2.1 Uavhengighetsidealet
2.1.1 Arven fra klassisk liberalisme
O SignWriting é um sistema derivado do DanceWriting, e ambos foram concebidos por Valerie Sutton, há aproximadamente 40 anos, para registrar os movimentos corporais. Inicialmente, o SW servia aos propósitos da notação dos sinais em estudos linguísticos sobre as línguas sinalizadas, mas a natureza analógica e ideográfica dos caracteres propiciou que alguns
estudiosos de línguas de sinais advogassem a favor de seu uso como sistema de escrita (STUMPF, 2005).
Os símbolos do SW representam as configurações de mão, os movimentos, as expressões faciais e os movimentos corporais. Trata-se de uma forma de representação simultânea, diferente da sugerida pelos outros sistemas que apresentamos nas três seções anteriores. Tanto a leitura quanto a escrita partem da perspectiva de quem vê a sua própria mão, isto é, do emissor e não do receptor.
A pesquisadora Marianne Stumpf (2005), precursora dos estudos sobre o SW no Brasil, afirma que a estrutura desse sistema é composta por mais informações do que as constantes em outros sistemas:
A estrutura do sistema de representação para línguas de sinais denominado SignWriting é composta de informações referentes às mãos, movimento, expressão facial e corpo. O SignWriting abrange parâmetros que o sistema de Stokoe e a maioria dos sistemas não incluem. A expressão facial e os movimentos do corpo são muito importantes para as línguas de sinais por esse motivo eles também são notados (STUMPF, 2005, p. 58, grifo nosso).
As três configurações básicas da mão – punho fechado (dedos flexionados), punho aberto (palma arredondada) e mão plana (mão aberta com dedos unidos) – são representadas
respectivamente pelas figuras geométricas: , e . A parte da palma é
simbolizada pela figura vazada, e o dorso da mão, pela figura preenchida.
Figura 56: Perspectiva de representação dos sinais pelo sistema SignWriting (In: STUMPF, 2005, p. 62, adaptado)
Para os dedos, são acrescidas a essas figuras linhas retas, curvas ou em ‘ele’ (L), o que possibilita identificar quais os que estão sendo utilizados e como estão configurados (flexionados ou estendidos) durante a realização do sinal. No total, são 10 grupos de símbolos
para as mãos, dispostos de acordo com os dedos usados para a formação do sinal pretendido (Tabela 8).
A orientação da palma tem como referência os planos imaginários parede, ou visão de frente, e chão, também chamado de visão de cima. São os mesmos planos denominados pela Anatomia Humana como frontal (paralelo à parede) e transversal (paralelo ao chão). A marca diferencial entre os símbolos que representam um ou outro plano é a presença ou ausência de um recorte no caractere. Assim, quando a mão está paralela ao chão, o símbolo é recortado e o caractere apresenta um espaçamento proposital no seu desenho.
Figura 57: Orientação da palma, no SW (In: STUMP, 2005, p. 65)
Os movimentos grafados por meio de setas também são diferenciados de acordo com esses dois planos. As pontas das setas, preenchidas e vazadas, distinguem as mãos direita e esquerda. Além
Tabela 8: Grupos de mãos no sistema SignWriting
disso, enquanto as pontas das setas indicam a direção (para cima, para baixo, para frente, para trás, etc.), as suas hastes informam em que plano se dá o movimento; um traço para o plano chão e dois traços para o plano parede, conforme mostra a figura a seguir.
Figura 58: Planos e símbolos relativos à direção dos movimentos, no SW (In: STUMP, 2005, p. 89, adaptado)
O SW permite registrar a existência eventual de contato da mão com alguma parte do corpo e o tipo de toque, por meio de seis símbolos. Esses contatos estão associados aos movimentos dos membros superiores. São eles: contato , escovar , esfregar , bater , entre e pegar (STUMPF, 2005, p. 79)
Um sinal que contenha movimento de um ou mais dedos, de forma a alterar a configuração inicial, recebe um símbolo gráfico conforme a articulação ativada ao longo da execução. A próxima figura mostra os símbolos e os tipos de movimentos:
As expressões faciais abrangem informações sobre os olhos, as sobrancelhas, a boca, os dentes, a língua, as bochechas e o nariz. São aproximadamente 40 símbolos pictográficos, semelhantes aos emoticons65, por exemplo:
olhos abertos
olhos espremidos
sobrancelhas para baixo
boca aberta
Para registrar os movimentos de cabeça, basta combinar os símbolos com as setas indicativas de direção e plano. Além desses símbolos, Stumpf (2005, p. 85) salienta que o SW “inclui símbolos que mostram a posição dos ombros, cabeça, tronco e braços”.
