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Kapittel 4: Resultater

4.2 Tema 2: Det har vært verdifullt

Dados do entrevistado:

Nome: Major Cancelinha Local da missão: Afeganistão

Posto desempenhado na missão: Comandante de Companhia

Período em que decorreu a missão: de 15 de Fevereiro a 30 de Agosto de 2008 Data: 14/07/09

Pergunta 1 – Durante a missão que realizou, com que frequência teve de tomar decisões não programadas?

Resposta: No Afeganistão era quase diariamente. Existiam tarefas que estavam

programadas de acordo com o que estava previamente definido mas depois apareciam sempre novas tarefas em que era necessário decidir e que não estavam planeadas, isto devido também ao nível de ameaça que existia e existe no Afeganistão, como éramos a força de reserva e de intervenção tínhamos muitas vezes de dar resposta a situações que se deparavam no momento e para as quais não tínhamos planeado. O facto de muitas vezes as informações vindas de Portugal demorarem a chegar também provocava com que essas decisões não programadas acontecessem. Qualquer entidade que chegasse, nós tínhamos como função de segurança e protecção, tínhamos de os ir buscar ao Aeroporto e levá-los ao local que eles pretendessem. O facto de alguma entidade querer ir ao banco, obrigava a uma missão táctica, que era garantir uma force protection, e isso eram situações que apareciam de um dia para o outro, e era necessário planear o deslocamento e outras tarefas e devido ao tempo que não era muito não era fácil planear todas as situações e isso criava por vezes a existência de algumas situações inopinadas em que eram necessário tomar decisões inopinadas. Existia sempre um grupo em QRF sempre pronto a intervir, um grupo em patrulha e um grupo em descanso/treino que tinha instrução, treino físico. O grupo que estava em patrulha estava pronto a realizar alguma missão que estava planeada, enquanto este grupo estava a executar, o grupo que estava em QRF estava nos tacos8

pronto a apoia-lo durante o deslocamento, ou seja, quando tínhamos alguma força no

8 Tacos

– estado de prontidão em que as armas estavam nas viaturas prontas, material individual disponível e pronto a envergar incluindo a arma individual e o colete balístico, a mochila só ia dependendo da missão

terreno tínhamos 5 minutos para estar prontos a arrancar, quando estávamos só a apoiar a ISAF, tínhamos 15 para actuar.

Pergunta 2 - Quais eram os tipos de problemas inopinados que normalmente surgiam durante a missão?

Resposta: Os problemas dirigiam-se mais para o esclarecimento da situação, o que tinha

acontecido, como tinha acontecido, questões de coordenação com as unidades que íamos apoiar. O facto de a população, apesar de não ser hostil, olhava para nós com um ar de desconfiança e era necessário ganhar a sua confiança. Houve também uma situação de um ataque à força com rockets e foi necessário tomar medidas para nos proteger e combater essa situação. Ataques a colunas civis que tivemos de intervir, avaria de viaturas, encontrar explosivos improvisados, os IED´s, entre outros problemas.

Pergunta 3 – Qual era, em média, o tempo disponível que tinha para dar uma solução a um problema inopinado?

Resposta: Dependia das situações, mas como disse há bocado tínhamos pouco tempo

para intervir, logo o tempo era muito curto.

Pergunta 4 – Antes de tomar qualquer decisão, procurava ajuda ou conselhos: dos pares, ou dos superiores, ou dos inferiores hierárquicos?

Resposta: Basicamente, era sempre sozinho. Fazia a avaliação, a determinação da tarefa e

a força ia actuar. Depois para tomar decisões subsequentes, reunia o meu grupo de crise, que era o meu 2º Comandante, que podia ter acompanhado a força e assim era os meus olhos na situação, tinha também o Comandante de grupo da QRF ou alguém do grupo de patrulha, o médico e o elemento de apoio aéreo. Mas as decisões eram sempre minhas, eles davam inputs para a execução e não para a decisão.

Pergunta 5 – Se afirmativo consulta, o porquê de os consultar?

