• No results found

6  Analyse

6.3   Handlingsplanen i lys av tekstdimensjonen

6.3.3   Tekstens vokabular

Em relação à abordagem metodológica, nossa pesquisa apresenta-se como de caráter hipotético-dedutivo. Desde o início, estamos seguindo alguns passos desse método: detecção de um problema (quais os fatores lingüísticos que concorrem para a consideração de expressões referenciais inadequadas) e elaboração de hipóteses (dentre as quais, a principal seria a de que há duas motivações para se considerar uma expressão referencial como inadequada: a interferência da expressão na coerência textual ou a desobediência da expressão às normas lingüísticas). Enfatizamos ainda que a corroboração (ou refutação) de nossas hipóteses estará sujeita à observação empírica.

Além disso, admitimos desde já o compromisso em confrontar o conhecimento teórico já estabelecido para o tema que discutiremos: a referenciação. Destacamos o papel, pouco esclarecido na literatura, das coerções no processo de escolha das expressões referenciais. Também reconhecemos o caráter provisório dos resultados que encontramos, bem como temos a convicção de que a análise de nossos resultados suscitará novos questionamentos.

Quanto aos procedimentos da pesquisa, o primeiro, no que diz respeito à determinação das estratégias referenciais, foi um levantamento realizado com textos produzidos em situação de aprendizagem escolar. Para tanto, utilizamos 77 textos76 escritos por alunos pré-

76

Esses textos constam do Anexo A deste trabalho, e encontram-se disponíveis no acervo do grupo Protexto, que estuda gêneros textuais e referenciação, coordenado pela professora Mônica Magalhães Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará.

universitários, participantes de um curso preparatório para o vestibular. Trata-se de alunos com o Ensino Médio já concluído ou, à época da produção dos textos, em vias de conclusão. Apesar de a maioria dos produtores ser de pessoas jovens, não excluímos a presença de indivíduos mais velhos entre os sujeitos-produtores (uma vez que a clientela de alunos de um curso pré-vestibular não apresenta homogeneidade etária). Em nenhum momento isso se configurou como um elemento complicador na coleta de dados, porque não cremos que a idade do produtor, para o que pretendemos investigar – o julgamento de adequação das expressões referenciais acionadas em textos de escritores não-proficientes – seja um critério que necessite do controle da faixa etária para que haja uma uniformização dos dados. O que entra na questão, e que demanda um certo controle (feito aqui), é o grau de escolaridade.

Todos os textos são resultantes de propostas de produção textual que solicitavam a elaboração de um gênero de natureza essencialmente argumentativa (principalmente artigo de opinião, mas também editorial). A escolha por textos com predominância da seqüência argumentativa e, em conseqüência, pelos gêneros a ela relacionados deveu-se ao fato de os quatro fatores de coerência propostos por Charolles (1998) parecerem ser mais exigidos em gêneros com tal característica. Entretanto, é preciso advertir que as estratégias referenciais problemáticas a que aludimos podem provavelmente ser encontradas em gêneros com predominância de outras seqüências.

Há ainda um outro motivo por trás dessa escolha: os textos com seqüência argumentativa predominante são, na hierarquia escolar, o topo, o grande objeto a ser alcançado. Por um lado, é preciso lembrar que o motivo para tal escolha não tem como base uma concepção de linguagem preocupada com a interação ou mesmo uma opção político- educacional que tenha como principal objetivo a aprendizagem vinculada às situações sociais que serão vividas pelos alunos fora da escola. A eleição do “texto dissertativo” como grande estrela do ensino deve-se, sobretudo, ao fato de se crer, por conta da tradição, que este texto exige maior complexidade e que ele é o mais exigido nos concursos vestibulares.

