2.2 Generell analyse
2.2.2 Tematikk
O complexo eletrônico possui uma base tecnológica genérica que dificulta a sua segmentação. Ainda assim, pode-se segmentá-lo em quatro grandes grupos de empresas: eletrônica de consumo, informática, automação industrial e comercial e telecomunicações.
A tecnologia desenvolvida num segmento pode modificar as tecnologias do próprio segmento e dos demais, caracterizando trajetórias tecnológicas combinadas, articuladas e dependentes. O relatório da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) de 2004 observa uma disputa por preços bem acirrada, num contexto que apresenta tendência à redução de preços e volume crescente de produção. No cenário internacional as empresas gastam, em média, 7% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. É um setor onde o ciclo de vida dos produtos é extremamente curto em função do ritmo da inovação tecnológica, agravado pela ação de empresas imitadoras que oferecem produtos com inovação incremental. Dificilmente um país consegue manter a liderança em todos os segmentos (FIEMG, 2004).
As aglomerações produtivas ligadas a este setor têm crescido em número e resultaram na criação de vários parques tecnológicos, havendo no mínimo 81 parques nos Estados Unidos, 64 na China, 23 na Finlândia e 25 na Espanha (FIEMG, 2007).
De um modo geral, as pessoas empregadas neste setor possuem um elevado nível de qualificação. Além da contratação direta, o setor apresenta acordos de cooperação, contratação de serviços e de laboratórios de terceiros e parcerias com instituições de ensino. Outra característica são as relações intensas entre contratada e contratante e associações temporárias para desenvolvimento tecnológico (FIEMG, 2004).
O complexo eletrônico brasileiro reflete as características existentes no cenário internacional. É um setor internacionalizado com a presença de todas as empresas que atuam no mercado mundial. Estas empresas demandam poucos insumos produzidos nacionalmente. A produção de componentes, partes e peças é pouco desenvolvida, sendo significativa a importação dos mesmos.
O setor é abordado nos três eixos da Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior – PITCE103, que estabelece as diretrizes de ações e incentivos do
103
A PITCE “consiste em um plano de ação do Governo Federal que tem como objetivo o aumento da eficiência da estrutura produtiva, aumento da capacidade de inovação das empresas brasileiras e expansão das exportações. Esta é a base para uma maior inserção do país no comércio internacional, estimulando os setores onde o Brasil tem maior capacidade ou necessidade de desenvolver vantagens
143
Governo Federal. No seu primeiro eixo são estabelecidos instrumentos para o fortalecimento do setor industrial, especialmente no que se refere ao fomento à inovação e ao desenvolvimento tecnológico. No seu segundo eixo são estabelecidas opções estratégicas para apoio. É aí que se inscrevem iniciativas como a da inauguração, em 2010, da primeira fábrica de semicondutores do Brasil, o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica (Ceitec S.A.), em Porto Alegre. No seu terceiro eixo aparecem as atividades portadoras de futuro, ou seja, capazes de transformar produtos, processos e de produzir impacto sobre o modo de vida. Algumas dessas atividades, como a nanotecnologia, tem uma grande proximidade com a eletrônica (FIEMG, 2007).
No caso brasileiro, as empresas deste setor concentram-se principalmente na Região Metropolitana de São Paulo e nas cidades mais próximas. A presença das empresas mineiras no setor é considerada marginal, apesar de Santa Rita do Sapucaí pertencer ao conjunto de municípios com maior concentração relativa de atividades no complexo eletrônico (TAB. 2) (FIEMG,2004). Mas, como se pode observar, em valores absolutos o município encontra-se bem distante dos demais municípios que abrigam firmas do complexo eletrônico. No escopo desta pesquisa não será analisado o desempenho econômico do APLS.
TABELA 2 - Clusters do complexo eletrônico (2000)
Município Renda per capita (R$) População PIB (R$ milhões)
Barueri (SP) 494 208.281 103 Campinas (SP) 615 969.396 596 Curitiba (PR) 620 1.587.315 984 Diadema (SP) 292 357.064 104 Guarulhos (SP) 344 1.072.717 369 Manaus (AM) 262 1.405.835 364 Porto Alegre (RS) 710 1.360.590 966 Santa Rita do Sapucaí (MG) 315 31.264 10 São Bernardo do Campo (SP) 505 703.177 355 São José dos Campos (SP) 470 539.313 253 São Paulo (SP) 610 10.424.252 6.365
Fonte: FIEMG (2004)
competitivas, abrindo caminhos para inserção nos setores mais dinâmicos dos fluxos de troca internacionais” (MDIC, 2003)
144
No setor de eletrônica há espaço para a atuação de pequenas e médias empresas, pois
A presença de grandes firmas neste setor, determinando, por um lado, seu alto grau de concentração, constitui-se, por outro, em oportunidade para o aparecimento de pequenos fornecedores ou mesmo produtores independentes (DEMATTOS, 1990, p.83)
Há também a possibilidade de spin-offs, que ocorrem quando as pessoas deixam as firmas já existentes para criarem suas próprias empresas no mesmo segmento de atuação, ou quando novas empresas emergem a partir de grupos de pesquisa vinculados a universidades ou centros de pesquisa. A criação de empresas de alta tecnologia também é comum dar-se pela ação de pessoas ligadas à universidades ou centros de pesquisa, quando transformam o resultado de pesquisas em produtos comercializáveis (DEMATTOS, 1990). Pode haver um conjunto de pequenas empresas “cujo rápido crescimento é baseado na valorização de tecnologias de ponta que são subprodutos diretos de pesquisas científicas avançadas” (MACULAN, 2003, p.313). A pequena empresa torna-se também responsável pela difusão e inovação tecnológica, pois apesar de não investir significativamente em pesquisa, pode criar ou transformar produtos e serviços e definir novas modalidades organizacionais (MACULAN, 2003).
