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ERTMS TRAFIKKREGLER

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14. VIDERE PLANLEGGING OG GJENNOMFØRING

14.7 ERTMS TRAFIKKREGLER

Os mitos, as lendas, todos os contos folclóricos deixados pelos antigos Celtas servem para a Irlanda como defensores do passado, preservados principalmente pela tradição oral, como já apontamos. Os literatos que se relacionaram com a Renascença Celta tomaram do baú folclórico Celta sua inspiração. Yeats buscava nesse passado uma forma totalmente diferente de interpretar a sociedade em que vivia através da literatura. Ele relata o primeiro contato com esse universo em sua autobiografia, dizendo que era comum ouvir os empregados do seu avô falando sobre as fadas, tendo ele acreditado que uma delas teria sussurrado em seu ouvido.

De acordo com Foster (1997), foi através de histórias contadas sobre seres sobrenaturais, como as fadas, que Yeats se interessou pelo mundo “mágico” irlandês. O autor, desde muito cedo, começou a estudar os “magos” que viviam a oeste da Irlanda, tido como o lugar que conseguiu preservar de forma mais verdadeira as tradições Celtas. As lendas míticas encantavam e emocionavam Yeats intelectualmente. Seus primeiros trabalhos estão imersos em uma grande teia que se relaciona diretamente aos povos Celtas e suas crenças.

Quando começou a escrever seus poemas e peças, utilizou-se do celticismo moldado pela estética Romântica, sendo muito influenciado pelo poeta inglês Percy Shelley. Em The Priest and the Fairy, seu texto de estréia no cenário literário irlandês,

138 The hearth fire is given a prominent place in a number of plays, its primary function being to ward off

the “evil” influences of the “otherworlds” […] The hearth represents the ‘thing of this world’ which it is sometimes better to sacrifice, particularly for such a ideal cause”. (MARTIN,1986, pp. 125-126)

139 “There is so much fire in the soul, in yours, in mine, in the soul of any apple-woman in the market that

publicado originalmente em 1884, o autor recorreu a uma narrativa repleta de elementos folclóricos sobrenaturais, misturando fadas, druidas, padres e almas condenadas. Yeats também recorreu aos mesmos elementos na peça Vivien and Time, em 1884. Nenhum dos textos rendeu notoriedade literária ao autor.

[…] um esboço de peça envolvendo um bispo, um monge e uma mulher acusados por pastores de bruxaria: a "ferocidade" pagã é posta contra da caridade cristã. A bruxa carrega no céu de noite, conhece a ‘linguagem da shide’ e lança de lado suas mortalhas para revelar um manto de penas de pavão e ornamentos de ouro.140 (FOSTER, 1997, p. 37)

Foi apenas com o lançamento de The Stolen Child e The Wanderings of Oisin, ainda em 1884, que os trabalhos de Yeats ganharam contornos sólidos diante da crítica inglesa e irlandesa. Porém, segundo Ellmann (2013), os críticos literários irlandeses começaram a olhar para o autor como alguém que amava a Inglaterra fervorosamente, por causa das suas influências de poetas ingleses, mesmo Yeats usando as causas e o folclore da Irlanda.

As críticas cresceram substancialmente após Yeats começar a editar textos com temas mitológicos, emoldurados nas lendas sobre a vida do Rei Arthur141 e o Graal, para publicações britânicas, como a revista Christian Examiner. Segundo Foster (1997), com essas publicações Yeats firmou-se como autoridade literária na área.

Os trabalhos sobre a vida mítica do Rei Arthur serviram para Yeats dar contornos mais poéticos aos textos mitológicos irlandeses, além de serem apontados como porta de entrada para o mundo Romântico medieval no qual Yeats navegou. Ele lançou dentro desse contexto, trabalhos como: Representative Irish Tales (1885), Fairy

and Folk Tales of the Irish Peasanty (1888), Stories from Carleton (1889), The Celtic Twilight (1902) e Irish Fairy Tales (1920).

