6. Discussion of results
6.2 The effect of ESG performance on stock volatility
De acordo com Braga (2008) pensar na indústria naval de um modo geral é vislumbrar estrategicamente um setor que se desenvolve em longo prazo, ou seja, entender que seu crescimento e desenvolvimento acontecem no decorrer de décadas.
Assim, percebe-se a relevante importância e necessidade de investimentos na área educacional voltada para formação de pessoal técnico qualificado.
Takimoto (2006) acentua que os gargalos de mão de obra qualificada e de modernização tecnológica devem ser os principais e primeiros fatores a serem equacionados a fim de propiciar um desenvolvimento auto-sustentável, eficiente e contínuo de uma indústria de construção naval, evitando muitos retrabalhos, desperdícios de materiais, recursos e tempo, além de possibilitar o processo de nacionalização da indústria bélica naval no país. Este parece ter sido o caminho seguido por JK para a implementação da indústria naval brasileira, nacionalizando o curso de Engenharia Naval através do convênio entre a USP e a Marinha em 1956, conforme assinalou o Almirante Élcio Freitas em entrevista95 ao autor:
(...) Teve uma relação direta, pois se o Brasil queria construir navios ele ia precisar de Engenheiros Navais e estes até então, não eram formados no Brasil. Os da Marinha eram os únicos no país, e se formavam fora e os demais não havia, porque não havia construção naval então era necessário formar os Engenheiros Navais e para Marinha e como decorrência para indústria naval que estava sendo implantada (...) o único núcleo de Engenheiros Navais existentes no Brasil era o da própria Marinha quem detinha essa experiência era a própria MB (...). A Marinha por assim dizer foi o braço do governo para implantar uma coisa de que o Brasil precisava. (...) algo relevante era que vantagem para marinha em se ter pessoas, pensando em engenharia naval e no mar e que mais adiante a marinha vai utilizar esse pessoal como consultores (...).
O processo educativo de formação, enquanto mecanismo de desenvolvimento do ser humano precisa ser realizado de modo continuado, constante, atualizado e renovado
frente aos desafios que se apresentam para o futuro. O conceito da chamada “educação corporativa” que foi iniciado por Jack Welch 96
em 1955, seria uma estratégia de gestão do conhecimento para preparar recursos humanos, visando uma vantagem competitiva, adotando características de permanência, consistência e proatividade, além de privilegiar os objetivos organizacionais, sendo a chave para reter o capital intelectual de maneira a qualificar, especializar e atualizar sua mão de obra técnica (BRAGA, 2008).
Ainda de acordo com o autor, pensar na indústria naval de um modo geral é vislumbrar estrategicamente um setor que se desenvolve em longo prazo, ou seja,
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Entrevista realizada no Rio de Janeiro em 09 de abril de 2012. O Vice-Almirante (EN) Elcio de Sá Freitas foi Diretor do Escritório Técnico de Construção Naval da Marinha em São Paulo entre 1973 e 1981. Também serviu na Diretoria de Engenharia Naval da Marinha (DEN), sendo seu Diretor entre 1984 e 1990.
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Executivo de eletrônica, John Frances Welch Jr. (Jack Welch) nasceu em Salém nos EUA e foi presidente da General Eletric, sendo considerado como um mestre do planejamento estratégico pautado na qualificação de pessoal.
entender que seu crescimento e desenvolvimento advêm após anos. Assim, percebe-se a relevante importância e necessidade de investimentos na área educacional voltada para formação de pessoal técnico qualificado.
Em virtude da indústria de construção naval militar se caracterizar pela produção de um bem de alto valor agregado e estratégico, confeccionado sob encomenda, atrelado a fatores de caráter econômico, de segurança e defesa de nações, este setor não se norteia, exclusivamente por forças do mercado.
Cabe ressaltar que o desenvolvimento da construção naval militar de um país leva anos e sua perda ocorre em um curto período. É interessante observar que no caso brasileiro a Marinha buscaria por meio da formação de uma base técnica - profissional abranger e desenvolver esse mecanismo produtivo e assim, poderia ter êxito no processo de renascimento da construção naval bélica a partir dos anos 1970, enfatizando que a alta administração naval procurou estabelecer um mecanismo contínuo de formação e aprimoramento de seu capital humano.
