A presença social é definida por Garrison e Anderson (2003) como a habilidade de os participantes projetarem suas características pessoais para a comunidade de
aprendizagem, com o propósito de desenvolver relações interpessoais, que podem ser prejudicadas pela distância geográfica e temporal dos ambientes online. Garrison e Anderson (2003) destacam que a função básica desse elemento é dar suporte para a presença cognitiva, facilitando, indiretamente, o alcance dos objetivos cognitivos e afetivos da aprendizagem: estes com o propósito de tornar as interações do grupo interessantes, envolventes e intrinsecamente compensadoras e aqueles com o objetivo de estimular, sustentar e manter o pensamento crítico.
O esquema de classificação da presença social proposto por Garrison e Anderson (2003) foi construído sobre um processo interativo, que resultou em três categorias fundamentais: afetividade, comunicação aberta e comunicação coesiva.
Em relação à afetividade, Garrison e Anderson (2003) destacam que as emoções expressas em textos virtuais são diferentes das expressas na presença física e, por esse motivo, os interlocutores de ambientes assíncronos compensam a ausência física usando representações simbólicas para facilitar sua expressividade no ambiente. Para os autores, as emoções expressas em ambientes assíncronos são capazes de promover a motivação e a persistência na experiência educacional, facilitando, desse modo, a aprendizagem. Dentre as representações simbólicas sócio-emocionais usadas em ambientes assíncronos, os autores destacam o humor, a autorevelação e o uso de
emoticons16
. O humor, especificamente, é bem identificado como uma estratégia
conversacional para afastar a distância social e, assim, promover a aprendizagem. Em relação à autorevelação, os autores assinalam que a troca de informações pessoais reduz a sensação de isolamento social e permite a percepção individualizada sobre o outro.
A segunda categoria de indicação da presença social é a comunicação aberta, descrita como troca de comunicação recíproca e respeitosa. Para Garrison e Anderson (2003), a menção a outras contribuições, na interação, permite sustentar as relações, manifestar disposição para manter e prolongar o contato, indicar suporte interpessoal implícito e encorajar. Para os autores, a interatividade se manifesta em ambientes assíncronos pelo uso de respostas na postagem de mensagens; pela citação de mensagens de outros participantes; pelo comentário sobre alguém em particular; e pelas
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Emoticons, segundo Monereo e Pozo (2010, p.116), “é um neologismo que provém da associação dos termos emoção e ícone. Originalmente, foram criados com a intenção de expressar emoções por meio de uma combinação de signos, geralmente em forma de caras com diferentes expressões emocionais”.
referências explícitas a mensagens de outros participantes. As expressões explícitas de apreciação e de acordo, bem como as palavras de elogio e de incentivo aos outros, são ferramentas textuais de encorajamento, reconhecimento e apoio. Esse aspecto da presença social é particularmente importante em interações virtuais onde sorrisos, contatos visuais e outros meios não verbais de estabelecimento e manutenção da presença social não estão disponíveis.
A terceira categoria de indicação da presença social denominada coesiva é exemplificada por atividades que constroem e sustentam o senso de engajamento do grupo. A premissa é que a qualidade do discurso é facilitada e otimizada quando os estudantes se veem como parte do grupo e não como indivíduos isolados. Os indicadores da categoria coesiva são os vocativos, o emprego de pronomes inclusivos e as saudações. Esses elementos são importantes expressões de coesão, já que promovem a participação e a empatia, e tendem a indicar uma tentativa de estabelecer um relacionamento mais próximo com o destinatário. Resumidamente, a presença social reflete o suporte contextual para as relações de afetividade, de interação e de coesão.
As três categorias apontadas por Garrison e Anderson (2003) para avaliar a presença social em fóruns virtuais de aprendizagem, com os respectivos indicadores, definição e exemplos, estão resumidas no quadro a seguir:
Categorias Indicadores Definição Exemplos
Afetiva Expressão de emoção Expressões convencionais
ou não convencionais de emoções, incluindo pontuações repetidas, caixa alta e emoticons
“I just can’t stand it when…!!!!”
“ANYBODY OUT THERE!”
Uso de humor Provocações, brincadeiras, ironias, sarcasmos etc
“The banana crop in Calgary is looking good this year”
Autorevelação Apresentação de detalhes
da vida fora da sala de aula, ou expressões de vulnerabilidade
“Where I work, this is what we do…”
“I just don’t understand this question”
Comunicação aberta Continuação de uma
discussão
Preferência pelo uso da ferramenta de resposta em detrimento do início de um novo tópico
Software dependent, e.g., “Subject: Re” or “Branch from”
Citação de outras mensagens
Seleção de mensagens dos outros para expressar um ponto de vista
Software dependent, e.g., “Marta writes: or text prefaced by less-than symbol <” Referência explícita a outras mensagens Referências diretas ao conteúdo de outras mensagens postadas
“In your message, you talked about Moore’s distinction between…”
Formulação de perguntas Perguntas para os outros participantes
“Anyone else had experience with WEBTC?” Expressão de elogios e apreciações Elogios a outros participantes ou ao conteúdo de outras mensagens
“I really like your interpretation of the reading” Expressão de concordância Concordância com os outros participantes ou com suas mensagens
“I was thinking the same thing. You really hit the nail on the head”
Coesiva Uso de vocativos Referência aos
participantes pelo nome
“I think John made a good point”
“John, what do you think?
Uso de pronome inclusivo para referir-se ao grupo
Referência ao grupo por nós, nosso, nosso grupo
“Our textbook refers to...” “I think we veered off track…”
Saudações Comunicação de função
puramente social: saudações iniciais e de encerramento
“Hi all”
“That’s it for now” “We’re having the most beautiful weather here”
Quadro 1.2: Categorias da presença social (GARRISON; ANDERSON, 2003, p. 51, tradução minha)
Na seção seguinte, descrevo o terceiro elemento do modelo de análise da comunidade de investigação proposto por Garrison e Anderson (2003).