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A capacidade de estar presente virtualmente em qualquer parte e a qualquer momento apresentou-se como uma das justificativas para que os alunos utilizassem o celular21 na sala de aula. Dados desta pesquisa corroboram o que afirma Lemos

(2004) sobre a navegação no ciberespaço: “[...] espaço sem dimensões, um universo de informações navegável de forma instantânea e reversível. [...] um espaço mágico, caracterizado pela ubiquidade, pelo tempo real e pelo espaço não- físico” (LEMOS, 2004, p. 128).

A pesquisadora alerta para a interface entre as próprias categorias encontradas. A ubiquidade e a conectividade, por exemplo, se entrelaçam proporcionando aos sujeitos um contato com outros sujeitos dentro e fora da sala de aula. A utilização de celulares para enviar mensagens, fotos, sons e vídeos, faz dessas funcionalidades “vetores de contato” (LEMOS, 2007).

Os jovens entrevistados se mostraram totalmente favoráveis a essa facilidade de movimentar-se virtualmente, de imersão cibernética, nomadismo urbano

21

“Não são mais simplesmente dispositivos que permitem a comunicação oral, mas sim um sistema de comunicação multimodal, multimídia e portátil, um sistema de comunicação ubíqua [...]” (SANTAELLA, 2013).

(NICOLACI-DA-COSTA, 2004) e demostraram ser usuários frequentes, como apontam as respostas a seguir:

O celular é bom por isso, você pode acessar de qualquer lugar. (GF-1). Porque a gente tá num lugar, mas na verdade a gente não quer tá só naquele lugar, a gente quer tá onde as pessoas estão também. (GF-3). E é um meio também de eu manter contato com vários grupos, porque às vezes eu tô aqui e eu não posso tá em cinco lugares diferentes ao mesmo tempo entendeu? Então eu falo com todas as pessoas que eu preciso, ao mesmo tempo. (GF-3).

Eu tento evitar [...], mas quando eu sei que alguma coisa aconteceu em casa e eu tô indo pra faculdade, [...] como que deve tá as coisas lá em casa... [...] e de vez em quando eu dou uma olhada. (GF-1).

O celular, às vezes, pode me ajudar a fugir quando eu não quero estar num lugar... isso acontece muito. (GF-3).

Uso o WhatsApp, Facebook, Instagram... (GF-3).

Percebe-se nas colocações que esses indivíduos adotam as características de “leitores ubíquos” conforme estudos desenvolvidos por Santaella (2013). A autora assevera que:

Ao leve toque do seu dedo no celular, em quaisquer circunstâncias, ele pode penetrar no ciberespaço informacional, assim como pode conversar silenciosamente com alguém ou com um grupo de pessoas a vinte centímetros ou a continentes de distância. O que lhe caracteriza é uma prontidão cognitiva ímpar para orientar-se entre nós e nexos multimídia, sem perder o controle da sua presença e do seu entorno no espaço físico em que está situado (SANTAELLA, 2013).

Mais que leitores ubíquos, os estudantes se mostraram atores que constroem e comandam suas conexões no mesmo espaço físico ou não. As conexões estabelecidas, não necessariamente entre pessoas, podem ser incursões em espaços virtuais que possuem as informações que lhes interessam, como bibliotecas, pesquisas e produções científicas, redes sociais e jornais, dentre outros.

Se a internet fixa favoreceu conectar as tecnologias de comunicação, a internet móvel aproxima cada vez mais o “[...] homem do desejo de ubiquidade fazendo emergir uma nova cultura telemática, com novas formas de consumo de informação e com novas práticas de sociabilidade” (LEMOS, 2005, p.15).

Como lembra o autor, se antes o usuário se deslocava em busca das redes de conexão fixas, hoje são as redes que envolvem os usuários, seja por meio de Wi- fi (conexões sem fio) ou 3G formando tribos nômades tecnologicamente em um “ambiente generalizado de conexão” (LEMOS, 2005). Não há mais

constrangimentos geográficos para a formação das comunidades, apenas o interesse em compartilhar temas e projetos comuns.

