6. L’ANALYSE EXTERNE:
6.5. L ES CLIENTS :
6.5.2. Les tendances :
Até o início da década de 1960, a disciplina na escola sempre foi muito rígida. Até esse período houve duas diretoras bastante tradicionais que imprimiam uma educação muito disciplinadora. A disciplina com os alunos era cobrada por meio das seguintes normas: um bom comportamento, pontualidade quanto à entrega dos deveres escolares e horário de aulas, fardamento sempre limpo, uma boa higiene pessoal, respeito e obediência à professora/diretora. Os alunos tinham horário para tudo. Os que infringissem essas normas sofriam castigos leves ou pesados, dependendo do grau de infração. Os castigos aplicados eram: cantar o Hino Nacional sozinho se chegasse atrasado, conversar com a diretora durante um tempo, chamar o pai ou a mãe à escola, fazer o dever de casa atrasado durante o recreio, repetir várias vezes no caderno o que não deveria ter feito. Sobre esse último castigo, observe o que disse esse ex-aluno: “[...] passavam algum castigo também de fazer... Digamos: você vai trazer tantas cópias disso aqui pra mim. Quer dizer; era um castigo. Já pensou a gente fazer... Um horror de copia além dos estudos a gente ter que fazer isso?” (A2).
Hoje não existe mais na escola pública o respeito existente como naquela época. As professoras atualmente encontram muitas dificuldades para ministrar suas aulas em razão da indisciplina dos alunos. A esse respeito, observe o que conta uma professora entrevistada que esteve na escola Monsenhor Catão até o final dos anos 1970
[...] Quando eu saí de lá já estava horrível. Porque hoje, quando eu me encontro com as professoras novatas, elas dizem assim: - bom era seu tempo que os alunos eram obedientes. E hoje? Só é muito trabalho. Danados que só. Mas no meu tempo era bom mesmo. Era; com certeza (P2).
Segundo uma diretora entrevistada, a indisciplina hoje na escola deve-se em parte ao momento atual. Os professores não conseguem manter uma disciplina na sala de aula porque
[...] a escola de hoje em dia é completamente diferente daquela época. Tem as suas vantagens e as suas desvantagens. Porque naquela época era só obediência. Aluno não tinha vez. E agora não. Os alunos têm toda liberdade. Também a liberdade é tão grande que hoje as crianças não obedecem mais nem os pais. (D2)
Daí se conclui que a Pós-Modernidade trouxe para a sociedade atual outros valores que substituíram aqueles da obediência e do respeito existentes outrora na escola. Segundo as professoras e diretoras entrevistadas, isso também produziu conseqüências negativas para o aprendizado do aluno. O professor se angustia diante de tantos alunos com os mais diversos problemas familiares.
Era muito raro suspender um aluno na escola. Em alguns casos, quando o estudante cometia um ato mais grave, chamava-se o pai ou a mãe; “[...] era o máximo que podia fazer. Não tinha suspensão. Eu acho horrível. Se a criança é suspensa ela perde aula, se atrasa.” (D3). As professoras tradicionais eram mais rigorosas nos castigos. Já as menos tradicionais aplicavam castigos mais leves, entretanto, por ser uma época de mais respeito, geralmente não era necessário aplicar castigos porque
[...] havia bem mais comportamento [...] as criaturas ouviam mais as aulas, prestavam mais atenção, tinham mais interesse em subir na vida. Mas naquela época eu acho mesmo que havia assim responsabilidade, que eles queriam melhorar. [...] Sabiam que era preciso que a gente tivesse responsabilidade para poder crescer na vida. (D2)
Na visão dos alunos, a disciplina na escola era muito rigorosa. Eles falaram que não existia um relacionamento entre eles e a diretora na escola. Essa disciplina se refletia no grau de relacionamento entre eles. O que havia era um certo relacionamento com a professora. E mesmo esse era de muita cordialidade e respeito. Naquele tempo,
[...] não tinha aquele diálogo aberto entre a diretora e o aluno. Ela sempre aparecia pra dar as ordens. Por exemplo, o aluno não discutia com o diretor. Pra dizer assim: - ah, eu penso desse jeito. Não, tinha que pensar do jeito que ela tava mandando e pronto, acabou. (A4)
Ainda com relação à rigidez, um ex-aluno afirmou que, a escola “[...] não era mole, não. Não podia desrespeitar a professora de maneira nenhuma. Elas partiam em cima mesmo era com [...]. Quem não fizesse... era assim” (A2).
