2. Transport in ionic solids
2.1 Point defects
2.1.2 External defect equilibria and doping effects
As mudanças climáticas são percebidas pela população como riscos ao “bem viver”, uma vez que podem afetar sua forma de vida atual e futura, tornando asociedade vulnerável. Portanto, torna-se importante especificar a forma como as mudanças climáticas estão influenciando as comunidades. Por isso, as Nações Unidas e a IPCC, entre muitas outras instituições, partiram para a análisedesses fenômenos.
Estudos em 16 países em desenvolvimento indicaram que as mudanças climáticas originam um aumento da pobreza (GARNER, E. K., 2009). A EUREKALERT, ONG de West Lafayette, Indiana, USA, já indicava que, de acordo com um estudo realizado em 2009, que quantificava os efeitos das mudanças climáticas nas regiões pobres do mundo, os trabalhadores urbanos sofrem mais pelas mudanças climáticas devidoao aumento do custo dos alimentos, que leva consigo as consequências do aquecimento global.
Os pesquisadores da universidade de Purdue examinaram o resultado econômico potencial das mudanças climáticas, como as ondas de calor, seca e chuvas copiosas, sendo que os resultados indicaram que Bangladesh, México e Zâmbia são os que estiveram com maiores riscos. O professor associado em ciências da terra e da atmosfera e diretor interino do Centro
de pesquisas das mudanças climáticas da Universidade de Purdue, Noah Diffenbaugh, que dirige o estudo, indicou que:
[...] o clima extremo afeta a produtividade agrícola e pode aumentar os preços de alimentos básicos como grãos, que têm uma grande importância nos orçamentos familiares dos países em desenvolvimento. Os estudos mostraram que o aquecimento global seguramente aumentará a frequência e a intensidade das ondas de calor, secas e enchentes em muitas áreas. O que importa é entender quais são os grupos socioeconômicos e que países podem ver mudanças na pobreza para poder fazer decisões de política adequadas à dita informação”. (DIFFENBAUGH, 2012).
As informações utilizadas foram do século 2000 e as novas do século 2001, comparando-seos dados extremos de temperaturas altas e sua influência sobre a produção de grãos,além de seu impacto sobre as pessoas empobrecidas em cada país. Segundo esses estudos, aspopulações mais vulneráveis são as que se encontram morando em comunidades pobres,em áreas de alto risco. Não têm capacidade de adaptação rápida, porque dependem de alimentos e recursos que mudarão rapidamente com o aquecimento global. Isso é especialmente importante com relação à água e grãos, que são mais escassos e aumentam de preço com maior facilidade se a temperatura aumentar. A África é um dos continentes com maior vulnerabilidade, por falta de uma adaptação fácil. Na Ásia, calcula-se que deva faltar água, especialmente na China, onde existe uma rápida urbanização e industrialização.
No Brasil, as incertezas são maiores em relação à chuva no Sudeste e Centro-Oeste, mas no Nordeste o semi-árido poderá, com umclima mais quente no futuro, transformar-seem região árida, sendo que os retirantes podem aumentar, na forma de “refugiados do clima seco”, em lugar das secas periódicas.
Como era de se esperar pela falta de uma governança maior e falta de divulgação científica, com relação à mudança climática, os governos, que têm marcos de referência curtos, não se interessam o suficiente por problemas de longo prazo, nem pelas futuras gerações. O seu interesse é de curtíssimo prazo. Por isso, têm avançado muito pouco com relação às definições e às ações a serem implementadas para mitigação das mudanças climáticas, que são de longo prazo de maturação. As perspectivas não são otimistas. Iremos analisar perspectivas claras de avanços, como nas áreas científicas e tecnológicas, de retrocessos e propostas para a solução da problemática das mudanças climáticas. Entre elas, apresentam-se, a seguir, as do professor Sachs, J. D. (2012):
As tecnologias atualmente consideradas de baixa emissão de carbono são: 1) a captura e sequestro do carbono (CSC) utilizando grandes ductos de fábrica no interior da terra, 2) automóveis híbridos ou elétricos ou com tecnologias de hidrogênio, 3) a geração de eletricidade termo-solar. Adicionalmente a essas tecnologias, também se inclui como importante para o futuro a diminuição radical das queimadas e desmatamentos nos
países tropicais. Para que essas tecnologias substituam as atuais, que estão baseadas na queima de carbono, requer-se mais pesquisa cientifica aplicada, mudanças regulatórias, infraestrutura apropriada, aceitação do público e grandes investimentos que promovam a diminuição de custos em longo prazo.
