No Brasil, é relativamente recente a emergência de estudos sobre o engajamento militante. Há um conjunto de trabalhos, desenvolvidos prinicipalmente a partir do final dos anos 1990 nas áreas de Ciências Sociais e Educação que, se não permite traçar um panorama aprofundado da situação das variadas formas de engajamento no país, permite levantar, desde já, algumas características importantes. Mesmo que com recortes teóricos e metodológicos distintos, com foco maior ou menor no tema específico do engajamento, todos os trabalhos consideram, em suas análises, a articulação das abordagens diacrônica e sincrônica dos engajamentos, fundamentando-se nas noções de habitus e capitais para a formação de disposições e as redes de relações que permitem transformar tais disposições em ação (SEIDL, 2003; TOMIZAKI, 2005; OLIVEIRA, 2005; REIS, 2007).
Seidl (2003) investiga, em sua tese de doutorado, a formação de elites eclesiais no Rio Grande do Sul. Toma o conceito de campo de Bourdieu para situar os atores engajados, bem como o conceito de habitus e capital social e cultural para explicar o modo como são recrutados os clérigos que compõem as hierarquias superiores da Igreja Católica no estado do Rio Grande do Sul. O autor percebe a posição de classe de origem e a carreira como princípios fundamentais para compreender os modos de recrutamento dessa elite. Ainda que neste caso o engajamento seja fortemente condicionado pelo “outro” – os clérigos que já compõem a elite da Igreja decidem, em última instância, sobre quem ocupa os cargos, fundamentados, obviamente, na carreira dos possíveis candidatos – não deixa de revelar os investimentos realizados pelos clérigos para ter a possibilidade de ascender na hierarquia da igreja. Pesquisa posterior, realizada por Seidl com dirigentes e ex-dirigentes de instituições associativas, apresenta a noção de carreira como central para a análise dos engajamentos e desengajamentos dos militantes pesquisados e a necessidade de integração das disposições adquiridas com as redes de interação para explicar a militância. As análises revelaram que, no percurso individual que produz o engajamento associativo
dá-se a conjugação de elementos de socialização familiar e escolar na formação dos anos da juventude que combinam fatores ideológicos e uma propensão ao ativismo; presença de políticos no grupo familiar e/ou de familiares interessados em política (candidatos, por exemplo) ligada a forte integração social e a uma relação localista e concreta com o político, pais de profissão docente, forte socialização religiosa, ligação com movimentos católicos. (SEIDL, 2009: 23)
55
A predominância de filhos de profissionais médios confirma, no estudo de Seidl, a “ligação privilegiada entre capital cultural e competência política”. Seidl afirma, ainda, que a escolarização superior tem adquirido importância no sucesso das carreiras profissionais e militantes, na medida em que produz novas formas de sociabilidade e formação de bases de “interconhecimento e interdependência” e permite formas diversificadas de “mobilização dos títulos, experiências e saberes reconhecidos como ‘acadêmicos’, ‘científicos’ ou, mais geralmente, ‘intelectuais’, na composição das carreiras militantes” (p. 25).
O estudo de Reis (2007) também se situa no campo da formação de elites culturais e políticas no Rio Grande do Sul. Busca definir e diferenciar os conceitos de contestação, militantismo e engajamento, em que contestação seria o mais conjuntural e situacional dos conceitos acima e estaria ligado à oposição a algo definido. Os outros dois conceitos estariam ligados a processos mais contínuos no tempo e no espaço, sendo o engajamento definido como “a disposição dos agentes para tomar posição sobre ‘temas’ e ‘problemas’ variados a partir de domínios igualmente diversos” (p. 10). O militantismo, embora englobe o engajamento, dele se distinguiria, pelo fato de ampliá-lo, ganhando a dimensão de dedicação sistemática a uma causa ou ação. A pesquisadora investigou o movimento de contestação do regime militar nos anos 1960 no Rio Grande do Sul através dos sujeitos engajados no movimento estudantil, que, em sua maioria, migraram posteriormente ou que, simultaneamente, atuavam em organizações políticas de esquerda.