Sem dúvida, a construção das Fragatas no Arsenal de Marinha somente foi possível em função da interação entre engenheiros e operários nos estaleiros e firmas inglesas, tanto na Inglaterra quanto no Brasil. E assim, se daria a estrutura necessária para absorver a tecnologia estrangeira, exigindo um programa de formação de mão de obra específico para esse fim, sendo que o agente receptor dessa tecnologia, mormente a de ponta, deve possuir conhecimentos técnicos adequados, do contrário tal transferência seria fictícia ou em escala insuficiente para o propósito de nacionalização de todo o processo de projeto e construção de um navio de guerra (SOUSA, 2001).
É interessante acentuar ainda que a rapidez com que ocorrem as alterações tecnológicas no setor militar seria mais um fator de complexidade do processo de absorção tecnológica e evolução da mesma por parte de quem a recebe, sendo esse um aspecto que não pode ser descartado em um programa de preparação de pessoal técnico de alto nível. Além disso, a formação de técnicos em número, qualidade e diversidade suficientes seriam condições imprescindíveis para a construção de uma Marinha moderna para o país, principalmente quando se considera essa formação não apenas para o presente, mas, sobretudo para o futuro.
É importante salientar que as profundas mudanças no cenário tecnológico do pós Segunda Guerra e que se incrementariam em seguida com o advento da Guerra Fria,
viria a iniciar uma verdadeira “revolução tecnológica97”, principalmente na área bélica,
e assim, essa revolução viria alterar profundamente a formação técnica 98 extremamente qualificada.
O preparo do pessoal da área técnica seria uma das tarefas mais complexas de todo o processo da implantação da indústria naval militar, tendo em vista a velocidade com que as transformações tecnológicas ocorriam e a importância cada vez maior da ciência como fundamento para essas mudanças. A formação desses agentes qualificados que iriam atuar no setor tecnológico não poderia, portanto, se limitar ao simples aprendizado de técnica corrente num determinado campo. Seria fundamental que essa constituição tivesse um embasamento sólido de tal modo que serviria de alicerce para a adaptação posterior às diversas mudanças e melhoramentos nos projetos de construção de um navio de guerra.
E essa educação profissional de alto nível deveria ser pautada eminentemente no processo científico. Vale ressaltar que a formação dos engenheiros navais da Marinha se enquadraria nessa dinâmica. A Marinha do Brasil utilizou as Universidades brasileiras e estrangeiras para complementação de seu Quadro de Oficiais, como no caso da USP, que realiza a formação de oficiais do corpo de engenheiros desde 1956, como já foi apresentado anteriormente neste trabalho. A Marinha também faria uso das Universidades na Qualificação de Função Técnica Avançada (QFTA) 99. Sob este aspecto o Almirante Bittencourt assinalou em depoimento100 ao autor que:
(...) a intenção da Marinha sempre foi por meio de convênios (...) formar uma infra-estrutura de apoio em experimentação e educação à Indústria de construção naval do país e aí, a Marinha agiu com uma visão nacional, o que é particularmente louvável eu acredito, porque essa ideia (nacionalizar o curso de engenharia naval) podia ter partido do Ministério da Educação, podia ter partido do próprio GEICON, da própria universidade, mas não partiu da Marinha (...).
Essas iniciativas são exemplos do tipo de cooperação entre a Marinha e os setores acadêmicos do país. E nesse sentido, buscando a Marinha atingir seus objetivos
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Durante e no pós Segunda Guerra haveria o desenvolvimento tecnológico militar com o advento de equipamentos como o radar, o sonar, além de avanços nos sistemas de comunicação (JÚNIOR, 2012).
98 Mendonça (1986) destaca que no pós Segunda Guerra Mundial, há uma valorização do “técnico”,
sendo este um quesito não só racional e científico da política desenvolvimentista, mas também uma modalidade do intervencionismo e do planejamento estatais, posto que este corpo técnico emprestaria ao
Estado sua capacitação, sua “neutralidade” e seu “apoliticismo”.
