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11. SIKKERHETSVURDERINGER OG RAMS

13.3 TEKNISK LØSNING FOR TELE .1 GSM-R .1 GSM-R

William B. Yeats acreditava que os símbolos transmitiam um legado com grandes experiências da alma. Dessa forma, ele defendia que a alma individual poderia comunicar-se com os espíritos ancestrais por caminhos sobrenaturais através de inúmeras partes da psique humana, trazendo de volta o passado através dos sonhos. Durante sua carreira, Yeats elegeu a rosa, o fogo e a água como os seus principais símbolos.

De acordo com Foster (1997), há nos textos literários de Yeats referências a símbolos tipicamente irlandeses que foram metamorfoseados em uma simbologia própria, como o unicórnio, que representava um signo particular pertencente a sua própria ordem mística, e símbolos vindos de elementos oriundos de doutrinas filosóficas, além da simbologia com arcabouço cristão.

127 It was only by watching my own plays that I came to understand that this twilight between sleeping

and waking, this bout of fencing, alike on stage and in the mind, between man and phantom… is the condition of tragic pleasure. (p. 416)

Segundo Frye (1999), Yeats, ao buscar os símbolos, estava cumprindo uma tradição tipicamente romântica, através de uma mistura de vários elementos, resultando em um sincretismo que vai formar o universo simbólico do dramaturgo. W.B. Yeats acreditava, ainda segundo Fyre (1999), que os símbolos de seu trabalho poderiam ser mais pessoais. Pensava em usar o simbolismo para criar sentimento, enquanto os outros, poetas, dramaturgos, faziam dos símbolos uma espécie de veículo para propaganda.

Mesmo tomando como fonte os poetas românticos ingleses para a constituição de sua rede simbólica, especialmente Shelley, Yeats ainda recorreu aos simbolistas franceses, aos místicos suíços e aos filósofos alemães, para comportar o todo que resultaria em sua rede de símbolos.

Shelley, de acordo com Yeats (1923), moldou uma linguagem própria dentro da língua inglesa, ou seja, criou um arcabouço simbólico com aquilo que a língua permitiu. Dentre os símbolos do poeta mais apreciados por Yeats, segundo Foster (1997), podem ser destacados o Sol e a Lua. O Sol era o símbolo máximo da vida sensitiva e mimetizava o ouro, a energia. A lua, por sua vez, era a representação da prata, o símbolo mais variante, que mais se modificava, sendo descrita por Yeats como “a gélida e inconstante Lua”.

Além de Shelley, Yeats buscou como fonte de inspiração o pensamento de William Blake sobre os símbolos. Para este outro poeta, de acordo com o próprio Yeats (1923), o símbolo era a representação de uma essência invisível ou o que poderia ser designado por uma “chama espiritual”. No esquema simbólico de Yeats, as imagens poderiam se tornar símbolos quando fossem tocadas por valores ou significados. O dramaturgo acreditava que poderia alcançar outra dimensão através do uso combinado dos símbolos juntamente com as alegorias, dizendo que a mente humana trabalhava com um sistema complexo, simbólico e alegórico.

Os símbolos serviam para encher nossas mentes “com essências das coisas, não com coisas” (YEATS, 1923, p. 39)128. As palavras deveriam ser interpretadas como se estivéssemos em um ritual, que era para Yeats o componente mais sagrado do tear literário.

Os símbolos evocados durante o processo de interpretação estão associados a fragmentos de sombras presentes em nosso intelecto, sendo justamente neste espaço, acreditava Yeats (1923), que o símbolo se tornava mais forte.

Se eu digo ‘branco’ ou ‘roxo’ em um verso comum da poesia, eles evocam emoções tão próprias que eu não consigo descrever a forma que me tocam; mas se eu as disser no mesmo humor, no mesmo fôlego com tantos símbolos intelectuais óbvios como uma cruz, uma coroa de espinhos, eu penso na pureza e soberania; enquanto outros inumeráveis significados, que estão sustentados entre si pela atadura de insinuação sutil, e da mesma forma que nas emoções e no intelecto, movem-se visivelmente na minha mente, e movem-se invisivelmente além do limiar do sono, lançando luz e sombra de uma sabedoria indefinida naquilo que parecia antes, e pode ser nada além de violência estéril e barulhenta.129 (YEATS, 1923, p. 250)

