• No results found

4. Ergebnisse der Analyse

4.1 Textumfang/Anzahl Wörter

Dentro do cristianismo, é possível afirmar que a denominação que melhor se relacionou com a evolução midiática foi a evangélica. A criação do amoremcristo.com só foi possível devido a uma evolução histórica que a comunicação de massa sofreu e a invenções e descobertas nos campos da eletricidade e da cibernética.

Desde o século XVI com a intervenção de Lutero e Calvino na vida religiosa europeia durante a reforma protestante, que para Flávio Luizetto, essa transformação foi “uma resposta religiosa às necessidades espirituais de uma cristandade que não encontrava soluções para as suas angústias nem na liturgia e nem na dogmática da Igreja Romana”.173

Muitos autores fizeram uma aproximação relacionando o sucesso da reforma protestante com a ascensão da comunicação de massa do período. Melvin DeFleur e Sandra Ball-Rokeach tratam da questão na obra Teorias de Comunicação de Massa, explicando a produção em massa de livros impressos que o século XVI teve nos mais diversos idiomas, diferente dos períodos anteriores onde as Escrituras eram todas em latim. O aprendizado da leitura foi estimulado e

“não podia mais a Igreja Romana guardar cautelosamente as escrituras sagradas graças ao emprego de uma língua antiga. A acessibilidade das Escrituras pelas pessoas comuns, em suas próprias línguas, acabou levando a desafios à autoridade e às interpretações de Roma. Um novo veículo de comunicação, pois, abriu caminho para protestos contra a estrutura religiosa e social existente. O surto do Protestantismo levou a novas modificações profundas que tiveram impacto na sociedade ocidental até os dias de hoje.”174

173 Luizetto, Reformas religiosas, p. 13.

Ainda pensando com os autores, para eles “com exceção de escrever, um dos grandes feitos humanos de todos os tempos foi a criação da impressão”.175 Antes

disso, a produção de livros na Europa era de forma manus scripti e todas a reproduções feitas à mão.

Todo esse progresso só possível devido ao ourives alemão chamado Johann Gutenberg, que após diversos experimentos, desenvolveu um molde para cada letra do alfabeto. DeFleur e Ball-Rokeach contam que esses moldes eram de aço e entalhados de uma forma específica, depois seria perfurado em um quadrado de metal de bronze para fazer um molde de barro em torno do caracter para que o chumbo quente fosse despejado dentro para formar o molde da letra. O uso repetitivo desses moldes permitia que o impressor formasse quantas letras quisesse e depois palavras e frases em um alinhamento na bandeja. Já com uma determinada firmeza e molhadas com tinta, e um pedaço de papel o resultado de uma imagem nítida apareceria. Faltava resolver o processo de impressão, foi quando Gutenberg modificou uma prensa de uvas já existente e passou a fazer testes em plataformas planas para comprimir o papel ou o pergaminho e ter uma impressão perfeita e sem os erros cometidos na reprodução manuscrita.

Esse processo descrito acima levou mais de 20 anos para ser aperfeiçoado, mas as consequências no mundo religioso da época e no futuro mundo moderno foram de fato transformadoras. Seu primeiro trabalho, mostrado na figura 8, uma “Bíblia de 42 linhas foi um dos mais belos exemplos jamais produzidos pela arte da impressão”.176

175 Ibid., p.36. 176Ibid., p.38.

Figura 8: Bíblia impressa por Gutenberg

Fonte: Google Imagens

Desde Gutenberg, a história da comunicação estava voltada para o que a propaganda chama hoje de alcance, ou como expressa o pai do marketing Philip Kotler, “a mídia deve ser escolhida por sua capacidade de alcançar o mercado-alvo, de maneira eficaz em relação ao custo”.177 Claro que há uma grande diferença, entre

a mídia descrita por Kotler e por Campbell e a mídia impressa tratada nesse momento no contexto do século XVI. Nessa época não existiam agências de propaganda e muito menos a possibilidade de fazer um plano de mídia como empresas seculares e religiosas fazem nos dias de hoje, o que não desconstrói o impacto que os livros impressos tiveram na expansão e divulgação de ideias da época no mundo profano e

no mundo sagrado. Sem a impressão, o proselitismo evangélico não teria o mesmo efeito do que teve na época.

