Chapter 3: Why we all hate women
3.5 Conclusion
interrupção do canal de maré dos Barcos, em tracejado antigo leito do Canal de maré. Foto: Souto. Maio 2007.
Tabela 2.3 – Histórico de abertura e fechamento dos canais de maré.
LOCAL ABERTURA FECHAMENTO VARIAÇÃO MORFOLÓGICA
1-Canal da Ilha dos Ratos (Barra do Fernandez) 1977 Ilha Ponta do Tubarão
2-Canal a SW da Ilha barreiras Ponta do Tubarão 08/2003
3-Canal a SW da Ilha barreiras Ponta do Tubarão 08/2006
4-Canal do Arrombado/ Corta Cachorro 06/02/2006 Ilha do Corta Cachorro
5-Novo Canal da Barra do Fernandez (Rancho de
Lelé) 06/02/2006 Ilha do Fernandez
6-Canal novo da Ilha dos Ratos 18/01/2008
7-Barragem Armando Ribeiro 1977 a 1983
8-Antigo Canal da barra do Corta Cachorro (Base do
Serra B) Natural em 1978
9-Gamboa dos Barcos Interrompida por Salinas 1998/2007
10-Canal de maré do Alagamar Construção do acesso à praia-1984 A 2001
11- Canal de maré do Alagamar
Abertura com bueiro restrito em 2001
12- Rio Xaréu/Conceição Interrompido pela Salina-1998/2007
13-Canal de maré das Conchas Carcinicultura-1998/2007 Interrompido pela
Tabela 2.4 – Histórico de sismicidade de algumas regiões que influenciam na cidade de Macau (1808 a 2008)
LOCALIZAÇÃO OCORRÊNCIA MAGNITUDE FONTE
Sismo de Açu (RN) 08.08.1808 4,8 FERREIRA, 1987
Dr. Severiano (RN) e Pereiro (CE) 1968 4,6 www.sescsp.org.br
Parazinho (RN) 22.07.1973 4,5 FERREIRA, 1987
Pacajus (CE) 20.11.1980 5,2 FERREIRA, 1987
João Câmara (RN) 02.09.1986 4,3 FERREIRA, 1987
João Câmara (RN) 30.11.1986 5,2 www.sescsp.org.br
Palhano (CE) 19.10.1988 4,2 www.sescsp.org.br
Região norte do Ceará 16.02.2008 3.5 www.sescsp.org.br
Jordão/Sobral (CE) 28.01.2008 2.5 www.ultimasnoticias.com.br
Distrito de Jordão, em Sobral (CE) 04.04.2008 3,9 www.ultimasnoticias.com.br
Região de Sobral, Alcântaras e Meruoca
(CE) 21.05.2008 4,3 e 3,9 www.ultimasnoticias.com.br
Figura 2.21 - Ocorrências sismográficas nos estados do RN, CE e PB entre 1808 e 2008 – Fonte: SISBRA. A análise multitemporal de Canais flúvio-estuarinos realizada no período de 12 anos (1977 a 1989) mostra na Figura 2.22A que a área mais afetada por mudanças morfológica da superfície submersa e pela mudança da direção das correntes de maré foi à planície estuarina de Barreiras/Diogo Lopes (Souto, 2004).
Com o surgimento da Ilha barreira Ponta do Tubarão e sua migração sudoeste força a instalação de um Canal de maré paralelo a linha de costa, com abertura de 500m, causando erosão na linha de costa. Com a migração e o recuo da barra do Fernandez sentido norte-sul, a migração nordeste de dunas móveis causa também, o assoreamento da planície estuarina (Foto 2.71). Na Figura 2.22 observa-se o fechamento do Canal de maré do Corta Cachorro e a ocupação da planície flúvio estuarina na área de influência do Canal de maré das Conchas, pela atividade salineira e de carcinicultura. Destaca-se uma maior influência na dinâmica dos canais de maré que ocorrem próximo a linha de costa, ora são abertos, ora assoreados. Estas mudanças no transporte de sedimento são observadas na pluma estuarina da plataforma rasa. Já na planície flúvio estuarina, os canais de maré e a planície de inundação se apresentam mais estáveis, apesar de algumas vezes sofrerem influência antrópica (Foto 2.72).
