CAMPO E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa à qual me dediquei por quatro anos, é qualitativa, posto que não poderia compreender como mulheres, a quem me propus estudar, inauguravam uma nova velhice sem perceber suas representações sociais sobre o que é ser mulher e o que é ser velha. Estabelecer a relação entre consumo e estilo de vida na velhice (baseados no lazer na cidade de Fortaleza) pareceu-me algo que me levaria à categoria masculina, pois os homens em toda a história sempre foram os sujeitos do mundo público. Recebi, porém, indicação de que havia mulheres se divertindo também, e mulheres velhas. Esse fato intrigou-me diante do conhecimento de que as mulheres velhas, de um modo geral, fecham-se em seu papel social de ser avó. Uma amiga socióloga indicou-me o caminho a seguir, dando-me o telefone daquela que seria minha primeira informante. Essa primeira entrevistada tinha mais de sessenta anos, era viúva, oriunda de um segmento social favorecido e praticava dança de salão nos bailes da terceira idade promovidos em Fortaleza. Na primeira conversa que tivemos, percebi que os parâmetros teóricos e metodológicos do meu trabalho deveriam partir da compreensão do que significava velhice para ela e para quem a via. Notei, ainda, que eu deveria entender a origem desse “novo velho” que se apresentava.
Optei, portanto, pela coleta de dados, que realizei entre março de 2007 a dezembro de 2009, já que eu buscaria entender e explicar como as mulheres que escolhi pensam, ou seja, como vêem a si mesmas e como dão sentido ao mundo que as rodeiam. Privilegiei, portanto, como técnica de pesquisa, a entrevista semiestruturada e a observação participante. A observação dos bailes foi sendo feita dentro do mesmo período das entrevistas. A entrevista semiestruturada tinha poucas perguntas por que visava a que as informantes falassem de suas vidas de forma espontânea, de modo que elas mesmas dessem destaque aos pontos que consideravam fundamentais de serem narrados. Para atingir o objetivo geral da pesquisa e compreender como o investimento mercadológico na “terceira
idade” produz um estilo de vida que interfere nas representações sociais que essas mulheres têm acerca do envelhecimento, era necessário entender como se conduziam anteriormente à entrada no mundo da dança de salão, ou seja, como percebiam a velhice. Sabe que estar velho não se separa da condição de gênero. Foi necessário, pois, compreender suas formas de pensar sobre a mulher, ontem e hoje. Desse modo, a coleta de dados deu-se a partir de entrevistas que visavam à narração de suas trajetórias de vidas. O roteiro de entrevista dividiu-se em 7 etapas que não foram seguidas na ordem que eu estipulei, mas sim na ordem que elas deram ao narrarem suas histórias.
A primeira etapa cujo tema era a infância e a adolescência buscava perceber a socialização primária pela qual passaram essas mulheres. Nesse tópico elas falavam de como eram seus pais e sobre os colégios onde estudaram. Narravam sobre amigos e sobre as opções de lazer que tiveram na infância e na adolescência.
Numa segunda etapa, seus relatos tinham como tema principal profissão e trabalho. Neste tópico da entrevista, o objetivo era entender suas vivências no período de emancipação feminina e como lidaram com a questão da dominação masculina em contraponto a objetivos profissionais.
Na terceira etapa da entrevista, o tema principal eram suas relações de sociabilidade. As informantes eram estimuladas a falar de seus amigos do passado que ainda fazem parte de seus círculos e das relações formadas recentemente, incluindo aquelas iniciadas nos bailes.
No quarto momento da entrevista, nossa conversa tratava das formas de lazer utilizadas pelas informantes. Nessa etapa elas deveriam falar das primeiras experiências de socialização cultural, tentando situar, no passado, como se originaram as práticas de lazer e de cultura de divertimento atuais.
