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Tenarinstitusjonen i vekst og fall

3.  Tenestefolk

3.4  Tenarinstitusjonen i vekst og fall

não foi efetivamente proposta pelos autores hoje. A esse propósito, vejamos algumas breves postulações e análises existentes sobre as cadeias referenciais, na perspectiva da referenciação, de um modo geral.

2.2.1 A noção clássica das cadeias referenciais na referenciação: a designação de referentes

Sob os pressupostos da referenciação, algumas noções de cadeia foram adotadas por alguns autores, os quais falam apenas de modo breve sobre o fenômeno, numa visão mais voltada à menção dos termos referenciais. Abordaremos aqui algumas facetas sob as quais o fenômeno foi analisado.

Em Marcuschi (2001), por exemplo, o autor aborda, rapidamente, o conceito de “cadeias referenciais” com o papel de sequenciar estados de coisas e entidades, de modo que

quase sempre se desenvolvem cadeias lacunosas, exigindo conhecimentos comuns, partilhados, situativos para preenchimento destes espaços no texto e, por conta disso, o autor acentua o papel das anáforas indiretas enquanto estratégia sistemática de suprir lacunas lexicais (abordaremos as anáforas indiretas no item que trata dos processos referenciais segundo Cavalcante (2011, 2012) e Cavalcante, Custódio Filho e Brito (2014)). E novamente o autor menciona as cadeias, em Marcuschi (2008), ao analisar a relação entre referenciação e coerência, considerando que um texto se constrói e progride com base nos processos de progressão referencial e tópica. Progressão referencial diz respeito à introdução, identificação, preservação, continuidade e retomada de referentes textuais, correspondendo às estratégias de designação de referentes e formando o que o autor denomina de cadeia referencial. Já a progressão tópica corresponde ao(s) assunto(s) ou tópico(s) discursivo(s) tratado(s) ao longo do texto. O autor relaciona os dois tipos de progressão ao dizer que ambos não são independentes entre si, porém não são biunívocos, apenas co-determinados. Desta maneira, a continuidade referencial, na qual se formam as cadeias, serve de base para o desenvolvimento de um tópico para a construção de um texto coerente. Porém, tal relação não se dá de modo recíproco. Ou seja, a constituição do tópico significa tão-somente as condições possibilitadoras e preservadoras da continuidade referencial, mas não a garante. Na verdade, a progressão referencial se dá mediante uma complexa relação entre linguagem, mundo e pensamento, nas múltiplas realizações do discurso.

Vejamos o que diz Cavalcante (2011, p. 59) sobre a confecção dos referentes no texto, na construção de cadeias ou elos referenciais sob o prisma da referenciação, dando um importante passo rumo a uma noção mais cognitiva desse processo:

Essa tessitura de elos interligados, coesos, que não se costuram exclusivamente pelo que está explícito no cotexto, senão também pelo que se encontra implícito na memória discursiva5 e que se descobre por inferências, é a condição básica para que uma unidade de coerência se forme na mente de enunciadores e coenunciadores.

Por sua vez, Koch e Elias (2010) apontam que, quando são formadas as cadeias anafóricas ou referenciais pela remissão seguida a um mesmo referente, ou a elementos estreitamente ligados a ele, tal movimento de retroação constitui um “princípio de construção textual”, já que praticamente todos os textos possuem uma ou mais cadeias referenciais.

5 Por memória discursiva se quer dizer “um conjunto de representações que os interlocutores constroem de si mesmos, dos temas, de conhecimentos socioculturais compartilhados, de suas finalidades argumentativas quando interagem por meio de um texto”. (CAVALCANTE, CUSTÓDIO FILHO E BRITO, 2014, p. 153)

Segundo Koch e Elias (2010), os elementos constituintes destas cadeias são responsáveis por efetuar uma série de funções importantes para a construção dos sentidos textuais, como a recategorização, a qual vai acrescentando ou alterando características e propriedades dos referentes. Com isso, durante o desenvolvimento textual, um mesmo referente pode ser recategorizado de diversas maneiras, por meio de traços diferentes que lhe vão sendo atribuídos, cada um revelando uma face diferente do mesmo objeto. Logo, afirmam as autoras que este é um meio poderoso para estabelecer a orientação argumentativa do texto.