Foi com a publicação de alguns desses textos que Yeats começou a confrontar a comunidade católica da Irlanda. De acordo com Foster (1997), ao escrever Stories from

Carleton (1889), Yeats foi alvo da crítica religiosa Católica do país. O dramaturgo

precisou escrever e publicar uma carta se defendendo dos comentários feitos a seu texto

140 […] a draft play involving a Bishop, a monk and a woman accused by shepherds of witchcraft: pagan

“fierceness” is posited against Christian charity. The witch rides in the sky by night, knows the ‘language of the shide’ and casts aside her shrouds to reveal a robe of peacock feathers and gold ornaments ( FOSTER, 1997, p. 37)

141 Segundo Ellmann (1997), uma das influências da carreira do dramaturgo foi Thomas Malory que

pelo jornal Nation. Quando publicou a primeira edição de Representative Irish Tales (1891), ele mais uma vez teve que se defender da crítica, quando seu trabalho foi classificado como “anti-católico” (p. 98).

A partir de 1889, de acordo com Howes e Kelly (2006), Yeats começou a conclamar os poetas irlandeses a tomarem apenas assuntos relacionados ao seu país em suas obras. O dramaturgo pretendia com isso libertar a Irlanda da “literatura da colonização”, sendo esta “imposta” pelos ingleses.

Yeats tinha a convicção de que todos os escritores irlandeses deveriam escrever sobre a cultura dos tempos ancestrais do país, as lendas, o passado pré-cristão e seus mitos. O autor acreditava que, a partir disso, poderia surgir uma literatura irlandesa propriamente “nacional”. Yeats afirmava em um de seus poemas que “[…] nós, irlandeses, nascemos das seitas ancestrais”, mas que com o passar do tempo a Irlanda tinha esquecido suas origens.

Yeats (2012) costumeiramente se lamentava, dizendo que as pessoas comuns, assim como os escritores, haviam perdido a visão do passado heróico e folclórico devido à urbanização maciça que o país vinha enfrentando, assim como ao abandono do campo pelo homem. Além disso, Yeats criticava duramente a ciência, afirmando que: “O homem das ciências é muito frequentemente a pessoa que trocou sua alma por uma fórmula e quando ele resgata um conto popular, nada resta consigo e seus problemas, exceto uma coisa miserável sem vida.” 142 (p.93). Sendo assim, ele acreditava que a humanidade poderia buscar a sabedoria, mesmo negligenciando a ciência.

O período literário em que Yeats começa a escrever seus poemas e parte de suas peças pode ser descrito, de acordo com Donoghue (1988), como um período caracterizado esteticamente como uma Irlanda Romântica (Romantic Ireland). Nesta fase imperava um forte sentimento de perda e desejo pelo passado, perpetuando se uma busca pelo que havia ficado pra trás e aflorando, assim, um forte saudosismo consubstanciado pelo retorno da estética Romântica entre poetas e dramaturgos, especialmente Yeats, que intentava recriar o passado literário Irlandês, tomando como fonte o folclore em poemas, e no teatro.

142 “The man of science is too often a person who has exchanged his soul for a formula, and when he

captures a folk-tale, nothing remains with him for all troubles but a wretched lifeless thing”. (YEATS, 2012, p.93)

Segundo Donoghue (1988), o Romantismo Irlandês tardio juntamente com o crescente movimento nacionalista por todo país deram origem a um local ideal para resgatar os heróis trágicos. Além disso, no contexto em que Yeats estava inserido, o que quer nos falássemos de deuses, gigantes, heróis, lutadores, ou homens de ouro, significava falar de uma glória e elevação peremptória.

Yeats só vai ter acesso às sagas míticas irlandesas a partir da tradução delas para o inglês, feitas por Lady Gregory143 e Douglas Hyde. Yeats tinha esperança que a tradição gaélica pudesse ser revivida através da poesia e do teatro, acreditando que isso poderia gerar um sentimento de liberdade generalizado.

Foi ao lado de Lady Gregory que o autor aprofundou seus estudos sobre o folclore e os mitos irlandeses. Os dois foram juntos, segundo o próprio Yeats (2012), coletar entre os camponeses, no oeste do país, os relatos de contos folclóricos. O dramaturgo, mesmo entregue aos estudos folclóricos Celtas e ambicionando criar uma literatura nacional, não fechou os olhos para as tendências literárias que vinham de outros países, passando quase dez anos, segundo diversos biógrafos que estudaram sua vida, dedicado ao no estudo das tradições literárias inglesas. Além disso, ele ainda vasculhou poemas gregos, indianos e os clássicos em geral.