Diretoras, professoras e alunos foram unânimes em afirmar que o uso da farda era obrigatório na escola. Se o aluno fosse sem farda, as professoras mandavam-no para a Diretoria. Lá a diretora conversava e algumas vezes permitia que o aluno ficasse só aquele dia
sem a farda, mas “[...] era exigente. Tinha que ir fardado. Se não fosse era punido. Podia ficar ali aquela aula; o restante daquela aula pra não perder.” (P3).
O modelo da farda mudou à medida que a escola mudou também sua denominação. Quando a escola passou para Grupo Escolar de Itapajé, a farda era assim: as meninas usavam uma saia de pregas azuis com uma blusa branca de mangas curtas. Os meninos usavam calças e uma camisa no tom cáqui. Os sapatos eram pretos. Nessa época, a escola era muito tradicional, e “[...] os alunos sabiam que se não fossem com a farda voltavam.” (D2). Segundo as professoras e diretoras, o uso da farda era obrigatório porque identificava o aluno. A foto abaixo mostra um modelo das primeiras fardas.
Modelo de farda dos alunos quando a escola era Grupo Escolar de Itapajé Fonte: foto pertencente a uma das diretoras entrevistadas
O fardamento escolar tem origem no exército. As escolas mais tradicionais brasileiras passaram a adotar o fardamento entre as décadas de 1920 e 1930. Os uniformes representam a imagem da escola. Entre os anos 1940 e 1970, “[...] o uniforme de uma instituição conceituada era um símbolo de aceitação social, sendo o sonho de muitos alunos e pais.” (BRASIL ESCOLA, 2008).
Outra exigência da escola era com relação à higiene pessoal. Antes de a aula começar, os alunos eram rigorosamente vistoriados. As professoras e diretoras observavam se a farda estava limpa e passada; os sapatos também. Cabelos limpos e penteados. Além da obrigatoriedade do uso da farda, a higiene pessoal também era cobrada dos alunos. É o que se depreende da fala desse ex-aluno:
[...] os alunos eram rigorosamente fardados. A calça era de cáqui com a listra azul de lado e a camisa era branca com um emblema diagonal com o nome dentro: Grupo Escolar Monsenhor Catão; bordado. E o aluno era obrigado a ir penteado, banhado... Salutarmente vestido, limpo, tudo. (A3)
Mesmo com uma disciplina rígida, porém, os alunos foram unânimes em afirmar que gostavam muito da escola na época em que estudaram lá. Eles guardam boas lembranças e se lembram de tudo com muitas saudades. Os fatos de que eles mais se lembram são: os momentos de brincadeiras durante o recreio, as professoras que marcaram suas vidas, o ambiente salutar com colegas e professores. Embora não houvesse um espaço apropriado para brincadeiras, os alunos gostavam muito do recreio e do clima de coleguismo. Confira nesse relato
[...] Muito, muito. Pagava pra ir à escola. Ah, como gostava! O ambiente era gostoso. Não tinha... Por exemplo, nós não tínhamos quadra. Nós não tínhamos um local onde se praticasse esporte. Sabe aonde a gente jogava bola? Em frente o colégio, na estrada. Carro naquele tempo passava pouco. Os animais passando... A gente esperava que o comboio passasse e aí botava lá uma trave no campo e outra aqui. E a bola era uma bolinha de borracha desse tamanho aqui. Pequenininha; um pouco maior do que uma bola de bilhar, de sinuca. E a gente jogava. Aquilo era uma festa. (A4)
Um fato interessante é relatado por uma ex-aluna, quando disse que uma das coisas de que os alunos mais gostavam na escola era da quadra. Isso foi por volta dos anos 1970, quando a escola já tinha quadra. Nessa época, já havia aulas de Educação Física na escola. Observe em seu relato: “[...] eu adorava quando ia pra quadra porque a gente brincava, corria. [...] Tinha educação física. [...] Eu não lembro... Acho que era uma vez na semana, duas vezes... E a gente gostava muito de ir para a quadra.” (A5). Embora precária e sem cobertura, os alunos afirmaram que esse era um espaço de muito lazer para eles.
Outro fator lembrado pelos alunos refere-se aos laços de amizades construídos durante o tempo da escola primária, amizades que ainda hoje permanecem. Alguns desses alunos moram hoje em Fortaleza e outros em Itapajé, mas, quando eles se encontram, é uma festa.