A quinta etapa da entrevista fazia com que e sentissem um pouco constrangidas, pois o assunto era corpo, mas depois que a conversa começava elas se soltavam. Havia, de fato, inicialmente, receio sobre a confissão de posturas que eu associei aos estereótipos atribuídos ao corpo das pessoas de mais idade. Percebi que o fato de eu ser mulher contribuiu muito para que elas se sentissem à vontade para falar de seus corpos. Eu buscava saber como elas entendiam aquele corpo que dançava em contraponto aos preconceitos vividos. Visava, ainda, a captar mudanças nas práticas de lazer, de gosto alimentar, de cuidados de um modo geral que incluem as formas de consumo utilizadas para obtenção de uma melhor qualidade de vida na qual o corpo é alvo principal.
A sexta etapa da entrevista era um momento de desabafo pleno de fatos que revelavam ora alegria, ora lágrimas. Elas deveriam falar de suas famílias, indo do namoro, passando pelo casamento, até a chegada e crescimento dos filhos. Essa etapa foi a mais demorada: enquanto as 5 primeiras duraram cerca de três horas, essa etapa se deu em duas sessões que duravam, em média, 4 horas cada uma. Isso ocorreu com todas elas, salvo com Jaçanã que me convidou para passar o dia no sítio dela e esta etapa ocorreu lá, de forma que passamos o dia inteiro conversando sobre o tema proposto, claro que dando largos intervalos. Assim ela escolheu porque queria falar longamente sobre a família e não queria interromper. Respeitei sua vontade.
Na sétima etapa elas eram estimuladas a falar sobre suas concepções sobre ser mulher, ser homem e, especialmente, sobre ser uma mulher velha e feliz. Esta etapa era também mais longa que as 5 primeiras, até porque alguns aspectos dos primeiros momentos da entrevista eram retomados. Ao final das entrevistas, somaram-se, em média, 26 horas com cada uma delas. Os recortes de suas falas foram feitos visando aos objetivos deste trabalho.
Através de seus relatos, busquei captar suas representações sociais acerca do que é ser mulher, do que é velhice, do que significaram seus casamentos e, especialmente, qual o significado da dança para essas mulheres. Desse modo eu poderia “Capturar as razões e os sentimentos que qualificam a realidade, os quais expressam os sentidos que os homens, em cada momento, foram capazes de dar a si próprios e ao mundo (...).” (PASAVENTO, 2008, p. 14).
A pesquisa qualitativa configurou-se no próprio instante da formulação do problema, ou seja, como entender a relação entre consumo e felicidade na terceira idade sem alcançar a representação que estas mulheres têm sobre ser feliz, sobre ser mulher velha numa sociedade que exalta a beleza jovem. Assim concordo com Minayo quando esta afirma que: “Metodologias de Pesquisa Qualitativa são entendidas como aquelas capazes de incorporar a questão do SIGNIFICADO e da INTENCIONALIDADE como inerentes aos atos, às relações, e às estruturas sociais sendo estas pensadas como construções humanas.” (1996, p. 17).
O roteiro de entrevista buscava, pois, captar os efeitos causados pelas grandes instituições socializadoras como família, escola, universo de amigos, trabalho, casamento, religião e espaços de lazer. Também foram entrevistados sete dançarinos. O roteiro de entrevista para esses informantes buscou traçar um perfil que abarca formação, condição socioeconômica e a descrição da relação com as dançarinas.
