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SEQÜELAS DE MIELOMENINGOCELE.

O Quadro 26 apresentou as semelhanças e diferenças entre a opinião dos professores ao identificar o perfil de desempenho escolar dos alunos. Portanto este quadro tem o intuito de apresentar concordâncias e discordâncias entre a visão dos professores da sala regular, da sala de recursos e observador quanto aos alunos com sequelas de mielomeningocele.

Quadro 21- Perfil de semelhanças e diferenças atribuídas pelos professores na construção do desempenho escolar apresentado por C1, C2, C3 e C4

Áreas de Desenvolvimento Comparações das mensurações C1 Comparações das mensurações C2 Comparações das mensurações C3 Comparação das mensurações C4 Controle Vesico Esfincteriano SRg 1 SRc 3 Obs - SRg 1 SRc 1 Obs - SRg 1 E.F 1 Obs - SRg 1 E.F 1 Obs - Locomoção 6 5 6 4 5 6 3 5 7 7 7 7 Compreensão de Ordem Complexa 2 4 4 2 4 5 7 7 6 7 6 6

Coordenação Motora Fina 2 5 5 3 4 3 7 7 6 7 7 7

Comunicação 2 3 6 2 3 6 7 7 7 7 6 7 Coordenação Motora Global 2 5 5 4 3 5 7 7 6 7 6 7 Compreensão de Ordem Simples 2 6 5 2 6 6 7 7 6 7 7 7

Interação com o Professor 5 6 - 3 5 - 7 7 - 7 7 -

Interação com os Funcionários da Escola

5 6 - 1 5 - 7 7 - 7 7 -

Visão 4 5 - 6 6 - 7 7 - 7 7 -

Interação com os Amigos 6 6 - 6 6 - 7 7 - 7 7 -

A partir do Quadro 21 observou-se que quando os professores responderam a EPP- MIELO a maioria das opiniões entre eles foram igual, mas elas passaram a ser diferentes com a presença da pontuação dada pelo observador. Existiu uma divergência maior notada entre as notas do professor da sala regular e pesquisador.

Notou-se que o perfil de cada aluno influenciava na forma pela qual o professor observava o aluno e preenchia a EPP-MIELO. No caso de C1 e C2 como as sequelas físicas eram aparentemente visíveis, os professores sempre atribuíam notas menores do que esperado sobre o desempenho escolar do aluno.

Tornou-se perceptível que havia então uma tendência dos professores de ver o aluno a partir de seu comprometimento não favorecendo a visão sobre suas potencialidades. Para Smeha e Ferreira (2008) muitos professores têm a idéia construída de que os alunos com Necessidades Educacionais Especiais não vão atender as expectativas, devido a uma ideologia marcada historicamente por grandes períodos de exclusão.

Apesar dessa tendência em evidenciar somente as necessidades dos alunos, os professores da sala de recurso conseguiam ter uma maior sensibilidade para observar o desempenho do aluno no contexto escolar. Tal fato pode ser decorrente do próprio processo de formação deste professor, pois ele possui maiores conhecimentos sobre a educação especial.

No caso dos alunos C3 e C4, a visão sobre as áreas de desenvolvimento foi diferente, pois o desempenho desses alunos era mais próximo ao de seus colegas. Neste caso, os professores não identificavam os comprometimentos sutis que os alunos apresentavam. Tal fato corroborava para que o aluno fosse pontuado com escores mais altos, assim os professores não conseguiam identificar comprometimentos que poderiam interferir no processo de ensino aprendizagem do aluno.

Para Castro e Freitas (2004) a representação que o professor faz de seu aluno é responsável por definir as relações entre eles. A forma como o professor observa as Necessidades Educacionais Especiais do seu aluno está intimamente ligada a sua prática e ela dará sentido às experiências a serem vivenciadas.

Portanto as duas tendências observadas poderiam interferir nas práticas pedagógicas desse professor. No caso de C1 e C2, uma postura protetora e de identificação apenas dos déficits poderia influenciar as ações dos professores de forma a não estimular as capacidades do aluno. Já no caso de C3 e C4, as ações dos professores poderiam

impedir o atendimento das necessidades dos alunos essenciais para o processo de aprendizagem.

A falta de conhecimento do professor sobre a própria patologia apresentada pelo aluno foi um fator que pode ter interferido na visão do seu desempenho escolar, porque geralmente o professor sente-se despreparado para lidar com as situações voltadas para inclusão escolar. Neste sentido Smeha e Ferreira (2008) colocam que se o ambiente escolar oferece condições desfavoráveis o professor pode sofrer com o processo de inclusão escolar e torna-se convencido de que pouco pode fazer para reverter a situação, tal fato influencia o desenvolvimento da relação entre professor e aluno e a sua forma de atuar.

Por meio da utilização da EPP-MIELO foi possível verificar que a forma com que o professor percebia o seu aluno em sala de aula influenciava o preenchimento da EPP- MIELO. Com a presença da nota atribuída pelo pesquisador tornou-se possível identificar as semelhanças e diferenças na visão dos professores.

A partir dessa ação notou-se que os professores apresentaram dificuldades no processo de discriminação das sequelas dos alunos com mielomeningocele e ainda desconheciam de que maneira elas interferiam no processo de inclusão escolar. Dessa forma a EPP-MIELO mostrou-se um instrumento de avaliação que permitiu não só a detecção do perfil do aluno, mas também das dificuldades apresentadas pelos professores ao observarem as reais necessidades apresentadas por eles no contexto escolar.

Pelosi (2008) discutiu que para realizar mudanças em suas ações, os professores precisam refletir sobre suas práticas, assim o conhecimento acadêmico e teórico necessita tratar de conhecimentos ligados efetivamente a sua prática cotidiana. Capellini e Mendes (2004) desenvolveram um estudo no interior do Estado de São Paulo, no qual os professores elaboravam planos de ação para realizarem em suas classes articulando teoria e prática através do modelo de ação-reflexão-ação. Como resultado os professores afirmaram ter modificado sua prática na sala de aula.

Tanto os dados da literatura citada acima, como os dados dessa pesquisa revelam que muitas vezes os professores não percebem o ambiente escolar dos quais vivenciam e precisam de momentos de sensibilização para compreender seu trabalho. Assim sugere-se que a EPP-MIELO também possa ser um instrumento que se utilizado para momentos de reflexão auxiliaria os professores no processo de inclusão escolar.

Porque para professor é essencial identificar e compreender o desempenho de seus alunos conhecendo quais são suas características, pois é o primeiro passo para reconhecer de que maneira atuar. No entanto como discutido anteriormente eles precisam ter acesso a conhecimentos mais práticos, de forma a compreender como as sequelas apresentadas interferem no processo de inclusão escolar do aluno. Para então estabelecer ações a fim de atender as Necessidades Especiais desses alunos, definindo objetivos a serem trabalhados. (BERSH, 2006).

4.6-COMPARAÇÃO DO PERFIL DE DESEMPENHO ESCOLAR