A divulgação de ciência e tecnologia pelas mídias está cada vez mais intensa e engajada. Os profissionais de comunicação se especializam para entender como funcionam os meandros da ciência, entender o método, seus conteúdos, os financiamentos e a política que envolve o desenvolvimento, a produção e a venda dos resultados conseguidos nas bancadas dos laboratórios. No entanto, pouco se vê de crítica quando se trata do discurso científico. Ele, por si só, legitima a verdade proposta e, aos leigos e jornalistas, cabe apenas retratá-lo, absorvê-lo e compreendê-lo. A força do discurso científico pode ser facilmente percebida em matérias televisivas, nos jornais e revistas, especializados ou não, e mesmo na publicidade, como meio de garantir a qualidade e eficácia de cremes antiidade, pastas dentais, sabões em pó, iogurtes que melhoram o funcionamento do intestino, entre outros, muitos outros.
O interesse público pelas novidades científicas e tecnológicas talvez seja tão antigo quanto a preocupação em disseminar essas informações. Kronick (1962) afirma que os primeiros jornais já reportavam notícias de interesse científico, como o Relation, impresso em Stransburg em 1609 que descreveu, em 4 de setembro, o desenvolvimento do telescópio pelo “Professo Galileu de Pádua” e que as autoridades de Veneza, consequentemente, haviam lhe concedido aumento no salário (p.65). Mas é na segunda metade do século XIX que o interesse público se fortalece, indo de carona com o aumento da velocidade das máquinas e invenções que prometiam beneficiar a sociedade.
Como vimos anteriormente, a divulgação da ciência foi a base das sociedades científicas e para o estabelecimento dos periódicos. Ela era realizada, num primeiro momento, pelos próprios práticos e teóricos da ciência, até o século XIX. Duas publicações são bastante ilustrativas sobre as mesclas existentes entre o formato de periódicos e revistas de divulgação científica.
Nos Estados Unidos surgiu, em 1845 – portanto, antes mesmo dos periódicos científicos
Rufus Porter (1792-1884)89. Em uma época de constantes aprimoramentos e criações mecânicas, como a máquina a vapor, o telefone, o rádio, a lâmpada incandescente, o automóvel, o foco da revista se voltou, inicialmente, às indústrias e ao desenvolvimento da tecnologia. Em 1850, os então proprietários daquela publicação, Orson Desaix Munn e Alfred Ely Beach, abrem o primeiro escritório de patentes dos Estados Unidos. O interesse pela ciência era claramente voltado para sua aplicação na vida cotidiana, diferentemente dos propósitos dos periódicos científicos, e visando as tendências futuras. Em 1948, a revista é comprada por Gerard Piel, Dennis Flanagan e Donald Millersurge que objetivam torná-la mais ágil e com mais autoridade, o que foi feito por meio de artigos escritos pelos próprios cientistas, inventores e tecnólogos, formato que persiste até hoje. Atualmente, a revista é publicada em 15 línguas, com público estimado em mais de 106 mil, apenas nos EUA, aproximando-se de 733 mil mundialmente90.
A Scientific American é a publicação de divulgação científica que mais se aproxima ao formato de Science e Nature, pelo seu interesse em “grandes temas” científicos, aqueles com mais apelo popular por ter impacto ou conexão com o cotidiano de seus leitores. Encontra-se, como os periódicos, indexada no Thomson Reuters (antigo ISI), com fator de impacto igual a 2,316. É provável que tenha importante contribuição na percepção pública norte-americana, sobretudo, da ciência.
Outra publicação tradicional de divulgação científica é outra norte-americana, a
National Geographic, que foi lançada em outubro de 1888, nove meses após a
constituição da National Geographic Society, com o propósito de divulgar o conhecimento sobre a geografia e o mundo para um público amplo (Bryan, 1997). Esse é um exemplo interessante de publicação que surgiu no coração de uma organização científica, mas com a preocupação de popularizar a geografia. Portanto, o objetivo passa pela difusão de informações com qualidade e rigor científicos, pela motivação da divulgação de resultados de pesquisa, pelo incentivo de novas pesquisas, mas também para elevar o conhecimento entre especialistas e interessados em geografia, no sentido mais amplo da palavra, ou seja, geografia como descrição do mundo. Um trecho do discurso de posse do primeiro presidente da sociedade, Gardiner Greene Hubbard,
89
Dados retirados da história oficial da Scientific American disponíveis no site da publicação. Acesso em junho de 2009. http://www.scientificamerican.com/page.cfm?section=aboutus
90
Informações sobre circulação da Scientific American impressa divulgadas via Mediakit no site da revista, acesso em junho de 2009.