99 É a qualificação em área técnica realizada por oficiais em convênio estabelecido entre a Marinha do
Brasil e instituições de pós graduação brasileiras, visando o aprimoramento técnico de áreas afins da Marinha.
de auto-suficiência tecnológica no projeto e construção de vasos de guerra modernos, as Universidades seriam o veículo ideal para a nacionalização da formação de uma massa intelectual de alto nível, com capacitação técnica para atingir não apenas os objetivos da Marinha, e, por conseguinte, os do país (FREITAS, 1979).
O Almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva salientou em depoimento101 que diferentemente do Exército e da Aeronáutica, a Marinha optou pelo convênio com a USP e com o Instituo tecnológico de São Paulo (IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas) a fim de buscar um maior relacionamento com a área acadêmica e com órgãos de pesquisas não militares, sendo este convívio fecundo na medida em que estimularia a intelligentsia102 a se interessar pelas questões militares, com evidente benefício para a caserna, e por outro lado, manteria os militares com espírito acadêmico, voltado não apenas para as questões inerentes a profissão militar, mas ampliando seus horizontes por meio do estudo, pesquisa e desenvolvimento. E esse intercâmbio com o ambiente universitário marcaria de forma indelével a qualificação do corpo técnico dos oficiais de Marinha, sobretudo os engenheiros navais.
Ainda com relação à importância da formação técnica para a nacionalização da indústria bélica naval no Brasil, o Almirante Elcio de Sá Freitas, em seu artigo
intitulado “A busca da grandeza: as retaguardas técnicas”103
explicitou também a relevância da composição do capital humano para a consecução de projetos de cunho nacional, como a capacidade de construção de naval militar, apresentando o conceito que chamou de retaguardas técnicas, conforme assinala:
Retaguardas técnicas são grupos capazes de aplicar recursos avançados a problemas práticos e complexos. São o elo vital entre obtenção e aplicação de conhecimentos. Ligam o setor técnico-científico ao organismo decisório e executivo nacional (FREITAS, 2012, p. 60).
O autor acentua que essas retaguardas seriam de suma importância para o desenvolvimento, combinando ensino e pesquisa a fim de reduzir a dependência externa do país em termos tecnológicos, industriais e econômicos, sendo que este abismo de
101 Entrevista concedida ao projeto: Memória Histórica e estratégica da Energia Nuclear no Brasil, do
CPDOC, realizada no Rio de Janeiro, em 13 de outubro de 2010. O Almirante Othon Luiz é Presidente da Empresa Estatal Eletronuclear, com relevante participação na evolução do Programa Nuclear Brasileiro, em especial no desenvolvimento no processo de enriquecimento de urânio. E participando ainda do processo de construção naval militar no Brasil nos anos 1970.
102 Termo utilizado para designar intelectuais de uma nação, grupo que se destaca por sua capacidade em
estabelecer uma visão mais criativa em suas atividades (Mannheim, 1974).
progresso entre o Brasil e as nações de vanguarda comprometeria não apenas o patrimônio nacional, mas em última análise a própria soberania104 da nação. E, para ele, esse desenvolvimento seria identificado como:
(...) a mais importante das aspirações nacionais. (...) o desenvolvimento a que aspiramos é amplo. Vai desde as artes até meios de defesa; desde a formação de uma sociedade justa e culta até a estruturação contra ameaças bélicas; desde a obtenção de cidades belas, eficientes e seguras até a vida civilizada e produtiva no campo e a proteção da natureza. E esse desenvolvimento não conseguiremos sem educarmos nosso povo. (...) é indispensável grande ênfase na formação de bons técnicos em todos os níveis (FREITAS, 2012, p. 61).
Aqui o pensamento do Almirante Élcio parece reproduzir um dos princípios da política desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek que seria a formação, utilização e expansão do conhecimento técnico a fim de colocar em prática seu programa de desenvolvimento para o Brasil, conforme declarou o Presidente:
É na formação dos recursos humanos que entra o papel da escola, um papel novo e eminentemente voltado ao conhecimento técnico. O ciclo industrial, em que o país ingressou decisivamente, criou aspectos novos à vida brasileira. E o desenvolvimento de nossa produção reclama um número maior (...) de engenheiros de todas as especialidades. É necessário incrementar a preparação de técnicos. O desenvolvimento em geral, e especificamente o desenvolvimento industrial, cria uma demanda de especialistas, formando um mercado de trabalho em potencial (apud CARDOSO, 1978, p. 220-221).