Vive-se em uma era digital e de aprendizagem colaborativa. Entretanto, os alunos ainda costumam assistir a aulas sentados em filas, de maneira silenciosa, com propagação de conhecimentos por docentes e uma aprendizagem baseada na memorização, no individualismo e na competitividade. Diante da quebra de paradigmas pela expansão, facilidades no acesso e funcionalidades ofertadas pelas tecnologias digitais, novas formas de ensino-aprendizagem devem ser levadas em consideração (BEHRENS, 2012). Assim, faz-se necessária uma visão holística do processo para aperfeiçoar a busca e a efetiva aplicação de metodologias inovadoras que propiciem ambiência dinâmica e motivadora para alunos e professores.

Behrens (2012) assevera que a utilização da linguagem oral e escrita no processo de ensino-aprendizagem faz parte do paradigma tradicional e recorre aos métodos de repetição e de fixação de conteúdos compostos por fórmulas, números e datas. O conhecimento pela linguagem digital origina-se das novas tecnologias eletrônicas e da rede de informação e requer uma prática docente consciente das ferramentas da informática e a melhor forma de apropriá-las.

Dessa forma, romper as barreiras impostas por antigos paradigmas e buscar novas formas de “aprender a aprender” estão entre os maiores desafios, principalmente para os docentes na atual conjuntura acadêmica.

3.2.1.1.2 Conectividade

A necessidade da permanência no ciberespaço entre os jovens participantes da pesquisa foi comprovada por meio das declarações a seguir. Percebeu-se a conectividade permanente como algo que faz parte das suas vidas e que lhes propicia facilidades e interações consideradas costumeiras na atual geração. A subcategoria conectividade será corroborada ainda mais na subcategoria praticidade na qual os alunos abordaram como usam o celular no seu dia a dia. A pesquisadora entendeu que, para o uso de algumas funcionalidades do celular em sala de aula, há a necessidade da conexão à rede e, por vezes, a depender do intuito, aos próprios pares.

Há uma recomendação metodológica de Richardson (1999) sobre a “Exclusividade ou exclusão mútua” na categorização do material coletado; entretanto, em face ao cotejamento dos dados, tal procedimento não se fez suficientemente adequado aos dados, pois a autora enxergou, por exemplo, um tênue limite entre as subcategorias conectividade e sociabilidade (justificativa do uso), pois, no caso do uso do celular, a sociabilidade acontece pelo uso da conectividade entre os usuários. Estas possuem conceitos diferenciados, mas pela sua completude e similaridade de ação, vislumbraram-se as duas categorias em diversos depoimentos.

Segundo Castells (1999), a comunicação é mediadora e até mesmo determinante para a cultura, para os nossos sistemas de crenças e códigos. Entende-se assim a conexão ao ciberespaço e a sociabilidade, principalmente entre os jovens, foco da atenção no presente trabalho:

Tipo eu, eu sou da Bahia [...], os meus familiares são todos de lá [cidade], então assim, isso me faz é... me deixa de alguma forma, perto de mim, né? Então assim, me sinto muito feliz de poder estar sempre me comunicando com eles, assim, podendo tá perto, só que... risos... só que não... risos. (GF- 1).

Meu Deus, eu acho tecnologia cada vez é uma coisa melhor e eu quero cada vez um celular melhor, mas aí... e assim, eu acho que eu aprendi a mexer e não consigo parar, eu mexo o tempo todo, eu tô aqui falando, mas eu dei uma mexida, eu tô na aula prestando atenção, mas eu tô mexendo e eu acho que eu consegui aprender a fazer duas coisas ao mesmo tempo, literalmente. (GF-1).

