• No results found

4.2 Predicting Bond Fund Performance

4.2.2 Technical Approach

Nestes dois encontros, as discussões foram baseadas no texto O conceito sistêmico de Gene – uma década depois (GUIMARÃES e MOREIRA, 2000).24

Os autores fazem uma discussão epistemológica sobre o conceito de gene, apontando como que os estudos dos novos projetos (como o GENOMA) na área da Genética e Biologia Molecular estão desmistificando a visão de gene como determinante das características dos organismos.

Os Projetos Genomas não têm corroborado as noções da organização genômica como programa ou linguagem. Permanece a noção de que um Programa Ontogenético e Hereditário está inscrito no sistema celular de expressão fisiológica. O sistema é descrito como análogo a uma enciclopédia, da qual os genes são cabeçalhos dos verbetes e os corpos explicativos são hipertextos compostos pelos produtos gênicos e suas ligações, que organizam a teia metabólica. A interação se faz pelos processos de auto-organização e darwinismo. (GUIMARÃES E MOREIRA, 2000, p.249).

Os autores abordam ao longo do texto diversos temas relacionados com o material genético no sentido de caracterização e função. No capítulo, são apresentadas discussões sobre a compreensão do gene ao longo da história da Genética e da Biologia Molecular; a importância da compreensão de que a unidade fundamental dos seres vivos é a célula; a caracterização dos genes como memórias dos sistemas; genes nos processos evolutivos; teorias sobre a origem dos genes; informações extra genéticas; a teoria do mundo do RNA; auto-organização e origem dos genes; caracterização ecológica dos genes como “programas” ontogenéticos, ou seja, banco de dados para orientar estratégias do sistema vivo; e o papel dos genes nos processos filogenéticos como módulos de expressão.

24O título e o conteúdo deste texto remetem as conclusões, novas descobertas e novas teorias que tentam explicar o material genético por meio de uma rede sistêmica de interações dez anos após a publicação do artigo A systemic concept of the gene (PARDINI e GUIMARÃES, 1992). Nesta artigo está a proposta de um conceito sistêmico de gene.

Destas discussões, os autores apresentam uma proposta para a compreensão do gene e a denominam como conceito natural de gene:

O conceito natural, que interessa à descrição do funcionamento do sistema celular, resolve as ambiguidades seguindo o percurso inverso do conceito bioquímico, ‘de baixo para cima’ ou do fim para o começo, da base metabólica para o ápice da informação estocada no DNA. Poder-se-ia começar, na teia funcional, por identificar o produto necessário e construir a composição adequada dos segmentos de DNA e os modos de leitura e processamento que fornecerão tal produto. O processo é de construção de hipertextos, tanto na filogênese, construindo o banco de dados de DNA, como na ontogênese, consultando-o das diversas maneiras adequadas aos contextos funcionais, atribuindo-lhe significados. (GUIMARÃES e MOREIRA, 2000, p. 275).

No início da discussão do texto, alguns alunos (A13, A02 e A08) consideraram o texto fácil e outros alunos (A11, A01) relataram que sentiram dificuldade em ler pelas analogias apresentadas pelos autores.

Ao serem questionados sobre qual a opinião tiveram sobre o capítulo, o primeiro comentário surgiu da participante A08, em relação ao papel do ambiente em determinar os organismos:

A08: ele [o texto] fala que o meio determina as características dos indivíduos, eu não concordo com isso, quem vai dizer se seu filho vai nascer com certa cor é o gene, não vai ser o ambiente que vai falar isso.

P1: Podemos pensar que temos os brancos os negros e os amarelos. Isso você pode ate dizer, mas exatamente a cor da pele da pessoa, você não vai poder afirmar. Então o exatamente, ele só é a partir do momento que tem a expressão gênica que dá a possibilidade, limita até certo ponto, mas em que ponto e o que o organismo vai ser, ele vai ser a partir das interações com o meio.

A08: eu acho que o meio colabora com a pessoa, mas falar que é só o meio, não!

A02: eu também acho isso.

A13: mas ela está falando das interações.... tem que ter... um processo na vida dos organismos.... porque pode mudar de cor, por exemplo. P1: Ele só é dessa cor a partir do momento que o material genético está interagindo com outros sistemas, então, lógico que a gente não descarta a possibilidade do gene ter papel fundamenta, mas é difícil pensar assim não é?

A08: acho que entendo o que você está falando.

A preocupação de A08 em relação à descaracterização do gene como fator determinante das características do organismo não inviabiliza a compreensão de uma

visão sistêmica dos processos moleculares. Mas há, ainda, uma dificuldade em relação da noção de processos.

Ao longo da discussão do texto surgiram duas questões relacionadas ao tema gene, mas que não estavam contidas no capítulo. A primeira foi levantada por A13, em relação ao conhecimento que os geneticistas têm sobre o gene:

A13: será que os geneticistas sabem disso? P1: do que?

