2. Teori
2.15 Teoretisk forankring av forskningsspørsmålene
Cada uma das três empresas metalúrgicas possui seus clubes esportivos e recreativos. O Centro Esportivo Liasa (CEL), o Grêmio Recreativo da Minasligas (GREMIL) e Associação e Clube Esportivo dos Funcionários da INONIBRÁS (ACEFI) são todos financiados pelos trabalhadores. No caso da ACEFI, toda a gestão política, financeira e do patrimônio é exercida pelos trabalhadores que elegem diretores da associação, mas, segundo um dos entrevistados, não há muito interesse por parte dos trabalhadores em assumir a direção do clube, menor ainda é o interesse da direção da empresa em investir em benefícios sociais para seus funcionários. Cada trabalhador contribui mensalmente com R$ 8,00 descontados na folha e o operário em questão não freqüenta esse clube por causa da infraestrutura precária e pela possibilidade que tem de freqüentar o GREMIL que, segundo ele, é mais estruturado e melhor para passear com a família.
As opiniões sobre os clubes de fábrica se dividem. Os operários mais ligados ao sindicato relataram que não gostam de freqüentar os clubes das fábricas por se sentirem constrangidos pela presença de chefes e encarregados que também freqüentam. Um de nossos entrevistados em seu relato conta que até gostava de freqüentar o GREMIL para jogar futebol, mas parou de ir porque estava sentindo desconfortável na presença de chefes que o
perseguiam dentro da empresa. Essa opinião é compartilhada por outro entrevistado membro da diretoria que não acha apropriado conviver a semana toda sob as rígidas ordens de chefes e encarregados que exploram o operário e aos finais de semana ainda ter que ver essas mesmas pessoas. Segundo suas próprias palavras, o clube de sua fábrica é:
“(...) é um campo de futebol e um botequinho pra tomar cerveja. O povo gosta de „bater uma bola‟ e depois ir lá tomar uma cervejinha. Mas, os funcionários das empresas em si não gostam de ir ao clube, só vão porque não têm outra opção. Porque no clube da fábrica normalmente os trabalhadores, hoje, são muito explorados, essa é a grande verdade. Então, por exemplo, você sai e tá de folga e você vai lá no clube da fábrica. Beleza. Aí, quando você pensa que não, chega aquele chefe que te explora o tempo todo, o dia inteiro, o mês inteiro, o ano inteiro, que te explora, que te suga, que te enche o saco, que te dá „balão‟, que você não mata ele porque não pode, mas dá vontade de dar uns „tabefes‟ nele, pensa que não, o cara tá lá no clube também, porque é da empresa. Então, você perde toda a liberdade. Agora, se você tivesse em outro lugar, tranqüilo, só com seus companheiros ali, „batendo papo‟, „batendo um pagode‟ ali, aquilo ali que é bom de lazer. Agora, clube da fábrica, normalmente a pessoa não tem a liberdade de ficar à vontade (...).” (Orlando Silva, operário da LIASA).
“Empresário é empresário, e povão é povão, né? Empresário de um lado, trabalhador do outro. Então, não adianta querer misturar que não dá certo. Então, muitas vezes ela promove festa lá (no clube da empresa), aí contrata banda e tal. Mas você não pode ir com a família, só você. Muita gente não vai. É um absurdo, mas a empresa faz isso com a gente (...). Então, eu, por exemplo, prefiro mil vezes ir pra beira do rio, no boteco, tomar uma cervejinha lá com meus companheiros do que ir no clube da fábrica. (Batista Orleans, operário da LIASA).
Por outro lado, dois de nossos entrevistados não expuseram suas opiniões dessa forma, criticando apenas dificuldades relacionadas a estrutura dos clubes e as limitadas opções de lazer que são oferecidas, mas dentro de uma perspectiva mais prática e não mencionam em nenhum momento a falta de liberdade colocada pelos operários ligados ao sindicato. Um deles comenta que a fábrica onde trabalha não tem o menor interesse em investir nessa área e por isso freqüenta o clube de outra empresa porque esse possui uma estrutura melhor que o da empresa em que trabalha oferece. Frequenta o clube sempre convidado pelos parentes, que são afiliados.
o esquema bar, quadra poliesportiva e/ou campo de futebol e no máximo piscina. Possui uma animação sociocultural esporádica, com atividades organizadas em datas tradicionais como o “Dia do Trabalhador”, “Dia das Crianças”, “Festas Juninas”, “Colônias de Férias” e “Festa de Fim de Ano”, quando há sempre uma confraternização onde a empresa dá brindes e oferece alguns „comes e bebes‟. Por último, importante destacar que há os clubes de fábricas que são sustentados financeiramente pelos trabalhadores e que a adesão numérica é grande. Em uma empresa, no caso, a INONIBRÁS, o clube é dirigido por uma associação dos funcionários independentemente dos patrões, que administra também a estrutura patrimonial através da direção dessa associação. Nas outras duas fábricas, os trabalhadores pagam uma taxa mensal de administração que é descontada de seus salários, mas a organização e a propriedade do patrimônio são da empresa.
Apesar do reduzido tempo disponível, os operários entrevistados quando perguntados se dispusessem de mais tempo disponível o que fariam, as respostas giraram em torno de estudos e viajar. O interesse por conhecimento existe e se manifestou tanto nos operários que cursam graduação universitária por estudos complementares (fazer pós-graduação em cursos de sua área) como naqueles que cursaram o nível técnico por estudos complementares universitários. Mas são impedidos por diversos fatores para além da falta de tempo, como a baixa remuneração e as poucas alternativas de estudo que o município oferece foram fatores apontados como dificuldades.
Os interesses turísticos em viajar foram estiveram presentes na maioria dos relatos sobre a fruição do tempo disponível, mas são também as que encontram mais dificuldades para se realizarem na vida dos operários entrevistados. A questão do custo do transporte, seja para pagar passagens terrestres ou aéreas, ou mesmo o alto valor de um automóvel e o baixo salário do metalúrgico foram as razões alegadas porque conseguem realizar pouco esse desejo. Pouco tempo e pouco dinheiro trazem o incômodo de realizar mirabolantes planejamentos econômicos e temporais para conseguir viajar poucas vezes ao ano, quando isso é possível.