Meu pai, [...], eu não moro com ele, é uma forma que possibilita essa conexão imediata, ele faz áudio, eu faço áudio, então essa rede de comunicação é muito importante pra vocês estar num lugar [...]. (GF-3). Agora facilitou muito pra minha família conversar [...] como a minha mãe mora lá, antes do whatsApp a gente se falava uma vez no dia, agora é mensagem de cinco em cinco minutos De cinco em cinco minutos a gente tá lá se falando... (GF-1).

A gente se comunica com alguém em questão de segundos... (GF-1). Nunca foi tão fácil se falar com uma pessoa tão rápido igual hoje. (GF-1). Está lá ligado lá eu olho, eu olho. É curiosidade. (GF-2).

É porque nós temos um grupo da sala né, no whatsApp, é... e aí, assim, tá a maioria das pessoas e tal, e aí tudo que acontece, já tá no grupo já e tal... (GF-1).

De acordo com a pesquisa, os alunos percebem de maneira muito positiva a possibilidade de estarem conectados entre si, no ambiente acadêmico e aos familiares e colegas extramuros da instituição. Além da facilidade de comunicarem- se, sentem-se mais integrados e seguros ao serem acompanhados e acompanharem familiares e amigos em outros lugares, como nas suas residências,

shoppings etc. Segundo Nicolaci-da–Costa (2007) a “associação celular-segurança” é percebida, principalmente entre crianças e jovens e origina-se da possibilidade de usar o dispositivo em casos de emergência, para pedir socorro ou auxílio a qualquer momento.

Por outro lado, percebeu-se que a conexão criada entre os estudantes não significa o estabelecimento de efetiva comunicação. Até porque, como alerta Lemos (2005, p. 9), “A era da conexão não é necessariamente uma era da “comunicação”.” Em alguns momentos, a pesquisadora percebeu, pelos relatos, que a linguagem utilizada de símbolos (ou ausência deles), abreviações de palavras e ausência do tom da voz ocasionava, às vezes, ruídos na comunicação, o que poderia provocar discussões e desentendimentos, como pontuou uma aluna com a concordância dos demais:

Normalmente eu prefiro estar com a pessoa porque eu vejo a expressão facial dela, vejo se ela tá alegre, se não tá mentindo, realmente tem uma falha na comunicação... já perdi amizade por causa disso, diz que é o corretor,22 né? [...] a pessoa tá bem do outro lado, aí digitando aqui... a

pessoa vai entender de outra forma. Se tivesse presente dava pra explicar, como é que é, tudo mais! Por isso que eu prefiro, se tivesse com a pessoa mais próxima. (GF-1).

A minha preferência é direta... olhando no olho é uma coisa diferente, você tá vendo a pessoa, é muito diferente de conversar pelo celular. (GF-1).

Há, diante do exposto, o reconhecimento da tendência dos jovens em utilizar as facilidades de conexão propiciadas pelo celular; contudo os entrevistados apontam também as fragilidades desse tipo de conexão em termos de um efetivo entendimento nas comunicações, notadamente na escrita (SMS, WhatsApp) e seus prejuízos para o convívio entre os usuários.

3.2.1.1.3 Sociabilidade

Esta categoria refere-se ao convívio real ou virtual entre os jovens entrevistados. No presente trabalho, o foco principal girou em torno da sociabilidade facilitada pelo uso do celular em sala de aula.

22 Refere-se à funcionalidade de alguns aplicativos, como WhatsApp, que “corrigem”, sugerem ou, até

Como afirma Lemos (2004), os computadores já não servem apenas como máquinas para calcular e realizar funções básicas, “[...] mas como ferramentas de criação, prazer e comunicação: como ferramentas de convívio” (LEMOS 2004, p.106). No caso dos celulares, e considerando o fato de funcionarem como minicomputadores na atualidade, a ferramenta propicia a interação entre os usuários e faz-se ainda mais presente na população juvenil (NICOLACI-DA-COSTA, 2004).