A tese de Oliveira (2005) revela inflexão nos fatores preponderantes que constituíam as disposições para entrada e permanência na militância ambiental; em décadas passadas, estava ligada à bagagem cultural e política do grupo familiar, mas, a partir do fim da década de 1980 e do início dos anos 1990, houve um deslocamento para as inserções anteriores em outras redes e formas de engajamento. Os militantes remetiam-se, muitas vezes, a experiências práticas vividas em relação ao meio ambiente e à natureza para explicar as razões de seus engajamentos. Além de outras razões para isso, o pesquisador afirma que, dessa forma, os sujeitos têm a intenção de afastar suas motivações para o engajamento de qualquer interesse ou vantagem material.
O estudo desenvolvido por Tomizaki (2005), sobre gerações de metalúrgicos, analisa a transmissão geracional profissional (metalúrgicos) e sindical (o engajamento no sindicato dos metalúrgicos do ABC). Sua tese tem como ponto central a geração, mas não passa ao largo, a partir dessa análise, de carreiras, modos de engajamento e transmissão de valores e de práticas
56
de mobilização para as novas gerações. No estudo das duas diferentes gerações, percebe diferenças em relação aos modos de “aprender” a fazer política e de mobilização. A primeira geração aprendia “na prática”, considerava que a disposição para a mobilização era algo intrínseco ao sujeito, “não se fabrica militante… militante nasce feito” (TOMIZAKI e ROMBALDI, 2009: 94); a segunda geração valoriza os aprendizados escolares e lança mão do conhecimento formal obtido na escola para aumentar suas habilidades de negociação, de elaboração de projetos e propostas para os sindicalizados.
A escolaridade dos militantes aparece como um dos eixos centrais de análise em todos os trabalhos. A escola se configura como espaço de socialização, mas também de realização e atualização das disposições para o engajamento. Formação especificamente religiosa, no caso de Seidl (2003), e formação de nível superior entre os dirigentes e ex-dirigentes de instituições associativas (SEIDL, 2009), formação escolar de nível superior (Reis, 2007) e em áreas relacionadas à questão ambiental (OLIVEIRA, 2005), formação escolar ou “na prática”, dependendo da geração em questão (TOMIZAKI, 2005). Os atores atribuem sentidos distintos à formação escolar recebida, mas, em geral, remetem à escola como espaço de qualificação para ou mesmo de início da militância. A maior escolaridade dos sujeitos engajados em relação aos pais é traço marcante, bem como a realização de investimentos escolares relativamente intensos ao longo da carreira militante.
Todas as pesquisas citadas lançaram mão das entrevistas biográficas como instrumento principal do levantamento de dados e da observação, em maior ou menor grau. Nenhum estudo utilizou instrumentos quantitativos, como questionários e análises estatísticas, tal como fazem pesquisadores europeus, por exemplo. Estes pesquisadores (GAXIE, 2002; FILLIEULE, 2001; AGRIKOLIANSKI, 2001) defendem que os estudos sobre as carreiras no engajamento devem associar a dimensão quantitativa com os estudos aprofundados, para melhor compreender as razões do engajamento e seus deslocamentos ou desengajamentos. Apoiam-se, também, em estudos de caráter longitundinal. No caso dos estudos brasileiros citados, trata-se, em quase todos os casos, de teses de doutoramento, defrontados, por isso mesmo, com limitações de tempo e recursos (humanos e materiais), além de serem pesquisas desenvolvidas num momento específico de formação dos pesquisadores. Além disso, o Brasil não tem, no campo das ciências sociais, tradição na realização de estudos logitudinais, nem mesmo na aplicação de surveys associados a análises fundadas em estudos de caso. Mas os estudos de caso realizados, quando tomados em seu conjunto, mostram aproximações e particularidades entre os diversos tipos de militantes estudados, possibilitando inferir
57
características mais gerais da militância no país. Cada novo estudo realizado se agrega a este conjunto, complementando e ampliando o conhecimento sobre este fenômeno social.
Os jovens militantes
Sobre os jovens pesa a crítica de que a atual geração tende ao egoísmo, à indiferença ao outro, à apatia cívica; seriam menos engajados e participantes que as gerações anteriores. O aumento do absenteísmo eleitoral e a significativa diminuição da identificação partidária têm dado base à argumentação de que os jovens estão despolitizados, alienados e desinteressados da vida política. Para Müxel (2002), o absenteísmo nas eleições é produto de uma profunda crise de representação, que afasta os cidadãos – não apenas os jovens – dos mecanismos de escolha de seus representantes.
