4. Strømnettet i fremtiden
4.1 Behovet for nettinvestering
4.1.1 Teknologi
Ao longo de toda a análise dos dados recolhidos tem-se constatado que a sensibilização para o recurso ao ambiente físico, através da sua reconstrução como facilitador das aprendizagens e da implementação da multi/interculturalidade, por parte dos professores, não é a mesma. As docentes a exercer funções na escola de meio urbano mostram-se mais conscientes da importância deste dispositivo e utilizam-no constantemente, embora não de forma planificada mas intuída, referindo-se à construção do ambiente físico da sala como um gerador de aprendizagens e catalizador da atenção das crianças.
«Eu nem saberia trabalhar numa escola despida, deveria ser deprimente viver tanto tempo, com crianças, num espaço insignificante» (Prof. Ana, EB1 da Nova Cidade).
Em meio rural, as professoras concordam que possa ser facilitador das aprendizagens e mesmo da educação multi/intercultural, mas não recorrem a ele dando-lhe o significado de mais
um dispositivo pedagógico, mas sim como espaço para expor, regra geral, cartazes ou trabalhos individuais, referentes a épocas marcantes do calendário escolar, como as estações do ano, festas, ou dias de referência. Nos documentos recebidos nas escolas rurais, não há qualquer referência ao ambiente físico das salas de aula, ao seu recurso ou reconstrução.
«Se olharmos, há coisas nas paredes e feitas pelas crianças mas ... é mais os cartazes daquelas alturas especiais e alguns trabalhos relacionados com o Projecto Educativo» (Prof. Celeste, EB1 de Vale Verde).
Na escola urbana, embora não surja nada sobre esta área nas planificações de aulas, nos Projectos Curriculares de Turma, aparece um ponto ou outro que revela algum interesse por esta vertente, se não veja-se:
«A organização espacial é fundamental para a busca de autonomia e para a gestão da heterogeneidade dos alunos. Assim, foram criados, no início do ano, os cantos da leitura, teatro, descoberta e pintura durante o 1.º período. No 2.º período criaram-se os cantos da escrita e do trabalho livre» (Projecto Curricular de Turma, Prof. Ana, EB1 da Nova Cidade: 32).
Na escola da Nova Cidade á a prática e o interesse educativo da construção de espaços definidos para determinadas aprendizagens que acabam por ser globalizadoras e integrais. A operacionalização do programa curricular é feito de forma transversal com a reconstrução e utilização do espaço físico da sala, através de áreas temáticas de trabalho.
«Nós aqui nesta escola, porque a metodologia de trabalho também o prevê, ao longo do ano e de acordo com os temas integradores de trabalho sugeridos pelas crianças, vamos criando cantos na sala, que são espaços para elas experimentarem coisas e construírem mesmo coisas, ou seja, se um grupo escolhe ir para o espaço do teatro, tem que mostrar resultados, no fim tem de representar para todos o que fizeram e já se sabe, simultaneamente trabalha-se o currículo, eles é que nem vêem ...» (Prof. Ana, EB1 da Nova Cidade).
«Eu tenho o canto da leitura, onde há uma biblioteca ao nível da turma que tenho, o da pintura onde se trabalha a expressão plástica, diversos materiais e técnicas e o da música, que todos gostamos muito» (Prof. Celina, EB1 da Nova Cidade).
De acordo com novas ideias vindas das crianças e que sugerem, ao professor crítico- reflexivo e multicultural, pistas para criar espaços temáticos dentro da sala de aula, fazem-no em grupo e em negociação (alunos/alunos e alunos/professor). Esses espaços são apetrechados
pedagogicamente com o intuito de se transformarem em “oficinas” de trabalho e de alteridade pessoal, onde são abertas mais e outras possibilidades, aos alunos, de aquisição de outros e mais conhecimentos, transformando momentos educativos, que à partida são descritos como mais morosos e fastidiosos para as crianças, em momentos de verdadeira aprendizagem e completo bem-estar e alegria.
«Essas áreas de estudo/aprendizagem dão muito resultado para o desenvolvimento de todo o processo educativo, os miúdos escolhem o espaço, vão utilizá-lo em grupo e aí partilham, assimilam e produzem, embora orientados por mim mas eles é que gerem o tempo com aquilo que querem fazer, e os miúdos gostam de mostrar trabalho.. e aí aprendem mais facilmente conteúdos matemáticos do que doutra forma ... e todos contentes e mais ... as crianças aprendem a aceitar as diferenças de cada um sem atritos» (Prof. Marta, EB1 da Nova Cidade).
É nesta esteira que há professores a criar espaços educativos dentro da sala de aula que resultam em lugares de investigação, experimentação, produção e aprendizagem com significado e assunção da interculturalidade. Assim o vão fazendo as professoras da escola da Nova Cidade.
Nas escolas rurais, as professoras têm uma prática mais conservadora, direccionista e unidimensional, para implementar todo o acto educativo, descurando a organização física da sala de aula sem recorrer abundantemente a esse aspecto da vida da escola e por isso desvalorizando a educação multi/intercultural. Por vezes há espaços temáticos dentro da sala de aula, mas não são efectivamente utilizados por isso não são optimizados, nem potenciados para o melhoramento do processo de ensino-aprendizagem.
«Bem, por aqui realmente não se trabalha com a ajuda da reconstrução dos espaços físicos da sala ... e áreas definidas de aprendizagem... só se for a biblioteca, que é pobre e até digo, pouco utilizada, por um lado porque é uma canseira pôr os miúdos a ler, são quase obrigados, e por outro, não há muito tempo» (Prof. Guilhermina, EB1 da Ribeirinha).
«Também tem que se ver que as nossas salas estão degradadas, por vezes nem se pode utilizar as paredes, cai a tinta toda, e não temos material para criar esses espaços, seriam óptimos mas não há possibilidades para isso» (Prof. Celeste, EB1 de Vale Verde).
Em meio rural as docentes assumem que não constróem espaços de aprendizagem, somente a biblioteca, embora pouco utilizada. Alegam novamente a falta de condições nos edifícios escolares e de material adequado como constrangimentos à inovação e à mudança.
É de acrescentar que nenhum dos documentos vistos contém qualquer referência à reconstrução dos espaços físicos da sala em benefício das aprendizagens, nem mesmo à construção de áreas de estudo.