Para Heidi Campbell, “desde o advento da cópia de manuscritos e mais tarde da impressão, meios de comunicação têm sido utilizados em grande escala por grupos cristãos para produzir e disseminar suas mensagens de fé”.178 A autora conta que

estudiosos argumentaram que a Igreja Católica via a impressão com suspeita no seu início e que os protestantes, além de mais rápidos, tiraram mais proveitos da nova tecnologia da época. Para ela, “a Bíblia impressa na Língua do povo foi algo revolucionário, marcando o fim do controle da igreja em cima do texto”.179 Sem a

impressão, a reforma protestante não seria possível.

Traçando um panorama histórico, Campbell avança para os séculos XVII e XVIII contando que nesse período os protestantes viajavam pelo mundo

“utilizando a impressão para produzir panfletos com sermões, livros devocionais, e outros materiais impressos que contribuíssem com o desenvolvimento espiritual dos crentes ou que compartilhasse as boas notícias com os não-fiéis.”180

No final do século XVIII e começo do século XIX, com o barateamento dos processos de impressão, os protestantes passam a aumentar consideravelmente a produção de panfletos e livretos religiosos. Neles, eram apresentadas histórias bíblicas com ilustrações, o que gerava uma maior atração visual para um novo público que emergia da moderna cultura de massa dentro das mudanças sociais da Revolução Industrial. David Morgan argumenta que “esses panfletos marcaram um ponto de transição entre a evangelização face a face e uma nova forma de oralidade mediada, já que os panfletos contavam as histórias por si.”181 Eles podiam ser

deixados em espaços públicos ou entregues de forma massificada, espalhando a “palavra” de uma forma muito mais eficiente e sem precisar da presença física de pessoas. Campbell diz que essa transição foi uma forma de “pavimentar o caminho” dentro de uma mediação eletrônica para as mensagens gospel.

178 Campbell, When religion meets new media, p. 134. 179 Ibid., p. 135.

180 Ibid., p. 135.

O momento mais significativo ainda estava por vir. O século XX foi um século de grandes invenções que fizeram a questão do alcance dentro da comunicação de massa ter um novo olhar.

“Mais realisticamente, a Era de Comunicação de Massa teve início no começo do século XX com a invenção e adoção ampla do filme, do rádio e da televisão para populações grandes. Foram esses veículos que iniciaram a grande transição por nós continuada hoje em dia”.182

Em paralelo às mídias de grande alcance surgidas no século XX, ocorre um movimento dentro da comunidade evangélica que muda toda compreensão hermenêutica da Bíblia e também faz novos movimentos surgirem, como o pentecostalismo. Segundo Zabatiero, entre os séculos XVIII e XX, “predominou um modelo de leitura caracterizado pelo confronto e conflito entre verdades opostas e concorrentes entre si.183 O autor refere-se ao dualismo entre dogma e ciência do

período iluminista e positivista na filosofia e na ciência em geral, mesmo período que sofreu com o debate entre criação e evolução. Nesta época houve uma tentativa de uma leitura científica da Bíblia, oposta à leitura devota, embora ambas tivessem o mesmo fim: a verdade. No início do século XX, o foco do embate mudou, e o

“dogma doutrinário foi sendo substituído pelo dogma da experiência e, no lado oponente, a ciência foi dando cada vez mais lugar à técnica [...] O velho dualismo espírito/matéria recebeu a nova roupagem do dualismo da técnica: ter a experiência certa da fé e fazer corretamente a missão cristã versus ter a experiência correta do saber e fazer corretamente a sociedade funcionar.”184

Neste período, os pentecostais eram recém-chegados no Brasil e desde então não podem ser deixados de lado no estudo das relações entre os evangélicos e a mídia a partir desta data.

O historiador e especialista no assunto, Luís de Castro Campos Júnior nos conta que “a palavra pentecostal vem de Pentecostes, evento marcado pela efusão do Espírito Santo, cinquenta dias após a ascensão de Cristo. No Livro de Atos, capítulo 2, está a narrativa sobre esse evento, quando os apóstolos encontravam

182 DeFleur; Ball-Rokeach, Teorias da comunicação de massa, p. 24.

183 Zabatiero, Hermenêutica protestante no Brasil. In: João Cesário Leonel Ferreira (Org.). Novas

perspectivas sobre o protestantismo brasileiro, p.153.

reunidos em Jerusalém”.185 Um grande marco para essa denominação foi o dia 6 de

abril de 1906, quando sete pessoas, em Los Angeles, mais precisamente na rua Azuza, começaram a falar em línguas estranhas, a partir dos dons de cura vindo do Espírito Santo. Para Campos, “a teologia pentecostal basicamente se reduz ao batismo do Espírito Santo”186.

