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5.4 Oppsummert: Bistand, innsamling, fellesskap

6.1.2 Representasjon, identitetsdannelse og synlighet

Com a preocupação de oferecer aos surdos um meio para grafar a LSB como escrita para uso cotidiano, a pesquisadora brasileira Adriana S. C. 'Lessa-de-Oliveira68 vem desenvolvendo

desde 2009 um sistema de escrita linear chamado SEL – Sistema de Escrita para Libras (LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012), que, na sua opinião, é capaz de representar linearmente a estrutura tridimensional de qualquer língua sinalizada.

Para atingir seu objetivo, partiu da investigação das propriedades constituidoras dos sinais e chegou à conclusão de que um sinal se compõe de uma ou mais unidades básicas MLMov. Cada uma dessas unidades seria formada por três tipos de macrossegmentos, Mão (M), Locativo (L) e Movimento (Mov.), e cada um desses macrossegmentos é, por sua vez, o resultado de um feixe de traços distintivos (chamados também de ‘parâmetros’). Esquematicamente, representamos o pensamento de Lessa-de-Oliveira (op. cit.) conforme demonstrado na figura a seguir:

Figura 62: Representação da estrutura hierárquica de constituição do sinal (com base em LESSA-DE- OLIVEIRA, 2012)

68 Agradecemos à Profesora Drª Adriana Lessa-de Oliveira por disponibilizar o material que propiciou as discussões contidas nessa seção.

Os traços mencionados pela pesquisadora englobam: configuração de mão, movimento, ponto de articulação (ou locação), orientação do movimento, orientação da palma, expressão facial, três eixos de posição da mão, três planos de realização do movimento, movimentos de dedo e, por último, pontos de toque (LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012: 156). Depreende-se pelas explicitações que cada macrossegmento (Mão – Locação – Movimento) é um elemento formado pelo seu próprio conjunto de traços. As expressões faciais, embora não façam parte da composição do macrossegmento Mão, conferem a ele por convenção um valor modificador (um diacrítico).

Para que as comunidades de surdos tivessem facilidade para decodificar a escrita pelo SEL, foram elaborados 109 caracteres e 54 diacríticos de base icônica, ou seja, em estreita relação com as imagens visuais. Esses caracteres pertencem ao nível dos traços (1º nível) e, por essa razão, o SEL é classificado pela pesquisadora como um “sistema trácico” (sic) e não alfabético (LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012, p. 175). Lessa-de-Oliveira (op.cit.) alega que, se tivessem optado por criar caracteres para os elementos do 2º nível (os macrossegmentos), a quantidade de caracteres subiria para 842 no mínimo, e o sistema perderia sua praticidade. Ficou convencionado também que os sinais seriam grafados na ordem da esquerda para a direita, uma característica da grafia de grande parte das línguas orais. Então, em LSB, o sinal equivalente a ‘aprender’69 é representado pelo SEL da seguinte maneira:

sinal ‘aprender’, em LSB notação:

= (M) configuração e orientação; = (L); testa

= (Mov) fechamento simultâneo dos dedos duas vezes

69 Imagem extraída do nosso banco de dados, em filmagem dos colaboradores. A representação escrita no sistema SEL é um dos exemplos fornecidos no texto de Lessa-de-Oliveira (2012, p. 154)

O macrossegmento Mão (M) possui 52 caracteres para as configurações de mão, com possibilidade ainda de grafar em maiúsculo e minúsculo, o que é uma vantagem em relação aos outros sistemas.

A posição da mão no início da realização do sinal é observada a partir de três eixos do espaço tridimensional. Com a mão aberta, determina-se a orientação dos dedos (para cima, para frente ou para a lateral) em combinação com as quatro possibilidades de orientação da palma (para frente, para trás, para dentro ou para fora). Os caracteres da tabela 10 estão duplicados porque representam as duas mãos, esquerda e direita.

Tabela 9: Exemplos dos símbolos utilizados para a escrita das configurações de mão pelo SEL

A Locação (L) representa os pontos do corpo onde o sinal é articulado. Foram mapeados 27 pontos; são, portanto, 27 caracteres no total.

Tabela 10: Exemplos de representação de eixos/orientações de palma pelo SEL

Fonte: LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012

Tabela 11: Exemplos de representação de (L) pelo SEL

Já o Movimento (Mov), o mais complexo dos macrossegmentos, divide-se em 2 tipos: (1) movimentos de mão, cujos traços se compõem de tipo, orientação e plano; e (2) movimentos de dedo, representados por caracteres correspondentes a cada um dos cinco dedos da mão.

Figura 63: Caracteres que representam os dedos da mão pelo sistema SEL (In: LESSA-DE OLIVEIRA, 2012)

Os movimentos de mão são definidos a partir dos três planos anatômicos (transversal, sagital e frontal), combinados com o tipo de trajetória (circular, curvo, retilíneo, entre outros) e com a orientação (para frente, para trás, para cima, para baixo...). Se um sinal não apresentar movimento, esse macrossegmento simplesmente não é representado.

Movimentos que não necessitam de planos para a descrição são: batida , giro de pulso , tremura , inversão de palma e dobra de pulso . O sistema ainda conta com 11 diacríticos para indicar o tipo de movimento dos dedos (abrir, fechar, abrir mais de uma vez, esfregar, etc.) e 11 diacríticos para a marcação de ponto de toque.

A autora comenta ao final das explicações sobre o SEL que, por se tratar de um sistema de escrita, foram pensados ainda para representar textos sinalizados os sinais de pontuação “semelhantes aos do espanhol, como os sinais de interrogação e exclamação ocorrendo também no início da sentença, mas invertidos. Altera-se o ponto final que é um pequeno xis (x)”

(LESSA-DE-OLIVEIRA, 2012, p. 180).

Ao concluir a apresentação do sistema SEL, Lessa-de-Oliveira (op. cit.) observa o fato de a LSB produzir muita variação na composição de sinais, principalmente no nível frasal, porque a simultaneidade e os processos miméticos propiciam esse fenômeno. Isso faz com que o sistema

Tabela 12: Representação de (Mov) pelo SEL

seja avaliado por ela como compatível para representar linearmente apenas os itens lexicais e sentenças com estrutura sintática rígida.

Para nós, o SEL tornou-se especialmente interessante porque a análise descritiva dos sinais que embasou o sistema se refletiu numa interpretação da estrutura dos sinais, com características híbridas dos dois principais modelos70, o de Stokoe (1960) e o de Liddell e Johnson (1989). Se,

por um lado, a estrutura sublexical sugerida por Lessa-de-Oliveira se assemelha ao modelo de Stokoe quanto à ação simultânea dos elementos Mão, Local e Movimento (lembrando que para Stokoe e seus seguidores os sinais são constituídos da combinação simultânea dos parâmetros CM, L e M), por outro, aproxima-se ao de Liddell e Johnson, quando evidencia a organização linear de unidades que se situam estruturalmente no nível articulatório imediatamente abaixo do sinal (no caso de Liddell e Johnson, as unidades são [hold] e [movement] e para Lessa-de- Oliveira, [MLMov]). No capítulo destinado às análises (capítulo 6).