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Chapter 2: Literary review

2.7 The texts

2.1. Introdução

A zona costeira apresenta uma das áreas de mais intenso intercâmbio de energia e matéria do planeta, formando áreas muito susceptíveis a mudanças, podendo ser afetadas em diversas escalas temporais e espaciais, sofrendo importantes transformações, que podem ou não ser reversíveis (Suguio, 2003). A região em estudo é composta por manguezais, praias, planície de maré, pontais arenosos, campos de dunas e tabuleiro costeiro. Na área, a interpretação de imagens digitais de sensores remotos, adquiridas em várias datas distintas possibilitou a elaboração de cartas temáticas, como também a análise temporal da evolução dos compartimentos geomorfológicos conforme descrito no capítulo I.

2.2. Confecção das Cartas Temáticas

A confecção das cartas temáticas foi feita em ambiente SIG com o software ArcGIS 9.2, a partir da interpretação de imagens orbitais (fotografias aéreas, Landsat e CBERS) e integração de dados pré-existentes de Souto (2004) e De Barros Pereira (2008) conforme descrito na metodologia. Devido à complexidade da área de estudo, os mapas de morfodinâmica costeira foram divididos em quatro subáreas que apresentam informações provenientes do cruzamento dos mapas em ambiente SIG. Esta análise foi elaborada de acordo com o conceito de Sistema adotado por Christofoletti (1979) e o conceito de análise ecodinâmica de TRICART (1977), aperfeiçoados por Souto (2002).

Os valores obtidos na área são apresentados como área de acresção, área de erosão e área estável. Para corroborar com a análise multitemporal, foi estruturado um banco de imagens de pequeno formato para monitoramento das áreas críticas: Ilha do Tubarão, Canal da Soledade, Campos Petrolíferos de Macau e Serra e o Canal do Arrombado (Casqueira).

2.2. Mapa de Uso e Ocupação do Solo

Dentre as ferramentas de gestão utilizadas na atualidade, o emprego do sensoriamento remoto, acoplado a técnicas de PDI, em conjunto com o SIG, proporciona uma visão e entendimento evolutivo dos espaços geográficos como um todo. Daí, quando se utiliza o PDI, imagina-se um sistema integrado com elementos ou unidades, relações, atributos, entrada e saída de dados conforme Christofoletti (1979). A partir deste conceito, foi possível complementar o trabalho desenvolvido por Souto (2002) e De Barros Pereira (2008), confeccionando assim, o mapa de uso do solo para a área do estudo (Figura 2.1).

As unidades são ambientes naturais, como bancos arenosos (Figura 2.1A), duna móvel (Figura 2.1B), duna fixa (Figura 2.1C), caatinga, manguezal (Figura 2.1D), área alagadiça, lagoas e ambientes antrópicos onde se destaca solo exposto, áreas urbanas (Figura 2.1E), cultura temporária (Figura 2.1F), carcinicultura e exploração petrolífera (Figura 2.1G), salina (Figura 2.1H), portos pesqueiros (Figura 2.1I) e de Sal. Na área de estudo há 70% do solo, são ambientes naturais (Tabela 2.1), o que demonstra um alto índice de preservação, totalizando 214,7 km2. Destaca-se a unidade correspondente a cobertura vegetal, assim, distribuídas em ordem decrescente: área alagadiça (18,1%), duna fixa (14,4%), manguezal (14,4%) e caatinga (12,6%). Entre os ambientes naturais o de menor representatividade no levantamento são os bancos arenosos que representam 0,8%. A representatividade desta área passa a ser preocupante por ser responsável pela estabilidade costeira, garante a manutenção da área lagunar/estuarina, serve como barreira natural para proteção das áreas litorâneas e protege baías, lagunas e planícies de maré do impacto do mar aberto. Também é nesta unidade onde o processo erosivo é mais intenso e encontra-se a atividade de exploração de petróleo.

A atividade antrópica que mais afeta os manguezais e as áreas alagadiças é a atividade salineira com 22,9% da área, como pode ser observado na Figura 2.1H que mostra a Salina Soledade ocupando antiga célula estratégica de sedimento, atualmente área de inundação. Este canal artificial afetou o sistema de defesa costeira natural. A área de solo exposto é de 3,5% e a cultura temporária é desenvolvida em pequena área pelo cultivo de subsistência, aqui apresentada como 1,6%. A atividade de carcinicultura representa 1,3% da área. Já a área urbana representa uma baixa densidade demográfica, onde ocupa uma região de 0,7% conforme tabela acima. Na Figura 2.1E observa-se a ocupação da orla na praia de Camapum com detalhe para obra de Engenharia do tipo hard. A atividade petrolífera está representada na Figura 2.1G, onde o acesso para as bases dos poços de petróleo foram instalados em área de células sedimentares, possivelmente afetando o sistema de defesa costeira natural, o sistema dunas e de praias.

Historicamente, entre as atividades antrópicas, a mais antiga na área é a atividade salineira. Por Volta de 1641, os Holandeses identificaram no Rio Açu a existência de uma salina primitiva próximo ao canal de maré das Conchas, na região de Macau. Esta salina se formava pela ação das grandes marés, que transbordavam dos rios e gamboas, deixando alagados os terrenos baixos que, após alguns meses, se cristalizavam em grandes placas brancas (Moura, 2005). Já registro da atividade salineira industrial, reza da criação do decreto 10.413 de 26 de outubro de 1889 permitindo a exploração dos terrenos devolutos compreendidos entre Areia Branca e Macau. A partir daí, iniciou-se a instalação de grandes empreendimentos na região.

Tabela 2.1 – Distribuição das unidades de uso e ocupação do solo na área de estudo. UNIDADES ÁREA (km2) SUB TOTAL

ÁREA (km2) % TOTAL %)SUB-

UNIDADES DOS AMBIENTES NATURAIS Área Alagadiça 55,42 214,7 18,1 70 Duna Fixa 44,19 14,4 Manguezal 44,28 14,4 Caatinga 38,55 12,6 Duna Móvel 29,83 9,7 Bancos Arenosos 2,46 0,8 UNIDADES ANTRÓPICAS Salina Evaporadora 57,37 92 18,7 30 Salina Cristalizadora 12,91 4,2 Solo Exposto 10,68 3,5 Cultura Temporária 4,80 1,6 Carcinicultura 4,05 1,3 Cidade 2,17 0,7

A salina mais próxima à atividade petrolífera é a da Soledade (Campo de Macau), instalada em área úmida e de planície de deflação em 1978. Os evaporadores foram instalados em região do aporte de sedimento eólico para a linha de costa defronte ao Campo de Macau e dunas móveis da Casqueira (Foto 2.1, Foto 2.2 e Foto 2.3), não permitindo assim, a ação completa e efetiva dos processos costeiros.