2.1 Læringsteorier
2.1.2 Teorier om stillas
Bauman (2000) lembra que o primeiro uso da palavra “trabalho” era traduzido por um “esforço físico dirigido a atender às necessidades materiais da comunidade”. Para o autor, independente dos argumentos utilizados ao longo dos anos para colocar o trabalho como o principal valor dos tempos modernos, é a sua condição de dar forma ao informe, e duração ao transitório, que consolida sua relevância na vida de cada indivíduo. Foi a condição dada ao trabalho, o de buscar o aumento da riqueza e eliminar a miséria, além de contribuir para o estabelecimento da ordem, que inseriu o indivíduo no comando do seu próprio destino. Para Bauman (2000) o trabalho era considerado uma atividade vinculada à natureza e ao destino do homem; não existia escolha, cada integrante da espécie humana tinha que participar; era uma
condição natural, e o estar desempregado era “anormal”. O trabalho, segundo o autor,
abandonou a posição da construção da ordem e controle do futuro para se estabelecer no
“reino do jogo”, onde os atos de trabalho se configuram mais como estratégias de jogadores
de curto prazo. Os caminhos são tortuosos e incertos.
Em contraposição a Antunes (2002) e Marx (1971), para Bauman (2000) o trabalho não desfruta mais desta posição autorealizadora e estruturante no indivíduo, porque ele foi arrancado de suas raízes metafísicas, perdendo a sua centralidade e valores dominantes presentes na modernidade sólida e no capitalismo pesado.
“O trabalho não pode mais oferecer o eixo seguro em torno do qual envolvia e
fixava autodefinições, identidades e projetos de vida. Nem pode ser concebido com facilidade como fundamento ético da sociedade, ou como eixo da vida individual (BAUMAN, 2000, p.160). Neste contexto, o autor entende que o trabalho, junto com outras atividades da vida, tem um significado principalmente estético. Tem-se a expectativa de que seja satisfatório, mas não é mais medido pelo efeitos que traz à humanidade e aos nossos semelhantes e, segundo o autor, raramente se espera que o trabalho enobreça os que o executam ou os tornem seres humanos melhores.
Bauman (2000) acredita que o trabalhador é medido apenas pela sua capacidade de satisfazer as necessidades e desejos de consumidor em busca de experiências e sensações. O mercado de trabalho se apresenta como um dos vários mercados de produtos onde as vidas dos indivíduos é o que está na “mesa de negociação”. A partir deste argumento, em linha com as ideias de Marx, o autor reforça que o mercado de trabalho está inserido no mercado de produtos com a mesma lógica e regras, e o ato de comprar e vender a capacidade de trabalho coloca um valor de mercado, transformando o produto do trabalho em uma mercadoria.
Ao analisar as alterações sociais deste período, o autor entende que na mudança da sociedade de produtores para a sociedade de consumidores a comodificação e recomodificação do capital e trabalho foi acompanhada por importantes processos de desregulamentação e privatizações profundas e contínuas. No capitalismo pesado existia o total engajamento entre capital e trabalho que era mantido pela mutualidade de sua dependência, ou seja, os trabalhadores precisam do emprego para sobreviver e o capital precisava empregá-los para crescer. Nesta época, a mentalidade de longo prazo era a palavra
de ordem entre as pessoas que compravam e as que vendiam o seu trabalho. Não obstante, na modernidade líquida e fluida que habitamos, o capitalismo leve e flutuante é marcado pelo desengajamento e enfraquecimento dos laços que prendem o capital ao trabalho. Para Bauman (2000), tem-se a passagem do casamento para coabitação, e a partir desta mudança, passa-se a conviver com a possibilidade de que esta relação seja quebrada a qualquer momento e por qualquer razão, na medida em que o desejo e necessidade desapareçam.
O autor alerta quanto à disparidade desta relação. Como o desengajamento é unilateral, o capital rompe parte de sua dependência em relação ao trabalho e rompe com qualquer comprometimento local com o trabalho. Para Bauman (2008) este processo embasa a redução das regras e inaugura o chamado “mercado de trabalho flexível”. Agora, sem os exércitos da fábrica, o capital “viaja leve, apenas com a bagagem de mão - pasta, computador portátil e celular” (BAUMAN, 2000, p.173).
Neste sentido, o autor coloca que o único comprometimento que existe para com os consumidores é o capital; nesta relação sim coexiste a “dependência mútua”. Então, em uma sociedade de valores voláteis, despreocupada com o futuro, egoísta e hedonista, a satisfação instantânea parece, para o autor, uma ótima estratégia de defesa. Souza (2010) concorda com Bauman (2008) ao entender que não é apenas o capital financeiro que rege o sistema, mas também a disponibilidade de atuação em diferentes mercados, criando e satisfazendo novas necessidades de consumo. Nesta nova realidade, presencia-se o culto ao produto desenhado, possibilitando a abertura de inúmeras frentes de negócio.
Além disto, segundo o autor, nesta sociedade as organizações possuem estruturas mais soltas que podem ser moldadas e desmanteladas a curto prazo e sem aviso prévio. Bauman (2000) coloca que a política de precarização do trabalho é apoiada e reforçada pelas políticas da vida e o resultado é a degradação dos laços humanos, comunidades e parcerias, onde estas frentes são tratadas como coisas a serem consumidas, e não produzidas.
Para Bauman (2000), a passagem do capitalismo pesado para o capitalismo leve e fluido é também a história do movimento dos trabalhadores. Todos os argumentos que contribuem para esta mudança: os impactos dos meios de comunicação, a sedução da sociedade de consumo, do espetáculo ou do entretenimento, as artimanhas de políticos
trabalhistas, entre outros, nada disto terá influência, caso não se leve em conta a mudança radical de contexto de vida e o ambiente social sofrido pelos trabalhadores fabris, no passado até os dias de hoje. No capitalismo pesado, o corpo do trabalhador era submetido a uma rotina monótona e ele era resignado a trabalhar em prol da ética do trabalho e por amor a ele. No capitalismo leve ou na sociedade de consumidores, as pressões coercitivas vão desde a infância (a dependência do consumo se estabelece antes mesmo de as crianças aprenderem a ler), administrando o espírito e deixando o corpo a sua responsabilidade. Para tanto, em uma sociedade, que neste sentido, não faz distinções de idade, gênero ou classe social, o principal dano acaba sendo a comodificação da vida humana (BAUMAN, 2000).