3. Interfaces and transport in ionic solids
3.3 Transport across grain boundaries: intrinsic effects
3.3.1 The grain boundary core-space-charge layer model
Para compreender os mecanismos de educomunicação utilizados no ProjetoACLIMAR, cabe descrever e entenderas características da comunidade do Córrego do Urubu onde o projeto está inserido, assim como as características de mobilização dessa comunidade consolidadas num movimento popular, ao qual o Projeto ACLIMAR vem somar forças na busca pela defesa do meio ambiente e da qualidade de vida dos moradores do Córrego.
Durante os anos 50, a região do córrego do Urubu era uma fazenda que foi desapropriada para apoiar a construção da nova capital do Brasil através do fornecimento de madeira e minérios; também foi escolhido o local por muitos trabalhadores por ser próxima aos canteiros de obras de Brasília. Segundo mencionado por Zacharias, G.C. (2011) durante a pesquisa que realizou com os moradores, não há consenso se, após a construção de Brasília, a área foi destinada a ser uma área de produção, agregando que todos os entrevistados concordaram em afirmar que a área não tem perfil para isso, devido a sua topografia atípica, que não tem vocação para ser efetivamente uma região de produção em grande escala. Muitos moradores, em função desse fato, acabaram deixando as suas propriedades.
No entanto, apesar dessas mudanças iniciais, muitas famílias se instalaram no local, provocando conflitos com o Governo do distrito Federal (GDF) sobre a propriedade da terra. Segundo a entrevista realizada por Zacharias, os moradores alegam serem donos da terra - da mesma forma, o Governo do Distrito Federal. Na década de 1980, os moradores começaram a se organizar e criaram a Associação dos Chacareiros do Paranoa Norte (APAN), e se interessavam em destacar o tema da proteção ambiental da região.
Portanto, a mobilização na comunidade do Córrego do Urubu ocorre a mais de 30 anos, a partir da constatação de que existiam riscos de degradação ambiental na região e de que era necessário se mobilizar para conter os mesmos. A preocupação principal era, na época, a proteção das nascentes, 9 tributários ao Lago Paranoá.
Segundo Solange Satho, moradora e uma das principais ativistas, o movimento tem como objetivo principal fomentar a preservação ambiental aliada à consolidação de assentamentos humanos sustentáveis, caracterizados por desenvolver ambientes com baixo impacto ambiental, em função das suas características topográficas acidentadas, e da presença de mananciais e corredores ecológicos para a fauna e flora, sendo essas suas principais atividades.
Observando as ações promovidas pelos moradores do córrego do Urubu, percebemos que se fundamentam em três pilares de ações, o que será naturalmente da base do Projeto ACLIMAR; atividades de:
a) Diagnósticos de avaliação ambiental;
b) mobilização e ação;
c) comunicação.
Nos últimos vinte anos, os moradores ampliaram a articulação institucional com outros atores da sociedade para legitimar e somar suas reivindicações, como ONGs locais e de abrangência nacional e internacional, além da aproximação com a administração do Lago Norte e participação no Comitê da Bacia do Paranoá.
O Movimento Salve o Urubuexplora, em especial, os encontros na forma de mutirões, visando à proteção das nascentes, recolhimento de lixo e plantação de mudas, festas de confraternização entre os moradores e aproximação com a natureza, assim como a busca por parcerias, para ampliar a capacidade de monitoramento ambiental de suas águas, visando a ter bases técnicas para avaliar como se encontra a situação educação ambiental da região. Suas principais ações de sensibilização são:
a) Mutirão de limpeza do Portal das Águas, uma das principais vias de acesso à microbacia, em parceria com a administração do Lago Norte;
b) Mutirão comunitário para desassoreamento da Cachoeira do Urubu, área de lazer frequentada por moradores da microbacia, do Varjão e das comunidades vizinhas.
c) Implantação do Urubu Limpo – Coleta Seletiva na região do Portal da Águas, que envolve articulação com a Cooperativa de Catadores do Varjão.
d) Semana do Meio Ambiente – apresentações culturais para a comunidade.
