Do censo das empresas selecionadas foram analisados os principais indicadores não monetários de desempenho, os quais totalizam 25 abordagens diferentes dentre as 8 categorias definidas previamente.
Na categoria Ambientais foi encontrado (3) indicadores não monetários, dos quais o mais citado (8) foi “ações de recuperação”. Tais ações estão ligadas a otimização do processo produtivo eficiente, na eliminação de desperdícios de materiais de consumo, que produzem lixo reciclável; adequado armazenamento de insumos, eliminando a contaminação do solo por produtos químicos; implantação de mini usinas de reciclagem, e descarte dos resíduos em reservatório próprio, ocasionando a redução do consumo de agua e energia. Assim, ocorre a diminuição no uso de recursos naturais, e um melhor desempenho nos resultados no que tange ao tempo de entrega da obra.
Para a categoria de Clientes (4) o indicador não monetário mais expressivo foi “número de clientes” (118) devido ao volume de contratos distratados no período de 2014, efeito do aumenta da taxa de juros e novas exigências do mercado imobiliário em relação às politicas de financiamento em âmbito governamental e das instituições financeiras.
A categoria de Imagem (3) com os indicadores não monetários pautados na área de marketing sendo, “pesquisa de imagem” (19) no que diz respeito à exposição de imagem da empresa na sociedade; reconhecimento da liderança no ranking de vendas por jornais e revistas; divulgação de recebimento de prêmios de qualidade, sustentabilidade e competitividade em revistas e mídias da construção civil e incorporação imobiliária.
Já a categoria Patrimoniais (2) teve indicadores não monetários em uma divisão quase equilibrada, porém com um destaque para “estrutura física e disponível para a sua operação” (30) relativos a quantidade de ativos em estoque como: banco de terrenos e propriedades de empreendimentos; participações em outras empresas; realização de ativos e passivos em prazos médios.
72 Outra categoria substancial é a de Pessoas (4) que obteve indicadores não monetários variados, porém a frequente citação foi “número de funcionário” (44) devido a relevância do volume de pessoas empregadas pelo setor, além do volume empregado, também foram registradas variações importantes de turnover (taxa média de admissões desligamentos), em relação ao quadro funcional efetivo médio das empresas.
A categoria de Processo (4) se diferencia das demais categorias por duas características básicas, capacidade de inovação e mapeamento geográfico. Embora o indicador não monetário mais constante tenha sido “utilização da capacidade instalada” (121) os pontos mais contundentes foram vendas de unidades totalmente pela internet e o mapeamento geográfico do (Brasil) com a projeção de novos empreendimentos contendo um índice de valorização da região e do investimento (imóvel) para o comprador (pessoa física) e para o investidor (pessoa jurídica).
Para a categoria de Produto (3) os indicadores não monetários mais citados sem dúvida são “volume de vendas” (219) em função da premissa do mercado imobiliário perante o alto contingente de estoques, e a relevante diminuição das receitas com vendas, aumento de custos administrativos com distrato e renegociações envolvendo permutas de bens com unidades de menor valor.
Por fim a categoria Sociedade (2) representa um indicador não monetário com uma pequena frequência em comparação às demais categorias relacionadas na pesquisa, porém, de uma forma inusitada, o destaque foi “abrangência dos projetos sociais” (15) no que retrata ações de cunho social em larga escala. São medidas de contribuição a população local envolvendo a promoção de campanhas de vacinação contra a gripe, workshops prevenção de doenças da melhor idade, disponibilidade de espaço conceito “bem estar” em parceria com empresas de massagem, fornecimentos de degustação de alimentos saudáveis e serviços de recreação como dança e yoga.
Assim, conforme apresentado na Tabela 6 as citações de indicadores não monetários padronizados em relação aos indicadores não monetários efetivos, estão orientada para leitura de forma vertical, são apresentados os dados identificados por categoria e organizados de forma alfabética.
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Tabela 6 – Citações de Indicadores X Indicadores não monetário padronizados por categoria
Fonte elaborado pela autora Citações Categorias Classificação de citações Classificação de citações Classificação de citações Classificação de citações Indicadores não monetários (QTD)
Ambientais Impacto no meio
ambiente Ações de Recuperação Ações de Preservação Total 21 6 8 7 3 Clientes Composição de
carteira Número de clientes
Capitação de
clientes Market-Share
Total 341 51 118 113 59 4
Imagem Certificações de
Institutos Pesquisas de imagem Rankings
Total 38 13 19 6 3 Patrimoniais Estrutura física disponível para a sua operação Estrutura de capital disponível para a sua
operação
Total 55 30 25 2
Pessoas Número de
funcionário Horas de treinamento
Número de acidentes de trabalho Gestão de pessoas/satisfação Total 76 44 19 1 12 4 Processo Utilização da capacidade instalada Capacidade dos processos Internos Capacidade dos Processos externos Capitação, processamento e distribuição de matéria prima Total 205 121 21 47 16 4
Produto Volume de Vendas Qualidade Competitividade
Total 268 219 6 43 3
Sociedade projetos sociais Número de Abrangência de projetos sociais
74 Por meio dos relatórios de administração divulgados pelas empresas aos seus investidores, a pesquisa demonstrou os principais indicadores não monetários do setor imobiliário. Assim, a partir da divulgação dos indicadores não monetários externos a empresa, bem como, a visualização em relação à capacidade de tomada de decisão por parte dos administradores, acionistas, investidores, bancos e clientes tornam-se ampla e viável do ponto de vista operacional e mercadológico, podendo ser utilizado como um sistema de medição. Para Mers (1993) sistemas de medição devem pertencer a um sistema de gestão de qualidade, no processo continuo e de longo prazo, focado na satisfação dos clientes e que permita melhoria contínua dos produtos e serviços. Ainda o autor salienta que sistemas de gestão de qualidade são pertinentes às estratégias competitivas de construção e fabricação. Sendo assim, a indústria da construção civil necessita de ferramentas de aperfeiçoamento da capacidade de absorção perante as novas tecnologias e inovações organizacionais do setor. Já na visão de Amorim; Bandeira e Mello (2008, p.262) “A existência de sistemas de gestão de qualidade nas empresas da construção civil deverá permitir que sejam traçadas estratégias mais eficazes. No entanto, a implantação destes sistemas implica em que as empresas possuam uma avaliação sistemática de seu desempenho”. Ainda o autor ressalta que para isso ser possível, é necessário se estabelecer indicadores que possibilitem esta medição e propiciem comparativos.