Yeats começou a pensar em um movimento literário nacional para a Irlanda logo após o lançamento do seu poema The Wanderings of Oisin144. O dramaturgo queria fundar no país uma tradição teatral e literária nacionalista que tivesse como língua o Inglês. No teatro, a intenção era tomar como temas os eventos pastoris, recorrendo a uma simplicidade que emanava dos camponeses, e a herança Celta.

É importante que deixemos claro que Yeats, quando ambicionava fazer uma literatura nacionalista, não tinha em vista fazer uma literatura propagandista panfletária. Ele se opunha à ideia de usar a literatura, e a arte em geral, como uma forma de propaganda da causa nacional, para ele, o nacionalismo deveria subordinar-se à literatura, e não o contrário.

W.B.Yeats acreditava que a literatura era sempre um ato pessoal, só podendo ser popular quando os homens estivessem aptos a acolherem a visão dos outros. Além

143 Lady Gregory lançou, depois das suas compilações entre os aldeões irlandeses os livros: A Book of

Saints and Wonders (1906), The Kiltartan History Book (1909), and The Kiltartan Wonder Book (1910).

144. “The Wanderings of Oisin” foi o texto responsável, segundo Weyg (1913), por iniciar as produções

disso, a literatura era fruto da mente do autor, não podendo ser dissociada da sua biografia.

Yeats acreditava, de acordo com Frazier (1990), que a literatura era sempre justificada por si mesmo, não precisando de uma justificação externa, devendo ser lida com um tipo diferente de escrita, pois lidava com uma alma invisível, de onde são enviadas mensagens dos tempos ancestrais.

As teorias de Yeats deram forma a um tipo de drama totalmente novo, tanto em métodos, como em relação à matéria “bruta” que originava os enredos e especialmente os motivos. Havia um sentimento de idealismo, voltado para a restauração social.

O teatro que a Renascença Celta começava a dar forma, como lembra Ellis- Fermor (1977), não foi formado por dramaturgos, mas por poetas que queriam levar aos palcos uma “poesia de verdade”. “Eles eram jovens cheios de ideais que liam drama, pensavam e discutiam sobre isso muito mais do que eles haviam praticado” 145 (p. 60). Yeats surge, nesse contexto, como o responsável por unir a poesia com o drama.

Entre 1893 e 1898, Yeats editou textos de mitos e lendas nacionais, que resultou em livros como: Fairy and Folk Tales of the Irish Peasantry. As publicações de textos folclóricos nacionais acabaram influenciando o conteúdo de seus primeiros textos para o teatro. A primeira peça com temas irlandeses escrita por Yeats foi a pedido de Katherine Tynan 146: “Tynan foi a pessoa que sempre o incitou a escrever uma peça sobre a Irlanda147” (FOSTER, 1997, p. 55). Esse texto, porém, acabou se perdendo.

Em 1880, quando começou a percorrer os caminhos do teatro, Yeats se sentia pressionado por duas correntes teatrais que estavam em ascensão na época: uma versão vitoriana do drama elisabetano e o drama realista, que tinha como expoente Ibsen148. Yeats dizia, segundo Weyg (1913):

[...] a maior dificuldade com o formato da literatura dramática que adotei é que, diferente do formato livre Elisabetano, ele força continuamente por seu rigor a uma lógica distante das capacidades, experiências e desejos de uma pessoa até que, se não tiver paciência para esperar pelo estado de espírito, ou

145“They were young men full of ideals who read drama, thought about it and discussed it far more than

they had practiced it” (ELLIS-FERMOR, 1977, p. 60).

146 Katherine Tynan era filha de um grande fazendeiro irlandês que fazia parte do movimento nacionalista

do país (FOSTER, 1997, p. 55).

147 “Tynan was the person who always urged him to write a play about Ireland” (FOSTER, 1997, p. 55). 148 Dramaturgo norueguês responsável por fundar o teatro realista moderno.

para reescrever continuamente até que ele venha, há retórica, lógica e circunstâncias áridas onde deveria haver vida 149(p. 44).