Em uma contextualização mais abrangente a significação da educação seria representada como sendo uma chave para formar e reter o capital intelectual de uma nação ou organização, de maneira a qualificar, especializar e atualizar, possibilitando um desenvolvimento contínuo.
Desse modo, a formação das chamadas retaguardas técnicas seriam importantes catalisadores desse processo de composição de pessoal altamente qualificado, sendo que a função precípua desses organismos seria estudar e resolver problemas existentes ou previsíveis, cuja solução ainda não fosse conhecida em órgãos de direção, planejamento, projeto, produção e manutenção do país, desde as esferas mais altas de decisão até os meios mais operacionais, tanto num governo, como num setor privado. É importante ressaltar que nas nações de desenvolvimento tardio, poucas retaguardas técnicas
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A ideia de soberania aqui parece coadunar com que Cardoso (1978) assinala quanto à definição deste conceito no projeto ideológico desenvolvimentista de JK, na qual a prosperidade e a independência econômica seriam pilares para se alcançar o desenvolvimento. E, sendo este implementado através de um programa idealizado e conduzido por um corpo técnico.
atuantes existem, e a resolução de questões práticas e complexas é obtida no estrangeiro, perpetuando o grau de subordinação dessas nações (FREITAS, 2012).
É interessante notar que quando necessário esses organismos técnicos podem se vincular a fontes externas de conhecimento, e neste caso identifica conhecimentos a serem obtidos, absorvem e desenvolvem a capacidade naquele campo que se buscou conhecimento. E, segundo o Almirante Othon 105 esta característica de interação entre as retaguardas técnicas militar e civil seria relevante para o desenvolvimento da indústria de defesa.
O cenário ideal para a utilização e desenvolvimento desse corpo técnico seria em grandes projetos, sendo as universidades e setores de pesquisas do governo os principais órgãos geradores e sustentadores desses grupos técnicos. Portanto, em um projeto de grande monta é importante que primeiramente as retaguardas técnicas tenham desenvolvido muitos dos processos e procedimentos que serão necessários para o andamento do projeto e assim, identificar com antecedência os problemas e dificuldades inerentes ao mesmo. Em projetos de caráter militar, geralmente, o governo será o maior cliente, inserido nesse sistema estaria a indústria, buscando atender aos objetivos nacionais nesse quesito. Cabe salientar que para a continuidade de desenvolvimento tecnológico e redução da dependência externa é preciso não apenas formar pessoal de bom nível técnico, mas é imprescindível utilizá-los.
Outro ponto a sublinhar é que a composição de uma retaguarda técnica ocorre em um processo lento, sendo necessários anos de graduação e pós-graduação, estudos próprios, experimentações e serviços técnicos relevantes. Freitas (2012) acentua que a retaguarda técnica brasileira vem sendo estruturada desde os anos 1970. E para consubstanciá-la foram criadas instituições estatais que visavam a formação, o aperfeiçoamento, o apoio e a coordenação, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), entre outras.
Vale assinalar que para o êxito desses corpos técnicos, é necessário que haja demanda, mesmo porque uma fraca utilização desses técnicos de alto nível gera descontinuidades e retrocessos em programas nacionais de desenvolvimento, havendo uma necessidade constante de investimento sistemático em programas de ciência, tecnologia e inovação.
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Uma das áreas mais afetadas com as descontinuidades de utilização das retaguardas técnicas é a da Engenharia Naval, sendo desse modo necessário que se existam ações catalisadoras a fim de minimizar os danos que esses espasmos causam e segundo Freitas (2012) os projetos estrangeiros no setor de Engenharia Naval alienam o capital humano e a tecnologia nacional.
No que tange as Forças Armadas brasileiras, Júnior (2012) pontua que desde os anos 1950 os militares têm investido maciçamente na formação e qualificação de seu pessoal por meio de ações isoladas ou através de convênios com universidades e institutos de pesquisa.