Segundo Cicchelli (2009), o discurso da apatia política dos jovens foi construído a partir da experiência da geração anterior, para a qual a militância e o engajamento significava estabilidade, duração e devoção a algum grupo de interesse. No entanto, pesquisas realizadas com jovens (CICCHELLI, 2009; MÜXEL, 2008, 2005, 2002; ESTANQUE e NUNES, 2001; MOREIRA, 2000; PAULA, 2004; HAMMES, 2005), sobre seus engajamentos e militâncias, têm mostrado que esta construção não se confirma. O que se observa, na verdade, são profundas transformações nas práticas de engajamento dos jovens e nos modos de construir a militância.
Müxel (2008) afirma que os jovens são confrontados, ao mesmo tempo, com a necessidade de identificar-se com os adultos e de inovar e, por isso, sua relação com a política se constrói através de uma tensão identitária entre a herança dos recursos familiares e a experimentação. A herança permite identificar-se e sentir-se pertencente a algum tipo de filiação política; a experimentação permite a ruptura com padrões e modela as práticas, a partir das singularidades de cada geração e de cada indivíduo. A interação entre herança e experimentação produz aprendizagens que modelam opiniões e saberes que orientam as escolhas políticas, eleitorais e partidárias.
A partir de pesquisa realizada com jovens franceses, Cicchelli (2009) afirma que, para compreender o significado dos novos engajamentos de jovens, devem-se compreender as experiências que estão sendo construídas por eles, além das condições sociais que fazem emergir os atuais engajamentos de jovens.
58
O Livro Branco da Juventude constituiu-se em um marco para a discussão e implementação de políticas de participação e engajamento de jovens na União Europeia. Após inquirir jovens de toda Europa, o livro recomenda políticas que promovam a participação destes na sociedade civil. A ideia de que os jovens devem ter suportes institucionais para participarem é produzida por uma novidade apontada por Cicchelli (2009), que se refere ao fato de governantes e líderes institucionais encorajarem jovens a serem os portadores de projetos pessoais e associativos. A preocupação do mundo adulto com os jovens poderia ser traduzida por quatro palavras-chave: autonomia, projetos, engajamento e responsabilidade. Essas palavras têm se transformado em prática, por meio de inúmeros programas institucionais que colocam os jovens no papel de executores de projetos e realizadores de ações individuais e coletivas que visam seu engajamento, ao mesmo tempo em que pretendem produzir impactos sobre a realidade social na qual se inserem estes jovens. Tais programas, no entanto, ao serem ocupados pelos jovens destinatários das ações, têm sido ressignificados por eles, que criam novas formas de agrupamentos, menos institucionais e menos associadas com a tradição de militância.
O investimento multifacetado de governos e organizações na esfera pública, a fim de oferecer programas variados de participação para jovens, nasce do declínio das esferas tradicionais de engajamento – partidos políticos, sindicatos e “grupos de interesses universais” (CICCHELLI, 2009). O interesse dos jovens por esse tipo de engajamento institucional caiu e essas esferas de socialização não foram substituídas por outras. O referido investimento multifacetado constitui uma busca de substituição e ampliação dessas esferas.
Em pesquisa realizada sobre a participação política de jovens franceses, Müxel, Riou e Lehay (2005)22 afirmam que a cultura de protesto, especialmente por meio de petições e manifestações de rua, tem crescido na França. A ação de protesto mais difundida entre os jovens franceses é a assinatura de petições públicas – 36% dos jovens entrevistados já assinaram alguma. Em seguida, aparecem as greves (25%) e os boicotes (17%). As formas violentas de protesto são menos frequentes: 6% dos jovens afirmaram já ter interrompido vias públicas e apenas 2% já participaram de manifestações que produziram danos durante sua realização. Somente 1% dos jovens entrevistados declarou fazer parte de algum partido político, 1% faz parte de sindicato, 2% de associações de defesa de Direitos Humanos.
59
Organizações de jovens (10%), culturais (11%) e esportivas (31%) são mais atrativas aos jovens.