As barras arenosas, encontra-se em intenso processo de erosão, os manguezais antes localizados em área protegida e abrigada, encontra-se em perda total de área lagunar, como mostra Foto 2.73. Os canais surgem durante o processo de recuo das barras arenosas, estas ao encontrar um Canal ocorre o galgamento oceânico até a ruptura do mesmo. A energia das marés, quando atingem níveis de páleo mangue ocorre o retrabalhamento desse sedimento, chegando a quebra deste material em pelotas (Foto 2.26), podendo os canais se estabilizarem ou com a migração das barras, serem assoreados.
A análise multitemporal de canais flúvio-estuarinos realizada no período de 9 anos (1989 a 1998) mostra a barra que abrigava a costa erodida em torno de 345m, ampliando a embocadura do canal de maré que corria com um fluxo de alta energia no sentido noroeste e passa a se espraiar, perdendo competência no seu fluxo e correndo paralelo à linha de costa, gerando um aumento na erosão ao longo da costa (Foto 2.74).
No período entre 1998 a 2007 o canal noroeste passou a ser o canal principal em alguns momentos, em especial de 2003 a 2006. Porém, a partir de 2006, o canal de maré de maior competência volta a ser o canal sudeste, com 345m de largura, atuando paralelo à linha de costa, aumentando assim a erosão, conforme Figura 2.21C e Foto 2.75. Durante o período de 1977 a 1989 a erosão foi tão intensa que culminou na abertura de canais de maré na Barra do Fernandez em 2006 (Foto 2.76, Foto 2.77 e Foto 2.78). Já na barra do Corta Cachorro, com abertura de até 400 m de Canal de maré (Foto 2.81 e Foto 2.82).
A migração das dunas móveis costeiras e das Ilhas barreiras é a principal causa de assoreamento dos Canais de maré (Foto 2.79). Foi observado na análise dos Canais, à medida que ocorre o deslocamento das dunas móveis, os sedimentos eólicos forçam os canais a migrarem sendo assoreado (Foto 2.79), ou ocorrendo sua migração (Foto 2.80).
Os canais de baixa energia são assoreados, exemplo a Gamboa na Ilha das Conchas na subárea IV (Foto 2.79 e Foto 2.94) e os de maior energia não são fortemente afetados e sim, são mais estáveis e transporta sedimento para alimentar a plataforma rasa, como exemplo, o Canal de maré da barra nova do Fernandez (Foto 2.80).
Menezes (2003) diz que os canais estuarinos, atuam como canalizadores das correntes eólicas, levando os ventos para o interior da região litorânea, já nas marés vazante atuam fortemente no transporte de sedimentos flúvio-estuarinos, intensificando por algumas vezes os processos erosivos, ou mesmo engordamento de praias. Outro exemplo de canal de maré fortemente afetado pelo processo de erosão desde 1977 foi o Canal do Arrombado que efetivou o surgimento mais uma vez da Ilha do Corta Cachorro durante o registro de uma forte maré sizígia (FEV 2006). O recuo da barra arenosa que culminou na abertura do canal, proporcionou assoreamento de canais de maré e região lagunar (Foto 2.81, Foto 2.82, Foto 2.83 e Foto 2.84).
A análise multitemporal dos canais flúvio-estuarinos realizado no período de 30 anos (1977 a 2007), na área compreendida entre a Ilha do Fernandez, município de Macau e a Ilha das Conchas, em Porto do Mangue mostra nessa imagem quando os canais de maré atuaram fortemente paralelo à linha de costa, durante este período com 620m de largura, agravaram significativamente os processos de erosão, como é o caso do canal localizado frente às instalações industriais de petróleo e Salina, na praia da Soledade (Foto 2.74 e Foto 2.75).
Também, a forte e constante atuação do vento nordeste para a região de Macau em especial, desenvolve campos de dunas sentido nordeste de grande significância, atuando como célula sedimentar costeira na região, no caso, o Campo de dunas móveis da Casqueira, sendo fonte disponível de sedimento que alimenta a porção sudeste da subárea III, a Ilha do Camapum (Foto 2.85 e Foto 2.86). Quanto maior a interiorização do canal, maior a estabilidade, quanto mais próximo aos estuários maior a vulnerabilidade ao assoreamento ou migração.
Fi
gur
a 2.
22
–
Análise multitemporal dos Canais fl
úvio-estuarinos no período de 1977 a 2007