• No results found

4. ACCESS TO JUSTICE CROSSOVER EXAMINATION

4.3 Territorial Jurisdiction

A sociedade actual baseia-se no acesso mais fácil e no uso mais amigável das novas tecnologias por parte de todos os cidadãos, e os idosos não são excepção. Este público aprendeu a ler e a escrever sem recursos didácticos, alguns nem sequer frequentaram a escola ou completaram o percurso escolar obrigatório. A televisão e a máquina de escrever surgiram mais tarde, e no local de trabalho, quando surgiram os computadores, eles “fugiam” deixando-os para os mais jovens.

Já foi dito que a sociedade do conhecimento e da partilha da informação permite uma comunicação rápida, eficaz. Contudo, pode trazer desigualdades entre os info-excluídos, entre quem pode comprar ou não a tecnologia e mais importante, quem sabe utilizar as novas tecnologias e quem quer aprender. Trata-se de fomentar a inclusão social através de uma inclusão educacional no mundo digital.

Segundo Caradec, ainda existe dois discursos generalistas sobre a relação dos idosos com as novas tecnologias: uma geração ultrapassada, resistente à novidade, apreensiva às novidades tecnológicas perante os séniores interessados e entusiasmados com as novas tecnologias, nomeadamente a Internet (2003:1). Ele estudou quais os usos que os reformados fazem ou não das novas e antigas tecnologias, concluindo que um reformado interessa-se pelas novas tecnologias se existir uma vontade de estar actualizado, se se identificar de alguma maneira com o seu passado laboral ou pessoal. Tem de existir uma consciência da utilidade para usar uma nova tecnologia. Algumas novas tecnologias aparecem na vida dos reformados como ofertas por parte dos filhos e/ou netos e não por iniciativa própria. Quando estão interessados, os reformados conseguem ter uma apreciação sobre a relação qualidade preço do objecto tecnológico quando estão interessados em adquiri-lo.

Para o autor, estes discursos de incompatibilidade ou familiaridade são muito vagos e reflectem a heterogeneidade do grupo dos idosos. De facto, há séniores que têm receio da Internet, de ver o seu mundo privado a nível mundial, de não conseguir trabalhar com o computador, sozinhos em casa, sem ajuda. Por outro lado, há séniores que decidem experimentar, querem ver o lado atractivo que os netos tanto evidenciam. Segundo Caradec, os idosos não são hostis em relação às inovações tecnologias mas têm de estar interessadas para adquirir e utilizar qualquer equipamento, ou seja, tem de haver um significado positivo da utilidade para o contexto actual mais tecnológico em que vivem. O autor cita um estudo feito por Edgar Morin54 que concluiu que os idosos com 50-60 anos são mais resistentes à mudança e às inovações tecnológicas em relação aos idosos com mais de 70 anos porque ainda

estão a conviver com a concorrência das máquinas no seu trabalho, sentindo-se por vezes abandonados.

Há de facto uma grande evolução por parte dos séniores que frequentam formação de informática: inicialmente, não têm computador, nem sabem ligar e desligar, não sabem utilizar o rato, mas sempre tiveram uma grande curiosidade em conseguir perceber como funciona, em conseguir ver a informação criada e trabalhada por eles. Actualmente, todos compraram ou “herdaram” um portátil porque perceberam que sem a utilização, não conseguiam pôr em prática as aprendizagens. Por outro lado, sentem-se mais confiantes, com mais auto-estima porque percebem que afinal também conseguem pesquisar informação na Internet, conseguem mandar e receber correio electrónico, conseguem ter no computador as fotos dos netos, conseguem falar em tempo real e sem custo com os familiares que estão longe. É uma prova que a aprendizagem é permanente desde que haja uma motivação ou um interesse, seja criança ou idoso. Alguns séniores ainda se sentem renitentes quanto às suas capacidades. Não adquiriram um computador porque não se sentiam à vontade e porque lhes “roubava” tempo para outras actividades. Isto porque não tinham necessidade de aprender, de saber comunicar on line com os familiares porque o telefone era mais fácil.