Buscando estabelecer um elo entre o dito e o vivido, assim como para caracterizar os bailes da terceira idade como espaços de novas sociabilidades para o grupo estudado e perceber a influência do consumo de serviços como condição de um estilo de vida desejado, também utilizei a observação participante. A intenção inicial era apenas de observar e não participar, porém esta última veio como necessidade de estabelecimento de uma boa relação com as informantes, pelo que passei, assim, a frequentar os bailes da terceira idade contabilizando minha ida a trinta bailes. Sendo oito bailes de ficha e vinte e dois bailes de terceira idade, o que corresponde, aproximadamente, a sessenta e seis horas de observação e participação. Os bailes não foram filmados por ser regra da casa, nem gravadas as conversas à mesa para não tirar a privacidade e a intimidade que as dançarinas tinham comigo e com os dançarinos. Desse modo, eu me dividia entre o salão e a mesa. Quando ía para o salão, observava os casais dançando. Quando voltava à mesa, atinha-me, apenas, às conversas as quais eram registradas, posteriormente, em meu diário de campo. As conversas eram registradas de acordo com o interesse da pesquisa. À mesa, elas conversavam sobre os mais diferentes assuntos. Prendi-me àqueles que apontavam para suas representações sobre velhice, mulher, casamento, família. O mesmo roteiro utilizado para as entrevistas guiou-me para a observação e posterior anotação dos detalhes observados nos bailes. Assim não só a fala, mas os gestos, a forma de dançar, a vestimenta, as expressões me serviram de norte para o recorte de procedimento etnográfico.
Aprender a dançar, entretanto, não se dá no espaço dos clubes, mas na academia. Assim a pesquisa de campo teve dois momentos e dois espaços de observação e conversa, ou seja, na academia Dancing Days e nos Clubes onde aconteciam os bailes. Para as academias, fui dezoito vezes perfazendo um total aproximado de trinta e nove horas de observação. Nessa eu podia sentar, observar e anotar à vontade. As dançarinas estavam aprendendo a dançar e não tinham muito tempo para me dar atenção e esse fato me ajudou a colher informações que puderam ser compiladas sem nenhuma interrupção.
Recorri à entrevista para atender ao objetivo específico de traçar as trajetórias dessas mulheres que praticam a dança de salão e usam este artifício como forma de alcançar o prazer, mas deixei que narrassem suas histórias, resgatando, assim, o contexto cultural que as cercou e cerca. A maioria das entrevistas foi feita em seus apartamentos. Algumas vezes, quando me convidavam para momentos de lazer, tais como almoço aos domingos, feriados em casa de praia ou sítios, elas conversavam comigo sobre suas vidas e narravam fatos dizendo: “pode usar isso aí na sua pesquisa”.
Dentro do universo da academia conversei com dezoito mulheres viúvas que estavam aprendendo a dançar, mas que durante todo o percurso da pesquisa não se sentiram à vontade para ir aos bailes. A conversa que tive com elas se dava sem que eu as procurasse. Durante a aula enquanto esperavam a vez de dançar, sempre perguntavam o que eu fazia ali anotando. Ao saberem do meu trabalho, espontaneamente elas conversavam comigo, mas estas dezoito mulheres não estavam dispostas a seguirem o circuito dos bailes. Desse modo, os critérios para seleção das informantes foram: estar acima de sessenta anos, ser aluna da academia e participar do circuito dos bailes, o que me levou a reduzir a oito o número de entrevistadas.
Não entendia porque tantas aprendiam a dançar e a dançar bem se não tinham coragem de ir aos bailes. Eu não fazia ideia do que elas precisavam vencer para ter essa coragem.
Quando fui conversar com a primeira informante, estava calcada pelos preconceitos de mulher mais jovem frente a uma outra, 35 anos mais velha. Pensei que conversaria com uma senhora de sessenta e oito anos que ía para os bailes para assistir e não para ser assistida. Da residência dela, saí com o contato de outras duas possíveis informantes. Antes de elaborar minhas questões para a entrevista, procurei a Academia onde ela, minha primeira informante, disse que treinava antes de ir para os bailes. Procurei, na academia Dancing Days, o responsável, que também me fora indicado por ela: Augusto Ramos. Professor e sócio da academia, ele me apresentou “os bastidores do mundo da dança de salão”. O meu primeiro lócus de pesquisa seria lá, na Academia Dancing Days.
O jovem professor me explicou que seu público era majoritariamente feminino. A presença de homens aprendendo a dançar ainda é muito escassa quando não é inexistente. E quanto às mulheres, são muitas as que fazem a dança de salão na academia, mas poucas as que têm coragem de ir para os bailes. Eis as mulheres que poderiam me ajudar a entender a relação entre poder aquisitivo e felicidade, pois se apenas o poder de compra fosse decisivo, todas as mulheres com o mesmo padrão de renda poderiam contornar os problemas e infortúnios vivenciados na velhice. E não é isto que acontece.