Por outro lado, embora saibamos que a complexidade dos textos não está necessariamente associada à seqüência textual (basta pensar na complexidade das narrativas literárias), é preciso ter em mente a importância dos textos argumentativos no cotidiano dos sujeitos. Uma vez que uma das principais funções da escola é capacitar o aluno a se

comunicar nos mais diversos gêneros com vistas ao exercício pleno da cidadania, o ensino das técnicas de argumentação, bem como dos gêneros da ordem do argumentar, adquire especial relevância no contexto de aprendizagem. Daí o trabalho com textos argumentativos merecer, ainda que por motivo diverso do que normalmente é feito, um tratamento especial. E por isso, também, que escolhemos tratar da inadequação referencial dentro desse universo de gêneros.

Em relação a nossa amostra, todos os textos foram reproduzidos com autorização dos alunos para que os utilizássemos posteriormente (com fins estritamente didáticos ou científicos), mas na condição de se manter o anonimato dos indivíduos. Os textos foram produzidos no período de fevereiro de 2002 a março de 2004.

Após a delimitação da amostra, procedemos ao levantamento e classificação das expressões referenciais que encontrávamos. Para essa etapa, utilizamos a proposta classificatória de Cavalcante (2003). As expressões foram separadas de acordo com o que segue: introduções referenciais (puras ou dêiticas), anáforas diretas (co-significativas ou recategorizadoras − incluindo nesses dois subgrupos as anáforas pronominais), anáforas parciais, anáforas indiretas e encapsulamentos.

O levantamento foi feito nos moldes do que Antunes (1996) fez para o estudo da repetição e da substituição lexical como recursos coesivos nos editoriais jornalísticos. Íamos realizando a leitura e determinando, para cada expressão referencial encontrada, seu status em relação a alguma das cadeias coesivas estabelecidas pelo texto (ou, no caso das introduções referenciais, não o status, mas a abertura de uma nova cadeia).

Durante o levantamento, determinamos as expressões passíveis de serem consideradas inadequadas. A inadequação normalmente era percebida como algum provável problema no nível das relações anafóricas estabelecidas entre as expressões de uma mesma cadeia coesiva, mas havia também casos de inadequação da expressão em si, na maneira como ela estabelecia o referente pretendido.

Ao encontrarmos uma provável inadequação, pensávamos logo nas motivações que nos levavam a tal julgamento, e procurávamos estabelecer como tais argumentos se encaixavam nos fatores “causadores” da inadequação (coerência e norma). Foi nesse trabalho de seleção inicial que vislumbramos a necessidade de se falar em uma norma textual- discursiva, pois algumas das “inadequações” percebidas eram caracterizadas como problemas

da alçada do conteúdo textual, sem, no entanto, ferirem os princípios de coerência. Vimos, então, que era preciso redimensionar o valor costumeiramente dado a esses “erros”.

Terminado o levantamento inicial, começou a preocupação com o caráter classificatório da pesquisa. Tivemos, assim, que pensar nas “inadequações” analisadas como ocorrências a serem divididas em categorias. Cada categoria deveria ser contemplada por exemplos cujo julgamento de inadequação se desse por um mesmo arrazoado. Este trabalho confirmou nossa hipótese inicial de compreensão do julgamento de adequação como decorrente da quebra de coerência ou da desobediência normativa, bem como providenciou o arcabouço para nossa análise e discussão.

Após determinarmos as categorias de nossa proposta classificatória, voltamos às ocorrências analisadas para tentarmos compreendê-las à luz de um novo viés, que consistia no entendimento da atividade de referir como uma dinâmica de construção colaborativa de objetos-de-discurso. Vê-se, assim, que o tratamento analítico foi essencialmente qualitativo. Primeiro, a análise das prováveis inadequações foi feita a partir dos critérios de coerência e da diferenciação dos aspectos normativos (aspectos discutidos nos dois capítulos anteriores). Em seguida, acrescentou-se a essa análise o viés da referenciação, com o intuito de investigar se tal acréscimo traria maneiras contrastantes de se julgar a adequação referencial. O resultado desse trabalho será conferido a seguir.