THE LAW
C. The Court’s assessment 1. General principles
A sequência estratigráfica pós-câmbrica representada na região de Dornes foi inicialmente definida por Cooper (1980), sendo revista e complementada nos trabalhos de Young (1985, 1988). Atualmente são utilizadas as mesmas designações para as unidades e membros definidos por estes autores, sendo que neste trabalho apenas serão descritas as formações e, não os membros definidos para esta sequência.
A sequência sedimentar pós-câmbrica inicia-se com a deposição, em discordância angular sobre os sedimentos do Grupo das Beiras, dos sedimentos que constituem a Formação Serra do Brejo (Cooper e Romano, 1982), correlacionável lateralmente com a Formação Quartzito Armoricano, da região do Buçaco. Segundo estes autores, os sedimentos de base desta formação correspondem a níveis conglomeráticos intercalados com quartzitos, que passam a arcoses e bancadas finas de pelitos, a topo. A presença de abundantes icnofósseis e graptólitos permitiram datar esta unidade do Arenigiano (Cooper e Romano, 1982).
Segue-se estratigraficamente o Grupo de Cácemes (Young 1985, 1988), referido anteriormente aquando da descrição da sequência estratigráfica da região do Buçaco. Em ambas as regiões verifica-se a existência de correlação estratigráfica, litológica e cronológica entre as unidades pertencentes ao Grupo de Cácemes possuindo, inclusive, a mesma designação (tab. 2.2). Desta forma, apenas se irá proceder à enumeração das respetivas unidades. O Grupo de Cácemes, da base para o topo, é formado pela Formação Brejo Fundeiro e Monte da Sombadeira, ambas definidas por Cooper (1980) nesta região, às quais se seguem as formações Fonte da Horta, Cabril e Carregueira, todas definidas por Young (1985, 1988) na região do Buçaco. Ao Grupo de Cácemes, com base no conteúdo fossilífero abundante identificado nesta região, é atribuída uma idade compreendida entre o Oretaniano inferior (= Llanvirniano inferior, segundo a escala britânica) e o Berouniano inferior (= Caradociano inferior, segundo a escala britânica) (Delgado, 1908; Mitchell, 1974; Cooper, 1980).
A topo do Grupo de Cácemes depositaram-se os sedimentos da Formação Cabeço do Peão (Young, 1985, 1988), pertencente ao Grupo da Sanguinheira, a qual tem o seu equivalente
27
lateral na Formação de Louredo, definida por Mitchell (1974) na região do Buçaco. Na região de Dornes esta formação é menos espessa e, apresenta bancadas areníticas imaturas, e siltitos que se intercalam com argilitos bioturbados (Young, 1988). É igualmente caraterizada, por se encontrar em descontinuidade estratigráfica sobre a Formação Carregueira e, pela presença de um nível de ferro oolítico na sua base, que assume a mesma designação que na região do Buçaco - Camada de Favaçal (Young, 1988). O conteúdo fossilífero desta camada é similar ao do Buçaco, sendo-lhe atribuída a mesma idade Berouniano inferior (=Caradociano inferior, segundo a escala britânica) (Young, 1988; Romão et al., 1995). Quanto ao resto da unidade, com base em macrofauna (e.g. braquiópodes, trilobites), é-lhe atribuída a idade geral de Berouniano (= Caradociano) (Young, 1985; Romão et al., 1995).
Estratigraficamente a topo da Formação Cabeço do Peão depositaram-se, em descontinuidade, os sedimentos da Formação Ribeira da Lage (Young, 1985, 1988), única unidade pertencente ao Grupo do Rio Ceira, nesta região. Esta formação é uma sequência regressiva constituída por argilitos micáceos, que passam a silto-arenitos bioturbados e arenitos maciços (Young, 1988). A parte basal desta unidade, segundo Young (1988), pode ser correlacionada, em parte, com a Formação Ribeira do Braçal, da região do Buçaco, já a topo, esta unidade pode ser equivalente lateral da Formação Ribeira Cimeira (Buçaco). Esta unidade foi datada do Kosoviano com base em braquiópodes (Young, 1985, 1988) e, por correlação com a biostratigrafia definida para a região do Buçaco (Vaz, 2010).
Na sequência desta região segue-se estratigraficamente, a Formação Casal Carvalhal. Definida por Young (1985, 1988) nesta região, corresponde à formação com o mesmo nome, no Buçaco. É caraterizada por apresentar siltitos areníticos com clastos de argilitos, arenitos, calcários e ferro oolítico. Estas litologias foram interpretadas como sendo diamictitos. Embora seja uma unidade essencialmente pouco fossilífera, foram identificados graptólitos pertencentes à Biozona Cystograptus vesiculosus (Sá, 2005), o que permite datar a unidade do Kosoviano terminal, podendo chegar ao Silúrico inferior (Sá, 2005; Sá et al., 2005).
