Del 2: Testing og konklusjoner
D- bok
O turismo pressupõe uma perspectiva interdisciplinar e multidisciplinar para fins de planejamento e gestão, dada sua dinâmica estrutural e complexidade social. Cooper et al. (2007) observam que o turismo faz parte de uma cadeia produtiva multisetorial complexa, a qual deve ser planejada com base em pesquisas, pois inclui na sua estrutura diversos setores econômicos, disciplinas acadêmicas, além de uma diversidade de insumos e serviços.
Aspectos como a globalização e a tecnologia alavancaram a atividade turística mundial nos séculos XIX e XX, contribuindo para a diversificação de produtos turísticos, segmentação do mercado turístico, com destinos especializados em determinados nichos e, naturalmente, emergindo uma demanda cada vez mais exigente e diversificada. Tendências mundiais apontam que a atividade turística movimentará mais de US$ 1 trilhão, mais de R$ 2 trilhões nos próximos anos, tendo as cidades litorâneas uma grande fatia desse mercado (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DEL TURISMO, 2012). O país emerge no turismo náutico, no turismo de sol e praia, com inúmeras possibilidades de crescimento. Neste sentido, o segmento deve ser explorado com responsabilidade social e ambiental, conhecimento e respeito pelos ecossistemas costeiros, aproveitando a beleza cênica dos ambientes naturais, que move o turismo e eleva a economia desses destinos.
Na concepção de Rodrígues-Díaz e Espino-Rodríguez (2008), destinos turísticos são sistemas abertos capazes de atrair pessoas. Pode-se dizer que toda cadeia produtiva, composta pelo conjunto de pessoas - (clientes), oferta turística, organizações públicas e não governamentais - (produtores e fornecedores), amparadas pelo planejamento de promoção e marketing, gestão ambiental e outros fatores, fazem de uma cidade com potencial turístico tornar-se um destino turístico. Buhalis (2000) explica que os destinos turísticos são locais que
oferecem serviços e experiências aos visitantes, compostos por produtos tangíveis e intangíveis, assim como atrativos naturais e culturais. Silveira (2002) acrescenta que as cidades e regiões vêm adquirindo novas funções para atender a demanda do turismo, lazer e recreação, por meio da implantação de infraestrutura e equipamentos, buscando novas formas de uso e consumo dos espaços urbanos.
Domareski (2011) reflete sobre duas vertentes acerca do crescimento do turismo. De um lado, as expressivas estatísticas de aumento das viagens apresentam possibilidades para o desenvolvimento econômico das destinações turísticas, enquanto que, por outro, os efeitos adversos sob a perspectiva ambiental, social e cultural alertam para a necessidade de repensar as estratégias de planejamento e gerenciamento, de modo a garantir as condições essenciais de sustentabilidade aos destinos turísticos. Oyola et al. (2012) ressaltam que o turismo sustentável está sendo consolidado em nível internacional como uma abordagem que deve ser priorizada, de modo a beneficiar ambientalmente, socialmente e economicamente todos os tipos de turismo. No entendimento de De Oliveira e Rodrigues (2010), o conceito de desenvolvimento sustentável no turismo manteve-se vago por muito tempo, e sob a influência de diferentes abordagens. Conforme os autores, o turismo deve ser visto como parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável, numa perspectiva holística. Desta forma, as atividades turísticas devem estar focadas numa gestão de recursos, em que todas as exigências econômicas, sociais e estéticas sejam cumpridas, e simultaneamente respeitar a cultura e integridade dos processos ecológicos e a diversidade biológica local (COOPER et al., 2007; OYOLA et al., 2012).
Com relação ao planejamento e a gestão sustentável dos destinos, alguns aspectos devem ser observados e analisados com atenção, haja vista que cada um deles contribui para sua qualidade e conforto ambiental. Tais aspectos são assim definidos: organização; políticas, programas e projetos; comunicação; qualidade; tecnologia e gestão da informação; participação e capital humano (TEIXEIRA, 2002; COOPER; HALL; TRIGO, 2011; COOPER et al., 2007; PYO; UYSAL; CHANG, 2002).
