Os resultados relativos à avaliação observacional são apresentados na secção 4.5.4. Por comparação entre as duas tabelas (4.8 e 4.9), referentes a cada fase de tempo, verificou-se que para os 3 DAs, os pacientes apresentam como pé de avanço o correspondente ao lado onde ocorreu a cirurgia no joelho, sendo esta a indicação dada pelo terapeuta ao paciente. Na primeira fase, apenas para dois casos é que não se assistiu a este tipo de marcha, o que po- derá ter sido devido a uma dificuldade de coordenação por parte do paciente ou então provo- cada devido à dor. Relativamente ao atraso na marcha com as muletas, há apenas uma pes- soa, nas duas fases de tempo, que não apresenta atraso na marcha, isto é, que realiza o mo- vimento em simultâneo do DA e do pé de avanço. No andarilho de 4 pontas, na primeira fase não se assistiu a nenhum atraso, enquanto que para a segunda surgiram dois pacientes. No- vamente, há um movimento em simultâneo do DA com o pé de avanço. Os casos em que não há atraso na marcha, são indicativos de um maior equilíbrio por parte do paciente e, como seria de esperar, assiste-se a mais casos desses na segunda fase, devido à evolução do paci- ente. Por outro lado, para o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços, para nenhuma das fases há um atraso na marcha, porque o movimento com este DA é contínuo.
De uma forma geral, a marcha com as muletas corresponde a uma marcha atrasada de 3 pontos, enquanto que com o andarilho de 4 pontos é desenvolvida uma marcha atrasada de 5 pontos. Verificou-se que, da primeira para a segunda fase, há uma melhoria evidente de um paciente, o qual inicialmente apresentava uma marcha mais vagarosa de 4 pontos e progrediu para 3 pontos. Da primeira para a segunda fase, assiste-se a uma ligeira redução do movi- mento swing-to para os pacientes com as muletas, com o aumento do número de pacientes que apresentam os dois tipos de movimento e do surgimento de um caso só com movimento swing-through. A maior manifestação deste último movimento é representativa de um maior equilíbrio e força dos pacientes. Entre as duas fases de tempo, assiste-se a uma redução do número de passos de compensação, essencialmente nas muletas. Esta redução, pode ser devido à redução da dor e, consequentemente, da dificuldade de caminhar.
Já para o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços, para nenhuma das fases, se assiste a um passo de compensação. Para nenhum DA, nas duas fases de tempo não há tro- peções, validando a escolha dos pacientes efetuada e as condições em que os testes foram realizados, garantindo a estabilidade do paciente. Em termos de cansaço demonstrando pelos pacientes, verifica-se que há uma maior exaustão na primeira fase com o andarilho de 4 pon- tas e, seguidamente, com as muletas.
Em contrapartida, com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços os pacientes nunca revelaram cansaço.
Para a segunda fase, nenhum DA cansa o paciente, durante os testes. Portanto, pode-se concluir que a causa da exaustão verificada na primeira fase, deve-se à dificuldade de cami- nhar destes pacientes, tanto de forma independente como com DA. O facto do andarilho de 4 pontas provocar cansaço num maior número de pessoas, comparativamente com as muletas, pode ser devido ao tipo de movimento que a pessoa tem que exercer para o seu deslocamento com o DA. Como seria de esperar, uma vez que se assiste a um maior cansaço para os paci- entes com o andarilho de 4 pontas e de seguida com as muletas, logo, estes DAs também estão associados a uma maior número de paragens ao longo do teste. De qualquer forma, as paragens aconteceram numa minoria dos pacientes avaliados. Já para a segunda fase não há nenhuma paragem para nenhum DA, sendo que com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços também não existiu nenhuma na primeira fase, revelando a sua facilidade de con- dução.
Relativamente aos tipos de compensação ao longo da marcha, para a maioria dos pacien- tes, na primeira fase assiste-se a uma grande dificuldade em caminhar quando a perna do lado do joelho lesado está na fase de apoio. Esta dificuldade é devido ao suporte de peso cor- poral nessa instante sobre o lado lesado, traduzindo-se numa maior carga e, consequente- mente, maior dor sobre o joelho, adquirindo uma marcha mais lenta e a coxear. De qualquer forma, pelo que foi visualizado, as pessoas apresentavam uma menor dificuldade em cami- nhar, ao longo do teste, com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços do que os outros DAs. Na segunda fase de tempo, apenas um paciente apresenta o mesmo tipo de compensação.
Outro tipo de compensação, consistiu na disposição do andarilho de pontas, relativamente ao paciente. Na primeira fase há 6 pacientes que apresentam uma distância anormal com o DA, enquanto que na segunda, existem apenas 3. Este afastamento ou aproximação em de- masia, pode ser o causador dos passos de compensação ao longo da marcha, como modo de ajuste. Na primeira fase de tempo, 6 pacientes apresentam um movimento contínuo com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços, o que é bastante positivo, considerando as condições dos pacientes após 5 dias da cirurgia. Apenas 2 pacientes manifestaram dificulda- des de coordenação com este DA, que poderá ter sido devido à falta de prática de condução do dispositivo ou então foi uma dificuldade originada pela dor. De qualquer modo, na segunda fase verificou-se que a maioria dos pacientes apresentam um movimento contínuo com o an- darilho de 4 rodas com suporte de antebraços e apenas 1 apresenta dificuldades na coorde- nação. Portanto, uma vez que para esta fase de tempo os pacientes já não demonstram gran- des dificuldades ao caminhar e dor, a descoordenação só pode ser devido à falta de prática com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços.
Em relação aos comentários realizados pelos pacientes, estes indicaram que se sentiam seguros com o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços, sendo mais fácil de conduzir e melhor do que os restantes.
De uma forma geral, o andarilho de 4 rodas com suporte de antebraços permitiu um mo- vimento contínuo e uma marcha mais rápida, comparativamente com os outros DAs. Tal está de acordo com as análise quantitativas realizadas anteriormente. Este DA providencia um óti- mo suporte e uma fácil condução aos pacientes, sendo mais visível na primeira fase de tem- po. Nesta fase, os pacientes apresentam grandes limitações e mesmo assim são capazes de caminhar de um modo contínuo e mais rápido do que com os outros DAs, sem nenhuma pa-
ragem ou passos de compensação e sem cansaço associado. Para todos os DAs, assiste-se a uma melhoria da primeira para a segunda fase, devido ao notório progresso destes pacientes entre as duas fases.