Em 1987 surgiu a ANPROTEC, associação nacional que nasceu para ajudar pessoas a transformarem seus sonhos em realidade, suas ideias em resultado. Seu surgimento deu-se, justamente, pela criação de várias incubadoras de empresas em todo o País e pela disseminação de um modelo de incentivo ao empreendedorismo, apoiado no desenvolvimento técnico e científico. A ANPROTEC atua por meio da promoção de atividades de capacitação, articulação de políticas públicas e disseminação de conhecimentos.
Sua missão é agregar, representar e defender os interesses das entidades promotoras de empreendimentos inovadores, notadamente as gestoras de incubadoras34, parques tecnológicos, pólos e tecnópoles35, fortalecendo esses modelos como instrumentos para o desenvolvimento do Brasil e objetivando a criação e fortalecimento de empresas baseadas no conhecimento. Sua visão é ser, cada vez mais, reconhecida pela sociedade (governo, academia, entidades, empresas e empreendedores) como instituição líder de um movimento voltado para a criação, desenvolvimento e consolidação de empreendimentos inovadores, orientados para a competitividade e a transformação socioeconômica do Brasil. A ANPROTEC opera no segmento do empreendedorismo inovador, por meio do apoio ao setor e capacitação de empreendedores e gestores do movimento nacional de parques tecnológicos e incubadoras de empresas.
A ANPROTEC, com o fim de atender suas expectativas, criou um documento chamado “Agenda das cidades empreendedoras e inovadoras” com o intuito de despertar a atenção de lideranças comunitárias, empreendedores e, principalmente, dos prefeitos municipais, para a importância de se pensar e construir um novo tipo de cidade, em que se acredita na força das pessoas para empreender e inovar. Acredita também que as pequenas empresas e os negócios inovadores podem criar novos caminhos para o desenvolvimento da região e para a promoção da qualidade de vida e igualdade social. Crê, ainda, em uma cidade que se integra cada vez mais com o campo, gerando um novo tipo de município, onde a zona rural e a área urbana complementam-se e se beneficiam, valorizando o potencial local e aproveitando as oportunidades do mercado global.
A referida associação realiza uma pesquisa denominada Panorama ANPROTEC, cujos dados mais importantes serão, aqui, demonstrados. Na pesquisa Panorama ANPROTEC 2000, o termo “Incubadora de Empresas” designou empreendimentos que oferecem espaço físico, por tempo determinado, para instalação de empresas de base tecnológica e/ou tradicional e que dispõe de uma equipe técnica para dar suporte e consultoria a essas empresas.
No Brasil, o movimento das incubadoras, sob o amparo da ANPROTEC, conta com o apoio de instituições da esfera pública e privada, que acreditam ser esse sistema alternativa inteligente e apropriada para promover o desenvolvimento socioeconômico local e nacional.
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A entidade gestora de incubadoras é a instituição responsável pela administração da incubadora de empresas.
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Centros urbanos que dispõem de grande potencial de ensino e pesquisa, favorável ao desenvolvimento das indústrias de ponta.
O apoio financeiro direto (custeio), promovido pelas entidades parceiras das incubadoras, foi mensurado da seguinte forma pela pesquisa Panorama ANPROTEC 2001:
Tabela 3: Apoio financeiro ao sistema de incubação
Instituição Percentual
SEBRAE 62%
Prefeituras Municipais 33%
CNI, Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Federação das Indústrias e SENAI 22%
Universidades 18%
Fundações Estaduais 18%
CNPq 13%
Associações Comerciais 6%
Bancos de Desenvolvimento 6%
Fonte: Panorama ANPROTEC 2001
Outras entidades apoiadoras são o MCT e a FINEP. A mesma pesquisa destacou que 85% dos empregos criados pelas empresas residentes foram de tempo integral e 15% de período parcial.
A Panorama ANPROTEC 2003 demonstrou que os serviços e a infraestrutura oferecidos às empresas são: orientação empresarial, secretaria, sala de reunião, consultoria em marketing, apoio para cooperação com universidades, centros de pesquisas e escolas técnicas, consultoria financeira, suporte em informática, biblioteca, auditório, apoio em propriedade intelectual, assistência jurídica, laboratórios especializados, apoio para exportação, entre outros.
O pessoal da administração das incubadoras estava concentrado nas seguintes áreas de formação:
Tabela 4: Área de formação do quadro de pessoal da administração das incubadoras
Área de formação Percentual
Administração 30% Engenharia/Arquitetura 18% Informática 11% Economia/Contabilidade 11% Comunicação/publicidade/Jornalismo/Marketing 7% Direito 4% Desing/Desenho Industrial 3% Biológicas/Farmácia 3% Outras 13%
A pesquisa apurou como sendo muito importante para as incubadoras o incentivo ao empreendedorismo, o desenvolvimento econômico regional, a geração de empregos, o desenvolvimento tecnológico e a diversificação econômico-regional.
As incubadoras oferecem recursos humanos e serviços especializados que auxiliam as empresas em suas atividades, bem como capacitação, formação e treinamento aos empresários-empreendedores nos principais aspectos gerenciais, tais como: gestão empresarial, gestão da inovação tecnológica, comercialização de produtos e serviços no mercado doméstico e externo, contabilidade, marketing, assistência jurídica, captação de recursos, contratos com financiadores, engenharia de produção e propriedade intelectual, entre outros. Outro diferencial é o acesso a laboratórios e bibliotecas de universidades e instituições que desenvolvem atividades tecnológicas.
Na análise feita em 2004, percebeu-se que as áreas mais promissoras no setor de incubação são: software/informática, eletroeletrônica e internet. Somavam-se a elas as áreas de mecânica e automação, biotecnologia, química, além de outras. Ao se analisar a taxa de sucesso das empresas incubadas, pode-se observar, por meio dos dados da Panorama ANPROTEC 2004, que 93% das empresas permaneceram no mercado.
