• No results found

Syntese:  Helhet  og  samordning  gjennom  regionale  planer?

Artikkel  2:   Villrein  i  politiske  landskap:  Regional  planlegging  i  Rondane

5 Syntese:  Helhet  og  samordning  gjennom  regionale  planer?

A participação em partidos políticos surgiu na Europa, no final do século XIX e início do século XX, com a criação dos partidos socialistas, também identificados como partidos de massa. Até então, os partidos se mobilizavam apenas em momentos de organização de eleições, eram os chamados partidos de elite. Os partidos socialistas inauguraram a filiação partidária e o engajamento de seus filiados se dava em atividades durante todo o tempo decorrido entre uma eleição e outra. Segundo Scarrow (2007),o desafio para esses partidos era não apenas angariar membros, mas incrementar o nível de participação política individual desses membros, ou seja, fazer com que a filiação ao partido tivesse sentido nas experiências individuais de seus filiados, que fosse uma experiência significativa que incluísse a política, mas também fosse além dela. Para tal, eram oferecidas oportunidades educacionais, de lazer e também benefícios econômicos, como acesso a planos de seguros.

Os partidos tradicionais tentaram usar do mesmo mecanismo de filiação de membros, em busca dos benefícios trazidos por tal filiação, mas apenas depois da segunda guerra mundial, especialmente nos anos 1950 e 1960, a filiação partidária cresceu, tanto em partidos de direita quanto de esquerda, nas democracias ocidentais.

Os partidos de elite representavam interesses de uma pequena parcela da população e se tornavam visíveis apenas nos momentos que antecediam o processo eleitoral – são

71

“protopartidos clientelistas, ‘clubes políticos episódicos’ ou grupos parlamentares” (SEILER, 2000: 106). Por essas características, a filiação de membros não fazia sentido. Os partidos de massa surgem a partir da organização de operários e outros contingentes de trabalhadores que buscavam a ampliação de direitos civis e sociais29. Outra diferenciação importante entre partidos de elite e de massa é que os primeiros se formavam dentro do sistema parlamentar e os partidos de massa tinham sua origem fora desse sistema, por pessoas que não compunham ainda o jogo eleitoral.

Os partidos de massa tinham uma relativa concentração, no que se refere à distribuição dos recursos políticos pertinentes – tal distribuição era muito concentrada nos partidos de elite –, e era a mobilização de seus membros sua principal estratégia de competição eleitoral. Segundo Blondel (1996), os partidos de massa eram

ostensivamente democráticos na medida em que seus programas de ação política eram oficialmente decididos por congressos que representavam os filiados; na prática, os líderes exerciam considerável poder e eram frequentemente acusados de praticar um controle burocrático. (p. 560)

Seiler (2000), fazendo uma síntese das definições de partidos elaboradas por diferentes estudiosos, levanta, ainda, uma diferenciação nos partidos de massa: partidos de militantes e partidos de eleitores. Citando Jean Charlot, aponta para a existência de partidos de massa que não organizam a sua existência em torno do papel fundamental do militante; são partidos voltados para os seus eleitores, têm grande número de membros filiados, mas estes não participam ativamente do cotidiano partidário.

A carência de pesquisas sobre filiação partidária, bem como a escassez de bases de dados sobre essas filiações até meados do século XX, torna difícil compreender como se davam o processo de filiação aos partidos e a participação de seus membros. As séries históricas produzidas a partir dos anos 1950 mostraram declínio contínuo da filiação partidária até o início dos anos 2000. Mesmo nos países escandinavos, onde partidos de massa tinham fortes raízes, o declínio era visível, dando mostras de ser um processo generalizado. Scarrow (2007) afirma, contudo, que há várias razões para tal declínio, uma delas direcionada ao surgimento de novos tipos de partidos políticos, tais como os “verdes”.

29 Definição de partidos de quadros e partidos de massa está originalmente situada na obra de Maurice Duverger – Les partis politiques –, inspirada numa diferenciação entre um e outro que já se encontrava latente em Max Weber.

72

A pesquisadora afirma, também, que, nas democracias mais recentes – entre as quais se inclui o Brasil –, parece haver, ainda, um comprometimento mais forte com os princípios do partido. Segundo ela, apesar do número reduzido de filiados em relação ao contingente de eleitores, esses indivíduos conseguem exercer importante influência política. “Na maioria das democracias contemporâneas, recentes ou estabilizadas, os partidos envolvem apenas uma minoria de cidadãos. Mas esses indivíduos podem exercer desproporcional, e aparentemente crescente, influência política” (SCARROW, 2007: 639, tradução nossa). No entanto, Scarrow afirma que, muitas vezes, a filiação a partidos mais se parece com uma transação similar à obtenção de um cartão de crédito, em que o candidato a membro do partido, frequentemente, precisa ser aprovado por um grupo partidário ou apadrinhado por algum membro influente. Para Panebianco (2005), quanto mais controlado o processo de filiação – entrevista com um dirigente, apresentação de si etc. –, mais o filiado será incentivado a participar, ou seja, a transformar-se em um militante. “Nesses casos, a filiação é vivida e apresentada como uma honra; é um status symbol a se tornar válido nos seus locais de trabalho, perante os amigos etc.” (p.51). Panebianco diferencia filiados de militantes, por meio de escalas de participação, apesar de considerar que os limites entre um e outro são, muitas vezes, de difícil diferenciação. Os militantes formam o núcleo duro do partido, “a minoria restrita que tem participação real e contínua em todo o partido, embora com intensidade variável, e que com sua atividade faz funcionar a organização” (p.53).