Na premiação da Fundação Prêmio Nacional da Qualidade – FNPQ (2004) há apenas uma empresa premiada indústria da construção civil no ano de 2003, o Escritório de Engenharia Joal Teitelbaum, representando a categoria de empresas médias. Assim, como no setor da construção civil, bem como, na literatura pesquisada há uma limitação de publicações e pesquisas dos indicadores não monetários utilizados pelo setor objetivando a medição e avaliação de desempenho. Desta forma, outros autores discutem indicadores de desempenho no âmbito da construção civil, mas não os classificam como não monetários conforme a proposta desta pesquisa. No entanto, é possível fazer uma classificação a partir dos indicadores não monetários destacados com o maior número de citações nesta pesquisa, conforme tabela 6, com os indicadores estudados por Lantelme (1994) que propõe ao setor da construção civil um sistema de
75 indicadores orientados pelos conceitos de qualidade e produtividade relacionados a: projetos, suprimentos, assistência técnica, planejamento de vendas, produção, recursos humanos e administrativos.
O quadro 3 está orientado para leitura de forma vertical, sendo apresentado uma nova classificação de indicadores de qualidade e produtividade, assim, podendo ser relacionados com os indicadores não monetários mais citados nesta pesquisa. O critério de classificação utilizado é temático, conforme sugerida pela técnica de categorização já abordado no item 3.2 de metodologia desta pesquisa.
Quadro 3 –Indicadores não monetário classificados em novas categorias
INDICADORES QUALIDADE PRODUTIVIDADADE
Indicadores não
monetários Pesquisas de Imagem
Ações de Recuperação assistência técnica
Indicadores não
monetários Abrangência de Projetos Sociais
Número de Clientes
projetos Indicadores não
monetários
Estrutura Física Disponível Para a Sua Operação suprimentos Indicadores não monetários Número de Funcionário recursos humanos e administrativos Indicadores não monetários
Utilização da Cap. Instalada
produção Indicadores não
monetários
Volume de Vendas planejamento de vendas
76 Desta forma, essa pesquisa propõe a possibilidade de se desenvolver novas métricas de avaliação de desempenho, na busca da mensuração do resultado econômico das organizações, por meio dos indicadores não monetários, que permeiam o setor da construção civil como um todo. Embora esta pesquisa tenha proposto a classificação de oito categorias distintas foi constatado que no total das empresas analisadas somente quatro categorias de indicadores são utilizadas por todas as empresas, sendo: clientes, patrimoniais, processos e produtos. Na categoria clientes o indicador não monetário revelado foi: captação de clientes (lançamento de empreendimento). Na categoria patrimoniais têm-se como indicador a estrutura física disponível para a operação (banco de terrenos). Acerca da categoria de processo o indicador não monetário encontrado foi a capacidade dos processos internos e externos (entregas de unidades). E na categoria de produtos, a pesquisa revelou um indicador não monetário denominado volume de vendas (vendas de unidades em estoque e vendas de lançamentos). Nas demais categorias tais como: ambientais, imagem, pessoas e sociedade, os indicadores não monetários apareceram apenas de forma aleatórias.
A limitação encontrada na pesquisa é em decorrência da escassez de produção cientifica desta natureza, especificamente no setor de construção civil e também por ser uma proposta de estrutura de métricas inexistente no mercado atual, que podendo ser pesquisada e divulgada resultariam na contribuição para avaliação de desempenho das empresas analisadas e também na divulgação de resultados econômicos suportados por novos sistemas de medição. Conforme apresentado na discussão e no Quadro 4.
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Quadro 4– Quadro conceitual de indicadores não monetários da construção civil
Ano Publicação Autor Veiculo
1993
" How to stop talking about and begin progress toward total quality management".
MEARS, P. Business horizons, Greenwich, v. 36, 1993, p. 66-68. 1994 "Proposta de um sistema de indicadores de qualidade e produtividade para a construção civil". LANTELME, E. M. V. Dissertação – (Mestrado em engenharia civil), Escola de Engenharia, Universidade Federal Porto Alegre, do Rio Grande do Sul.
2008
"Um sistema de indicadores para comparação entre organizações: o caso das pequenas e médias empresas de construção civil."
Brito Mello, Luiz Carlos Brasil, Sérgio Roberto Leusin de Amorim e Renata Albergaria de Mello Bandeira.
Gest. Prod., São Carlos, v. 15, n. 2, p. 261-274, maio- ago.
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