A população instalada no núcleo rural da microbacia do Urubu tem cerca de 1.100 pessoas, tendo se caracterizado por ocupação irregular de chácaras e pequenos condomínios desde sua ocupação, na década de 1970, fazendo parte do bairro Taquari.
É importante indicar que o Movimento Salve o Urubu detém mecanismos de comunicação,como listas de discussão e site na internet, boletim e jornal comunitário (Urubu Correio), como forma de disseminação das suas atividades e temas de discussão.
Um dos aspectos destacados no documento do Movimento Salve o Urubu indica como eles identificam e definem uma vocação da própria comunidade:
a) Aproximadamente570 hectares (semcontarTaquari);
b) Baixadensidade;
c) Alta declividade;
d) Nascentese córregosqueabastecemo LagoParanoá;
e) Vocação: preservação (não produção), atividadesagroecológicasempequenaescala;
f) Sociedade civil organizada: preservaçãoeregularização.
A microbacia do Córrego Urubu tem como vocação principal a preservação ambiental aliada à consolidação de assentamentos humanos sustentáveis, ou seja, de moradia com baixo impacto ambiental em função das suas características topográficas acidentadas e à presença de mananciais e corredores ecológicos para a fauna e flora.
A Associação dos Chacarei de Paranoá Norte (APAN), tinha como objetivo principal a regularização fundiária das chácaras, e já existia o interesse pela questão ambiental, sendo seu foco voltado na proteção das nascentes, sendo estes tributários do lago Paranoá. De acordo com Zacharias, G. C. (2011), acredita-se que a proteção das mesmas evitaria a degradação do próprio lago Paranoá.
A identificação desses mecanismos de interação entre os moradores desenvolvidos pelos membros da comunidade do córrego do Urubu, consolidados em ações de conscientização, mobilização e diagnósticos são a base da estrutura do Projeto ACLIMAR,
proposta pela ONG situada dentro da comunidade, o ISSA, criado em 1998 com o objetivo de recuperar as áreas degradadas, utilizando tecnologias para obter o que o ISSA define como soluções socioambientais. Segundo Zacarias, G. C. (2011), a sua aceitação por parte da comunidade é devida a uma ONG nascida na comunidade do Córrego do Urubu e a seu fundador Andrew Miccolis, um dos mais atuantes líderes da comunidade. Os resultados alcançados pelo ISSA, em especial a partir do Projeto ACLIMAR, têm atraído pessoas e organizações a conhecer os resultados alcançados.
Entretanto, identificamos um outro componente importante que se agrega a partir do início do Projeto ACLIMAR dentro das ações junto com a comunidade, que se trata de um componente essencial para a consolidação de uma ação educomunicacional, com vistas à melhoria de qualidade de vida do meio ambiente e de sua população: o componente educacional.
Este componente, visando à formação de um pensamento crítico sobre o seu meio e à capacitação de técnicas socioambientais, amplia a capacidade de percepção dos problemas, identifica os mecanismos e a forma de reduzir riscos ambientais e os efeitos consequentes das mudanças climáticas.
Para a consolidação desta componente, soma-se ao projeto a contribuição da Dra. Renata Marson, professora durante o período do projeto da Universidade Católica de Brasília (UCB), e sua capacidade de articular com os estudantes do mestrado em gestão e planejamento ambiental e do curso de engenharia ambiental da Universidade Católica de Brasília, motivando a realização de pesquisas sobre diversas características socioambientais do Córrego do Urubu e do entorno dele. Esta parceria gerou trêstrabalhos de Conclusão do Curso (TCC) e 4 dissertações ligadas direta ou indiretamente à comunidade do Urubu ou áreas próximas.
4.1.6 As campanhas de comunicação e as redes virtuais do Projeto ACLIMAR com o