É doutorando em ciência de design na Universidade de Michigan. Ele é um especialista em sonificação que treina heliofisicistas no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, para distinguir diferenças sutis, ouvindo dados de satélite em vez de olhar para eles. Ele gasta partes de seu dia a ouvir um ruído suave, semelhante a água que cai do lado de fora de uma casa durante uma tempestade. De vez em quando, ele ouve um som anômalo e marca o tempo correspondente no arquivo de áudio. Alexander está ouvindo o campo magnético do sol e marcação potenciais áreas de interesse. Depois de apenas 10 minutos, ele ouviu no valor de dados de um mês. Alexander traduz os dados em arquivos de áudio através de audificação, um tipo específico de sonificação, aqui mencionado, que envolve diretamente o ouvir dados de satélite inéditos. Traduzir esses dados em áudio pode ser comparado a uma parte do processo de recolhimento de som de
uma pessoa que canta em um microfone em um estúdio de gravação com fita de bobina. Quando uma pessoa canta em um microfone, que detecta alterações na pressão e converte os sinais de pressão para as modificações na intensidade magnética sob a forma de um sinal eléctrico. Os sinais eléctricos são armazenados na fita do carretel. Magnetômetros sobre as alterações medida satélite de vento no campo magnético, criando diretamente um tipo semelhante de sinal elétrico. Alexander escreve um programa de computador para traduzir esses dados para um arquivo de áudio.
Ouvir dados não é algo novo. Em um estudo, em 1982, os pesquisadores utilizaram audificação para identificar micrometeoróides, ou pequenas partículas do anel, atingindo a espaçonave Voyager 2, atravessando os anéis de Saturno. Os impactos foram visualmente obscurecidos nos dados, mas puderam facilmente ser ouvidos, soando como impulsos intensos, quase como uma tempestade de granizo.
No entanto, o método não é usado frequentemente na comunidade científica porque requer um certo nível de familiaridade com os sons. Por exemplo, o ouvinte precisa ter uma compreensão de que como a turbulência típica do vento solar típicas soa como, a fim de identificar eventos atípicos. "É sobre como usar o seu ouvido para escolher diferenças sutis", disse Alexander. Ele inicialmente passou vários meses aprendendo a ouvir dados do magnetômetro e destacando alguns elementos.
Um artigo publicado no The Astrophysical Journal em 2012 relatou essa abordagem. As diferentes formas de átomos de carbono carregados expelidas pelo Sol podem revelar diferenças na atmosferas solares que apresentam variações de temperaturas que podem ser sincronizadas com os dados audificados.
4.9 Jim Bumgardner
Um engenheiro de software especializado em efeitos visuais, que é consultor em sua casa, em Los Angeles, criou um visualizador, que utiliza dados da Missão
Hipparcos.113 O programa coloca as estrelas no céu em uma música etérea de sua
113 Exclusivamente da Europa, foi a primeira missão espacial para medir as posições, distâncias, movimentos,
cores e brilho de estrelas - para astrometria, como os especialistas chamam. O Hipparcos, satélite da ESA, identificou mais de 100 000 estrelas, 200 vezes mais precisão do que nunca. Como a astrometria tem sido a base
própria criação. Segundo descreve, ele biaxou os dados públicos da Hipparcos, e usou tais informações para definir os parâmetros do trabalho. Por exemplo, o tom do carrilhão é baseado na medição BV da estrela (o que corresponde à cor ou temperatura). O volume é baseado na magnitude da estrela, ou no brilho aparente, e o panorama estério é baseado na posição na tela.
Outros projetos que Bumgardner desenvolveu incluem uma caixa de música que gera som usando trigonometria e harmônicos e uma câmera que torna tudo em código ASCII. Bumgardner declarou que sempre esteve interessado em métodos de produção de música automática desde que estudo composição musical. Em outro projeto anterior já lhe havia ocorrido usar fontes matemáticas e aleatórias para disparar notas, no estilo de uma caixa de música disco, para depois associar isso à possibilidade de gerar sons a partir das próprias estrelas, com uma caixa de música que tocava a ‘música das esferas’. Ele diz: “Gostaria também de mencionar que a qualidade etérea da música é muito afetada pela minha escolha de amostra de áudio. Se eu tivesse usado um som do banjo, o efeito seria bem diferente. Eu escolhi esse som particular por causa de minhas próprias noções preconcebidas do que uma estrela deve soar. Provavelmente um processo mental semelhante ao que Alexander Courage passou quando ele escolheu as notas de abertura de Star Trek.”