A Internet é sempre um “chamariz” para o aprendente de qualquer idade. O que difere é a utilidade: a criança gosta da parte lúdica e do entretenimento assim como o sénior mas, é sempre mais focado para a parte “laboral”: pesquisar, receber mensagens com anexos. Segundo o documento A Utilização de Internet em Portugal 201055, no primeiro trimestre de

2010, aproximadamente metade dos lares de Portugal continental (48,8%) dispunham de acesso à Internet sendo 48,3% são homens, e 41,1% são mulheres. A faixa etária da terceira idade é a que menos utiliza a Internet (ver figuras 14 e 15 dos Anexos A).

A aprendizagem é possível se existir um ambiente adequado e pessoas que promovam a construção do conhecimento (ver figura 16 dos Anexos A). De facto, um formador ou um professor tem de criar actividades práticas para que o aprendente consiga atingir os objectivos, ou seja, compreender os conceitos. Não pode esquecer dos ritmos individuais, isto é, num grupo de oito aprendentes, as experiências, as motivações e a facilidade de fazer algo condicionam a aprendizagem. Ele transmite a informação, explicando-a com exemplos e com a realização de tarefas práticas com princípio, meio e fim. Repetir várias vezes é fundamental para exercitar a memória e assim “não esquecer” tão rapidamente. Por vezes, o aprendente esquece um passo e fica “bloqueado”, mas o formador deve criar estratégias para que possa resolver sozinho e mais tarde, consiga transferir os conhecimentos adquiridos em novas situações.

A aprendizagem dos séniores tem de seguir os pressupostos do modelo andragógico em que as tarefas têm de ser de cariz prático e utilitário, têm de ser treinadas passo a passo e várias vezes a partir de um clima de confiança e de “cumplicidade” entre formador e formando. O formador tem de partir das necessidades e expectativas de cada formando que tem as suas

55 disponível em: http://www.umic.pt/images/stories/noticias/Relatorio_LINI_UMIC_InternetPT.pdf (consultado a 25-08-2011)

limitações específicas e o seu ritmo de aprendizagem. Vários autores56 defendem a importância em exercitar a mente através de actividades como jogos de cartas e de memória, palavras cruzadas assim como o uso do computador. Desta forma, reforçam e desenvolvem mais capacidades a nível mental enfrentando melhor as possíveis perdas.

Segundo Fonseca57, os autores Baltes e Smith propõem o Modelo de SOC: “Modelo de

Selecção-Optimização-Compensação” como uma via para a compensação das perdas originadas pelo envelhecimento. Este modelo é composto por três processos fundamentais:

1) Selecção: os idosos seleccionam objectivos e resultados prioritários de modo a alcançarem a satisfação e a sensação de controlo pessoal;

2) Optimização: os idosos mobilizam os recursos internos e externos de forma a atingirem os seus objectivos com satisfação, afastando os objectivos indesejáveis;

3) Compensação: os idosos desenvolvem a capacidade de adquirir novos meios e recursos para alcançar os objectivos traçados ou fazer um reajustamento dos mesmos. Se o objectivo é de facto manter-se activo por mais tempo, então o uso do computador e da Internet permitem de forma lúdica ter acesso à informação, aumentar a sua auto-estima quando conseguem realizar tarefas e quando comunicam com os familiares e amigos virtualmente, sentirem-se actualizados, enfim cidadãos que participam na sociedade de conhecimento.

Por outras palavras, a aprendizagem ao longo da vida é um postulado da sociedade da informação e do conhecimento para combater o envelhecimento demográfico e individual, que estão inevitavelmente associados à sociedade actual.

56

SARAIVA, Caroline (2008), Envelhecer na actualidade: o ensino de informática para idosos, 2008, p. 28 57

Fonseca, A. M. (2005). Desenvolvimento Humano e Envelhecimento. Lisboa: Climepsi Editores, citado na Revista Transdiciplinar de Gerontologia,Ano III – volume III. Número 1, 2009, disponível em:

Capítulo 3. O Envelhecimento no século