Logo após o evento de Azuza Street, o pentecostalismo se disseminou para outros países, inclusive o Brasil, com a vinda da Assembleia de Deus (nome dado posteriormente), que segundo seus fundadores Daniel Berg (EUA) e Gunnar Vingren (Suécia), “candidataram-se ao ‘serviço missionário’ e sentiram-se ‘chamados’ para trabalhar no Brasil. Quando aqui chegaram, em 1910, ainda eram batistas e ficaram hospedados no templo da Igreja, em Belém do Pará”.187 Junto com a Assembleia de

Deus, surgiu a “Congregação Cristã”, depois vieram a “Deus é Amor”, “Mundial do Poder de Deus”, “Quadrangular Evangélico” e tantas outras.

A intenção deste trabalho não é detalhar a(s) teologia(s) pentecostal(ais) e sim mostrar esse surgimento no paralelo à evolução dos meios de comunicação do período, mesmo porque o amoremcristo.com não se denomina nem pentecostal e nem neopentecostal, e sim evangélico.

Segundo Heidi Campbell, na década de 1930, com o auge da era do rádio e duas décadas depois, com invenção da televisão, os evangélicos começaram a usar dessas ferramentas para proclamar suas crenças à massa. Surgem programas de rádio e o tele-evangelismo, que se perpetuam até hoje em estações e canais dos meios. No caso específico da televisão brasileira, alguns programas são realizados dentro de canais seculares, onde denominações compram um espaço e utilizam para propagar sua fé e outros programas são realizados dentro de canais religiosos, criados exclusivamente por comunidades específicas, como o caso da “TV Gospel” ou da “RIT TV”, da Igreja Internacional da Graça de Deus. Para Leonildo Campos, “a presença pentecostal na mídia tem causado preocupações tanto a concorrentes do campo religioso quanto aos de fora dele, especialmente entre os veículos ‘seculares’”.188

185 Campos Júnior, Pentecostalismo, p. 20. 186 Ibid, p.24.

187 Ibid., p. 30

Nos anos de 1970, a relação entre os evangélicos e a mídia, estava cada vez mais íntima. No Brasil, com o surgimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em 1976, sob a liderança do bispo Edir Macedo, o termo neopentecostalismo começa a circular entre cientistas da religião, teólogos e estudiosos do assunto. Segundo Leonildo Campos, os neopentecostais fizeram do rádio e da televisão os seus principais veículos de comunicação.189 Hoje as mesmas Igrejas utilizam de novas

mídias, como as redes sociais e a internet, o que Christopher Helland chama de “web 2.0”, um “espaço social, onde as pessoas interagem, conversam e trabalham entre si de diversas maneiras.”190

Campbell cita o estudo de Quentin Schultze, publicado em dois trabalhos específicos,191 sobre o uso da televisão e do rádio pelos evangélicos. Neles, o autor

afirma que há uma “expressão de preocupações quanto à tendência dos evangélicos para adotar teologias que se apoiam na linguagem de tecnologias de comunicação e técnicas de marketing para a divulgação do evangelho, fazendo apologia aos valores individualistas e consumistas, que são mais característicos da tecnologia do que da cultura cristã.”192

Em 1992, o bispo e empresário Edir Macedo, dono da Rede Record de Televisão, foi preso acusado de charlatanismo, estelionato e lesão à crendice popular.193 Deixando o resultado do inquérito de lado, o que compete a este trabalho

é a foto tirada na época e divulgada em diversos meios de comunicação impressa com o bispo lendo a Bíblia, de pernas cruzadas, atrás das grades, mostrada na figura 9, que acabou se tornando capa do seu livro. O que parecia ser uma tentativa da mídia em prejudicar Macedo pelos seus supostos crimes, a foto acabou gerando uma repercussão positiva entre seus seguidores. Sua postura despreocupada e a manutenção da fé mesmo em um período dificultoso gerou uma espécie de marketing pessoal para a imagem do bispo diante dos evangélicos.

