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2. Teori

2.1. Teknologiforståelse

2.1.1. Teknologi som flytende objekt

Na década de 50, Juscelino Kubitschek (1956-1961), assume a

presidência da República e, no seu Plano de Metas, vincula-se à transferência

da Capital Federal para Brasília a construção de rodovias que interligassem o

novo centro de comando e as várias regiões do país. Entre essas rodovias se

arrolava a Belém-Brasília (Ver mapa 1). “A capital federal foi planejada como

ponto central do sistema viário brasileiro. A sua ligação rodoviária com as demais

regiões permitiria a circulação de mercadorias entre as áreas agrário-extrativas

do interior e os centros urbanos-industrializados do Sudeste” (Borges, 2000, p.

58).

Antes da implantação da rodovia Belém-Brasília, as terras de mata da região norte estavam praticamente vazias e tinham pouco valor comercial. Apenas algumas famílias de posseiros, provenientes, sobretudo, do norte do país, exploravam áreas de terras devolutas, dedicando-se ás lavouras de quase subsistência como atividade básica. (Borges, 2000, p. 87).

Divulgada a noticia da construção da rodovia, irrompe larga procura

das terras que lhe seriam marginais. É que a sua rápida valorização logo se

desenhou na mente dos especuladores. Para alcançar lucros fabulosos, cogitavam

eles, era bastante adquiri-las sem demora e vendê-las mais tarde por preço

condizente com a vantagem de estar a gleba próxima a uma estrada que a ligava

diretamente com a Capital Federal e com um porto voltado para o Atlântico.

Ouvimos ontem o Sr. José Toscano de Brito, Chefe do serviço de construção da estrada Anápolis –Belém.

E por ser ele grande conhecedor do assunto, nossa reportagem procurou ouvi-lo sobre a construção da estrada que corta o sertão do Centro-Oeste brasileiro de Anápolis-Belém, e que está a 14 quilômetros além de Porangatu, onde se encontra o acampamento “Canabrava”.

Assim falou-nos o Sr. José Toscano de Brito:

“Nós temos observado, de 48 para cá, um progresso extraordinário na região Centro-Oeste de Goiás”.

Em 1948, quando começamos a nossa estrada, em São Patrício, a valorização de terreno naquela região era relativamente pequena. O alqueire de terra valia apenas, naquela ocasião, menos de cinqüenta cruzeiros. Hoje, com há apenas seis anos, nós notamos uma valorização fabulosa e o desenvolvimento daquela região.

Encontramos diariamente seis a oito mudanças “pau-de-arara”, em direção a Porangatu. De forma que a região é muito próspera e nossa estrada vem trazendo um grande beneficio à zona. (Folha de Goiaz, 8/7/1954)

Outro documento de igual importância é a ata do Legislativo da Câmara

Municipal de Porangatu referente ao exercício do ano de 1960. Nela registrou-

se um telegrama do Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, desejando a

todos os componentes da casa votos de um feliz Natal e próspero Ano Novo. E

ainda, um ofício do prefeito, informando aos vereadores sobre a passagem da

caravana presidencial naquele município (ver anexo), entre 25 a 30 de janeiro

do mesmo ano. Neste documento o prefeito pede a colaboração do legislativo

para recepcioná-la.

[...] uma recepção à altura desse grande acontecimento que marcará definitivamente a ligação do norte do país a nova capital da República – Brasília gigantesco, arrojado e vibrante feito do grande Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. (Livro de Ata no 4, 1959, p. 39-41)

É de notar que a passagem da caravana de Integração Nacional suscitou

enorme entusiasmo na sociedade porangatuense, principalmente no meio

político. Dessa forma, o prefeito da época Ângelo Rosa de Moura e os membros

do legislativo municipal não pouparam esforços na esperança de trazer para a

cidade os benefícios fiscais previstos para a região amazônica, o mais almejado

dos quais era a criação do Banco de Crédito da Amazônia (BCA) que iria abrir

linhas de crédito com juros baixos. A transcrição a seguir mostra o grande

interesse dos poderes executivo e legislativo na instalação desse banco na cidade

de Porangatu.