Em um projeto inovador, entre estudantes ingleses, chamado Stargazing Live, músicos de orquestra e produtores de música eletrônica especializados compuseram uma peça usical com os sons dos planetas, pulsares, silvos e até mesmo material de buracos negros. Esse material foi disponibilizado pela BBC em Janeiro de 2012.114
Indo além de tudo isso, sonificação é o processo de exibir qualquer tipo de dados ou de medição como som, como o sinal sonoro de um monitor de freqüência cardíaca medir o pulso de uma pessoa, uma campainha da porta tocando cada vez que uma pessoa entra em uma sala, ou, neste caso, explosões indicando grande eventos que ocorrem no sol. Em certos casos, e agora diferentemente de tudo que já
do estudo do Universo desde os tempos antigos, este salto à frente afetou todos os ramos da astronomia. O produto principal desta missão pioneira e bem sucedida foi um conjunto de catálogos estelares, Os Hipparcos e Tycho Catálogos, publicados pela ESA em 1997. (Hip15)
114 http://www.bbc.co.uk/learningzone/clips/composing-a-piece-of-space-music/13900.html visualizado em
foi abordado neste trabalho, os cientistas podem usar os seus ouvidos, em vez de seus olhos para processar dados mais rapidamente - e detectar mais detalhes - do que através de análise visual. Um artigo sobre a eficácia da sonificação na análise de dados de satélites da NASA foi publicado na edição de julho do Journal of
Geophysical Research: Física Espacial.
A NASA produz uma grande quantidade de dados de seus satélites. Explorar essas grandes quantidades de dados pode ser difícil, como mencionado por Alexander, mas a sonificação oferece um suplemento promissor às técnicas de análise visual padrão.
Outros nomes podem ser lembrados, tais como Terry Riley, com o Kronos Quartet, em seu álbum Sun Rings, no qual usam ‘sons de planetas registrados pela Missão Voyager em sua viagem ao espaço sideral.[14] Stephen Taylor, no álbum The
heart of the Sun.[15] Robert Schroeder's album Galaxie Cygnus-A used interstellar noise from the distant galaxy in the title [16][17][18]
Mas não somente pesquisadores com acesso aos mais caros e elaborados recursos estão explorando o rico material sonoro do espaço exterior.
O programa espacial Apollo também inspirou diversas produções musicais, tais como de Brian Eno, Daniel Lanois, David Hurwitz. Este, curiosamente, descreveu a conhecida obra orquestral de Joseph Haydn (1798), A Criação, como uma peça de música do espaço, levando em conta que ela foi criada depois de uma discussão do compositor, sobre astronomia, com Willian Herschel, oboísta e astrônomo (descobridor do planeta Urano).
A partir dessa reflexão, é preciso reconhecer que a análise de eventuais relações da ‘música do espaço’ com pressupostos teóricos de movimentos não passa ao largo da história da música recente. Na verdade ela é uma continuação, por assim dizer, daquilo que alguns propugnaram. Assim, parece, a princípio, haver parentesco entre aquilo que está sendo feito como música, com o material coletado do espaço, com o arcabouço teórico da música concreta e eletrônica.
É evidente que há uma gama variadíssima de aspectos relacionados a tudo que se refira à ‘conquista do espaço’. Assim, em nenhum momento este trabalho tem a pretensão de analisar fatores políticos, econômicos, jurídicos, filosóficos, ainda que aparentados, ou mesmo especular sobre o que está em jogo nas inumeráveis articulações de toda ordem sobre o que está além do nosso planeta.
Entretanto, não há como se furtar à observação de que há paralelos instigantes entre o tema e seus contornos. É sabido que muito do avanço tecnológico do qual desfrutamos hoje finca suas raízes em pesquisas científicas do início do século passado. Por isso, ainda que considerando tal argumento raso, é inegável que a ‘música do espaço’ pode contribuir para futuros ainda não visualizados, tanto quanto eram os astros pouco conhecidos séculos atrás.
