Materielle trekk ved Høyres og DNAs partiprogrammer fra 1884 til 1906
I. Teksters materialitet
Já as circunstâncias de ângulo tipo ponto de vista são recorrentes em menor número, identificados trinta e quatro (34) em documentos orientadores, treze (13) em pareceres críticos e quarenta (40) em textos informativos. Convém observar que essa circunstância ocorre em número expressivo em textos informativos, também pela característica dos gêneros textuais que compõe a subdivisão, pois esse tipo de circunstância é utilizado para apresentar a informação dada sob um ponto de vista de alguém, normalmente pessoas renomadas na área que envolve a temática textual, expandindo e criando, conforme Martin; White (2005), posicionamentos próximos ou distantes alternativos à ideia apresentada, fazendo, então, com que o interlocutor (não) reconheça sua voz naquele discurso.
Consideramos, ainda, além das circunstâncias, os participantes envolvidos junto a esse fenômeno, também com o auxílio da ferramenta Concord, do programa WordSmith Tools.
3.4 Comentários gerais sobre as ocorrências das circunstâncias de ângulo no corpus de estudo
Assim, percebemos que a circunstância de ângulo mais recorrente é também a do tipo fonte junto a um participante humano, em um total de cento e vinte e sente (127) ocorrências gerais, dessas sessenta e cinco (65) com participantes humanos e sessenta e dois (62) participantes por semiose. Já a circunstância do tipo ponto de vista, quarenta e nove (49) é associada a participante humano e apenas dezessete (17) a participante por semiose.
As próximas figuras são para apresentar, separadamente, o recorte de cada circunstância associada aos tipos de participantes analisados, extraídos do programa do
WordSmith Tools – versão 6.0.
Fonte: Dados da pesquisa
Na figura 37, temos um recorte das ocorrências gerais das circunstâncias de ângulo do tipo fonte, associadas a um participante por semiose.
Fonte: Dados da pesquisa
Na sequência, é importante mostrar as ocorrências gerais da circunstância de ângulo do tipo ponto de vista, associada a participantes por semiose no corpus em geral.
Fonte: Dados da pesquisa
Na figura 39, apresenta-se o recorte das primeiras 15 linhas de concordância, das 49 entradas, da circunstância de ângulo do tipo ponto de vista, associada a participantes humanos no corpus geral de estudo.
FIGURA 37: Circunstância de ângulo do tipo fonte, associada a participante por semiose - Corpus
FIGURA 38: Circunstância de ângulo do tipo ponto de vista, associada a participante por semiose - Corpus geral
Fonte: Dados da pesquisa
Os dados evidenciam que os escritores dos textos aqui analisados, na maioria das vezes, utilizam-se da circunstância de ângulo do tipo fonte, como já apresentado, para invocar as palavras de uma fonte externa para interpretarmos os dizeres ali apresentados como confiável, coadunando com o que está sendo dito. Posto isso, ainda quando associado a um participante humano, cria-se o que Martin e White (2005) chamam de contração dialógica, pois endossam a proposição apresentada para que o interlocutor posicione em relação àquela informação apresentada e referida, apresentada como confiável ou conveniente ao bem comum. Nesse caso, como as ideias são apresentadas como insustentáveis a outras vozes, faz- se necessário ratificar, por meio dos participantes humanos, a base de opinião para que o interlocutor pressuponha a garantia confiável apresentada pelos escritores.
É interessante observar que as circunstâncias de ângulo também podem ser analisadas como elementos circunstanciais que indicam determinada ação, comportamento ou particularidade de determinado fato que, na GSF, são apontadas através de fontes ou pontos de vista, sem a necessidade de participantes para sua realização.
(35) De acordo com o art. 205, “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ao afirmar que a educação visa o pleno desenvolvimento da pessoa, a Constituição definiu que a educação deve ser integral (DOCORI_024, grifo nosso).
No exemplo 35, a circunstância de ângulo utilizada é do tipo fonte, marcada pelo elemento lexicogramatical “de acordo com”, e introduz um significado extra que ajuda na
descrição do contexto em que o texto é instanciado, associando-os à localização dos eventos em acontecimento na proposição, nesse caso recorrendo à citação do art. 205 para apresentar dados verídicos.