A realidade da atual juventude tem se mostrado de intensa sociabilidade, pois é facilitada pelo uso do celular, que está sempre ligado e por perto. Essa possibilidade gera um fluxo infindável de interações dia e noite e, como assevera Nicolaci-da-Costa (2004) a “[...] sociabilidade desses jovens é intensa e fluida. Não há muito espaço para a solidão” (NICOLACI-DA-COSTA, 2004, p. 170).

Segundo Bauman (2004), vive-se a Era da Modernidade Líquida e, tendo a sociabilidade como uma das principais características, pontua as diferenças entre socialização e sociabilidade. Enquanto que a primeira caracteriza-se pela restrição à liberdade de escolha, na qual o racional suplanta o emocional e o comportamento espontâneo, a segunda é definida pela inexistência de referências de grupos ou comportamentos pré-fixados, incertezas de atitudes e aversão às regras.

A perspectiva que em grande parte embasou a nossa pesquisa, em relação ao conceito de sociabilidade, é advinda de Simmel (2006), que afirma que a sociedade é composta da conjunção de impulsos individuais e coletivos de seus próprios integrantes. O autor ainda destaca que os impulsos ou a busca por objetivos podem ser de caráter religioso, de defesa, de ataque, de jogo, de conquista, de doutrinação e de colaboração, entre outros. Esses impulsos provocam influências mútuas, gerando relações de correspondência entre os indivíduos, unicidade de interesses e, em decorrência, fazendo surgir a sociedade. Corroborando o pensamento de Simmel (2006), busca-se Sousa (2011), que assevera que “[...] os indivíduos se encontram em pontos do cruzamento dos círculos sociais, criando relações interdependentes. Estes pontos podem ser vistos como redes de reciprocidade” (SOUSA, 2011, p. 183). Assim, conclui-se que os jovens, como partícipes da sociedade moderna, criam, por meio das TICs, suas “teias” e conexões para compartilhar informações e experiências. Nota-se, em particular o uso do celular, como a ferramenta mais utilizada para promover essas interações.

A seguir algumas falas que demostram as formas de sociabilidade dos jovens entrevistados:

Tira uma foto ali, logo tá num grupo. (GF-1).

Todo mundo já tá sabendo o que você tá fazendo. (GF-1).

Então... na semana, a gente comenta alguma coisa que aconteceu no final de semana né, nos grupos que a gente tem, tal, e fica contando piada e ri. Então querendo ou não é uma forma de aproximação também da gente, não só no final de semana, mas na semana toda, eu acho. (GF-3).

Eu acho que o celular, ele também representa... tá, uma nova forma das pessoas se relacionarem, por exemplo. (GF-1).

Antes tinha os bilhetinhos né?! Agora a pessoa tá lá na outra carteira, lá na outra fileira e a gente consegue falar... (GF-3).

Eu já conversei com a pessoa do meu lado e a gente trocando uma ideia... (GF-1).

Então... isso ajuda no conhecimento, pode ajudar na interação também, é só você saber como usar. (GF-2).

O uso do celular possibilita ainda que os contatos virtuais possam tornar-se presenciais. As interações, as trocas de informações, a realização de trabalhos por meio das redes sociais e aplicativos aproximam ainda mais os usuários tornando-os parte da grande teia: o ciberespaço (CASTELLS, 1999; MORAN, 2012).

O sentido do tribalismo dos entrevistados foi vislumbrado em diversos momentos e corroboram os estudos realizados, pois se refere ao desejo de estarem juntos, e o que realmente importa é a empatia, a similitude de perspectivas e o compartilhamento de emoções. Lemos (2004) propõe um novo termo para explicar o fenômeno: a “cibersocialidade”.23 O autor ainda se refere ao sentimento de

aderência exclusiva, pois o ciberespaço permite ao individuo “múltiplos pertencimentos”, ou seja, a navegação entre os grupos que o interessa.