Segundo Ellmann (2013), The Wandering of Oisin (1889) é o primeiro trabalho em que Yeats empreendeu a usar símbolos. Yeats teria dito a Katharine Tynan 130 que as chaves para o entendimento e compreensão dos símbolos de seus textos só ele possuía. Os poemas, peças e ensaios eram construídos para seus leitores, mas eles precisariam de um intérprete. O autor, porém, nunca revelou se apenas ele poderia ser de fato, este intérprete: “Um dia ele queria que os símbolos fossem compreendidos por ele somente, poucos dias depois ele sentia que os símbolos deveriam ser interpretados pelo público.” (p. 55)131.

Ainda pelas palavras de Ellmann (2013), Yeats acreditava na filosofia do anima

mundi, concepção segundo a qual todas as coisas do planeta estariam interligadas

através dos símbolos. Donoghue (1988) completa, de certa maneira, as palavras de Yeats dizendo que “o anima mundi não é simplesmente um depósito de imagens e símbolos [...] A grande alma pode ser evocada por símbolos [...] a melhor leitura do

anima mundi é sua correlação subjetiva com a história, a vida da nação em símbolos”

129If I say ‘white’ or ‘purple’ in an ordinary line of poetry they evoke emotions so exclusively that I

cannot say why they move me; but if I say them in the same mood, in the same breath with such obvious intellectual symbols as cross, a crown of thorns, I think of purity and sovereignty; while innumerable other meanings, which are held to one another by the bondage of subtle suggestion, and alike in the emotions and in the intellect, move visibly through my mind, and move invisibly beyond the threshold of sleep, casting lights and shadows of an indefinable wisdom on what had seemed before, it may be, but sterility and noisy violence (YEATS, 1923, p. 250).

130 Poetisa irlandesa famosa no país por seus romances e poesias, dentre os seus trabalhos se destacam:

Irish Love-Songs (1892), The Great Captain: A Story of the Days of Sir Walter Raleigh (1902), Twenty- five Years: Reminiscences. (1913)

131 One day he wants the symbols to be comprehensible only to him and a few days later he feels that

(p.41) 132. Essa filosofia ainda poderia ser interpretada como a alma do mundo, em que tudo se baseava em um eterno ciclo de vida e morte, ciclos históricos e livre-arbítrio.

O anima mundi, considerava Yeats (1923), permitia que a arte e a vida se fundissem, tornando-se um todo pelo qual não poderiam ser separados. De acordo com seu raciocínio, os símbolos evocariam seus significados a partir das experiências pessoais que foram vivenciadas no passado. Para Yeats, a maior chave do poder para se entender os símbolos é, na verdade, a memória, sendo esta a mãe de todas as musas. Todos os símbolos seriam “paridos” pela memória, dando significados a toda a sua simbologia.

Dos símbolos preferidos por Yeats, a rosa foi um dos principais. Blake foi um dos percussores, entre os românticos ingleses, na utilização deste signo, no seu poema

The Sick Rose, que acabou por influenciar Yeats. Ressalta White (1972):

Pela primeira vez na literatura da Inglaterra um sistema simbólico complexo no qual uma rosa podia se tornar a expressão de um misticismo pessoal... pois Blake... deu as costas para toda a tradição estabelecida, e formou por suas percepções particulares e elaborou um panorama semi-religioso expresso através de uma mitologia simbólica particular.133 (p. 15)

Como Romântico e simbolista, Yeats empregou a simbologia da rosa em seus poemas através de mecanismos que refletiam a sua objetividade Romântica: “a medida que Yeats amadurece, ele se torna cada vez mais objetivo, ou pelo menos assume uma máscara objetiva e os símbolos que ele emprega nos seus últimos versos refletem essa objetividade”134 (WHITE, 1972, p. 68).

Com o avanço do tempo, a simbologia da rosa vai se adaptando e ganhando outros contornos para o autor, especialmente com conotação sexual. Ele acreditava que o símbolo deveria ser tradicionalmente unificado e intelectualmente capaz de evocar ideias mistas com emoções, escolhendo com isso, personificar em Maud Goone e na Irlanda seus ideais. Em um plano elevado, diz White (1972), o símbolo ganha um caráter de mulher divina e de sexualidade.