ilustra o espírito da entidade e do que viria a ser sua primeira publicação: “Por meio de minha eleição notifiquem o público que a associação não ficará reservada a geógrafos profissionais, mas vai incluir um número grande daqueles, como eu, que desejem promover pesquisas especiais e difundir o conhecimento adquirido, entre homens, de modo que todos nós saberemos mais sobre o mundo no qual vivemos”91. O cuidado em investir numa narrativa atraente ao público, tornando-o testemunha de descobertas e explorações, o amplo uso de imagens de grande impacto e qualidade, e a abordagem de temas interessantes e novos ao público estão entre os elementos de sucesso da publicação, editada até os dias atuais, mensalmente, em 30 edições pelo mundo, chegando ao impressionante número de 8,5 milhões de exemplares por mês92. A ideia, ainda nos primeiros anos da revista, era que com o aumento no número de membros da sociedade a publicação pudesse passar a financiar a sociedade e não o contrário, como normalmente ocorre. As expedições eram e ainda são parte importante dos relatos dessa revista mensal, publicando desde o início fotos e mapas detalhados de viagens exploratórias. A visão que se tem hoje da National Geographic é que deixou de ser uma publicação de uma sociedade com propósitos científicos para ser um interessante equilíbrio entre literatura, jornalismo com rigor científico, mas de tal forma que pouco se percebe estas fronteiras. Tentou-se desvincular o nome da revista à sociedade científica, com a justificativa de que a população “abominava” geografia, mas a crença no potencial da revista por seu sócio-fundador Alexander Graham Bell e editor administrativo Grosvenor permaneceu e a revista ainda é a prova de que a divulgação científica pode seduzir com qualidade, sendo multidisciplinar e considerando um conceito amplo tanto de geografia (como se pretendeu desde o início), mas também de ciência. Ela traz o conhecimento enquanto descoberta do mundo, tanto pelo especialista ou autor de suas matérias, quanto para o público leitor. É provável que muitos nem a considerem revista de divulgação científica, tão ampla são os temas que cobre. Graham Bell, figura tradicional na elite intelectual e científica norte-americana, foi também financiador da revista Science no final do século XIX, juntamente com Gardiner Hubbard, publicação que faliu depois de dois anos e só viria a vingar depois de fazer parte da sociedade norte-americana de ciência (AAAS) na virada do século XX.
Os acontecimentos de impacto da ciência no cotidiano do século XX foram decisivos e definitivos para impulsionar a popularização da ciência. Os avanços da indústria
91
Tradução da autora do original em inglês em Bryan (1997), p.27. 92
química e aeronáutica durante a Primeira Guerra Mundial, a explosão das bombas de hidrogênio em Hiroshima e Nagasaki em 1949, e a chegada do homem à Lua – fato transmitido pela televisão para o mundo todo, em 1969 – definitivamente levaram a ciência para a sociedade, assim como o debate sobre seus riscos, controle, benefícios – sobretudo – e investimentos.
A partir daí, os então cientistas se afastam da tarefa de comunicar ao público para dialogar com sua comunidade, deixando a tarefa para os jornalistas. Esses, como bem colocou o jornalista especializado em ciência Jon Franklin (Bauer & Bucchi, 2007), passam a ganhar espaço nos anos 1960, nos Estados Unidos, com a Guerra Fria, mas nas próximas duas décadas podem ser considerados apenas como “science writers” (escritores no sentido de apenas transcrever o que vem da academia), não como “science reporters” (repórteres com o papel de apurar, investigar e criticar a ciência). Até então – e até os dias atuais – o jornalismo científico era um pacto entre comunicador e cientista para que a informação passasse por uma adaptação de linguagem, para ter alcance de público amplo, ao mesmo tempo em que mantém rigor na qualidade das informações científicas. O foco era a educação e não a reflexão.