Como, por exemplo, o que uma aluna expôs: “[...] eu posso tá no Facebook, ou tá no Twiter ou tá no WhatsApp e tá pesquisando ao mesmo tempo, então se eu já tenho a praticidade tudo aqui, eu não preciso de computador”. (GF-1).

Além de funcionar como facilitador da integração aluno-aluno, ainda propicia a conexão instantânea aluno-professor e vice-versa. Segundo os entrevistados, foi criado um grupo no whatsApp pelos próprios alunos no qual o coordenador do curso e alguns professores foram adicionados. Mas, a maioria dos professores, depois de algum tempo, decidiu sair do grupo, permanecendo apenas o coordenador, que utiliza a funcionalidade para comunicações rápidas ou esclarecimento de dúvidas.

23 “É a sinergia entre a socialidade contemporânea e as novas tecnologias do ciberespaço.” (LEMOS,

A questão foi debatida no Grupo Focal 1 conforme trechos a seguir:

É porque nós temos um grupo da sala né, no whatsApp. É... e aí, assim, tá a maioria das pessoas e tal, e aí tudo que acontece já tá no grupo já e tal. Pesquisadora: Mas os professores participam desse grupo?

Só o ... coordenador do curso.

O pessoal entrou e saiu, os professores, no caso.

Pesquisadora: Entendi. Hoje então só o coordenador está no grupo? Só... (risos)... É bom porque tira as dúvidas... ele avisa sobre estágio.

Sobre a saída dos professores do grupo, os alunos acreditam que o motivo é a grande quantidade de informações trocadas entre eles e o desvio constante do conteúdo da disciplina: “Tipo, o professor entrou,... mas, o pessoal falando muito... sobre o conteúdo, mas aí já desvia pra outra coisa...”.

Diante da resposta e concordância dos demais, permitiu-se inferir que o aplicativo de bate-papo é muito utilizado, porém, apesar de ser um grupo ligado pelos laços acadêmicos, as informações trocadas não respeitam essa característica. Há brincadeiras, envio de fotos e vídeos isentos de cunho educacional, fazendo assim, entre outras razões, com que os professores optem por não participarem desses grupos.

Ao analisar as falas sem perder de vista o que alguns dos teóricos afirmam, a pesquisadora observou no quesito sociabilidade, a consciência dos entrevistados sobre as facilidades e as dificuldades encontradas pelos usuários da tecnologia celular: aproximar e afastar. Uma atitude ou outra dependerá da postura adotada em relação às funcionalidades do dispositivo. Sobre essa temática, a pesquisadora discorrerá com mais profundidade na categoria limitações.

3.2.1.1.4 Praticidade

Nos dados da presente pesquisa, há uma quantidade significativa de falas a respeito da praticidade que o celular trouxe para a vida de todos.

A pesquisadora percebeu, por meio das respostas e das posturas adotadas pelos entrevistados, que a subcategoria praticidade foi uma das que mais se destacaram dentre as outras contidas na categoria “justificativa para o uso”. Durante as reuniões do grupo focal, os alunos se empolgaram bastante descrevendo as

facilidades que o celular trouxe para a vida de todos. Houve momentos em que foi preciso a intervenção da pesquisadora para que falasse um por vez.

Como já abordado anteriormente, segundo Lemos (2005), o celular tornou-se um “teletudo”. Com a evolução, o equipamento, a cada dia, apresenta mais aspectos técnicos capazes de proporcionar facilidades para o usuário. As funcionalidades e consequentes facilidades foram amplamente comentadas pelo público-alvo da pesquisa:

Pra tirar foto do quadro, porque às vezes está com preguiça de copiar, tira a foto e guarda. (GF-1).

Se você tirar a foto do quadro rapidinho e aí ficar prestando atenção na aula, aí depois você só passa pro caderno, mais fácil. (GF-1).

Esse semestre eu gravei quase todas as aulas, então eu não escrevi nada. (GF-3).