A pesquisa confirma a queda da militância tradicional. Partidos politicos e sindicatos não são mais atrativos, e os jovens têm mais desconfiança sobre eles. Eles não querem ser prisioneiros de uma organização, não querem mais adotar todas as suas obrigações e objetivos políticos. Eles provavelmente querem se manter mais livres, inclusive para participar de acordo com suas próprias visões, ideias e métodos. Há uma certa forma de privatização da participação política. Mas isso não significa que não participem. (MÜXEL, RIOU e LEHAY, 2005: 36, tradução nossa)
O que parece ter mudado, de fato, não é o engajamento em si, mas a forma como as pessoas se conectam com essas agências de socialização e regulação. A tradicional militância estável, duradoura, quase exclusivamente dedicada a um único tema de interesse vem sendo substituída por um engajamento mais efêmero, pontual e eletivo (CICCHELLI, 2009). A presença dos jovens nas ruas, em manifestações e protestos, mostra, contudo, que a presença no espaço público continua sendo uma característica marcante da juventude.
Jovens são provavelmente mais parecidos com os adultos em relação à esfera política do que se possa imaginar, mas eles desenvolvem uma atitude menos conformista, mas crítica e talvez mais instrumental em relação a ela. O modo de engajamento dos jovens é, certamente, mais pragmático. (CICCHELLI, 2009: 106, tradução nossa)
As novas formas de engajamento e mobilização, que se dirigem a interesses mais específicos e pontuais, estariam ligadas à emergência de uma nova concepção de democracia, na qual os indivíduos usam todos os meios disponíveis para obter reconhecimento de novos direitos, reforçar os já existentes e lutar por respeito social (CICCHELLI, 2009).
Os programas voltados para a participação e o engajamento de jovens estariam sendo desenvolvidos para dar respostas ao “desejo de participar” dos jovens e para dar vazão a iniciativas individuais e/ou coletivas de jovens, mantendo tais iniciativas sob algum tipo de controle do mundo adulto.
Um conselheiro do Ministério de Juventude francês, citado por Cicchelli (2009), afirmou que os jovens teriam boas iniciativas, mas precisariam de algum controle que só o mundo adulto poderia oferecer, pois suas ações são dispersas e carecem de consistência e visibilidade.
60
Assim, seria tarefa do governo desenvolver ações que dessem chance à expressão dos jovens, mas pudessem canalizar (controlar) suas ações e resultados.
Cicchelli (2009) apresenta uma interessante “coletânea” de discursos de diversas figuras políticas francesas que ilustram a representação dos diferentes espectros políticos em relação ao engajamento dos jovens. Os partidos da extrema-direita considerariam os jovens absolutamente incapazes de exercer qualquer tipo de poder, mesmo como consultores: “se os jovens devem realmente participar da vida política, devem primeiro mostrar respeito por valores como a pátria, a nação e a bandeira nacional” (op. cit.: 120). A direita tradicional teria como princípio introduzir os jovens no cotidiano das ações políticas, ensinando-lhes “na prática”, mas considerando que devem praticar muito antes de estarem aptos a assumir “verdadeiras” responsabilidades. Políticos com pouca inserção em partidos políticos afirmam que reconhecem nos jovens uma certa capacidade de intervenção política, mas em assuntos concernentes especificamente a jovens, ainda que raramente tomem sua opinião como fundamento para as decisões; a opinião dos jovens serviria, tão somente, para fornencer conhecimento adicional aos políticos profissionais. Por fim, a tendência da esquerda seria considerar os jovens como parceiros, nos quais se reconhece uma capacidade de intervenção em debates, bem como na realização de projetos; os jovens seriam os portadores de uma visão de mundo original, que os adultos não possuem.
A partir dessas posições coletadas, o autor pergunta se haveria sentido num espaço que permite que os jovens expressem suas opiniões, mas não têm o poder de fazê-las acontecer. Ao expressar este questionamento, não nomeia, contudo, espaços específicos onde isso ocorreria. Os espaços tradicionais da militância são vistos, em geral, como espaços pouco abertos ao diálogo com jovens – daí o abandono dessas formas de engajamento –, mas outras formas de participação institucionalizadas e dirigidas pelo mundo adulto podem produzir a mesma interdição ao diálogo.