Planejamento e desenvolvimento sustentável integrados são considerados por Cooper et al. (2007) uma forma de planejamento abrangente, uma vez que integra questões econômicas, físicas, sociais e culturais de um destino. Este planejamento requer a concepção do turismo como um processo multidisciplinar, entendido na sua totalidade a partir de uma visão integradora, participativa e sistêmica (ANJOS; ANJOS; RADOS, 2010). Molina (2001) explica que a condução do planejamento participativo é difícil, haja vista o nível de descentralização do poder executivo necessário para esta tomada de decisão. Ademais, deve
ser considerado o receio ou uma possível intimidação da comunidade local a querer participar dos processos decisórios. Mesmo assim, é fundamental acompanhar a evolução da comunidade e reconhecer sua percepção e anseios acerca dos projetos inerentes ao desenvolvimento do turismo e suas interfaces (SILVA; ANJOS, 2012).
A responsabilidade do Estado no planejamento do turismo tem grande relevância para a sociedade, pois ele desempenha o papel de coordenador e planejador de políticas públicas dentro de diferentes esferas, atuando, sobretudo como articulador entre as muitas organizações governamentais e não governamentais, além do setor privado (ANJOS; ANJOS; RADOS, 2010; SILVA; ANJOS, 2012). Silva e Anjos (2012, p.232) confirmam este pensamento ao citar os benefícios do planejamento sob o viés público:
O papel da iniciativa pública é essencial para bem prover um território, buscar o equilíbrio com a sociedade civil e associações de classe e organizações não governamentais, gerindo esforços para suavizar os efeitos negativos decorrentes do desenvolvimento econômico extremista, para o bem do ambiente local.
Na avaliação de Sachs (2008, p.11), o Estado tem três funções principais, como meio de organizar o território de forma sustentável:
a) a articulação de espaços de desenvolvimento, desde o nível local (que
deve ser ampliado e fortalecido) ao transnacional [...];
b) a promoção de parcerias entre todos os atores interessados, em torno de
um acordo negociado de desenvolvimento sustentável;
c) a harmonização de metas sociais, ambientais e econômicas, por meio do
planejamento estratégico e do gerenciamento cotidiano da economia e da sociedade, buscando um equilíbrio entre diferentes sustentabilidades (social, cultural, ecológica, ambiental, territorial, econômica e política) e as cinco eficiências (de alocação, de inovação, a keynesiana, a social e a eco-eficiência).
Na gestão pública municipal, o Plano Diretor, como instrumento de gestão, busca subsidiar o planejamento territorial, de infraestrutura e, o desenvolvimento do turismo, especialmente quanto ao zoneamento urbano, uso racional da água, do solo, etc. Há também a Figura do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) que atua como apoio à Secretaria Municipal de Turismo, formado pela sociedade civil, entidades de classe e demais organizações da iniciativa privada, compondo uma gestão participativa, além da possibilidade em constituir Consórcios Municipais que visem o desenvolvimento num interesse comum (SILVA; ANJOS, 2012).
À medida que o turismo adquire um caráter mais profissional, a pesquisa tem apresentado um crescimento relevante, ainda que seja, em grande parte, impulsionada pelo mercado. Contudo, as informações turísticas de apoio à tomada de decisão para fins de
planejamento e gestão, não tem sido empregadas com eficácia, havendo ainda, uma relutância dos gestores em aproveitar o potencial do conhecimento gerado (COOPER et. al, 2007). Assim, as decisões são tomadas sem aproveitar as melhores informações disponíveis. Este cenário mostra que as informações turísticas e de apoio à gestão de destinos, não tem sido abordadas com foco na gestão do conhecimento e, por este motivo, os negócios acabam sendo menos competitivos no âmbito global (COOPER et. al, 2007; COOPER; HALL; TRIGO, 2011). Os autores confirmam que a geração e uso de novos conhecimentos na área de turismo, com vistas à inovação e ao desenvolvimento de produtos e serviços é essencial para manter a competitividade, premissa também corroborada por Pyo (2005). De Oliveira e Rodrigues (2010) afirmam que um dos objetivos da gestão do conhecimento é transformar o conhecimento presente na mente das pessoas (tácito) em conhecimento utilizável (explícito) buscando resolver problemas e agregar valor a uma organização, no caso, aos destinos turísticos.