189 Ibid.

190 Helland. In: Campbell, Digital religion, p.36.

191 Cf. Schultze, Evangelical radio and the rise of the eletronic church e keeping the faith: American evangelicals and the media.

192 Schultze. In: Campbell, When religion meets new media, p. 47.

193 Cf. http://www.estadao.com.br/noticias/geral,relembre-as-denuncias-e-investigacoes-sobre-a-

Figura 9 - Capa da biografia de Edir Macedo

Fonte: Google Imagens

De acordo com o filósofo francês nascido na Tunísia Pierre Lévy e autor dos livros O que é virtual e Cibercultura, pode-se distinguir três grandes categorias de dispositivos comunicacionais: o primeiro é o “um-um”, com as interações que se davam via cartas ou telefone; com o advento do rádio e depois da televisão a relação passou a ser “um-todos” (segundo dispositivo), onde um único aparelho atingia uma determinada massa dependendo do seu alcance; e por fim, o terceiro dispositivo é o “todos-todos”, onde a internet e as redes sociais criaram mecanismos de interações em redes.194

A dúvida entre algumas igrejas evangélicas entre liberar ou não liberar determinadas mídias para o seu público sempre surge a partir do medo da invasão secular na casa dos fiéis, pois se a característica evangélica é espalhar a palavra de Deus, nada melhor do que a televisão, o rádio e a internet. Mas para algumas comunidades, o preço de seus seguidores adentrarem nessas mídias pode ser muito

alto devido ao risco da tentação em trocar de canal, entrar em um site que não seja “de Deus” e consequentemente se deparar com conteúdos instigantes ao indivíduo.

Além da compreensão da história das mídias da massa já citadas, é importante ter um breve panorama do surgimento da internet no Brasil e no mundo para se entender como um site religioso pode alcançar a marca de mais de 2 milhões de usuários. Os primeiros estágios da indústria eletrônica aconteceram entre 1940 e 1960, financiado por mercados e pelo departamento militar norte-americano. Nessa época, o matemático norte-americano Norbert Wiener, desenvolvia a cibernética na tentativa de compreender a comunicação e o controle das máquinas através de códigos binários. A instituição do que chamamos de tecnologia da informação (T.I.) se dá a partir da década de 1970 (quando Norbert já havia falecido) nos Estados Unidos da América gerando interação entre a economia global e a geopolítica. Segundo Castells, suas consequências trouxeram “um novo estilo de produção, comunicação, gerenciamento e vida”195 e estão relacionados à cultura da liberdade e a inovação

individual.

A Agência de Projetos de Pesquisas Avançadas (ARPA) do Departamento de Defesa dos EUA deu origem ao trabalho daquilo que conhecemos como internet. O medo de ataques nucleares por parte dos americanos em meio à Guerra Fria, fez com que uma grande mudança na era da informação se registrasse no surgimento de um sistema de comunicação invulnerável. A criação da primeira rede de computadores, a ARPANET, permitiu a troca de pacotes de dados, sons e imagens e entrou em funcionamento no dia 1º de setembro de 1969, com seus primeiros “nós” na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Um dos envolvidos no projeto de expansão foi o político norte-americano Al Gore.

Manuel Castells afirma que em certa altura ficou difícil separar as pesquisas para fins militares das pesquisas para fins científicos e as conversas pessoais registradas na rede e, em 1983, a ARPANET ficou dedicada exclusivamente para fins científicos e uma nova rede, chamada MILNET, foi criada exclusivamente para as questões militares. A partir daí, a criação de novas redes foi se dando, e uma delas chamada USENET fez com que nichos de públicos fossem criados através de fóruns de assuntos específicos. Na USENET existiam endereços como “alt.philosophy”, exclusivamente para discussões filosóficas entre pessoas da área e o “talk.religion”,

para debates em torno de religiões. Ainda na década de 1980, formou-se a INTERNET, a rede tal qual conhecemos e continuamos usando nos dias de hoje. Em 1990, um grupo de pesquisadores europeus chefiado por Tim Berners Lee e Robert Cailliau criou a aplicação “www”, que organizava o teor dos sites por informação e não por localização, ajudando a internet se expandir globalmente pela sua facilitação na usabilidade.