Na trama dos procedimentos teóricos e metodológicos, este estudo seguiu um caminho e escolheu instrumentais próprios para a abordagem da realidade, buscando articular às concepções teóricas o conjunto de técnicas que possibilitasse conhecer parte da realidade das mulheres “velhas” residentes na cidade de Fortaleza, frequentadoras da academia Dancyg Days e que acompanhassem o circuito dos bailes da terceira idade.
Por que dentre tantas mulheres que estavam aprendendo a dançar na academia somente algumas passavam do “mundo privado” da academia para o “mundo público” dos bailes? A tomada de atitude dessas mulheres tem um sentido e foi este sentido que moveu todo o meu percurso metodológico. O que caracterizava a diferença de comportamento delas com relação às demais clientes da academia? Minha pergunta inicial sobre o poder aquisitivo ainda se mantinha, mas havia outras questões que me inquietavam quanto mais eu entrava no mundo da dança de salão: por que, em outras épocas, não se via esse costume de mulheres viúvas e com idade avançada saindo à noite para dançar com um alguém pago por elas? Por que nem todas o fazem?
A disposição a práticas como estas eu só poderia conhecer ao trabalhar com alguns aspectos das trajetórias de vida dessas mulheres. Quando falo em trajetória, me refiro ao percurso até o momento de decidir viver uma velhice diferente dos padrões colocados para os velhos.
Busquei elaborar questões que acionassem nelas os porquês da decisão de vivenciar uma velhice pautada pelo lazer e pela alegria dos bailes.
Kofes (2001, p. 25) diz que a “abordagem biográfica implica, por parte do pesquisador, uma atitude analítica que procura não encaixar o objeto em categorias externas, mas compreender os campos semânticos próprios dos agentes.”
Desse modo, orientei meu roteiro de perguntas buscando captar como essas mulheres tornavam acessível seu mundo social (incluindo a si mesmas). Os nacos de suas trajetórias de vida me pareceram um modelo geral de compreensão dos fenômenos sociais que as cercaram e cercam. A abordagem de suas trajetórias de vida pôde me mostrar experiências dependentes de contextos sociais e de interações por elas vividas.
Suas respostas às minhas questões iam e voltavam no tempo. Reconstituíam, assim, o passado para explicar o presente. Para explicarem por que decidiram entrar no mundo da dança de salão, elas voltavam à época dos colégios e internatos.
Para Bosi:
(...) a memória permite a relação do corpo presente com o passado e, ao mesmo tempo, interfere no processo “atual” das representações. Pela memória, o passado só vem á tona das águas presentes, misturando-se com as percepções imediatas, como também empurra, “desloca” estas últimas, ocupando o espaço todo da consciência. (1991, p. 47).
Deste modo, ao propor um estudo das relações entre felicidade na “terceira idade” e consumo de serviços de lazer, enveredo nas perspectivas construtivistas sobre a realidade social.
Pasavento (2008, p. 13) explica que os homens elaboram ideias sobre o real de modo a substituir o real-real pelo real imaginado. E esse real imaginado se revela nas práticas sociais.
Acredito que as práticas cotidianas das informantes têm uma representação social intrínseca que as leva a construir ou reconstruir seu mundo a partir de crenças e valores que emergem dos seus estilos de vida. As formas de pensar emergem e se confundem com as vivências dessas mulheres. Sobre isso, Sá (1998) afirma que as representações sociais “são alguma coisa que emerge das práticas em vigor na sociedade e na cultura que as alimenta, perpetuando-as ou contribuindo para a sua própria transformação.” O que o autor mostra é que para se fazer relação entre sujeito e objeto é necessário que estes sejam ligados por uma representação que se traduza num saber praticado que pode ser detectado em comportamentos.