[...] cumpre-me com o presente, levar ao conhecimento deste legislativo, que em 29/01/60 passou por esta cidade, os membros componentes da Caravana de Integração Nacional, presidida pelo Coronel Aviador Lino Romualdo Teixeira, Sub-Chefe da Casa Militar da Presidência da República, Dr. Waldir Bouhide- Presidente da S.P.V.E. A – Dr. Waldir Costa Luís, Diretor da Rodobrás e vários outros elementos da referida caravana. Nessa oportunidade, quando juntos recepcionamos os caravaneiros de Integração Nacional, solicitei do Sr. Presidente da S.P.V.E. A, que fosse criado em nossa comuna um estabelecimento bancário,

Banco de Crédito da Amazônia-B. C. A – sendo por esse feito a devida promessa de criação, tão logo voltasse de Belém. Nessa oportunidade, ou seja, 30/01/60 conforme ofício no 11 encareci junto a sua Excia., Presidente da República o referido pedido acima exposto, conforme teor do ofício: Em resposta ofício no 11 este governo recebeu o seguinte telegrama; - Prefeito Ângelo Rosa de Moura - Porangatu-Go - uh Goiãnia 482218-22/02/60. Senhor o Presidente recebeu seu ofício no 11, 30/01/60, e incumbiu-me comunicar assunto foi encaminhado ao órgão competente para ser objeto de devido exame. Cordiais saudações. Osvaldo Maia Penido, Sub-Chefe Gabinete Civil da Presidência da República. Outrossim, urge-me certificá-lo que no dia 15 do mês em curso estive no Rio tratando de diversos interesses que se prende ao engrandecimento do nosso município, etc, época em que estive no Catete com a S. Excelência; Presidente da República, que muito proporcionou o nosso município o pedido exposto acima, encaminhando-me ao Sr. Presidente do Banco de Crédito da Amazônia; Dr. Reny Acher, que deu-me todas as instruções necessárias tais como: Solicitar deste legislativo, seja aprovada em reunião o pedido da criação do estabelecimento bancário, afim de que possa esse governo preparar processo relativo ao conteúdo deste. Aguardo, pois que S. Excelência; como de sempre máxima urgência possível, afim de que sejamos contemplados com mais esse marco de desenvolvimento para todas as classes, ficando destarte, indelével as gerações que nos sucederam no futuro, quando Goiás, na vanguarda da Marcha acelerada para o Oeste, e com ele o Brasil, engastado no “Interland” - Brasília. A essa altura Sr. Presidente, unamo-nos e ergamos uma fronteira intransponível em torno de nossas administrações, para que seja legada em dias vindouros, por essa mocidade que ora se desenvolve na penumbra de uma administração sadia e fecunda do Sr. Presidente da República, que tanto admiramos. (Livro de Ata no 4, 1959, p. 51-52).

[...] o Sr. Prefeito municipal juntou mais cópias do seu ofício no 11, de 30/01/60, dirigido ao Excelentíssimo. Sr. Dr. Juscelino Kubitschek, DD, Presidente da República, no seguinte teor: Cumpre-me com o presente, e tendo em vista o surto de progresso

por que passa esta cidade, com a construção de Brasília, digo Brasília-Belém, hoje Bernardo Sayão, sob dinâmica administração de v. Excia; fazendo assim, a ligação norte–sul do paiz, verda- deira obra épica do século XX, é que, venho solicitar de V. Excia., a criação e fundação de um estabelecimento bancário, qual seja o Banco de Crédito da Amazônia, pois, além desse município já fazer parte integrante da Valorização Econômica da Amazônia, está propiciado pelo progresso vertiginoso da referida rodovia. A solicitação em apreço já foi por este governo confirmada pelo ilustre Presidente da S.P.V.E. A Dr. Waldir Bouhid, quando por aqui passou com o Coronel Lino Romualdo Teixeira, mui digno representante de V. Exlcia., Na Caravana de Integração Nacional, prometendo destarte a criação do mesmo. Quanto às possibili- dades deste município são ótimas, pois, desfruta de um grande desenvolvimento agro-pecuário, sendo também o seu movimento comercial muito evoluído. Nesta oportunidade, afim, de maior facilidade de transações bancárias, espero merecer de V. Excia, a acolhida que se fizer necessário. Sendo só o que se me oferece para o momento, formulo o presente, com os meus protestos de elevada estima e lídima consideração. (Livro de Ata no 4, 1959, p. 52-53)

Vê-se nessa transcrição que o Prefeito Ângelo Rosa de Moura

encontrava-se em estado de grande euforia com a construção da rodovia Belém-

Brasília. Pedia insistentemente a criação do Banco de Crédito da Amazônia na

cidade de Porangatu. Ele estava deslumbrado com a chegada da rodovia Belém-

Brasília e com a construção da Capital Federal, já que tais construções

transformariam decisivamente o cenário político e econômico da região, antes

marcada pelo seu isolamento.

Em resumo, a valorização econômica dessa região mudou significa-

tivamente o tipo de interesse pela terra, que antes era a necessidade de obter

dela o sustento das famílias de pequenos proprietários e principalmente dos

posseiros que ali se achavam.