A Panorama ANPROTEC 2005 constituiu-se em um marco importante para o movimento das incubadoras e parques tecnológicos, pois houve participação relevante das redes de incubadoras. Os dados obtidos permitiram afirmar que o movimento possui uma influência bastante relevante na economia brasileira, pois eram, em 2005, 5.618 empresas (graduadas, incubadas e associadas), que faturaram, no total, cerca de R$1,5 bilhão, gerando um total de mais de 28.000 empregos diretos. O benefício social desses empregos amplificou- se pelo fato de serem caracterizados pela boa remuneração. Os dados de 2005 demonstraram o retorno que o investimento em incubadoras e parques tecnológicos traz para a região e para o País.
O foco de atuação das incubadoras de empresas foi assim desmembrado na pesquisa: Tabela 5: Foco de atuação das incubadoras de empresas
Foco de atuação Percentual
Tecnológica 40% Tradicional 18% Mista 23% Cultural 3% Social 4% Agroindustrial 5% Serviços 7%
Os critérios adotados na seleção de empreendimentos, considerados como muito importantes pela maioria das incubadoras foram: viabilidade econômica, perfil dos empreendedores, aplicação de novas tecnologias e possibilidade de interação com universidades e centros de pesquisas, além do potencial para rápido crescimento e o número de empregos criados. Essa pesquisa demonstrou que 83% das incubadoras tinham vínculo formal com Universidades e com Centros de Pesquisa e 17% vínculo informal.
A pesquisa ANPROTEC 2006 demonstrou a evolução do movimento brasileiro de incubadoras. Em 1988 existiam duas incubadoras; em 2006, estava em operação, no território nacional, um total de 377. Ao considerar o levantamento do número de incubadoras por região, no período de 1999 a 2006, na região Sudeste estavam em operação, no primeiro ano de análise, 55 incubadoras; em 2006 era um total de 127. Só em Minas Gerais existem, atualmente, 2636incubadoras que operam em quinze cidades.
Ao mensurar o percentual de incubadoras por municípios, de acordo com a faixa de população, registraram-se os seguintes dados:
Tabela 6: Percentual de incubadoras e/ou parques tecnológicos de acordo com a faixa de população
Faixa de População Percentual
Municípios com mais de um milhão de habitantes que possuem uma incubadora e/ou parque tecnológico.
100%
Municípios com menos de um milhão e mais de trezentos mil habitantes que possuem uma incubadora e/ou parque tecnológico.
64%
Municípios com mais de cinquenta mil e menos de trezentos mil habitantes que possuem uma incubadora e/ou parque tecnológico.
20%
Fonte: ANPROTEC, 2007
Embora parques tecnológicos não seja o foco deste estudo, vale ressaltar que, a partir dos dados levantados pela ANPROTEC (2008), o número de parques tecnológicos subiu de 44, em 2006, para 74, em 2008, estando concentrados em municípios com maior número de habitantes (GARCIA, 2009).
Ao se avaliar o tempo de duração das incubadoras, na Panorama ANPROTEC 2006, percebeu-se que dez incubadoras estavam em funcionamento há mais de quinze anos, 28
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No último balancete feito pela RMI (Rede Mineira de Inovação), o de 2007, constam 25 incubadoras, no entanto, segundo informações da própria RMI, até o ano de 2009, no Estado de Minas Gerais, existem 26 incubadoras afiliadas.
incubadoras, com tempo entre dez e quinze anos, 112 incubadoras estavam em funcionamento entre cinco e dez anos e 109 incubadoras tinham menos de cinco anos de existência.
A ANPROTEC baseia a missão estratégica das incubadoras, vista como seu princípio filosófico, na premissa de que o aproveitamento, a captação, o desenvolvimento, bem como a transferência de tecnologia, propiciam a tão desejada integração empresa-sociedade- universidade. Essa ação resultante da transformação de pesquisas em novos negócios proporciona a criação de empregos, qualifica trabalhadores, moderniza setores mais tradicionais da economia e proporciona a formação de empreendedores tecnicamente capacitados e conscientes da necessidade de produtos inovadores.
Com o que já foi visto até o momento, conclui-se que foi na perspectiva de se criar um ambiente de proteção e apoio, possibilitando o sucesso dos novos empreendimentos e a interação de novas tecnologias, que surgiram as incubadoras de empresas. No entanto, a ANPROTEC, apoiada no desenvolvimento conceitual natural que vem ocorrendo nos últimos anos, dá indícios de uma nova visão sistêmica para o mecanismo incubadora, que contemplam os seguintes propósitos, apresentados na Figura 3:
Figura 3: Nova visão sistêmica para o mecanismo incubadora PRIMEIRO
Transformar as incubadoras em “ambientes de acesso” a soluções, serviços e infraestrutura para promoção de empreendimentos inovadores e estratégicos; fortalecer as conexões e a potencialização com os Arranjos Produtivos Locais, atuando, efetivamente, como Plataformas de Desenvolvimento (Incubadoras de Desenvolvimento) na implementação de projetos estratégicos, nos segmentos prioritários para o desenvolvimento do País.
SEGUNDO
Transformar as incubadoras em lócus de referência de inovação, fazendo com que as empresas incubadas tenham como prioridade em suas ações o conceito de inovação, a fim de ganharem competitividade no mercado.
TERCEIRO
Promover a cultura do empreendedorismo e da inovação como agente de transformação no contexto das instituições de ensino e da sociedade.
Esses propósitos precisam estar alinhados aos programas de desenvolvimento local e/ou regional e direcionados para as vocações e necessidades da região, a fim de que as incubadoras possam desenvolver seu papel como plataformas de desenvolvimento.