132 The anima mundi is not merely a store of images and symbols […] The great soul may be evoked by

symbols […] The best reading of the anima mundi it is the subjective correlation with history, a nation’s life in symbols.” (DONOGHUE, 1988, p. 41)

133 For the first time the literature of England an intricate symbolic system in which a rose could become

the expression of a personal mysticism… for Blake… turned his back on all established tradition and fashioned of his private perceptions and elaborated a semi- religious outlook expressed through a private symbolic mythology. (WHITE, 1972, p. 15)

134 “but as Yeats mature, he became increasingly objective or at least he assumes an objective mask and

O simbolismo da rosa se consolida em importância para Yeats quando ele conhece Maud: “A rosa é símbolo preferido pelos poetas irlandeses. Ela deu nome a vários poemas, tanto em gaélico como em inglês, e é usada não somente em poemas de amor”135 (WHITE, 1972, p. 38). Para Yeats, a rosa vai ser uma mistura de beleza, inteligência e paz. O dramaturgo acreditava que a mulher ainda se relacionava diretamente à terra, e Deus tinha dado ao planeta a forma feminina.

Outros dois símbolos são complementares na construção simbólica de Yeats: o fogo e a água, sendo eles símbolos que se fundem. Segundo Martin (1986), a água era o símbolo gerador, o quarto elemento da criação, enquanto, do outro lado, o fogo representaria a destruição, o fim de tudo, inclusive de toda a criação.

No ritual de ‘lanças’ dos mistérios celtas de Yeats, os Três Imitadores representam os três tipos de fogo: O Primeiro Imitador fala do ‘fogo verde da grama [fogo vital], e no fogo com sentido de vida. O segundo imitador fala do fogo destruidor, da escuridão na chama, do terrível fogo abrasador. O terceiro imitador fala do fogo do Além136 (MARTIN, 1986, p. 1056).

O fogo representaria ainda a alma da condição humana, enquanto a água seria o coração das paixões mortais. As chamas do fogo poderiam destruir o mundo como conhecemos, mas essa destruição poderia ser, em um nível espiritual, a representação de uma reconciliação com o espírito da criação, simbolizando um novo começo, um novo ciclo, ou seja, o velho dando lugar ao novo.

Havia, porém, uma diferença para Yeats na [re]criação, segundo Martin (1986), do mundo por água ou fogo. O fogo destruiria tudo, todas as formas e imagens, sendo a água, na verdade, um elemento modelador, modificando tudo.

A luz emanada do fogo sempre se associava a seres malignos de outros mundos: “O fogo de que nos lembramos é um ‘fogo que não é o que chamamos de fogo, mas ‘fogo dos céus’” 137 (MARTIN, 1986, p. 115). Yeats, porém, nunca deixou claro se o fogo implicaria uma destruição total ou apenas uma completa mudança. Para ele o que precisaria ser constantemente modificado era o coração dos homens

135“The rose is a favorite symbol with the Irish Poets. It has given a name to more than one poem, both

Gaelic and English, and is used not merely in love poems. (WHITE, 1972, p. 38)

136 In the ‘spear’ ritual of Yeats’s Celtic mysteries the three imitators represent the three types of fire: The

First Imitator speaks of ‘the green fire of grass’ [vital fire] and the fire in the sense of life. The Second Imitator speaks of destroying fire, the blackness in the flame, the terrible scorching heat. The Third Imitator speaks of fire Beyond. (MARTIN, 1986, p. 105)

137“The fire we remember is a ‘fire that is not what we call fire but ‘fire of heaven’” (MARTIN, 1986, p.

O fogo de lareira recebe lugar de destaque em um número de suas peças, mas sua primeira função é repelir as “más” influências dos “outros mundos” [...] a lareira representa ‘coisa deste mundo’ que é melhor às vezes que se sacrifique, particularmente por causa ideal”138 (MARTIN,1986, pp. 125-126).

Yeats coloca: “Existe tanto fogo na alma, na sua, na minha, na alma de qualquer vendedora de maça do Mercado que se pudesse retirá-lo, ele consumiria todo o mundo” 139 (MARTIN,1986, p.130). O dramaturgo costumava dizer que o fogo era um pensamento perigoso.

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