Figura 60: Exemplos de símbolos para a posição de cabeça, tronco e ombros, no SW (In: STUMP, 2005, p. 86-87)
No geral, são os segmentos de retas que têm a função de grafar a cabeça e o tronco (como mostra a Figura 60), e para a indicação dos braços, em especial, a notação é feita por linhas retas ou curvadas que partem das configurações de mão ou são grafadas isoladamente de acordo
65 Os emoticons, termo originário do inglês emotion (emoção) + icon (ícone), são desenhos de “carinhas” usados com frequência na comunicação digital (FERREIRA, 2012, p. 2)
com a posição que o braço e o antebraço tomam. A seguir, exemplificamos a representação do braço com o par dos sinais66 em LSB equivalentes a ‘bebê’ e a ‘desodorante’:
sinal ‘bebê’ em LSB sinal ‘desodorante’ em LSB
Escrita no SW: Escrita no SW:
= configuração da mão e do braço
= posição do ombro
= configuração da mão e do braço (passivos)
= configuração da mão (ativa)
*
= toque= movimento (direita e esquerda) = movimento da mão (ativa)
= expressão facial
O SW abarca ainda símbolos para indicação da dinâmica do sinal, como a velocidade e a tonicidade empregadas no movimento. Os movimentos circulares recebem um tratamento especial, com símbolos específicos que informam simultaneamente a direção e o plano (chão/parede). Os símbolos destinados aos movimentos podem estar associados também às expressões faciais e às configurações mãos. É possível indicar se o sinal é realizado com uma das mãos em movimento e a outra parada, com as duas mãos em movimento alternado ou simultâneo, de forma lenta, rápida, suave, tensa ou relaxada. De acordo com Stumpf (op. cit.: 88), o sinal equivalente a ‘confusão’ é grafado da seguinte maneira:
sinal ‘confusão’67, em LSB
notação em SW:
= configuração e orientação das mãos; = direção e plano do movimento = contato (entre; mãos entrelaçadas)
= dinâmica (movimento rápido)
Para os sinais de pontuação nos textos em SW, foram criados símbolos diferentes dos que são utilizados em textos escritos da LP. Além disso, a escrita segue a ordem vertical, com os sinais distribuídos em colunas de cima para baixo. Stumpf (op. cit. p. 94) ilustra a aplicação do SW com a letra do Hino Nacional, adaptado à LSB.
Figura 61: Trecho do Hino Nacional em SW (In: STUMPF, 2005, p. 95)
Sobre o SW podemos apontar a vantagem de os símbolos se assemelharem aos próprios sinais (por exemplo, os formatos das mãos e das expressões faciais), o que torna mais simples a apropriação por quem deseja utilizar o sistema. Comparado ao SFBL, a segunda vantagem é poder registrar os sinais dentro de um contexto (vide Figura 61) e não somente os itens lexicais isolados.
Outro aspecto positivo da representação simultânea é evocar no leitor a imagem da forma realizada pelos sinalizantes, pois a relação mais ou menos acentuada com os gestos facilita o seu reconhecimento. Além disso, o SW consegue condensar num pequeno espaço muitas informações de natureza articulatória (acionamento dos braços, das mãos, do tronco, lugar de articulação, tipos e qualidades de movimentos). de muitos elementos numa só imagem.
Em contrapartida, a condensação desses elementos gera muita informação visual, o que se converte em desvantagem para o pesquisador, se ele necessita lidar com os registros de uma extensa lista de sinais.