A partir dos anos 1980, a expansão e profissionalização da divulgação científica no mundo e no Brasil instigam um diálogo entre jornalistas, cientistas e sociedade, aproximando e apresentando os interesses de cada parte. As mudanças nos modelos de comunicação pública da ciência deixam esse movimento ainda mais evidente. Partindo do modelo de déficit, que considera a sociedade deficiente de conhecimento, com dificuldades de valorizar e apoiar a ciência e, portanto, deve ser instruída cientificamente por cientistas e jornalistas, que desempenhariam o papel de mediadores ou tradutores do conhecimento. Passa pelo modelo de engajamento público da ciência, chegando até o conceito de ciência na sociedade que evolui para ciência e sociedade, sem hierarquias. Mas a comunicação da ciência é ainda muito apegada ao modelo de déficit (ou top-down – que vem de cima para baixo), muito embora a teoria tenha defendido modelos interativos, democráticos e participativos. Massimiano Bucchi (2008)93, sociólogo da ciência italiano, enfatiza que, embora os modelos sejam interpretados como uma sequência cronológica progressiva com mudanças nas prioridades, prática e percepção pública da ciência, os modelos co-existem. Ele sugere
93
Bucchi, Massimiano. “Of deficits, deviations and dialogues”. In: Bucchi & Trench (Edit.) Handbook of
uma estrutura de multi-modelo de comunicação da ciência na qual os modelos de déficit, diálogo e engajamento público são levados em consideração dependendo da situação delineada na relação especialista/sociedade. “(...) Uma das questões sociológicas chave se torna ‘sob quais condições as diferentes formas de comunicação cientifica emergem?”, enfatiza (Bucchi, 2008, p.70).
Essas mudanças sobre os papéis que devem cumprir sociedade, mídia e academia no fluxo de informação e decisões também são refletidas nos periódicos científicos, fonte primária, reservada para especialistas. É possível perceber nitidamente esforços que partem de publicações multidisciplinares, em direção às menos especializadas, chegando às mais especializadas.
Dentre os exemplos, fora as já acima citadas, há a revista brasileira Ciência & Cultura, que surge um ano após a criação da SBPC, em 1949, com o propósito de “(...) difundir não só os conhecimentos que a ciência vai acumulando, mas também os dados relativos à projeção desses conhecimentos na sociedade”, além de “servir de aproximação dos cientistas entre si, e destes com o público, entre todos desenvolvendo forte e indispensável sentimento de solidariedade e compreensão” (Editorial, Vol.1, no.1, 1949). A revista foi inspirada na Nature e Science, trazia notícias da sociedade, contribuições científicas voltadas para um público acadêmico menos especializado e, a partir de 2002, modificou seu projeto editorial e recuperou fortemente os objetivos de divulgação científica do projeto original e incluir, em seu público alvo, as novas gerações de pesquisadores e pensadores em formação, contando com uma equipe de jornalistas científicos. O periódico Química Nova, de 1978 e ligado à Sociedade Brasileira de Química, lançou uma publicação voltada para o ensino da química nas escolas, a Química Nova na Escola, em maio de 1995.
Pesquisa que avaliou a cobertura de ciência em 62 jornais brasileiros, entre janeiro de 2007 e dezembro de 2008, mostrou que 10,8% das notícias tiveram como fonte periódicos científicos de origem estrangeira, e quando se considera apenas os jornais de abrangência nacional94 esse número chega a 16,3% (Fundep, 2009). Esse resultado aponta para um relacionamento mais próximo dessas publicações com a mídia. Outro levantamento, comparando a cobertura de ciência em 7 jornais de 5 países da América
94
A pesquisa considerou 4 jornais de abrangência nacional (O Globo, O Estado de S.Paulo, Correio
Latina indica que as pesquisas de países de primeiro mundo dominam o noticiário, sendo que para os jornais brasileiros analisados estes valores chegam a 69% no O
Globo, 64% na Folha de S.Paulo e 25% no Jornal do Commercio (Bauer & Bucchi,
2007)95. Segundo os autores, os periódicos como Nature, Science e Jama são as principais fontes utilizadas para pautar os jornais analisados. Estes dados, embora preliminares e coletados apenas durante o mês de abril de 2007, indicam uma supervalorização de alguns periódicos científicos e, ao mesmo tempo, uma grande exposição destes na mídia.