Tem um dicionário online, o uso do dicionário online é pra se informar, é pra conhecer, né, é pra estudar, é uma forma de estudo. (GF-1).

A semana passada, por exemplo, teve uma prova, sexta feira, aí eu não tinha finalizado o conteúdo, aí eu cheguei (na faculdade) e fiquei a noite lá estudando pelo celular, então assim, facilita? Facilita, mas não é todo momento assim que dá pra ficar usando, não. (GF-1).

À praticidade, porque aí eu posso tá no Facebook, ou tá no Twiter ou tá no WhatsApp e tá pesquisando ao mesmo tempo, então se eu já tenho a praticidade tudo aqui eu não preciso de computador. (GF-1).

Escrever toda sua apresentação de um seminário no celular e usar ele para benefício próprio na apresentação. (GF-1).

[...] eu baixava no Blackboard e estudava pelo celular mesmo. (GF-2). Eu tenho que mandar um e-mail pra (nome da colega), aí eu tenho o e-mail dela, tá lá no meu caderno, mas meu caderno não tá comigo, aí tem no meu celular. (GF-3).

O celular também facilita muito, por exemplo, eu vim pra cá, tem um tempinho pra estudar, pra ler matéria e o celular é bom por isso. (GF-1). [...], eu olho muito a hora do celular, então... (GF-1).

Aí no percurso (ônibus) que eu faço, fica mais fácil, o celular é mais prático pra estudar algumas coisas. (GF-3).

A rapidez também, o conteúdo é muito rápido. O professor fez uma revisão, escreveu lá e eu mandei por e-mail. Então é uma coisa muito rápida, o slide chega rápido, tudo muito rápido! (GF-3).

As novas formas de utilização do celular indicam as infindáveis possibilidades de apoio à aprendizagem. As funcionalidades permitem aos jovens estarem permanentemente em conexão com as informações, mesmo que elas se apresentem de forma descontinua e simultânea (MASETTO, 2010). Os dados da pesquisa apontaram que esses jovens exercem controle sobre o fluxo das informações independentemente do lugar onde estejam.

A navegação pelo ciberespaço apresenta aspectos positivos, pois garante liberdade, interatividade, imprevisibilidade e incerteza a uma geração acostumada a

cenários instáveis e à facilidade de acessar informações de maneira simples e célere. Como assevera Saldanha (2008, p. 2), “[...] os processos de navegação no ambiente hipermidiático seriam garantias da autonomia que facilitaria processos de aprendizagem descentralizados, abertos, criativos e dialógicos”.

Essa total autonomia é percebida, inclusive, pela escolha do local e do momento ideal para realizar tarefas em grupo, por exemplo. Estes são feitos exclusivamente no ambiente virtual, seja por grupos criados para troca de e-mails (já em desuso entre os adolescentes e jovens) e outros pelo aplicativo de mensagem instantânea (WhatsApp). Com isso, há, em alguns casos, a eliminação total da presença física dos participantes. Ou ainda que não na totalidade, uma expressiva diminuição de encontros, pois os integrantes apenas se reúnem para determinar o “fechamento” da atividade acadêmica. Cita-se a fala de um dos entrevistados seguida de um coro de concordância dos demais: “Trabalhos acadêmicos são feitos pelos WhatsApp, sério! Tem trabalho que é totalmente feito pelo WhatsApp” (GF-2).

Esses são considerados desafios no campo da docência: jovens detentores de muita autonomia, inquietos e habituados com a sobrecarga de informações. Instigá-los à busca de conhecimentos em ambientes acadêmicos propícios, virtuais ou não, apresentou-se como alternativa para o uso das tecnologias em sala de aula.

Por outro lado, há a preocupação de que as incursões ao labirinto do ciberespaço se transformem em ameaças ao processo de ensino e de aprendizagem, pois é possível, segundo Saldanha (2008, p.2), “[...] se perder nas