Segundo Altman (1968) a análise de demonstrações e a utilização de indicadores propiciam as avaliações do patrimônio da empresa e das decisões tomadas, tanto em relação ao passado – retratado nas demonstrações financeiras – como em relação ao futuro – espelhado no orçamento financeiro. Constituí-se uma ferramenta poderosa a disposição das pessoas físicas e jurídicas relacionadas à empresa, como acionistas, dirigentes, bancos, fornecedores, clientes e outros. O uso de quocientes tem como finalidade principal permitir ao analista extrair tendências e comparar os quocientes com padrões preestabelecidos. A finalidade da análise é mais do que retratar o que aconteceu no passado, fornecer algumas bases para inferir o que poderá acontecer no futuro.
As demonstrações financeiras são o local onde os analistas financeiros coletarão os dados e os transformarão em informações relevantes para sua tomada de decisão, tais como analisar e modificar a situação financeira e econômica da empresa, o desempenho, a eficiência na utilização dos recursos, os pontos fortes e fracos, as tendências e perspectivas, a evidência de erros da administração, as providências que deveriam ser tomadas e não foram, etc. Os investidores utilizam-se de indicadores para realizar
análises para investimentos em ações, levando-se em conta principalmente os indicadores que refletem a rentabilidade, liquidez, volatilidade e preços das ações. (FRENCH, SCHWERT e STAMBAUGH, 1987).
Os indicadores partem da idéia de comparação de magnitudes. Seu fundamento refere- se a que os dados isolados, que por si só representam alguma informação, adquirem, freqüentemente, uma informação financeira ainda maior quando são combinados em um coeficiente. Assim, a razão ou relação entre duas magnitudes pode ser feita de duas maneiras: a) razão aritmética ou por diferença que consiste em demonstrar o quanto uma magnitude excede à outra e b) razão geométrica ou por coeficiente que demonstra quantas vezes uma magnitude contém a outra. (LAUZEL E CIBERT, 1989)
Lauzel e Cibert (1989) indicam que ao se considerar que a empresa é um quadro permanentemente mutável de situações e informações, as quais são necessárias para promover e orientar as ações da empresa, os indicadores seriam a ferramenta necessária para este fim.
Portanto, a metodologia dos indicadores utiliza-se das razões geométricas ou por coeficiente, e um de seus fundamentos teóricos consiste em eleger relações racionais entre magnitudes significativas, porque os indicadores não são elementos dispersos de informação. A ligação entre as magnitudes envolvidas deve fazer dos indicadores um conjunto coerente, e as projeções desta coesão são úteis para a realização de algumas mensurações financeiras importantes para a direção da empresa.
Com relação ao conceito de indicadores (também chamados de índices ou quocientes), Guimarães et al (2003, p.6) convencionaram que indicador é “elemento que indica certa condição, característica, atributo ou medida numérica que, ao registrar, compilar e analisar facilita que conceitos mais complexos se tornem mensurável”.
Segundo Platt Neto (2002), o uso de indicadores, tem a finalidade de facilitar a compreensão de aspectos econômicos e financeiros da entidade sob estudo, constituindo-se num instrumento muito utilizado para a análise de empresas, mas que também é perfeitamente adequado para o setor público, embora esteja sendo subaproveitado em tal setor.
Matarazzo (2003, p.147) apresenta a definição de indicador. São palavras do autor: “indicador é a relação entre contas ou grupos de contas das Demonstrações Financeiras,
que visa evidenciar determinado aspecto da situação econômica ou financeira de uma empresa”.
Percebe-se então que a utilização de razões financeiras, também conhecidas como índices ou indicadores, representa a base tradicional da análise e interpretação das demonstrações financeiras. Esta técnica propõe o uso destes coeficientes para a avaliação da situação de evolução, tanto financeira como econômica, da empresa.
Historicamente, a aplicação prática dos indicadores (razões e proporções) se deve aos matemáticos italianos do renascimento, especialmente a Lucas de Paccioli (1440-1515), criador do método das partidas dobradas e pioneiras no desenvolvimento das técnicas contábeis. Porém, os primeiros estudos referentes à utilização de indicadores financeiros, mesmo que de forma ainda embrionária, foram feitos somente em 1919, com Alexander Wall. Ainda que em 1908 um indicador de liquidez houvesse sido utilizado como medida de valor de crédito e citado na literatura especializada por Williams M. Rosendale, do Departamento de Crédito na revista Bankers Magazine (GREMILLET, 1989). Mas, como aponta Gremillet (1989), foram os banqueiros norte- americanos quem os utilizaram originalmente como técnica de gestão, sobre a direção de Alexander Wall, diretor financeiro de Federal Reserve Board (o Banco Central dos Estados Unidos). Assim, o início da análise de balanços reporta o final do século XIX, como uma tentativa de os banqueiros norte-americanos avaliar a situação financeira de liquidez das empresas antes da realização de um empréstimo.
Em 1915 O Federal Reseave Board obrigou as empresas que quisessem redescontar seus títulos de apresentarem seus Balanços Patrimoniais, o que consagrou a utilização de demonstrações financeiras para concessão de crédito, e a partir de então ganhou aceitação da dos banqueiros e empresas. Depois da depressão de 1929, a análise financeira, levada a cabo pelos banqueiros se desenvolveu utilizando fundamentalmente os indicadores (GREMILLET, 1989).
Com o passar do tempo, as empresas, e conseqüentemente, a administração financeira foram se tornando mais complexas e os usuários das informações precisavam de novos indicadores para avaliar a empresa nesse novo ambiente, surgindo assim indicadores dos mais variados (LOPES DE SÁ, 1981). Na próxima seção deste capítulo serão apresentados os principais grupos e indicadores utilizados em análises financeiras.
Sob o mesmo ponto Westwick (1987) destaca que é importante interpretar cada indicador comparando-o com: 1) indicadores anteriores da mesma empresa; 2) indicadores-padrões estabelecidos pelas demais empresas concorrentes; 3) indicadores das melhores e piores empresas do mesmo setor. Esta comparação permite determinar se seu nível é satisfatório ou não.
No entanto, como aponta Mares (2006) os indicadores apesar de serem instrumentos de uso freqüente, cuja correta utilização permite resolver aspectos concretos para a tomada de decisões financeiras, possuem uma capacidade limitada para quantificar de forma eficiente o êxito ou fracasso de uma empresa.
Neste contexto é importante relatar que é insignificante considerar um indicador por si só isoladamente, para entender todo o contexto pelo qual se passa a empresa. Além do mais, todos eles devem ser comparados com um padrão para determinar se seu nível é satisfatório ou não. Para obter tal padrão é necessário selecionar primeiro os indicadores e definir quais são seus objetivos (WESTRICK, 1987). Por outro lado, a utilização de indicadores deve estar baseada em um conhecimento suficiente sobre sua própria natureza e a significação das relações que expressam para poder extrair uma conclusão interessante. Por isso deve ser evitado de dividir magnitudes entre as quais não é previamente estabelecido o significado do que representa seu coeficiente, pois os indicadores são “relações racionais”, como afirmam Lauzel e Cibert (1989).