Deixando os termos técnicos para trás, entende-se que o início dos anos de 1990 foi um divisor de águas para a história da internet e o comportamento do indivíduo na relação on-line x off-line, e é a partir daí que a religião volta a entrar em foco.

Em meados da década de 1990, foram os templos e igrejas virtuais que entraram em cena no mundo virtual, onde a novidade era conhecer a arquitetura, a história ou até mesmo assistir a cerimônia religiosa sem sair da sala de casa, uma espécie de ritual “home-office”.

No início deste capítulo, vimos que a internet é muito recente e a primeira igreja instalada na web foi estabelecida por presbiterianos americanos em 1992 (www.godweb.org).196 Desde então, houve um desenvolvimento de estudos

acadêmicos em relação ao assunto. Hojsgaard e Warburg dividem essa evolução em três ondas197. A primeira onda de pesquisa centrou-se no novo, ou seja, aspectos

extraordinários da internet nos quais a religião poderia fazer quase qualquer coisa. Esses estudiosos avaliavam as utopias e distopias dos novos fenômenos on-line sobre como a internet poderia salvar ou arruinar o mundo conhecido até então.198 A

segunda onda de pesquisa era voltada para uma “perspectiva mais realística, na qual foi compreendido que não era somente a tecnologia, mas também pessoas que estavam gerando essas novas formas de expressões religiosas na internet”.199 A

última onda, surgiu em meados dos anos 2000; ela era voltada para uma pesquisa teórica e interpretativa do fenômeno. Nessa época, questões como ritual, comunidade e identidade eram exploradas em maiores detalhes para melhor entender a relação da internet na vida cotidiana e sua influência nas práticas religiosas dentro do mundo digital.200

196 Cf. Campbell, Digital religion, p. 5.

197 Cf. Hojsgaard; Warburg, Religion and cyberspace, p. 1-11. 198 Hojsgaard; Warburg. In: Campbell, Digital religion, p.8. 199 Ibid., p.8.

Para Campbell, essas três ondas (descritiva, categórica e teórica) são ferramentas importantes e usadas por diversos estudiosos, já que a partir delas há uma melhor compreensão do desenvolvimento das pesquisas em religião dentro dos estudos da internet.201

Apesar da grande presença evangélica na web, outras religiões também se instalaram nesse ambiente e acabam negociando com a mídia, cada qual de sua maneira. Ainda na introdução do livro Digital Religion, Heidi Campbell fala da relação entre outras religiões e as mídias sociais. Segundo ela, “a autoexpressão e representação religiosa se tornaram uma parte aceita da identidade e prática religiosa”. Complementa dizendo que hoje “Jesus tem sua própria página no Facebook, que o Buddha tuíta e há uma imensa variedade de aplicativos mobiles para baixar e rezar na direção de Meca ou se conectar com o Papa”.202

Além dos sites religiosos e experiência on-line, outra ferramenta que vem surgimento no mercado de tecnologia são os aplicativos para smartphones, como jogos bíblicos para crianças (Quiz Bíblia 3D) ou até mesmo “apps” que te orientam na confissão dos pecados (Confissão); nele você atravessa cinco passos203 e no final

recebe uma instrução do que fazer para ficar em paz com os seus erros.

Diversas igrejas evangélicas, tanto históricas quanto pentecostais têm páginas dentro do Facebook; as pentecostais e neopentecostais têm uma quantidade infinitamente maior de “curtidas” do que as batistas e presbiterianas, por exemplo. Para se ter uma ideia, a Igreja Batista do Morumbi e a Igreja Presbiteriana de Pinheiros têm 5.500 e 4.000 “curtidas”, respectivamente.204 No mundo pentecostal e

neopentecostal o cenário é diferente; a Assembleia de Deus tem quase 900.000 “curtidas” e a Igreja Universal do Reino de Deus, mais de 1.400.000 estão dentro da comunidade da rede205. Elas usam essa mídia como um meio de interação com o seu

público e divulgação de cultos, mensagens, dicas de relacionamento e ideias políticas, enquanto o amor em Cristo utiliza as redes sociais para se relacionar com seu público,