Compreender as representações sociais dessas mulheres sobre o que pensam sobre si mesmas no mundo social foi o procedimento priorizado nesta pesquisa. Seus discursos formaram o centro da análise e foram situados em seu contexto. Como pesquisadora, busquei entender “a nova velhice” que se apresentava a partir de determinações e transformações dadas pelos sujeitos da pesquisa. (Minayo, 1994).
A disposição dessas mulheres para me falarem de suas dores e amores me surpreendeu. Enquanto várias frequentadoras dos bailes se negaram a me ceder entrevistas, minhas informantes abriram sua vida, seus apartamentos, seus álbuns de fotografias e me fizeram participar não só de seu lazer, mas me levaram para uma época distante onde as mulheres eram controladas pelos pais e maridos. Saber como se deu início à prática de dançar implicava saber quem elas foram e por que decidiram mudar. Entender como os indivíduos chegam a ser o que são é entrar nos meandros da história e de suas intimidades. Foi necessário, portanto, fazer a relação entre suas histórias individuais e os acontecimentos históricos que cercaram a mulher e a categoria velhice. Assim, os fatos que elas relembravam de sua infância, adolescência, a vida casada e propriamente os fenômenos que as remetiam ao envelhecimento foram analisados, observando-se que havia vazios e silêncios em suas falas que tanto podia ser esquecimento, como podia ser encobrimento. O caso é que os fatos lembrados remetem aos relacionamentos com as instituições das quais fazem parte.
Bosi (1991, p. 54) menciona Halbwachs para explicar que “A memória do indivíduo depende do seu relacionamento com a família, com a classe social, com a escola, com a igreja, com a profissão; enfim, com grupos de convívio e os grupos de referência peculiares a esse indivíduo.” Desse modo, a partir desse entendimento, outra questão era posta para elas acerca de seu relacionamento com grupos de referência, de modo que elas pudessem relacionar seus estilos de vida atuais com os grupos dos quais fazem parte. Mais uma vez, elas voltavam ao passado para explicar como aprenderam a dançar na escola e o quanto esse gosto pela dança fora interrompido pelo marido ou pela morte deste.
Percebi que estava lidando com fortes emoções que cercavam a vida das minhas informantes e que ao relembrar elas também reconstruíam imagens de hoje baseadas nas experiências do passado, bem como reconstruíam imagens passadas baseadas em momentos atuais. O uso da memória como técnica de compreensão dos seus estilos de vida atuais passou, portanto, a ser fundamental na compreensão de suas representações sobre velhice feminina e felicidade na velhice. E suas compreensões devem ser entendidas dentro do jogo de olhares delas em relação a elas mesmas, em relação ao outro e do outro em relação a elas. A velhice é um ver a si mesmo através do olhar do outro. As representações sociais dessas mulheres dizem respeito ao que elas vivem com os outros.
Jodelet argumenta que:
Frente a esse mundo de objetos, pessoas, acontecimentos ou ideias, não somos apenas automatismos, nem estamos isolados num vazio social: partilhamos esse mundo com os outros, que nos servem de apoio, às vezes de forma convergente, outras pelo conflito, para compreendê-lo, administrá-lo ou enfrentá-lo. Eis porque as representações são sociais e tão importantes na vida cotidiana. Elas nos guiam no modo de nomear e definir conjuntamente os diferentes aspectos da realidade diária, no modo de interpretar esses aspectos, tomar decisões e, eventualmente posicionar- se frente a eles de forma defensiva. (2001, p.17).
Jodelet (2001, p. 17/18) aponta para a necessidade de se observar as representações sociais de perto, pois, segundo a autora, estas se “encontram nos discursos, são trazidas pelas palavras e veiculadas em mensagens e imagens midiáticas, cristalizadas em condutas e em organizações materiais e espaciais.”
Parto de uma perspectiva construcionista comungando com o que esclarecem Berger e Luckmann (1985, p. 35): “a vida cotidiana apresenta-se como uma realidade interpretada pelos homens e subjetivamente dotada de sentido para eles na medida em que