6 Analyse
6.2 Handlingsplanen i lys av diskursiv praksis
6.2.3 Interdiskursivitet og Intertekstualitet i den diskursive praksisen
No primeiro capítulo, vimos que a proposta teórica da referenciação advoga em favor de uma construção colaborativa dos referentes textuais. Nesse processo, os interlocutores têm a sua disposição, para nomear um determinado referente, um leque de expressões referenciais que podem ser escolhidas (e de fato o são) de acordo com o percurso discursivo da interação, que (re)cria intenções intersubjetivas.
Enfatiza-se, com essa abertura de possibilidades, o caráter de escolha que se impõe aos interlocutores envolvidos no ato de referir. Entretanto, como já salientamos, ao mesmo tempo em que há escolhas, há restrições ao processo. Comentamos, neste mesmo capítulo, dois tipos de restrição: a adequação da escolha em relação ao “real”74 e a adequação à situação de comunicação.
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Lembremos que o real é reelaborado e que, portanto, a elaboração não se dá no vácuo e não se faz ao bel- prazer do produtor.
Podemos, nesta seção, apontar uma outra causa de restrição. Obviamente, estamos falando da restrição normativa. Uma vez que a referenciação é um processo sociocognitivo, ela tem de incluir um aspecto importantíssimo da atividade social, que é o estabelecimento e a obediência às normas. Negar essa questão é propor um entendimento menos completo do fenômeno.
Pensemos, por um momento, na atividade de referir praticada pelo sujeito lingüístico. Quando precisa escolher uma expressão que melhor designe o referente pretendido, ele deve levar em conta os efeitos que pretende suscitar no interlocutor. Para tanto, uma das tarefas para as quais se esforça diz respeito a como o interlocutor realizará o processamento cognitivo da expressão, no que entra em jogo a relação desta expressão com outras presentes no co(n)texto, inclusive com aquelas que remetem a outros referentes construídos.
Portanto, a forma como a expressão se encaixará no processamento cognitivo é uma questão relevante para o produtor. É preciso que ela não perturbe o movimento de ativação e reativação dos referentes textuais; se assim ocorrer, a construção da coesão e da coerência terá mais chance de ser bem sucedida.
Entretanto, não é apenas o processamento cognitivo que conta para uma interação bem sucedida. A obediência às normas lingüísticas também é um fator a ser levado em conta (e é claro que a intensidade da obediência varia de acordo com a situação de interação, entre outros fatores). A título de ilustração, voltemos ao exemplo (40):
(40) [Título:] Dinheiro x felicidade
São duas coisas imprescindíveis na vida de qualquer ser humano. (R8)
Não há dúvida quanto ao processamento cognitivo da expressão “duas coisas imprescindíveis na vida de qualquer ser humano”75. Trata-se de uma recategorização das expressões “dinheiro” e “felicidade”, e, por isso, entra no processamento como uma reativação desses objetos-de-discurso. Não há, com a utilização da expressão, nenhum problema de coesão ou coerência. Entretanto, a estratégia de recategorizar o título causa estranheza, por não ser um procedimento recomendado. Logo, é possível que a ação do produtor seja considerada parcialmente ineficaz, ainda que o procedimento cognitivo tenha sido completo.
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A questão normativa (aspecto eminentemente social), então, pode suplantar a questão estritamente cognitiva, em termos de obtenção da eficácia interacional. Com isso não queremos dizer que, para o produtor, a adequação formal é mais importante que transmissão de conteúdos, sentimentos, intenções etc. Apenas queremos lembrar que os sujeitos são julgados, também, pela forma como se expressam.
Uma Lingüística Textual plenamente sociocognitiva precisa dar conta de seu objeto de estudo — o texto — levando em conta, o mais completamente possível, os aspectos sociais e cognitivos, bem como as relações entre eles. O mesmo vale para uma teoria da referência imersa no processamento sociocognitivo. Por isso, julgamos que a teorização acerca da recepção de textos não pode prescindir do evaluation problem da Sociolingüística, mesmo que a inclusão desse aspecto torne mais complexa (e penosa) a atividade investigativa.
Temos, portanto, que a norma lingüística é mais um fator que influencia o julgamento da adequação referencial e, por conseguinte, deve influenciar também as escolhas referenciais. Insistimos que não se trata, aqui, de levantar uma bandeira em favor da adequação formal a qualquer custo. Até porque, como vimos, o julgamento dessa adequação não é simplório. Entre outras coisas, deve-se levar em conta que, para balizar esse julgamento, não há a norma definitiva e unificada, juíza inflexível, mas, sim, há as várias facetas que a norma pode assumir.
Restringindo a discussão para o domínio da Lingüística Textual, podemos dizer que nossa intenção principal é enfatizar um aspecto ainda não devidamente explorado dentro dos estudos em referenciação. Na verdade, pode até ser que a problemática da norma seja sensatamente deixada de lado a depender dos objetivos investigativos. Em nossa pesquisa, ela é central, em virtude de a desobediência à norma poder ser alegada para rejeitar certas formas referenciais.
No universo escolar, como já foi comentado na seção anterior, não há dúvidas de que essa obediência representa uma fatia gorda do processo de julgamento da competência textual. Se ela deve ser realmente tão realçada é uma questão que precisa ser discutida e para a qual pretendemos contribuir, a partir da discussão suscitada no capítulo 5.
A relação entre norma e referenciação dá o fecho a este capítulo. Nele, julgamos ter contemplado a contento a tarefa de propor uma explicação suficiente sobre a norma, a qual
incluiu, além da relação já aludida: uma caracterização da norma na modalidade escrita com base nos postulados derivados do conceito de sistema lingüístico heterogêneo; uma exposição acerca da normatização que atinge o plano textual-discursivo; e uma discussão sobre as sutilezas da norma pedagógica.
Com este capítulo, encerramos o pano de fundo teórico de nossa dissertação. Estamos cientes de que fomos além da mera exposição, uma vez que, em vários momentos, procedemos a uma atividade que era, de fato, já uma análise. Entretanto, deixamos essas análises próximas à teoria porque, afinal de contas, elas estavam intimamente ligadas aos conceitos trazidos.
No próximo capítulo, aí sim, iniciamos a análise propriamente dita. Nele propomos uma aplicação da teoria para efetivarmos o que julgamos a maior contribuição da pesquisa: a tentativa de compreender melhor o que está envolvido no julgamento da inadequação referencial.
4 PROPOSTA DE CLASSIFICAÇÃO PARA AS INADEQUAÇÕES
REFERENCIAIS
A seguir, começamos a analisar os resultados de nossa investigação, apresentando nossa proposta de classificação para as expressões referenciais passíveis de serem consideradas inadequadas. Inicialmente, expomos os aspectos metodológicos envolvidos nessa etapa da investigação. Em seguida, apresentamos as diferentes manifestações de prováveis inadequações relacionadas aos fatores discutidos nos capítulos 2 e 3 (coerência textual e norma lingüística, respectivamente), descrevendo e exemplificando as categorias classificatórias.