Adotando esse tipo de abordagem da gestão do conhecimento, as organizações terão maiores oportunidades de se tornarem mais lucrativas, eficientes e competitivas, terão uma atuação inteligente no mercado e criarão organizações de aprendizagem em rede (COOPER et al., 2007, p. 130). Pyo (2005) sugere a criação de mapas de conhecimento, os quais são usados para organizar o conhecimento em banco de dados e disponibilizá-lo para os usuários, sejam clientes ou produtores/fornecedores do local turístico, assim como para a gestão pública. Segundo Pyo (2005), a participação do poder público é fundamental para a construção de um “conhecimento turístico” sobre o destino, o qual deve ser armazenado, com vistas a auxiliar o processo de decisão sobre um novo projeto, por exemplo. Numa visão geral, a gestão do conhecimento dos destinos turísticos inclui a aquisição, explicação e comunicação do conhecimento aliados à experiência dos gestores, visando uma posição mercadológica relevante ao destino turístico (PYO; UYSAL; CHANG, 2002). O conhecimento deve ser fornecido de uma forma clara, objetiva, eficaz e oportuna para o sucesso do destino, com o mais alto nível de experiência profissional (POON, 1993 citado por PYO; UYSAL; CHANG, 2002). Pyo, Uysal e Chang (2002) esclarecem que o conhecimento é normalmente fornecido de duas maneiras: por meio de sistemas de gestão do conhecimento que fornecem respostas armazenadas em bases de dados (web) e; por meio das melhores práticas de destinos turísticos.
No contexto da gestão do conhecimento, presume-se que as aspirações e perspectivas das comunidades e dos demais atores envolvidos no processo de planejamento do destino, não
podem ser desconsideradas, mas sim aproveitadas como um conhecimento valioso, inerente apenas a quem vivencia o dia a dia do local (SILVA; ANJOS, 2012). Por meio do conhecimento de como as pessoas percebem e compreendem as diferentes particularidades de espaços urbanos ou rurais, são obtidos dados singulares e demonstrativos sobre o modo de desenvolver as atividades, e se relacionar com a natureza (LERÍPIO, 2004). Esta estratégia integra a gestão do conhecimento da sustentabilidade. Neste sentido, é imperativo o uso do conhecimento a favor da gestão sustentável dos destinos, pois como salienta Lisa (2008), a aplicação dos conceitos de desenvolvimento sustentável é um bom exemplo das dificuldades associadas com a difusão do corpo de conhecimento gerado por meio da pesquisa acadêmica para a indústria do turismo.
Um estudo realizado em cinco destinos turísticos no Queensland, na Austrália, teve por objetivo analisar a transferência de conhecimento acadêmico sobre sustentabilidade para a gestão do setor público de turismo. O resultado mostrou que, o vasto corpo de conhecimento sobre o tema não tem sido difundido de forma eficaz ao nível do destino onde ele é realmente necessário, por aqueles que planejam e gerenciam a atividade turística (RUHANEN, 2008). Em decorrência desse estudo, Ruhanen (2008) confirma que a abordagem da gestão do conhecimento é necessária para preencher esta lacuna de conhecimento prático. A gestão do conhecimento pode ser um componente importante para a aceleração de uma organização para a sustentabilidade (DE OLIVEIRA; RODRIGUES, 2010), assim como a integração dessa com a gestão ambiental, haja vista a necessidade em gerir os diversos componentes do ambiente natural e antrópico, determinados pelo padrão de desenvolvimento almejado pela sociedade e pelos stakeholders (SEIFFERT, 2011).