Tudo é viável, sendo que, ao iniciar a aplicação dessas tecnologias, os custos deverão ser absorvidos por algum sistema criado a nível mundial, para subsidiar os custos iniciais mais altos. Dessa maneira, será possível mudar para um novo padrão tecnológico. Os estudos científicos estimam que, se a decisão fosse tomada, os países mais ricos teriam condições maiores de utilizá-las rapidamente, substituindo as tecnologias de carbono. Já os países menos avançados, que normalmente utilizam sobras das tecnologias antigas dos países ricos, teriam menos possibilidades de mudança imediata das suas tecnologias, apesar de que o seu peso a nível mundial é menor.
Neste ponto, pode-se indicar que a tecnologia de energias renováveis de matriz de carbono não é uma alternativa alongo prazo, porque se continuaria emitindo gases estufa. Por outro lado, é importante enfatizar que o etanol produzido pelos EUA tem como consequência a diminuição da produção de alimentos básicos e estratégicos, como o milho. Dessa maneira, promovem a difusão da pobreza mediante o incremento dos preços dos alimentos, como explicado acima. Também o álcool brasileiro de cana multiplica áreas de monocultura,promovendo assim maiores desmatamentos, com efeitos desfavoráveis na alimentação e emprego das populações mais pobres. Nessas circunstâncias, a proposta mais importante seria a conservação da floresta virgem, tendo maiores benefícios em fixação de carbono e eliminação de problemas sociais e ambientais (FEARNSIDE, P. M., 1995).
De acordo com os últimos documentos, o Brasil não apresentou metas numéricas para as reuniões internacionais da UN – FCCC (1992), para não despertar tensões sobre a soberania da Amazônia se as metas não forem cumpridas totalmente como explica Fearnside P. M. (2001). O que o Brasil apresenta são evidências de que o governo está lidando com esse problema, "[...] porém a maioria dos técnicos considera que as propostas deixam muito a desejar". (FEARNSIDE, P. M., 2003), informações se encontram em: (FEARNSIDE, P. M.; BARBOSA, R. I., 2003).
Diante das circunstâncias,nas quais os governos não apresentam sinais de mudar de comportamentode forma eficaz, os expertos recomendam ações locais promovidas pelas comunidades de base para iniciar a formação de uma nova governança. Entre as ações propostas destacam: a permacultura, agroflorestas, plantações silvícolas com produção de
carvão, administração das florestas para madeira, casas de impacto reduzido, melhoramento dos solos com carvão (incluindo adição de carvão, agricultura sem desmatamento e fertilização de pastagens) e bicombustíveis, em especial, o azeite de palma. O Projeto ACLIMAR, estudado nesta dissertação, é um exemplo de ações desta índole, para mitigar o risco das mudanças climáticas.
Também no consumo consciente é onde as ONGs e a população organizada podem realizar esforços de colaboração,como é o caso de exemplos apresentados em continuação:
a. Deslocar-se de forma diferente, deixando o carro em casa e usando transporte público. Esse tipo de ação requer um apoio amplo dos governos, modernizando o transporte público e evitando emissões de gases mediante metrôs ou ônibus elétricos;
b. Caminhar ou usar bicicleta, mas, se tiver que usar carro,organizar caronas comunitárias ou de vizinhança;
c. Não viajar muito, usando mais telecomunicação;
d. Comer de forma diferenciada, usando mais verduras do que carne e comprando os alimentos de agricultores locais, evitando que os produtos sejam transportados por longas distâncias;
e. Mudar a forma de trabalho, reduzindo o uso de papel e usando papel reciclado, reciclando os desperdícios, imprimindo menos frequentemente e por ambos os lados das folhas. Utilizar computadores que reduzam o uso de energia e móveis mais ecológicos;
f. Reusar e reciclar;
g. Reduzir qualquer atividade da casa, incluindo o recolhimento de lixo seletivo. Checar o uso de energia em casa, com luzes que utilizem menos eletricidade;
h. Promover a formação de cidades concentradas mediante edifícios e vivendas que permitam o menor consumo de combustíveis, diferentemente das áreas amplas resultantes de casas individuais.