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Plantas epífitas ou rupícolas. Caule ereto, com escamas linear-lanceoladas, castanho-escuras a negras, com margem inteira. Frondes monomorfas, eretas. Pecíolo muito curto, com menos de 1/4 do comprimento da lâmina, não alado, recoberto na base por escamas semelhante as do caule. Lâmina inteira, lanceolada, ápice obtuso a agudo ou às vezes caudado, base longo-decurrente, tecido laminar glabro em ambas as faces, margem inteira a crenulada, costa abaxialmente recoberta de forma esparsa por escamas diminutas, lanceoladas, negras. Venação livre, nervuras simples ou furcadas, em ângulo de 60-70° em relação à costa, uniformemente paralelas. Soros lineares, ao longo do lado acroscópico das nervuras, mais próximos da costa até metade da lâmina (nas formas mais largas), nunca atingindo a margem. Indúsio linear, com margem inteira.

Na área de estudo: Asplenium serratum pode ser confundida com A. stuebelianum, mas se difere desta pela lâmina longo-decurrente em direção a base, pecíolo mais curto (com até 3 cm comprimento) e tecido laminar glabro em ambas as faces, enquanto que em A. stuebelianum a lâmina se estreita abruptamente em direção a base, o pecíolo é geralmente mais longo (com até 15 cm de compr.) e o tecido laminar é revestido abaxialmente por escamas diminutas. Além disso, exemplares estéreis de A. serratum podem ser confundidos com espécies de Elaphoglossum, entretanto podem ser facilmente diferenciadas pela presença de escamas clatradas no caule de A. serratum.

Ambiente de ocorrência: Floresta Ombrófila Densa ou Mata Baixa sobre canga, em áreas mais iluminadas e próximas a cursos d’água sobre rochas ou troncos de árvores, entre 300 e 750 m de altitude.

Distribuição geográfica: Neotropical. Brasil: Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima); Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí); Centro-oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo); Sul (Paraná, Santa Catarina).

Material examinado: BRASIL, Pará: Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo C. 18/03/2009, P.L. Viana 4149 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 02/10/2009, P.L. Viana 4330 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo A, 14/02/2010, T.E. Almeida 2173 (BHCB); Parauapebas, Serra Norte corpo N4, 18/05/2012, A.J. Arruda 1138 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 12/02/2012, A.J. Arruda 600 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul acesso Racha Placa, 30/01/2012., A.J. Arruda 568 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo A, 22/05/2012, A.J. Arruda 1161 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra do Tarzan, 09/02/2012, A.J. Arruda 579 (BHCB). 11. Asplenium stuebelianum Hieron., Hedwigia 47: 222. t. 4. f. 13. 1908.

Plantas rupícolas. Caule ereto, com escamas linear-lanceoladas, castanho-escuras a negras, com margem inteira. Frondes monomorfas, eretas a pendentes. Pecíolo curto, comumente com menos de 1/4 do comprimento da lâmina, não alado, glabrescente, com escamas semelhantes as do caule na base. Lâmina simples, espatulada a linear-lanceolada, ápice acuminado a atenuado, base estreitando-se abruptamente, tecido laminar na face abaxial com diminutas escamas, principalmente próximo à costa, face adaxial glabra; margem irregularmente serreada; costa abaxialmente recoberta de forma esparsa por escamas diminutas, triangulares a lanceoladas. Venação livre, nervuras simples ou furcada, em ângulo de 65-75° em relação à costa,

uniformemente paralelas. Soros lineares, ao longo do lado acroscópico das nervuras, mais próximos da costa até metade da lâmina (nas formas mais largas), raramente atingindo a margem. Indúsio linear, com margem inteira.

Na área de estudo: Asplenium stuebelianum pode ser confundido com A. serratum, entretanto esta outra espécie apresenta pecíolo mais curto (com até 3 cm de compr.), lâmina com base longo decurrente, e tecido laminar glabro em ambas as faces; enquanto que A. stuebelianum apresenta pecíolos geralmente maiores (com até 15 cm de comprimento), lâmina abruptamente estreitada na base, e tecido laminar revestido abaxialmente por escamas diminutas, principalmente próximo a costa.

Ambiente de ocorrência: Floresta Ombrófila Densa, em locais úmidos e sombreados sobre troncos de árvores, entre 330 e 700 m de altitude.

Distribuição geográfica: América do Sul: Argentina, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Paraguai e Venezuela. Brasil: Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia); Centro-oeste (Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso); Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo); Sul (Paraná). Material examinado: BRASIL. Pará: Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo A, 22/05/2012, A.J. Arruda 1162 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo A, 14/02/2010, T.E. Almeida 2192 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo C, 16/02/2010, T.E. Almeida 2231 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul corpo D, 01/05/2010, T.E. Almeida 2365 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 12/02/2012, L.F.A. De Paula 551 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul acesso Racha Placa, 10/12/2012, I.M.C. Rodriques 598 (BHCB).

10. Blechnum L., Sp. Pl. 2: 1077. 1753.

Blechnum é composto por plantas terrícolas e rupícolas, raramente epífitas, que se caracterizam por apresentar caules reptantes a eretos, em algumas espécies massivos e arborescentes, providos de escamas; frondes de crescimento determinado, monomorfas ou dimorfas, neste caso as férteis geralmente mais longas e com segmentos mais estreitos; lâminas pinatisetas ou 1-pinadas, raramente simples, geralmente glabras ou com escamas, raramente com tricomas; venação geralmente livre, raramente anastomosada; soros lineares, geralmente contínuos, em uma comissura vascular paralela e adjacente à costa; paráfises ausentes; indúsio linear, abrindo-se em direção à costa, arqueados sobre os esporângios.