A mais completa sequência silúrica do sudoeste da ZCI está representada nesta região (Piçarra, 2007). Do ponto de vista estratigráfico, esta sequência iniciou-se com a deposição dos sedimentos da Formação Vale da Ursa (Young 1985, 1988), sobre os sedimentos da Formação Casal Carvalhal (tab. 2.2). A Formação Vale da Ursa foi definida nesta região, é constituída por quartzitos, arenitos micáceos, quartzitos negros piritosos, que passam a arenitos negros laminados e bioturbados, a topo (Young 1985, 1988; Oliveira et al, 1992a; Vaz, 2010). Níveis superiores desta formação forneceram graptólitos que indicam idade de Llandovery inferior (Rhuddaniano) (Young, 1988; Piçarra, 2003).
28
Em continuidade estratigráfica com os sedimentos da Formação Vale da Ursa depositaram- se, da base para o topo, xistos grafitosos, que passam a xistos laminados com algumas intercalações de níveis areníticos (Young, 1988; Oliveira et al., 1992a), da Formação Foz da Sertã, definida oficialmente por Young (1985, 1988), na região de Dornes. Esta formação contém, essencialmente, graptólitos que indicam uma idade compreendida entre o Llandovery superior (Telychiano) e o Homeriano superior (Wenlock superior), com base na identificação de graptólitos da Biozona de Colonograptus ludensis (Cooper, 1980; Piçarra, 2003; 2007). Segundo Oliveira et al. (1992a), esta formação tem características litológicas similares que permite correlacioná-la com a Formação Sazes, na região do Buçaco.
Os sedimentos da Formação Vale do Serrão (Cooper, 1980) depositaram-se a topo da Formação Foz da Sertã. Esta é uma unidade constituída por quartzitos escuros, laminados, que apresentam finas intercalações de pelitos, que diminuem de frequência para o topo da sucessão (Oliveira et al., 2000). Na base desta formação identificou-se a espécie de graptólito
Saetograptus fritschi linearis do Ludfordiano (Ludlow superior) (Piçarra, 2007), enquanto
mais para o topo são indicados como estando presentes acritarcas, quitinozoários e esporos do Ludlow superior e do Pridoli (Cooper, 1980). A passagem da Formação Vale do Serrão para a Formação Serra Mendeira (Cooper, 1980) é estratigraficamente contínua, e esta unidade é constituída por quartzitos de grão médio a fino, maciços, com raras intercalações de bancadas de arenitos escuros de grão fino. Toda a unidade apresenta bioturbação, embora seja muito pouco fossilífera. Foram identificados alguns icnofósseis e palinomorfos, no entanto, não se conseguiu fornecer uma idade precisa (Oliveira et al., 2000).
Em continuidade na sequência depositaram-se os sedimentos da Formação Serra da Luação (Cooper, 1980). Esta unidade é constituída por intercalações de arenitos, quartzitos, siltitos e xistos, observando-se estruturas sedimentares nos níveis areníticos (estratificação entrecruzada do tipo hummocky, ripple marks, figuras de carga) (Cooper, 1980; Oliveira et
al., 2000; Gourvennec et al., 2008). Por toda a formação é visível bioturbação, sendo uma
unidade rica do ponto de vista paleontológico. Apresenta braquiópodes, briozoários, gastrópodes, crinóides e palinomorfos (quitinozoários, acritarcas, esporos e criptosporos). Nesta formação os palinomorfos forneceram associações de espécimenes que permitiram datar a unidade do Pridoli ao Lochkoviano inferior (Biozona de esporos MN, de Streel et al., 1987; Steemans, 1989), sendo confirmada com a identificação de braquiópodes (Gourvennec
et al., 2008).
A topo da sequência estratigráfica paleozoica desta região encontra-se a Formação de Dornes (Cooper, 1980). Os sedimentos desta formação depositaram-se em conformidade com
29
a unidade anterior (Formação Serra da Luação), sendo constituídos por intercalações de calcários, quartzitos, arenitos e argilitos (Oliveira et al., 2000;Gourvennec et al., 2008), nos quais foram encontradas faunas de braquiópodes e crinóides que permitiram datar a unidade do Pragiano (Devónico Inferior) (Oliveira et al., 2000;Gourvennec et al., 2008).