo e inovação, fundamentos de marketing, mas, o objetivo é se estender a todas as disciplinas que envolvem Contabilidade, custos, pericia, auditoria, controladoria entre outras. (CR4).
Uma disciplina no último semestre para abranger todos os demais semestres. (CR15).
Interessante notar que, no último caso (CR15), a Instituição de Ensino criou uma disciplina específica no último semestre, na qual aplica os Casos abordando conceitos vistos nas disciplinas dos semestres anteriores.
Na Contribuição do Método para Melhoria do Ensino, questionou-se se o método havia contribuido para melhoria do ensino na Contabilidade na Instituição e de que forma? Houve unanimidade de respostas afirmando que o método contribuiu para melhoria do ensino da Contabilidade na Instituição. As contribuições apontadas pelos coordenadores, na sua maioria, estão relacionadas ao contato do aluno com o “mundo real”, ressaltando a vivência prática e tornando o curso mais prático e agradável.
Destacam-se algumas respostas:
Sim... o número de alunos triplicou com os anos e a melhora do ensino é nitida. (CR1).
Neste caso, verifica-se que a aplicação do Método na Instituição motivou os aluno, pois de acordo com o coordenador, o número de alunos triplicou.
Outro ponto destacado foi o fato do aluno ser “provocado” para desenvolver estratégias e soluções, conforme resposta a seguir:
O que se observa com o estudo de casos é que há uma provocação maior no aluno na busca de estratégias e soluções muitas vezes não evidenciadas nas bibliografias acadêmicas. Essa provocação causa um impacto positivo e vislumbra situações novas que são possíveis no dia a dia. Depois que é discutido uma parte de determinada disciplina e é possível a visita a alguma empresa que posiciona seus
problemas acabam surgindo oportunidades de discussão e aprendizado. (CR4).
O aprofundamento na pesquisa também foi lembrado:
O método é uma forma do aluno aprofundar as pesquisas, principalmente no que se refere aos CPC's. (CR15).
Com relação à Realização de Ajustes ao Método, a maioria dos coordenadores afirmou realizarem ajustes ao método depois de o terem implantado. Algumas das respostas seguem apresentadas:
O método de estudo de casos depois de aplicado poderá fazer surgir novas situações que ensejam uma adaptação, melhoria ou até mesmo substituição em virtude da aplicação não ter surtido resultado, isso é possível, principalmente, em virtude do grau de conhecimento do aluno. Esse tipo de didática é fundamental, mas, se não houver uma revisão dos seus conteúdos poderá criar problemas de repetições e alterações necessárias não são evidenciadas perdendo a qualidade, um exemplo é com relação às mudanças na legislação contábil. (CR4).
Sempre estou fazendo ajustes na dinâmica e novos casos. (CR14).
Um dos respondentes enfatizou a necessidade dos professores atuarem na área contábil e não apenas exercerem a docência:
Os professores tem que ser profissionais também na área e não só acadêmicos. (CR6).
Como Desvantagens encontradas na aplicação do Método as principais citadas foram:
a) Tempo de preparo do material:
[...] Um estudo de casos bem elaborado demanda tempo, e isso pode desestimular o docente a preparar esse material para aplicação em sala de aula, ficando somente com o conteúdo teórico e a praticidade fica em 2º plano. (CR4).
Não temos livros ou material disponível facilmente, por isso a dificuldade, ou seja, é necessário confeccionar o material para as aulas. (CR5).
b) Falta de preparo de professores:
O mercado tem poucos professores preparados. (CR6).
c) Motivação dos alunos:
1) Os alunos da sala não estão integrados; sem interesse por qualquer conteúdo e, nesse caso, o estudo será mais um motivo de justificativa para o aluno não assistir as aulas ou justificar a perda de tempo. (CR4).
d) Subjetividade da Avaliação:
[...] Muitas vezes há o questionamento do aluno por uma metodologia que possa pontuar a nota em um trabalho dessa natureza e, quase sempre, essa avaliação acaba sendo subjetiva, criando no aluno uma falsa espectativa ou surpresa no momento da sua avaliação por fugir do tradicional (CR4).