Uma investigação sobre os canais de comunicação utilizados pelos 10 periódicos com maior fator de impacto em 2008, segundo os dados do Journal Citation Reports, pode revelar uma preocupação em comunicar com um público não-especializado (Tabela 6). Cinco deles são revisões (reviews), gênero de publicações normalmente mais citadas, por fazer um balanço de uma área e, portanto, servir como referência. Um é multidisciplinar, a Nature, que por tratar de temas de interesse de várias áreas do conhecimento atinge um público naturalmente maior do que aquele de publicações de áreas específicas. Os outros quatro são de ciências biológicas, sendo 3 da área de saúde (medicina e oncologia), áreas que geram enorme interesse público, tanto na mídia quanto na academia, e 1 que trata de biologia celular, envolvendo as questões da genômica e de saúde, também populares. Todos eles se utilizam de mecanismo de alerta por email (no qual a atualização de conteúdos é comunicada) e RSS (Really Simple Syndication), avisos curtos para atualizar informação por meio de software.
Com exceção das revisões e do Cancer Journal for Clinicians, que não se utiliza de qualquer outra estratégia para ampliar o público leitor, é possível supor que os demais periódicos devem ter presença marcada na grande mídia, o que promoveria maior visibilidade de seus artigos e, portanto, maiores chances de serem citados. Dentre os periódicos mais conhecidos entre os jornalistas que cobrem ciência estão o New
England Journal of Medicine, Jama, Nature e Cell. Não coincidentemente, são os
mesmos periódicos que apresentam formato de revista de divulgação científica, que visam um público amplo por meio de canais multimídia, bastante informais e que
95
Imagem 4 – Reprodução da página principal da homepage do periódico Cancer Journal for
Clinicians e Annual Reviews
Imagem 5 – Reprodução da página principal da homepage do periódico
The New England Journal of Medicine
Ao lado: dois sites padrão de
periódicos
científicos (Cancer
Journal for
Clinicians e Annual Reviews), sendo que
o da direita (3) é de revisão. Ambos voltados para o público acadêmico especializado. http://caonline.amca ncersoc.org/ (esq.) http://arjournals.ann ualreviews.org/loi/i mmunol Ao lado reprodução reduzida do site do periódico médico inglês com formato e linguagem de divulgação científica, voltado para público amplo.
http://content.nejm. org/
(acesso fevereiro de 2010)
promovem o envolvimento da mídia (press releases ou conteúdos prévios a ser publicado com a política de embargo96), assim como a participação do público, como é o caso dos Blogs2, Facebook97 e Twitter2, além de outros recursos multimídia (áudio, vídeo, podcast98). Interessante notar também as áreas dos periódicos mais citados são, sobretudo, a medicina e áreas afins (imunologia, oncologia, fisiologia).
Tabela 6 – Dez periódicos científicos com maior fator de impacto (FI) em 2008 e estratégias de comunicação com o público99
Rank Periódico FI Área Formas de comunicação usada no site
1 Cancer Journal for Clinicians
(Imagem 4)
74,575 Oncologia RSS
Sistema de alerta por email. Periódico padrão
2 New England Journal of Medicine
(Imagem 5)
50,017 Medicina Fala direto com o público. RSS Áudio alerta de email. Formato de revista, site popular. Aviso antecipado de conteúdo sob política de embargo é enviado para 1.700 jornalistas e assessores de imprensa de instituições médicas, universidades, hospitais e organizações sem fins- lucrativos
3 Annual Review on Immunology
41,059 Imunologia Email alerts; áudio, RSS; Periódico padrão
4 Nature Review Molecular Cell Biology
35,423 Biologia celular Email alerts; Podcasts; RSS;
5 Physiological Reviews 35,000 Fisiologia Email alerts; RSS; Periódico padrão
6 Reviews of Modern Physics
33,985 Física;
multidisciplinar
Email alerts; RSS; Formato de divulgação de ciência
7 Jama – the Journal of the American Medical
Association
31,718 Medicina Twitter; email alerts; audio; RSS; Podcasts; Facebook; Embargo/press release
8 Nature 31,434 Multidisciplinar Twitter; email alerts; audio; RSS; Podcasts; Blogs; embargo/press release. Formato de revista, site popular
9 Cell 31,253 Biologia celular Video; podcast; Twitter; Youtube;RSS; embargo/press release. Formato de divulgação de ciência
10 Nature Reviews Cancer 30,762 Oncologia Email alerts; RSS; Podcasts. Formato de divulgação de ciência
Quando se estende a análise para os 50 periódicos com maior fator de impacto, constata-se que 24 deles são revisões, 12 da família Nature (Nature Medicine, Nature
Physics etc, incluindo um de revisão) e 4 da família Cell, somando 40 periódicos. Dos
dez restantes, 1 é a Science e, portanto, multidisciplinar, e outros 6 cobrem medicina e oncologia. Com exceção dos periódicos da família Nature, Cell, o multidisciplinar
Science e o de inglês que cobre medicina Lancet, que visam aumentar a visibilidade de
seus artigos e conquistar um público amplo, todos os outros trazem um formato de
96
A política de embargo determina que o conteúdo só pode ser divulgado a partir de um certo dia e horário, normalmente equivalente à impressão da publicação. O capítulo 3 se aterá ao tema.