Na formação de um pólo tecnológico, essas pequenas empresas costumam reunir-se ao redor de uma universidade, um centro de pesquisa ou uma grande empresa, que atua como uma “organização-mãe” (DEMATTOS, 1990). Um elemento facilitador é o fato da barreira à entrada de novos concorrentes se dar pelo domínio da técnica e não do capital.
Um elemento recente que tem se revelado importante na formação de um ambiente favorável ao desenvolvimento do empreendedorismo e ao processo de aprendizado das pequenas empresas de base tecnológica é o surgimento das incubadoras de empresas (MACULAN, 2003). Incubadoras de empresas são
ambientes dotados de capacidade técnica, gerencial, administrativa e infra-estrutura para amparar o pequeno empreendedor. Elas disponibilizam espaço apropriado e condições efetivas para abrigar ídéias inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso (ANPROTEC, 2009)
Nelas as empresas podem ser classificadas como empresas incubadas, ou residentes, quando estão passando pelo processo de incubação, ou empresas graduadas, quando já concluíram com êxito o processo de incubação, podendo ou não manter-se vinculad à incubadora como empresa associada (ANPROTEC, 2009). As incubadoras vêm se destacando como fomentadoras e formadoras de empreendedores. Desde o processo de criação do projeto, são oferecidas às empresas incubadas: estrutura física, equipamentos de
145
informática, móveis e utensílios, conexão com Internet, cursos profissionalizantes e apoio à gestão.
O número de empresas incubadas de base tecnológica tem crescido muito no Brasil, sendo que, em 2005, das 339 incubadoras existentes no país, 70% eram de base tecnológica. As regiões sul e sudeste concentram o maior número de incubadoras. As incubadoras aparecem em maior proporção nas cidades até 100 mil habitantes (32,18%) (ANPROTEC, 2009). A incubadora propicia vantagens para as empresas abrigadas, mas também para a economia da região, pois produz pesquisa, desenvolvimento e valor agregado. Segundo Maculan (2003), a criação das incubadoras, a partir de um processo de decisão de tipo bottom-up baseado nas condições locais, representa uma experiência original na história da industrialização brasileira.
O esforço das incubadoras, na busca de apoio político e financeiro, para estabelecer uma colaboração de longo prazo com as instituições políticas ou empresariais locais favorece a formação de uma cultura produtiva em nível regional e local (MACULAN, 2003, p.317).
A autora também registra o movimento de criação de redes de incubadoras. No caso do Estado de Minas Gerais torna-se importante citar a criação da Rede Mineira de Inovação (RMI)104, que
É uma associação, sem fins lucrativos, de Incubadoras, Parques Tecnólógicos e Tecnópolis criada para articular esforços e desenvolver ações direcionados para a obtenção e gerência de informações; captação e destinação de recursos; estruturação de programas, metodologias e mecanismos destinados a implementação, desenvolvimento e consolidação de Incubadoras, parques e de empreendimentos inovadores no Estado de Minas Gerais (RMI,2009)
A criação da RMI ocorreu no período em que o Sr. Bilac Pinto, era Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior do Governo de Minas Gerais. O atual presidente da RMI é o Coordenador do Núcleo de Empreendedorismo do INATEL. Em 2007, a RMI tinha 25 ncubadoras e 3 parques tecnológicos associados, com presença em 16 cidades mineiras (RMI, 2007).
As incubadoras atuam como elemento de intermediação entre as empresas e instituições de pesquisa ou ensino, agências de fomento, associações empresariais e agências de desenvolvimento econômico local. O mais interessente para o escopo desta pesquisa é entender que as incubadoras e as empresas incubadas ficam “no centro de redes formais e informais de informações tecnológicas, legais ou econômicas” e esta localização privilegiada favorece o estabelecimento de “um espaço de negociação com os poderes públicos locais, regionais ou nacionais” (MACULAN, 2003, p.318).