Gênero de distribuição subcosmopolita com aproximadamente 200 espécies (Mickel & Smith 2004), sendo a região Neotropical um dos principais centros de diversidade com cerca de 50 espécies (Dittrich et al. 2007; Tryon & Tryon, 1982). No Brasil ocorrem 29 espécies, das quais cinco são citadas para o Estado do Pará (Dittrich & Salino, 2014). Na área de estudo foram registradas nove espécies, das quais duas são novos registros para o Estado do Pará: B. brasiliense Desv. e B. lanceola Sw.

Literatura consultada: Dittrich (2005); Dittrich & Salino (2010, 2014); Dittrich et al. (2007, 2012); Kramer et al. (1990); Moran (1995b); Rolleri & Prada (2006); Smith (1995b); Tryon & Conant (1975); Tryon & Tryon (1982).

Chave de identificação para as espécies de Blechnum nas Serras Ferruginosas da FLONA de Carajás

1a. Venação parcialmente anastomosada, formando aréolas..…………...……2 2a. Pinas com base truncada, recobertas por tricomas com até 3 células...3 3a. Tricomas em ambas as faces da lâmina; pinas frequentemente com base auriculada na porção acroscópica...….. ……….. 4. B. heringeri 3b.Tricomas somente na face abaxial da lâmina; pinas com base não auriculada na porção acroscópica...……….. 1. B. areolatum 2b. Pinas com base gradualmente reduzidas, recobertas por tricomas com mais de 5 células... 6. B. longipilosum 1b. Venação livre ou muito raramente com uma ou outra aréola costal.

4a. Lâmina 1 -pinada; pina com pecíolo articulado a raque... 9. B. serrulatum 4b. Lâmina simples, pinatiseta, pinatífida ou 1–pinada; pina com pecíolo contínuo com a raque.

5a. Caule ereto, subarborescente; escamas da base do pecíolo lineares... 3. B. brasiliense 5b. Caule reptante, decumbente ou ereto, nunca subarborescente; escamas da base do pecíolo não lineares.

6a. Lâmina simples... 5. B. lanceola 6b. Lâmina pinatiseta ou 1-pinada.

7a. Pinas basais fortemente reduzidas, totalmente adnadas à raque.

8a. Lâmina lanceolada; pinas basais triangulares... 8. B. polypodioides 8b. Lâmina linear-elíptica; pinas basais semicirculares... 2. B. asplenioides 7b. Pinas basais levemente reduzidas, com a base acroscópica totalmente livre... 7. B. occidentale

1. Blechnum areolatum V.A.O. Dittrich & Salino, Syst. Bot. 37(1): 38-42. 2012. (Fig. 11A) Plantas rupícolas. Caule curto-reptante a decumbente, não arborescente, com escamas lanceoladas, concolores, castanho-claras, margem ciliada. Frondes levemente dimorfas (as férteis mais longas que as estéreis), fasciculadas, eretas a levemente pendentes. Pecíolo contínuo com a raque, glabrescente ou levemente pubescente no ápice e com escamas esparsas na base semelhantes as do caule. Lâmina 1-pinada, triangular a deltóide, ápice e base truncados, sem pinas vestigiais, ápice conforme, glabrescente na face abaxial, tricomas com 1-3 células, glabra na face adaxial; pinas 1-2 pares, elípticas a linear-elípticas, patentes, não adnadas a raque (quando jovens adnadas), ápice obtuso a agudo, margem aparentemente inteira (finamente denticulada), plana; pinas basais

reduzidas, com a porção acroscópica da base sem aurículas; raque esparsamente pubescente. Venação parcialmente anastomosada, nervuras formando aréolas ao longo da costa, em direção à margem simples a 1-2 bifurcadas, levemente espessadas no ápice, terminando antes da margem. Na área de estudo: Blechnum areolatum se diferencia das demais espécies congenéricas registradas pelas pinas em 1-2 pares, sem aurículas na base na porção acroscópica, recobertas por pequenos tricomas esparsos somente na face abaxial. Pode ser confundida com B. lanceola e B. longipilosum, quando ambas apresentam apenas um 1 ou 2 pares de pinas, mas se difere da primeira pela venação parcialmente anastomosada (livre em B. lanceola), e da segunda pela face adaxial da lâmina glabra, enquanto que B. longipilosum apresenta ambas as faces da lâmina densamente pubescentes, com tricomas longos. Além disso, pode ser confundida com B. heringeri, mas se difere desta pelo menor número de pinas, ausência de aurículas na porção basal acroscópica das pinas, e face adaxial da lâmina glabra.

Ambiente de ocorrência: Áreas de transição entre Matas Baixas sobre canga e Floresta Ombrófila Densa, em paredões rochosos e rochas geralmente próximas a cursos d’água, entre 550 e 740 m de altitude.

Distribuição geográfica: Brasil: Norte (Pará).

Material examinado: BRASIL. Pará: Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo D, 18/02/2010, T.E. Almeida 2255 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 11/12/2012, A. Salino 15566 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo B, 30/01/2012, L.V.C. Silva 1188 (BHCB); Parauapebas, Serra Norte corpo N8, 17/05/2012, A. Salino 15173 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 12/02/2012, A. Salino 15173 (BHCB); Parauapebas, Serra da Bocaina, 13/02/2012, A. Salino 15184 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo D, 25/01/2012, A.J. Arruda 454 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo D, 26/01/2012, A.J. Arruda 483 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo D, 18/05/2010, L.V.C. Silva 879 (BHCB); Canaã dos Carajás, Serra Sul, corpo D, 22/01/2013, A.J. Arruda 1332 (BHCB).