97
Segue as definições de termos usados: Facebook (2004) – site de relacionamento social que se utiliza, atualmente, de recursos do Twitter.
98
Podcast – forma de publicação de arquivos multimídia digitais que ficou popular a partir de 2004.
99
periódico padrão, mais voltado para especialistas. Assim, novamente, é possível vislumbrar que os periódicos com foco em estratégias de comunicação variadas devem conseguir mais espaço na grande mídia, mais visibilidade e, consequentemente, manter níveis altos de impacto. O mais importante nessa reflexão é o fato de se formar um monopólio silencioso que dita as prioridades e as verdades científicas, fortalecendo os paradigmas e a ideia de guardas (gatekeepers) do conhecimento. Com poucas fontes que pautam o noticiário de ciência nos grandes jornais, o conhecimento científico que consegue espaço nos periódicos de maior impacto se restringe ainda mais entre a sociedade quando fica sujeito aos periódicos de maior popularidade entre os jornalistas de ciência adeptos das agências de notícias de ciência e, portanto, mediadores da linguagem acadêmica para o público tão somente.
O fator de impacto não tem relação direta com qualidade do periódico, como alguns defendem, mas mais com visibilidade e, em certa medida, com publicidade.
A internet teria facilitado a aproximação entre os públicos acadêmicos e não- acadêmicos, segundo defendem as autoras Valerio e Pinheiro (2008), através dos periódicos científicos eletrônicos. Elas afirmam que essa convergência de públicos permite “maior visibilidade e reconhecimento da importância da ciência, favorecendo a conscientização da sociedade em relação à maior participação na formulação de políticas públicas de ciência e tecnologia para o desenvolvimento”. Essa maior conscientização social em relação à ciência, no entanto, ocorre muito mais por conta da disponibilidade a múltiplos pontos de vista dos atores envolvidos no processo de desenvolvimento científico do que pela digitalização dos periódicos. Arrisco dizer que essas publicações, embora permitam o acesso de seu conteúdo por leigos, continuam sendo acessadas, sobretudo, pelo público acadêmico. Outro ponto que deve ser enfatizado é que a abertura proporcionada pela internet pode motivar um olhar mais crítico e cético em relação à ciência e não necessariamente de “reconhecimento de sua importância”, como apontaram Valerio e Pinheiro, o que representa um enorme ganho para a divulgação científica. O que parece evidente é um esforço crescente de aproximação das linguagens de periódicos e revistas de divulgação científica, seja no formato e organização dos conteúdos ou no surgimento de ferramentas que se propõe a reunir e divulgar resumos dos principais artigos, eventos, teses, prêmios, press releases e outros documentos científicos para jornalistas de ciência ou comunidade em geral.
Este é o caso do Eurekalert!100, desde 1996, fundado pela AAAS, e do AlphaGalileo101 (desde 1997), da Associação Britânica para o Avanço da Ciência (BAAS), dois dos serviços de alerta mais conhecidos entre jornalistas de ciência. No Brasil, há esforços