Teixeira Gonçalves afirma que: “Todo projeto é relevante socialmente quando contribui, de alguma forma, para a melhoria da sociedade, para a compreensão do mundo em que vivemos ou ainda para desenvolvimento e emancipação do homem. Mesmo um projeto de tema absolutamente técnico deve trazer uma contribuição para a sociedade.”115
Outro componente da história recente da música do espaço exterior são as imagens, material de pesquisa de amplos recursos e utilização na sonificação. Hoje, as imagens são largamente obtidas por satélites com missões específicas de observação da terra. No caso brasileiro, dados de sensoriamento remoto são coletados a partir de inúmeras plataformas satelitais. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mantém um banco de imagens dos seguintes satélites: Cbers-2 (China-Brasil), Cbers-2B (China-Brasil), Landsat1, Landsat2, Landsat3, Landsat4, Landsat5, Landsat7 (EUA), Resourcesat-1 (Índia), Terra (EUA) e Aqua (EUA). O Landsat7 está operacional, mas não transmite dados para o Brasil. Já o satélite Landsat6, lamentavelmente não chegou à órbita programada e não pôde cumprir sua missão. Os satélites Resourcesat-1, Terra e Aqua estão operacionais e fornecem diferentes tipos de imagens, inclusive para o Brasil. No momento, estamos negociando com a Índia o acesso aos dados do Resourcesat-2.
As informações geradas por essas plataformas permitem tomadas de decisões vitais nas áreas de agricultura, recursos florestais, uso da terra, uso da água, exploração de recursos naturais e muitas outras. A família Cbers, Landsat e outras plataformas são usadas intensamente nestes campos. De grande importância para o Brasil são os dados, recebidos quase em tempo real, sobre incêndios florestais em todo o país. Algumas plataformas de observação da terra executam relevantes missões científicas, como as operados pela Nasa, sobretudo os satélites Terra e Aqua.
115 http://metodologiadapesquisa.blogspot.com.br/2008/11/justificativas-relevncia-do-projeto.html, visualizado
O satélite Terra realiza sensoriamento remoto da terra, dos oceanos e da atmosfera. Como carga útil destacam-se os sensores para:
• Energia radiante de nuvens e da superfície (Ceres), via ondas curtas e ondas longas e fluxo líquido
• Imageamento estereoscópico por nove diferentes ângulos (MISR) • Imageamento multiespectral de alta definição (Aster)
• Imageamento global de média resolução (Modis) em até dois dias
• Medição global de concentrações de metano e monóxido de carbono na troposfera (MOPITT)
Alcançar este nível de capacitação tecnológica é meta do Programa Espacial Brasileiro. Cargas úteis similares estão planejadas para futuras missões nacionais.
Em breve serão lançados o Cbers-3 e, logo a seguir, do Cbers-4. Cada um deles carrega quatro tipos de câmaras (multiespectrais), com resolução entre 5 e 80 metros e largura de faixa imageada entre 60 e 866 quilômetros.
Há também outras missões brasileiras planejadas, com máximo de nacionalização das cargas úteis e módulos de serviço: satélite radar, satélite de observação do mar (Sabiá-Mar, Brasil-Argentina), satélite Amazônia e satélite meteorológico brasileiro.
