5.3 Tre tekstar på femtalet
5.3.1 Tekst A3 – resonnementet og tekstforståing
A produção com argila foi utilizada como último procedimento com os sujeitos da pesquisa, como uma atividade livre, na qual a criança tinha total liberdade no processo de produção. Este momento foi de finalização dos encontros com os sujeitos, tendo o objetivo de realizar uma atividade lúdica, na qual a criança tinha a possibilidade de conduzir a temática da atividade, tendo em vista que poderia expressar-se sem um direcionamento inicial por parte da pesquisadora. Para esta atividade foi disponibilizada a argila e tintas de pintura a dedo, para que as crianças tivessem a opção de colorir o material confeccionado.
4 A produção artística com crianças: análise do corpus da pesquisa
El sentido de las palabras depende conjuntamente de la interpretación del mundo de cada cual y de la estructura interna de la personalidad.
(Vygotski)
A análise do corpus da pesquisa foi realizada utilizando-se da Análise de Conteúdo Temática, a qual permite que o nível espontâneo das mensagens seja ultrapassado, possibilitando uma interpretação mais profunda do material (Minayo, 2004).
Buscou-se, então, identificar os “núcleos de sentido que compõem uma comunicação cuja presença ou freqüência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado”, no material advindo da realização de todos os procedimentos acima mencionados (Minayo, 2004, p.209).
No entanto, o protagonista da análise será o tema, expresso nos discursos e nas produções das crianças, e não, a contagem e a freqüência destes, tal como é proposta por Bardin (1977).
Para proceder à Análise de Conteúdo Temática do corpus da pesquisa, realizou- se a transcrição das gravações de todos os encontros com as crianças. Este material foi dividido, inicialmente, por sujeitos. Após a leitura exaustiva do mesmo, separou-se pelos núcleos de sentido pré-estabelecidos, os quais serão descritos abaixo.
Partindo do objetivo geral deste estudo, qual seja, investigar como se constitui a identidade em crianças vítimas de abuso sexual, bem como da concepção de que a
identidade se constitui nas interações sociais (relação eu outro), pressuposto básico do referencial teórico anteriormente apresentado, foram pré-estabelecidos dois núcleos de sentido. Entretanto, ficou aberta a possibilidade de inclusão de novos núcleos de sentido bem como a subdivisão dos já existentes, durante o processo de análise do
corpus. Os núcleos de sentido pré-estabelecidos foram divididos em: 1.) referência a si
mesmo sem o comparecimento explícito do discurso do outro e 2.) referência a si com o comparecimento explícito do discurso do outro. Além disso, essas referências poderão ser negativas, positivas ou não-identificáveis. Segue, abaixo, a descrição dos núcleos de sentido pré-estabelecidos:
1. Referência a si mesmo, sem o comparecimento explícito do discurso do outro: serão considerados os seguimentos do discurso nos quais as crianças falam de si mesmas, de como elas se vêem. Como por exemplo, essa frase da Adélia: “Não gosto muito de correr, não. Mas também num sou daquelas pessoa calma não, sou muito agitada”.
2. Referência a si, com a presença explícita do discurso do outro: serão consideradas as declarações dos sujeitos sobre si, mas que fazem referência a alguma opinião de outrem. Por exemplo, a frase da Florbela sobre uma observação que já fizeram em relação a ela: “todas as meninas da escola disse que meus olho era bonito!”
Referência negativa: serão considerados os fragmentos do discurso do sujeito que sejam autodepreciativas ou fragmentos que tenham marcas lingüísticas negativas, mas que o sujeito justifica, de forma plausível, a impossibilidade de fazer. Por exemplo, o trecho em que Adélia comenta que cantará uma música em espanhol na igreja: “Só que assim, cada
pessoa, cada musica que a gente faz, uma pessoa tem que cantar, mas eu, sobrou pra mim cantar em espanhol. Um horror! Eu não sei muito de espanhol, comecei esse ano e sou terrível!”42.
Referência positiva: serão considerados os fragmentos do discurso do sujeito que, além de fazerem referência a si, contenham alguma apreciação positiva sobre o tema em questão, seja sobre características externas, habilidades, atividades desenvolvidas, entre outras. Por exemplo, em uma situação de jogo da memória, Florbela afirma, em resposta à pesquisadora que comentou que perdeu várias vezes: “eu sou craque”. E complementa: “eu só ganho... Eu ganhei bem de antes”.
Referências não identificáveis: serão consideradas as declarações, do sujeito sobre si ou do outro sobre o sujeito, que não contiverem marcas lingüísticas explícitas que possam direcionar às categorias de positivo ou negativo. Por exemplo, no momento que a pesquisadora fez o contorno do “Desenho em tamanho real” da Cecília, esta expressou: “eeeeee! Uhuuu! Eu sou fofinhaaa...”
Além desses núcleos de sentido pré-estabelecidos, foram identificados, nas leituras do corpus da pesquisa, elementos da relação da criança com o abusador. Desta feita, assinala-se a importância de fazer referência a um dos objetivos específicos que diz respeito a essa temática. Foi criado, então, um núcleo de sentido pós-estabelecido, nomeado como “O outro – abusador”, no qual serão considerados os trechos do discurso do sujeito que faz referência a esta relação.
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A partir de informações obtidas em outras situações, sabe-se que Adélia começou a ter aulas de Espanhol na escola no ano de 2009 e, mesmo assim, tais aulas são em pouca quantidade e profundidade, não permitindo que ela desenvolvesse a habilidade de falar em outra língua rapidamente, nem tampouco cantar.