A13: ah, de todos esses problemas do gene?

P1: eu fui fazer uma disciplina com alunos do curso de genética e estudamos as discussões do primeiro texto de gene que eu trouxe aqui para vocês, sabe?

Alunos: sim

P1: para eles, era fácil esses termos como splicing, overlapping.... A02: mas a gente não vê isso nas aulas.

A13: então eles sabem, mas não passam isso.

Esse fragmento de discussão demonstra que os alunos percebem que o conhecimento sobre determinado conteúdo não é abordado de forma epistemológica por professores.

Outro ponto, independente do conteúdo do capítulo que surgiu entre os participantes, foi como a noção determinísta do material genético tem influência em fatores sociais:

A11: e é isso que acontece... todo mundo acha que é tudo genético. A02: coloca culpa nos genes, sempre. Fala que uma pessoa faz tal coisa, age assim por causa do gene.

A11: fala que a pessoa é ruim e que não muda porque é genético, não leva em consideração a vida, as condições que a pessoa viveu... os problemas...

P1: é o mesmo que dizer que na favela tem mais violência porque os pais são violentos e geram filhos violentos, e que isso é genético. A11: isso.

P2: é um problema muito sério, tem essa ideia de gene que determina tudo.

P1: então porque você conhece o genoma, você vai saber exatamente como é nosso organismo.

A07: tem que entender todos os fatores, né?

Pode-se inferir, por meio deste fragmento, que ao considerar comportamento dos organismos, é mais fácil para os alunos compreenderem o papel do ambiente (no caso, o ambiente externo ao organismo) na formação das características de um indivíduo.

Voltando a discussão do texto, um ponto apresentado pelos autores que chamou atenção dos alunos foi sobre questão da teoria do mundo do RNA, este trecho do texto foi considerado interessante porque era desconhecido por todos os participantes do grupo:

A12: eu achei interessante a história do RNA... nunca tinha pensado nisso

P1: mas o que é interessante nessa teoria, pra gente pensar na questão do gene como uma coisa que sustenta. Pensando no surgimento do núcleo de DNA de uma forma sistêmica então, primeiro ele tem a ideia de que existia um mundo de RNA, os organismos eram mais simples, esse RNA tinha tanto a função de manter a informação como de sintetizar, com de agir, e depois disso fala sobre o numero de proteínas no RNA, que eles chamam de riboproteina e a partir desse momento a gente já pode pensar numa noção sistêmica, pra eles esses RNA interage com essas proteínas e começaram agir de maneiras mais especificas nessas reações, então os RNAs deixaram de ter a função de reprodutores e começam a continuar mantendo a informação e produzindo essas proteínas, começaram a interagir com esse RNA. Então uma quantidade maior de RNA passa a interagir com proteínas

A08: dá ideia que precisa interagir A01: que precisa relacionar

A discussão em relação da teoria do mundo dos RNA possibilitou a emergência de uma discussão sobre como o DNA e, consequentemente, o gene não agem de forma isolada, pois como afirmou A11 agora isso ajuda na nossa ideia de interação. O que foi concluído pela pesquisa P1:

P1: por isso que o texto fala que é complicado falar que o DNA é uma célula viva. Ele não é vivo enquanto ele não estiver dentro de um sistema, ele não se autoreplica se não tiver algo modificando-o. P2: gene, com vocês iriam me explicar?

A08:algo que possibilita

P1: tanto que ele fala assim no texto, sintetizar DNA em laboratório é fácil, agora fazer com que esse DNA sintetizado consiga produzir os produtos metabólicos finais como dentro do sistema é muito mais difícil. Assim só podemos dizer que gene é um pedaço de DNA que vai gerar um produto, proteína, qualquer coisa, a partir do momento em que ele estiver inserido no sistema.

Este texto trouxe contribuições para a discussão epistemológica do grupo, pois, apresentou, em outra perspectiva, novos temas e teorias que se relacionam com a

proposta do grupo. No quadro da sínteses de significação estão as concepções que surgiram das discussões.

Quadro 12. Síntese de Significação XI

PRINCIPAIS CONCEPÇÕES

Compreendem o papel do ambiente nos processos genéticos mais ainda consideram o papel do gene importante;

Tem maior facilidade em compreender os processos de interação dos diferentes sistemas quando analisam características comportamentais dos organismos;

Dificuldade de compreender as relações do gene com outros sistemas na formação de características morfológicas;

Discussão da influência da visão determinista do gene nas ações sociais; Compreensão sobre o conhecimento que cientistas têm sobre o gene;

Considerações sobre a falta de discussões epistemológicas nos cursos de graduação; Leituras de novas teorias contribuindo para a noção de gene sistêmico;

Gene como fator que possibilita o desenvolvimento de características dos organismos.