Resposta: Apoiava-me no meu grupo de crise porque estes me forneciam sempre mais

alguma informação sobre a situação e o facto de ouvir as opiniões deles permitia-me esclarecer melhor a situação. Consultava-os porque eram o grupo que eu tinha escolhido devido a estes serem eficientes e eficazes, já tinham experiência e era com quem eu tinha treinado

Pergunta 6 – No seu ponto de vista, quais eram os factores que mais o influenciavam antes de tomar uma decisão?

Resposta: Os meus objectivos eram sempre os mesmos, zero baixas e máxima segurança

da força. Esta era sempre a minha intenção para todas as decisões que eu tomasse. Os meus comandantes em todas as acções que tomassem tinham de ter presente acima de tudo, a segurança da força e durante as acções manter sempre a integridade da força. A informação, as comunicações, o treino da tropa, os meios e a imaginação para uma acção subsequente eram dos factores que eu também dava bastante importância.

Pergunta 7 – E quais os factores que menos o influenciavam na sua tomada de decisão?

Resposta: Eram os meios, porque os meios que tinha, viaturas, armamento e homens eram

os únicos meios com que eu podia contar. Apesar de tentar planear os meios aéreos quando intervia, isso raramente acontecia porque os meios aéreos só interviam quando era declarado tropa em contacto.

Pergunta 8 – Quando tinha de tomar uma decisão, optava por ser só você a decidir, ou recolhia opiniões e só depois decidia, ou reunia um grupo de indivíduos e em grupo tomavam a decisão?

Resposta: As decisões, eram sempre eu que as tomava, porque de acordo com o nível de

ameaça, a responsabilidade caí sempre sobre o comandante que era eu. Claro que depois não deixava de reportar as informações para o meu comandante mas as decisões tácticas eram sempre eu que decidia. Um exemplo que aconteceu no Afeganistão, foi quando a minha viatura foi atingida por dois rockets, e apesar num primeiro instinto ter saído da viatura e disparado gastando todo o carregador, ou seja, um instinto de sobrevivência, depois de trocar de carregador coloquei-me no meu lugar de comandante de companhia, e aí tive de decidir sozinho tentando saber o que se estava a passar à frente e à retaguarda, e enquanto comunicava a tentar saber o que se passava já me estavam a perguntar qual seria a M/A e nesse momento tive de dar a M/A sem ter feito nenhum planeamento, sem saber tudo o que se passava à frente e na retaguarda. Felizmente foi um episódio que correu bem e que não houve baixas.

Pergunta 9 – Neste momento e tendo em conta a experiência acumulada, quais os principais erros que se verificaram nas situações que não se desenvolveram da melhor forma?

Resposta: A falta de meios como aparelhos de visão nocturna, a dotação de munições por

homem, que ao início era de 100 mas aumentamos para 200, porque as munições eram muito escassas e numa situação de combate como tivemos quando fomos emboscados apercebemo-nos desse erro e tivemos que o corrigir. O ter tomado a decisão de prosseguir o deslocamento para Kabul, quando tinha algumas viaturas que não estavam na perfeição e que depois acabamos por ser emboscados, se calhar também não foi uma boa decisão mas acabou por correr tudo bem graças ao treino da força, e regressamos sem baixas que era o mais importante.

2ª PARTE

Nas tomadas de decisão existem critérios de decisão ética, ordene por ordem de importância (1- muito importante; 2- importante; 3- menos importante)

Critérios Descrição Classificação

Utilitarismo A meta é fornecer o maior bem para o maior número 2

Direitos Decisões compatíveis com liberdades e privilégios fundamentais 1

Justiça Distribuição equivalente de benefícios e custos 3

A tomada de decisão em termos teóricos compreende três fases:

Fases Descrição Factores importantes

Preparação Identificado o problema passa-se à pesquisa e recolha de dados considerando todos os factores influentes

Capacidade do Inimigo

Meios

Informação

Treino

Decisão Inclui o desenvolvimento de M/A, a sua análise e selecção daquela que melhor resolve o problema. Desenvolvidas as M/A, passa-se à apreciação de cada uma com o objectivo de determinar as vulnerabilidades e potencialidades

Máxima segurança da força

Nenhuma baixa

Acção Após a decisão passamos à execução e vamos verificar se os resultados pretendidos estão a ser alcançados

Cumprimento da missão

3ª PARTE

Modelo Utilizado Receber a missão

Formular M/A

Difundir Ordem de Operações Supervisionar