Na pesquisa realizada por Müxel, Riou e Lehay (2005), aponta-se o fato de que a maioria dos jovens que revela ter alguma proximidade com partidos políticos identifica-se com partidos de esquerda23.
Ainda que haja desconfiança crescente em relação à politica e suas tradicionais formas de engajamento, expressa pela diminuição da presença de jovens em partidos, sindicatos e afins,
23 Ainda que os marcadores que definem tradicionalmente o que é direita e esquerda política estejam cada vem mais diluídos e pouco claros, Müxel afirma que, na Europa, os termos ainda são pertinentes para analisar a realidade política mais ampla e para a compreensão da vida sociopolítica dos cidadãos.
61
eles ainda se fazem notar nesses espaços. Se as clássicas formas de associação continuam a angariar jovens é porque se tranformaram, deixando cada vez mais espaço para as implicações pessoais, integrando indivíduos em coletivos, mas permitindo a expressão de suas indentidades.
Pesquisas sobre os valores compartilhados pelos franceses (ROUDET, 2005; LAPEYRONNIE, 2005; ION, 2005) mostram que prevalecem os associativismos que permitem a realização pessoal; a mobilização privilegia metas claramente delimitadas, que permitem atingir resultados imediatos. A realização pessoal indica que o envolvimento incondicional está sendo abandonado em prol de uma participação eletiva, pontual e com gratificações imediatas. As utopias não desapareceram, mas são mantidas à parte, como inspiradoras de ações no presente. Além disso, os sujeitos engajados têm dado preferência a redes horizontais de mobilização, em detrimento das verticais e hierarquizadas. De acordo com Cicchelli (2009), estes achados de pesquisa se encaixam na tendência observada de rejeitar a delegação da palavra e falar por si próprio.
Estudo realizado em 200424, sobre a participação política de jovens da Comunidade Europeia,
aponta para a forte influência da socialização familiar no comportamento político dos jovens. A pesquisa mostrou que cerca de 70% dos entrevistados seguem a mesma orientação política dos pais – seja de direita, de esquerda ou de não-escolha partidária. Em todos os países investigados25 foi observada estreita ligação do nível de politização dos pais e de seus filhos. Jovens que crescem em ambientes familiares mais politizados desenvolvem atitudes mais positivas em relação à política. Os filhos “herdeiros” de alguma filiação política dos pais, seja de esquerda ou de direita, têm afirmações e posicionamentos políticos mais firmes e bem estruturados que aqueles cujos pais não identificam uma preferência política. Quando herdeiros de uma filiação política de esquerda, os jovens são mais fortemente contestadores que aqueles que se vinculam com uma herança de direita.
A mesma pesquisa mostra que os índices de escolaridade e sexo fazem diferença no interesse de jovens pela política. Os jovens homens mais escolarizados são os mais interessados em política e as jovens mulheres pouco escolarizadas são as menos interessadas.
24 MÜXEL, A; RIOU, Cécile; LEHAY, Viviane. Political Participation of Young People in Europe – Development of Indicators for Comparative Research in the European Union (EUYOUPART) WP8/ D15. National Report: France. FNSP (Fondation Nationale des Sciences Politiques) - CEVIPOF, March/ 2005. Pesquisa EUYOUPART financiada pela Comissão Europeia em 2004, sobre a participação política de jovens com idades entre 15 e 25 anos.
25 Países que compuseram a pesquisa: França, Alemanha, Reino Unido, Itália, Finlândia, Áustria, Eslováquia e Estônia.
62
Foram identificadas 3 importantes clivagens no que diz respeito ao interesse e às práticas de engajamento político de jovens: (i) o tempo da juventude é momento importante de socialização política e o avançar da idade traz mais informações e experiências que fazem aumentar as competências e o interesse pela política; (ii) há um desequilíbrio em relação a gênero, “jovens homens têm sempre mais familiaridade e competência para a política e sentem-se mais implicados” (MÜXEL, RIOU e LEHAY, 2005: 13, tradução nossa); (iii) quanto maior a escolaridade dos jovens, também maior é o interesse em política. Jovens desempregados são os que menos se engajam e os jovens estudantes seguem sendo aqueles com maior engajamento e presença na esfera política.
Jovens engajados no Brasil
Os estudos sobre engajamentos de jovens no Brasil têm seu marco inicial nas pesquisas