Por outro lado, a propriedade flexível da tessitura referencial aos gêneros e sequências que os constituem encontra respaldo na obra das autoras que, mesmo de modo sintético, relacionam as cadeias aos elementos constituintes das sequências textuais6, de maneira a declarar que, na sequência narrativa, cada cadeia será formada em torno dos elementos tempo, espaço, protagonista, antagonista e elementos ligados aos personagens, ao passo que, nas demais sequências, haverá pelo menos uma cadeia ligada ao referente central tratado no texto. Não obstante isso, essas autoras não descrevem, sistematicamente, como estas teias de referência se desenvolvem, e muito menos como acontecem em associação com a progressão (recategorização) textual.

Já Roncarati (2010), ao analisar uma variedade de textos orais e escritos, alega, sob bases empíricas, que os formatos das cadeias, bem como as estratégias de referenciação as quais as conformam, tendem a se adaptar aos mais diversos gêneros e sequências textuais em que se inserem. A autora, apesar de contemplar as recategorizações flagradas no movimento das interconexões referenciais, só as considera sob a condição de homologarem, ao final da cadeia, as predicações e atributos imputados ao referente no prolongamento do texto. A mesma autora propõe uma classificação e distribuição das cadeias, que acompanharemos mais de perto, no capítulo 3.

Em perspectiva funcionalista e discursivo-textual da gramática, a dissertação da pesquisadora Sousa (2013) demonstra as evidências em torno da influência das sequências textuais narrativa, descritiva e argumentativa, sobre os tipos de cadeias de referentes, na composição do gênero romance literário. Da mesma forma que a obra de Roncarati (2010), Sousa (2013) se situa numa tênue fronteira entre os estudos de coesão e os de referenciação, pois se utiliza da abordagem coesiva de Halliday e Hasan (1976), além de se apoiar,

6 Jean-Michel Adam (2011), autor que originou a conceituação de “sequências textuais”, define-as como um dos mecanismos de textualização, que consiste num conjunto de proposições cognitivamente estabilizadas enquanto recurso composicional que atravessa todos os gêneros. São elas, a saber: a sequência narrativa, a descritiva, a argumentativa, a explicativa, a dialogal e a injuntiva; porém esta última foi excluída pelo autor.

simultaneamente, em obras sob o prisma da referenciação, como a de Marcuschi (2007; 2008), Koch e Elias (2012), Cavalcante (2003) e Roncarati (2010). Em sua pesquisa, Sousa (2013) analisa os preenchimentos formais (sintagma nominal, pronome, zero Ø) operados na referenciação e sua relação com os modos de introdução e de manutenção dos objetos de discurso, observando também os casos de recategorização nestes moldes. Então, na sequência narrativa, observou-se o modo de referência e identificação das personagens. Na sequência descritiva, o foco se deu sobre a construção dos elementos espaciais das cenas descritas; quanto à sequência argumentativa, observou-se os elementos usados na construção do ponto de vista do enunciador.

Enfim, de certa forma, esses conceitos e análises representam avanços, na medida em que uns se movem em direção a aspectos mais cognitivos, como em Marcuschi (2008) e Cavalcante (2011), enquanto outros tendem a reforçar os pressupostos concernentes aos condicionamentos genéricos sobre a montagem das teias referenciais, tais como as obras de Roncarati (2010), Koch e Elias (2010) e Sousa (2013). Porém, a nosso ver, falta-lhes um novo tratamento teórico-metodológico que abarque esses aspectos, pois ainda se pautam, geralmente, na concepção de cadeias como uma estratégia de designação de referentes. Esta noção, por sua vez, influenciou a própria ideia acerca da recategorização, tradicionalmente enfocada como uma estratégia lexical de designação alternativa de um mesmo referente ao longo de um texto (tal como visto em (3)).

Eis a razão por que, nesta tese, rediscutimos as teorizações tradicionais acerca das “cadeias”, dando-lhe uma nova roupagem de acordo com a evolução epistemológica da referenciação, o que não tem sido ainda feito, satisfatoriamente, pelos pesquisadores. Para tanto, no conteúdo subsequente deste trabalho, retrataremos as propostas de classificação e análise de cadeias em vários pesquisadores, que vão desde propostas de tipo formalista até a que mescla fundamentos léxico-semânticos à sociocognição.

3 REVENDO AS PROPOSTAS DE CLASSIFICAÇÃO E DE ANÁLISE DAS