Nesse contexto, a Marinha, cujos meios navais são densamente tecnológicos, criou órgãos de fomento e expansão de pesquisas, conforme já mencionamos, o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM) e um enclave educacional e tecnológico em São Paulo por meio do Escritório Técnico de Construção Naval (ETCN) em parceria com a USP, tendo este último evoluído para o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo, no campus da citada universidade, ratificando assim, o estreito e profícuo relacionamento entre uma instituição militar e outra civil. Os frutos dessa relação viriam com a nacionalização do curso de Engenharia Naval e a consequente restauração da capacidade de projetar e construir embarcações militares no Estado da Arte.
Vale salientar que os órgãos técnicos militares dedicam-se, geralmente, as áreas tecnológicas inerentes ao emprego de seus meios. Assim, a Marinha buscou estabelecer desde a segunda metade dos anos 1950, um capital humano próprio, que em menos de duas décadas de formação, já estaria engajado no projeto de nacionalização dos navios de guerra da Força. Desse modo, a Marinha buscaria alcançar seus objetivos de implementação da construção naval militar por etapas: primeiro, com a formação e capacitação de um corpo técnico de alto nível; segundo, com a obtenção do conhecimento necessário por meio do processo de transferência de tecnologia e por fim, na execução do projeto.
A tecnologia de construção de um navio de guerra se distribui em duas áreas: a da plataforma (estrutura do navio) e a do sistema de armas e comunicações. O setor de propulsão está ligado à área de plataforma. Assim, a Força Naval utilizaria suas retaguardas técnicas em duas frentes. O sistema de armas e comunicação ficaria a cargo de seu órgão tecnológico, ou seja, o Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), enquanto que a parte estrutural e de plataforma estava sob a égide do Escritório Técnico De Construção Naval em São Paulo (ETCN).
O Almirante Élcio Freitas (2012) assinala que a função precípua do ETCN era educacional e tecnológica, ou seja, promover a formação de engenheiros navais no país, em conjunto com a USP e também de contribuir para o desenvolvimento das instalações experimentais para a indústria naval nacional. Ele destaca que entre todos os resultados obtidos pela parceria Marinha e USP o mais relevante teria sido a formação de uma retaguarda técnica não apenas militar, mas também civil para atender as necessidades da Marinha em sua empreitada de nacionalizar o projeto e construção de navios militares.
O Almirante destaca também, que dos 1103 estudos técnicos realizados pelo ETCN desde princípios da década de 1970 até meados dos anos 1990, cem por cento estariam relacionados aos meios navais que a Marinha possuía à época ou que vislumbrava possuir. É digno dizer que nesses estudos havia uma intensa troca de conhecimentos entre o meio acadêmico e o setor militar, através da interação de professores civis e militares com os oficiais alunos da Marinha e os alunos civis.
No relacionamento com as retaguardas técnicas a Marinha exerceria o papel de agente utilizador, participante, estimulador e promotor das mesmas. Destarte, como utilizador foi um órgão cliente dessa mão de obra, preocupado em obter serviços específicos no que se refere ao caráter militar de suas solicitações. Também atuaria como elemento participante, propiciando, por capacidade própria, a pesquisa e desenvolvimento, e ainda, corroborando com a troca de informações entre instituições extra Marinha, obtendo benefício para a própria Força e para o país. A Marinha do Brasil também se insere como um agente estimulador de retaguardas técnicas na medida em que realizaria ações como fornecimento de recursos financeiros, além da disponibilização de suas instalações para utilização e pesquisa de dados e informações técnicas. Isso ocorre por meio das diretorias técnicas e do próprio Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ). Por fim, a Marinha brasileira possui a característica de promotora de pessoal técnico especializado através do constante estímulo que advêm de ações empreendedoras que descortinam campos para expansão e aperfeiçoamento da capacidade e utilização das retaguardas técnicas.
As áreas de interesse da Marinha são muitas, de forma que há necessidade de uma correta fixação de prioridades para que o esforço no setor tenha rendimento satisfatório. Assim, para a manutenção de um programa suficientemente rígido é necessário garantir continuidade e método, porém ter flexibilidade para se adaptar a novas situações é imprescindível. Podem-se identificar esses aspectos no programa de