Carlos Alberto Gurgel Veras é um dos elementos importantes nesse ambiente. Diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira (AEB). Professor adjunto do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB. Formado em Engenharia Mecânica (UGF/RJ), com Mestrado em Propulsão Aeroespacial (IME/RJ), Doutorado na Universidade de São Paulo (Escola Politécnica) com estágio no Technical Research Centre of Finland (VTT-Energy) e Pós-doutorados no Laboratório de Combustão e Propulsão do Inpe, como bolsista da Fapesp; e no College of Forest Resources (Universidade de Washington) em Seattle, EUA, como bolsista da Capes116
Retomando a discussão das abordagens artísticas, propriamente ditas, há que se considerar as intersecções da estética e da musicalidade no trabalho em tela. Edworthy (1998 apud HERMANN; HUNT; NEUHOFF, 2011) apropriadamente apontou a independência do desempenho e da estética. Enquanto o som pode esteticamente melhorar a interação do ouvinte com um sistema, o desempenho pode
não necessariamente ser afetado pela presença ou ausência de som. Questões de estética e musicalidade permanecem em aberto no campo da sonificação. O uso de sons musicais (em oposição aos tons de onda sinusoidal pura, etc) tem sido recomendado por causa da facilidade com a qual os sons musicais são percebidos (BROWN et al., 2003 apud HERMANN; HUNT; NEUHOFF, 2011), mas continua a ser uma questão de ponto de vista se o uso de sons musicais, tais como os disponíveis em bancos MIDI instrumento origina maior ou menor musicalidade, e presumivelmente menos menor resultado estético. Certo é que, segundo estes pesquisadores argumentam, uma cuidadosa atenção à estética facilita o ouvir das sonificações, o que contribui para uma melhor compreensão das mensagens pretendidas (HERMANN; HUNT; NEUHOFF, 2011 p. 27).
4.10 Outras abordagens
Dentre as muitas iniciativas que têm prosperado, uma que merece destaque é a CRaTER Live Radio. Ela exemplifica as inúmeras possibilidades de streaming, que, essencialmente fornece um um boletim meteorológico, jogando amostras de instrumentos em vários registros e alturas, interpretando condições no espaço por um conjunto de regras estabelecidas. Os instrumentos musicais variam de um piano para um banjo. Os dados brutos vem de seis detectores diferentes na nave espacial - por isso, em certo sentido, é como ouvir um sexteto do espaço. Uma explosão solar em direção à terra faz, por exemplo, com que o som de uma marimba seja usado, em vez de um piano. Em registro da NASA consta: "Nos níveis de radiação mais baixas, o instrumento principal será um piano”. Assim, quando a CRaTER identificou elevadas contagens de radiação causadas pela explosão solar em 07 de Janeiro de 2014, o principal instrumento, uma marimba seria sobreposto ao piano. Um carrilhão ou guitarra em vez de uma marimba significariam que o nível de radiação havia se elevado ainda mais. Um banjo significaria o pico tinha subido ao topo da gama de funcionamento normal."
"CRaTER descobriu ampla e aspectos fundamentais de tal radiação", disse Nathan Schwadron, o investigador principal desse projeto. "Por exemplo, descobriu-
se que plásticos de tecido equivalente e outras materiais leves pode proporcionar protecção ainda mais eficaz do que a blindagem padrão, tal como o alumínio."
Cada detector em CRaTER informa o número de partículas registrado a cada segundo. Estas contagens são retransmitidas para CRaTER Live Radio, onde o software converte os números em arremessos em uma escala de quatro oitavas. Seis passos são disputados a cada segundo, uma para cada detector. Superiores, campos tinkly indicam menor atividade, enquanto menores, campos sombrios-som indicam mais atividade. O software seleciona o instrumento principal e uma chave musical baseado em atividade. Nos níveis mais baixos de radiação, o instrumento principal será um piano, tocando arremessos de uma das escalas maiores. Mas, como as subidas do nível de radiação de pico, uma das escalas menores serão selecionados em vez disso, e o piano será substituído por um dos sete outros instrumentos. Se a contagem de subir além do topo da faixa de operação normal - como pode acontecer durante um grande evento - o software iria mudar para uma segunda faixa de operação. O piano voltará a representar a parte inferior desta faixa, e o banjo o topo. Para indicar qual intervalo é atual, um violino e um violoncelo sustentam notas no fundo. Se essas notas sustentadas elevadas às frequências agudas escala, a faixa de operação normal está em vigor; se essas notas descem em afinação, por sequer um passo, a segunda faixa está sendo usada.