Yeats decidiu ir contra as propostas realistas de Ibsen, dando forma a textos teatrais com traços poéticos ligado a elementos sobrenaturais. Em seu artigo intitulado

The Theater, de 1899, presente em The Collected Works of W.B. Yeats, o dramaturgo

deixa clara sua visão anti-realista, afirmando que o realismo matava as ideias filosóficas e religiosas. Fazendo com que a arte se tornasse um mero elemento social sem magia, ou seja, superficial. O que importava para Yeats eram as palavras, o ritmo e a poesia que emanava do texto. Acredita-se que esse movimento dramático que vigorava nos palcos irlandeses à época teria sido a primeira reação, na Europa, contra Ibsen.

Segundo Sepa (1999), Yeats buscou inspiração nas teorias postuladas por André Antoine, que havia fundado em Paris, em 1887, o Le Théâtre Libre, conhecido também como “teatro dos poetas” (1999, p. 12), que se propunha a combater o realismo e o comercialismo no teatro.

Para Yeats, o comercialismo e o realismo extinguiam a beleza do artista. Ele perguntava-se constantemente quais seriam os motivos que levariam as pessoas ao teatro para verem sua vida retratada exatamente da forma como ela era. Para ele, isso não fazia sentido. Sendo assim, suas peças aspiravam um tratamento mitológico, folclórico, alegórico e político com um viés poético da realidade irlandesa adaptando-se, assim, às suas crenças.

Ainda em Paris, surgiu um movimento encabeçado por Aurielién Lungé-Poe, que buscava um teatro ritualista e minimalista, característica que passou a influenciar Yeats durante toda sua carreira. W.B.Yeats dizia: “O teatro começou como rito, e não pode chegar à sua grandiosidade sem revogar a soberania das palavras” 150 (1923, p. 40). Além disso: “O ritual mágico, o celticismo e o teatro estavam interconectados.” 151 (p. 305). O novo teatro, como ele iria insistir por toda sua carreira, significava uma preparação para o sacerdócio. O mito e o ritual seriam encenados a partir de um tema herdado e conhecido por todas as pessoas.

149 […] the principal difficulty with the form of dramatic literature I have adopted is that unlike the loose

Elizabethan form, it continually forces one by its rigors of logic away from one’s capacities, experiences and desires until, if one have not patient to wait for the mood, or to rewrite again and again till comes, there is rhetoric and logic and dry circumstances where there should be life (p. 44) .

150 “The theater began is ritual, and it cannot arrive at its greatness again without recalling words to the

sovereignty” (YEATS,1923, p. 40).

Na tessitura de seus textos, Yeats, segundo Foster (1997), foi influenciado por simbolistas e romancistas franceses e ingleses, como Stéphane Mallarmé, Villiers Adam, William Blake e Shelley. O dramaturgo pensava em uma forma dramática que unisse os símbolos a enredos que tivessem uma estética aproximada da poesia lírica e da poesia épica, tendo como fontes os textos mitológicos e folclóricos herdados dos antigos Celtas. Uma das primeiras peças que Yeats escreve já nessa “nova forma”, em 1894, foi

The Land of Heart’s Desire.

Ellis-Fermor (1977), aponta que a carreira de Yeats no teatro pode ser divida em três fases:

1. As peças que derivam da fase mais inicial desta leitura da arte e da vida são Land of Heart Desire, The Countess Cathleen, e The Shadowy Waters. Todas elas passaram por diversas modificações. A visão do autor sobre cenografia e eficácia teatral se desenvolveram, mas em nenhum caso foram a qualidade fundamental da peça ou o pensamento subjacente sacrificados às necessidades particulares do ofício. Elas são todas peças essencialmente poéticas, a experiência que elas denotam é espiritual e apelavam à imaginação inata de seus leitores ou de sua audiência, não ao reconhecimento real de, condutas ou eventos cotidianos [...] 152 (p. 99).

2. Dois pares de peças do próximo período agrupam-se naturalmente juntas, a versão inicial de Where There is Nothing, com a sua forma posterior e The Hour Glass em forma de prosa e em verso. Todas são tentativas de expressar em forma dramática uma experiência mística [...] A apresentação dramática dessas quatro153 peças é bastante preocupada

com a descoberta da verdade a que em suas diferentes formas conduzem, com os processos pelos quais a mente sente seu caminho à renúncia [...]

154 (p. 104).

152“1. The plays which derive from the earliest phase of this reading of art and life are Land of Heart

Desire, The Countess Cathleen, and The Shadowy Waters. These all went through many modifications.

