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A Tabela 13 revelou qual a frequência do contato realizado entre o professor do ensino regular e da sala de recurso. O contato diário foi realizado pela maioria dos professores, revelando uma boa comunicação entre os profissionais que trabalhavam com o aluno com seqüela de mielomeningocele.

Tabela 13-Contato realizado entre os professores da sala de recursos multifuncional e professores do ensino regular

Resposta dos professores da sala de recurso multifuncional

Citações Frequência

Contato Diário “A gente se fala quase que diariamente, eu atendo ele, um pouquinho uns 10 minutos antes de encerrar o horário de aula”. SRc 1

“A gente sempre ta trocando informações sobre o desenvolvimento dele e a participação nas atividades”. SRc 2.

“Mantenho, porque como é o mesmo horário é mais fácil, sempre pergunto dele pra ela, vê o que a gente consegue fazer com ele.” “Poderia ser mais e melhor, a gente poderia fazer um planejamento pra ele, a gente ta tentando fazer isso”. SRc2

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Contato pouco freqüente. “O contato ele não é freqüente né” “A gente esbarra até em uma questão legal” “eu e a professora dele da sala regular em horários diferentes” “a gente consegue fazer esse contato pelas coordenadoras porque elas participam muito mais da sala de reforço, então elas tem alguns dados sobre o aluno e ai a gente troca informações com essa coordenadora e essa coordenadora também transfere de uma professora para outra” SRc 4.

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Dentre os três alunos pesquisados que participavam da sala de recurso, apenas um realizava o atendimento em turno inverso ao período letivo. Dois desses alunos participavam da sala de recurso no mesmo horário da aula, pois segundo os pais era difícil levar o filho duas vezes por dia na escola porque eles apresentavam comprometimentos motores. Dessa forma o atendimento educacional especializado atendia o aluno no mesmo horário do ensino regular.

Um dos focos da nova política pública é a garantia do ensino regular conjugado com o atendimento educacional especializado, segundo as políticas de educação destinadas a inclusão os atendimentos especializados, devem impreterivelmente ser realizados no contra-turno, ou seja, em períodos diferenciados ao da escola. Observou-se que nem sempre esta exigência é atendida, pois há particularidades existentes em cada caso. (BRASIL, 2008).

Outro aspecto que interferiu na frequência dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais em horários contrários ao ensino regular foi a quantidade de atendimentos especializados na área da saúde que precisavam realizar. A rotina desses alunos era marcada por uma série de atividades, portanto obrigar o aluno a frequentar a sala de recursos multifuncional em turnos inversos poderia prejudicar a adesão ao ensino especializado. Entretanto, ao retirar o aluno com seqüela de mielomeningocele da sala de aula interferia-se no processo de ensino e aprendizagem.

Um fato demonstrado por meio dos dados da entrevista foi que quando os horários do atendimento especializado e do ensino regular eram os mesmos, o contato entre os professores era bem freqüente, eles trocavam informações sobre o aluno e interagiam quase que diariamente.

Já na outra situação quando o atendimento ocorria em turnos inversos o contato entre os professores ficava dificultado, nesse caso a comunicação entre eles não acontecia. O meio de transmissão das informações era feito por meio da coordenadoria, pois a professora da Educação Especial não participava das reuniões de HTP na escola, porque desenvolviam ações em outras escolas. No entanto no discurso da professora do ensino regular ficava evidente que essa troca de informações não acontecia, pois a educadora disse que desconhecia o trabalho desenvolvido na sala de recurso.

Mendes (1994) apud Vale e Guedes (2003) discute que ao observar o perfil desejado para os professores, nem mesmo um super homem ou uma super mulher daria conta de atender sozinho as competências das atuais diretrizes educacionais. Entretanto com a inclusão do aluno com Necessidades Educacionais Especiais no contexto regular, houve a necessidade de que ambos, professores especializados e do ensino regular estivessem integrados a fim de que todos os alunos pudessem aprender.

Assim essa integração entre professor do ensino regular e sala de recurso é uma boa iniciativa para solucionar possíveis dificuldades que possam aparecer. Entretanto como visto anteriormente não era suficiente para que houvesse a implementação de

recursos de tecnologia assistiva. O desenvolvimento de tal ação exige que o professor seja auxiliado por uma equipe interdisciplinar.

Para Chesania et al (2007) e Pelosi (2008) a importância em inserir uma equipe interdisciplinar nas escolas inclusivas, não está somente no fato de incluir novos alunos na escola de ensino regular, mas de buscar novos procedimentos e repensar a formação dos educadores. Assim tais profissionais podem contribuir para avaliar em conjunto com os profissionais da escola as possibilidades a fim de propor a implementação de recursos tecnológicos assistivos.

Mendes (2006) discute que uma forma de se efetivar a interdisciplinaridade no contexto escolar é a consultoria colaborativa, ela se mostra como uma boa proposta para capacitar os professores a fim de implementar transformações na forma de atuar, contemplando os aspectos preconizados na política de formação de professores no Brasil. A consultoria colaborativa é um suporte realizado com os profissionais especialistas (da área da saúde e educação) e professores a fim de que possam trabalhar juntos com objetivos comuns, compartilhando recursos e responsabilidades. Na parceria realizada entre os profissionais para o ensino colaborativo há uma ênfase no papel igualitário do pesquisador e professor na contribuição para resolução do problema. (KAMPWIRTH, 2003).

Dessa forma essa parceria poderia favorecer a implementação real das políticas públicas favorecendo tanto o desenvolvimento do professor a partir do processo de capacitação, quanto a inclusão efetiva do aluno no contexto escolar.

Categoria 14-Formação profissional dos professores da sala de recurso