A estação de rádio é um dos produtos de dados oficiais desse empreendimento e está disponível on-line e através de um app. O feed de dados do é ao vivo, com uma ressalva - sempre que a nave se move atrás da lua, não pode alinhar com antenas de recolha de dados sobre a Terra, para que haja um período de apagão de cerca de uma hora. Durante esse tempo, a estação reutiliza dados da hora anterior. Para indicar que a música não é ao vivo, o som do bongo ao fundo é alterado, e o repicar do triângulo significa que está mudo.117
4.11 A metodologia - Os procedimentos para a criação da música do espaço
117 http://www.scientificamerican.com/article/heavenly-sounds-hearing-astronomical-data-can-lead-to-scientific-
No projeto relatado no tópico anterior, foi usado um software desenvolvido pela Nasa, chamado xSonify, para converter os dados de todos os tipos em sons musicais sintetizados, em um processo chamado de sonificação, para analisar as erupções solares sobre o sol, assim como os raios-X proveniente do sistema EX Hydrae estrela. Este software permite aos usuários personalizar a forma como os dados são representados, usando tom, volume, ritmo e até mesmo diferentes tipos de instrumentos para distinguir entre diferentes valores e intensidades no espectro eletromagnético detectado pela sonda com o tempo.
A música do espaço produzida pelos artistas e pesquisadores mencionados ainda contém muitos elementos de abstração, mas isso não significa que o material sonoro não seja representativo e que as pesquisas não estejam evoluindo.
5.CONCLUSÃO
É evidente que o assunto enfocado abrange uma gama variadíssima de aspectos, e boa parte deles relacionada à ‘conquista do espaço’. Assim, em nenhum momento esta investigação teve a pretensão de analisar fatores políticos, econômicos, jurídicos, filosóficos, ainda que aparentados, ou mesmo pressupor sobre o que está em jogo nas inumeráveis especulações sobre o que está além do nosso planeta. Entretanto, não há como se furtar à observação de que há paralelos instigantes entre o tema e seus contornos. Julien Tort afirma que o ex-presidente Bush foi uma das figuras públicas que estabeleceu paralelos entre a conquista do Oeste e a conquista do espaço.118 Há uma relevância inerente ao tema, do tamanho da humanidade, e que obviamente escapa em muito ao âmbito da presente proposta de trabalho. Contudo, ainda que aqui não contemplada, essa importância pode ser elencada como um argumento hierarquicamente maior para a investigação.
O corolário desta exploração se encontra entre a inevitabilidade de Cage, a organização de Wisnik, a estruturação de Boulez, e as antecipações de Murray. Diante de todo o exposto, o primeiro e maior objetivo da investigação foi produzir uma amostragem (em citações) da produção musical construída a partir da pesquisa científica voltada para a coleta e transformação de material sonoro do espaço exterior, enriquecendo-a com informações sobre os protagonistas dessa história recente, e com alguns elementos de suas trajetórias metodológicas.
Em um momento da história em que a dimensão do inexplorado no universo atrai as atenções da comunidade científica, qualquer contribuição séria para a ampliação do conhecimento nesse sentido terá relevo na formação dos itinerários de pesquisa.Em relação ao panorama das artes, o século passado foi caracterizado por sucessivas rupturas que buscavam novas linguagens artísticas. A música já produzida com esse novo material sonoro pode apontar para rumos inéditos nessa busca.
Por fim, a valiosa elaboração histórica de Candé diz: “A definição da fé, como a das artes, não é da ordem do conceito, mas da ação. Esse belo aforismo do filósofo Roger Gaurady desencoraja-nos a buscar uma definição universal em que
118 Tort, Julien. Exploration and exploitation. Lessons learnt from the Renaissance for Space conquest -
Working paper for the Ethical Working Group on Astrobiology and Planetary Protection of ESA (EWG) UNESCO
toda a música futura deverá reconhecer-se. No pulular de sons e ruídos, naturais ou provocados pelo homem há milênios, por que sinais um marciano reconheceria o que chamamos de música, supondo-se que nós mesmo nos ponhamos de acordo sobre a sua identificação? Ou, ainda, como se deveria programar um computador para que ele distinga a música dos outros conjuntos de sons?
Constatamos que tudo o que nos parece música é:
Um complexo sonoro, sem significação nem referência exterior (a linguagem não é música, mesmo nas línguas “em tons”);
O fruto de uma atividade projetiva, mais ou menso consciente: um “artefato” (não há música “natural”, nem puramente aleatória);