The author’s views on stagecraft and theatrical effectiveness developed, but in no case was the fundamental quality of the play or the underlying thought sacrificed to the needs of the particular craft. They are all essentially poetic plays, the experience they denote is spiritual and they appealed to their readers’ or to their audiences’ innate imagination, not to the recognition of actual, everyday manners or events […]” (ELLIS-FERMOR, 1977, p. 99).

153

Where There is Nothing (1903), The Hour Glass (1903), The Hour-Glass (1904), The King's Threshold(1904).

154 “2. Two pair of plays from the next period group themselves naturally together, the early Where There

is Nothing, with its later form and The Hour Glass in its prose and in its verse form. All are attempts to express in dramatic form a mystical experience […] The dramatic presentation in these four plays is rather concerned with the discovery of the truth to which in their different forms they lead, with the processes by which the mind feels its way to renunciation […]” (ELLIS-FERMOR, 1977, p. 104).

3. Um terceiro grupo de peças que parecem cair naturalmente juntas são os do grupo Cuchulain das antigas sagas heróicas do Old Irish 155

([itálico nosso]p. 99, p.104, p. 109).

Deteremos-nos a explorar alguns elementos da primeira fase156 da carreira de Yeats, pois ela constitui o foco do nosso objeto de estudo. O período entre 1892 a 1902 fica marcado por três temas: a insatisfação com o teatro de seu tempo, as ideias sobre arte, os dramas simbólicos pelo viés do Romantismo.

É nessa fase que Yeats busca dialogar com um teatro que tinha a simbologia em seu alicerce principal e ignora completamente o teatro comercial. São os assuntos recorrentes dessa fase, o folclore, a mitologia e as sagas irlandesas, escritos envoltos de uma estética Romântica. As lendas do passado da nação se transformam em uma terra quase de sonho, contrastando com a dureza da vida real do dia-a-dia. A Irlanda era, para Yeats, de acordo com Boyd (1917), uma terra dos sonhos.

Yeats acreditava que as lendas irlandesas eram alimentadas pelas forças das flores, mares e terras, tendo uma beleza sempre restauradora, e podendo servir de mote para a construção de teares simbólicos inéditos. Segundo Sepa (1999):

Se os irlandeses haviam criado uma admirável tradição folclórica, produzindo uma “música selvagem”, seria possível despertar em seu povo as antigas tradições para que pudesses ganhar vida novamente. Em termos práticos, a ideia de Yeats, será inicialmente usar a rica mitologia irlandesa, a fim de escrever um novo tipo de drama que seria baseado na recriação imaginativa dos antigos celtas (p. 26).

Todavia, Yeats não buscava um mero transpor das lendas e mitos para os palcos. Ele queria uma releitura que servisse ao movimento nacionalista. O sucesso dessas peças, pensava Yeats (2012), se daria porque não haveria nada mais poderoso que o sentimento nacionalista e os irlandeses teriam na essência de seus corações os mitos e lendas, sendo ainda banhados por superstições. O dramaturgo acreditava que seu papel era moldar e aperfeiçoar as emoções dos homens.

Em 1897, Yeats, Marty e Lady Gregory, que havia acabado de se juntar ao grupo, publicaram o Manifest for Irish Literary Theatre, que mostrava as diretrizes para o teatro que pretendiam levar a frente, tendo como base as raízes culturais irlandesas.

155 “3. A Third group of plays that seems to fall naturally together are those from the Cuchulain group of

the Old Irish heroics sagas” (ELLIS-FERMOR, 1977, p. 109).

156 Desta fase fazem parte as peças: Mossada 1886 (primeira peça escrita por Yeats), The Countess

Segundo Boyd (1917), as primeiras peças produzidas pelo grupo não foram lançadas nos palcos, mas em livros, junto com coletâneas de poemas.

Figura 10 - Primeira capa de The Countess Kathleen and Various Legends and Lyrics,1892. Fonte: http://www.artvalue.com/auctionresult--yeats-william-butler-1865-1939-the-countess-cathleen-and-vari-

2273962.htm

Sepa (1999) diz que no primeiro número do periódico Beltaine, W.B.Yeats reafirmava suas ideias para o Teatro Literário Irlandês dizendo:

O Teatro Literário Irlandês tentará realizar em Dublin algo semelhante ao

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