A partir do exposto, Halliday e Matthiessen (2004, p. 368) afirmam que um elemento circunstancial possui um processo que atribui a oração uma projeção ou expansão de significados, tanto em termos experienciais, interpessoais e textuais. Dessa forma, podemos afirmar que essa circunstância é adicionada à produção textual para indicar a fonte da informação veiculada como acréscimo de ideias que, somadas aos argumentos do produtor textual, forma uma nova configuração passível de interpretação.
Da mesma forma acontece ao utilizarmos a circunstância de ângulo do tipo “ponto de vista”; mesmo que tragamos um determinado ponto de vista, pensamos sempre em algum participante humano, mas percebemos que a circunstância está funcionando apenas como um elemento circunstancial, do qual indica os objetivos a serem alcançados, em Língua Portuguesa, nos níveis de ensino fundamental e médio.
(36) Para o Ensino Fundamental e também para o Ensino Médio, os objetivos de aprendizagem dos diferentes componentes curriculares são apresentados ano a ano. Essa forma de apresentação tem o intuito de oferecer uma orientação mais precisa aos sistemas, escolas e professores com relação à progressão desses objetivos ao longo do processo de escolarização (DOCORI_018, grifo nosso).
Vale salientar que, no exemplo anterior, o ponto de vista é dado a partir do elemento indicativo da circunstância de ângulo, isto é, o direcionamento semântico-discursivo da oração é atribuído através desse elemento que, por sua vez, mobiliza o ponto de vista de determinado assunto ou, até mesmo, de fontes externas para que, segundo Halliday e Matthiessen (2004, p. 240), o elemento circunstancial seja realizado como atribuição de uma visão unilateral da voz autoral àquela citada ou referida na proposição.
Por fim, podemos afirmar, a partir do exposto, que o participante por semiose é considerado como metáforas mentais e gramaticais, configuradas como fenômenos das orações materiais e relacionais, pois são esses participantes que estabelecem a capacidade material e relacional às orações mentais como representação do conteúdo da consciência, que é representado linguisticamente pela atribuição da voz autoral aos participantes por semiose juntamente com as circunstâncias de ângulo a eles associados. Vale lembrar que todo e qualquer elemento é transitável, ou seja, pode ser associado a qualquer tipo de processo e participante, dependendo da necessidade de cada contexto.
Como já apresentamos, o Sistema de Avaliatividade busca reconhecer e compreender os posicionamentos dialógicos a partir de marcas lexicogramaticais que desencadeiam significados semântico-discursivos na produção textual de um falante/escritor. Como estratégia discursiva, esse produtor utiliza-se de recursos, como o engajamento e/ou reconhecimento, para somar a sua voz textual a uma voz externa que é dialógica, representante de várias outras, duas opções: através da Monoglossia e da Heteroglossia, como já mencionado anteriormente. A primeira utiliza-se de uma voz única, dialogicamente inerte, que não se reconhece posições alternativas para o assunto discutido, criando um caráter de verdade e unicidade, ou seja, um ponto pacífico de concordância. Já o segundo, a heteroglossia, parte do caráter dialógico da linguagem através da comunicação em seus diferentes níveis comunicativos, um ponto questionável, dos quais apresenta indícios para refutação, contradição, compartilhamento de ideias, dentre outros.
Com os recursos heteroglóssicos é possível identificar como o enunciado foi construído e quais são as marcas dialógicas existentes, representando diferentes graus de responsabilidade sobre aquilo que foi dito, assumido pelo falante, sendo ele de contração ou expansão, cada um com suas características particulares.
Assim, na medida em que se faz referência explícita às declarações, referências e pontos de vista de vozes externas as vozes empregam uma gramática do discurso relatado, através da utilização dos preceitos da GSF e os estratos da linguagem.
Portanto, utilizamos a figura 40, retirado do programa UAM Corpus Tool28, para apresentar a gramática própria do Sistema de Avaliatividade, bem como as marcas lexicogramaticais e sua responsabilidade semântico-discursiva. Para nossas análises, atentaremos para a Heteroglossia → Contração → Ratificação → Endosso; Heteroglossia → Expansão → Atribuição → Reconhecimento, pois, como já apresentado, acreditamos que as circunstâncias de ângulo do tipo fonte e ponto de vista apresentam características semelhantes a essas marcas avaliativas.
28 As categorias de análise oferecidas pelo programa foram traduzidas pelo pesquisador, pois o programa oferece
os nomes em Inglês.
3.5 Circunstâncias de ângulo e o Sistema de Avaliatividade: visão pelo UAM Corpus