Strategies to document active learning practices in biology
2.2 The Teaching Practices Inventory
Dentro deste contexto, o jornal Staffetta, como elemento de difusão das tendências do clero regional, passa a dar cobertura aos feitos do governo italiano, vinculando diretamente símbolos caros à sociedade local ao Fascismo. A Itália passa a ser representada como a nação modelo a qual todos os imigrantes deveriam orgulhar-se de serem descendentes. A Itália Nova era a fascista e seu artífice Mussolini - o futuro estava escrito em letras maiúsculas: ITÁLIA e DUCE. A grandiosidade da raça latina é o ponto de partida para a nova civilização; frente aos sistemas falidos da Modernidade, a grande nação acenava para o inexorável futuro, deixando o recente passado de pequenez; neste sentido, a Itália retornava o seu auge angariando o respeito do mundo frente a “mais nobre estirpe humana e histórica.”463
Meus caros!é hora de mudar de sistema, os tempos são diferentes, mudaram..., o passado é o passado e não voltará mais; pensem que a ITÁLIA de hoje não é mais a Italietta (minúscula) de 50 anos atrás por vós abandonada que pouco interesse tinha pelos seus emigrados... hoje a ITÁLIA (maiúscula) se interessa por vós todos de forma que obtereis sempre satisfação em dela fazer parte.464
No concerto das nações mundiais, a Pátria distante tinha seu o lugar reservado; deste modo, “não esqueceis que NUNCA como HOJE A ITÁLIA está em alta na opinião
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PINZETTA, Álvaro Luiz. Criação da Diocese de Caxias do Sul (8.9.1934). In: DE BONI, Luis A. (org.). A presença italiana no Brasil. v. 3. Porto Alegre: EST; Torino: EST:Fondazione Giovanni Agnelli, 1996. p. 547.
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Staffetta Riograndense, 15 nov. de 1933.
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mundial. Nunca conseguiu um prestígio tão grande como o goza atualmente. Se hoje, cada italiano pode orgulhar-se de sua ascendência isto é porque em ROMA existe MUSSOLINI.”465 O imigrante pobre e abandonado pela Itália do passado deveria rejubilar-se e reconciliar-se com a Nação do presente, “este orgulho, este grande orgulho de sentir-se parte de uma grande ITÁLIA, deve agir como um bálsamo benéfico em todos os nossos corações e como fortíssimo regenerador das nossas energias”.466 O jornal convoca aos “italianos” para manterem a sua vida ordeira e laboriosa, de maneira a engrandecer a Pátria adotiva e a honrar a de origem,
o melhor meio de provar o vosso amor pela Pátria distante é o vosso patriotismo pela de adoção, que lhes deu a oportunidade de trabalho, de vida, de riqueza e de viver honestamente e laboriosamente, pois, nenhum Estado teve princípios mais sãos daqueles do Estado fascista vigente na nossa ITÁLIA. MUSSOLINI foi quem disse: o Estado fascista não é indiferente diante ao fato religioso em geral e particularmente aquela religião positiva que é o Catolicismo italiano.467
Trabalho e religiosidade são elementos de identificação - não há melhor forma de sustentar a italianidade do que preservar esses valores. O Fascismo apresenta-se como o bastião da moralidade e operosidade e congratula-se com os feitos de seus filhos no exterior, exemplo máximo do valor de sua gente. O Staffetta dá amplo destaque a este discurso e procura a todo momento reproduzir os pronunciamentos oficiais de personalidades políticas italianas. Ao noticiar a visita do embaixador Vittorio Cerruti a Garibaldi em 1932, o jornal reproduz a sua fala que volta a sustentar os mesmos símbolos acima especificados:
O embaixador se disse feliz em encontrar-se junto aos italianos, orgulhoso de poder ver que esses haviam se mostrado bem dignos da gloriosa tradição da estirpe, digna da Nova Itália. Atendendo às ordens de Mussolini, levava aos italianos de Garibaldi uma saudação cordial da Pátria, que não se esquecia de seus filhos, mas a estreitava com um abraço de gratidão, por aquilo que esses haviam feito, convidando-os a continuar a sustentar alta a bandeira da própria raça.468
O discurso finalizava com as saudações de “Viva o embaixador, o Brasil, a Itália, Mussolini.” O valor do trabalho imigrante agora é reconhecido pela pátria-mãe, o que o engrandece e torna-o importante. O orgulho de ser italiano é reproduzido nas páginas do jornal, não há porque se diminuir, pois o Fascismo redimira a Itália e seus descendentes. Na comemoração dos dez anos de regime, em matéria de primeira página com a foto de Mussolini ao centro, o periódico perpassa as principais conquistas do período. No campo religioso e moral, o Fascismo merecia o mais cordial e sincero aplauso pelos pactos de Latrão e pelo reconhecimento
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Staffetta Riograndense, 15 nov. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 15 nov. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 15 nov. de 1933.
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dos valores espirituais, individuais e coletivos, a permear a vida pública e privada nos interesses oficiais de toda a Nação. A prática da religião católica, agora garantida pelo Estado em perfeita harmonia com a Santa Sé, era a garantia para as gerações futuras de um país unido e forte.
Procurar as ligações entre o regime e a catolicidade foi uma constante, na publicação da mensagem do embaixador Roberto Cantalupo em 1933, em homenagem a mais um ano de regime; deste modo, são exaltados os ideais antiliberais e antiindividualistas que subordinavam os interesses coletivos ao egoísmo - o espiritualismo pelo materialismo. A revolução fascista, a qual ganhava um caráter universal, fazia o contraponto ao 14 de julho de 1789 - era uma reação ao passado, motivada pelo empenho da nova juventude. O Fascismo tornava-se uma expressão de disciplina e ordem, de Justiça social e de domínio espiritual o qual tinha as suas raízes no Cristianismo; desta forma, a sua redenção haveria de transformar o mundo, “assim o Fascismo, partindo do Cristianismo, sabe impelir a Nação ao progresso, ao bem-estar, como o prova irrefutavelmente a atual situação da Itália.”469 Mais ainda, Cantalupo convida a uma união universal do povo italiano sob o ensinamento evangélico: “amai-vos uns aos outros”, esta a fórmula dada por Jesus Cristo para que os povos sejam felizes - este é o principal ensinamento da civilidade cristã e que o Fascismo fazia agora o seu lema. “Enquanto o Fascismo é um retorno aos sãos princípios estabelecidos pelo Evangelho, nós podemos associar-nos cordialmente às celebrações de 28 de outubro, celebrações com as quais a Itália saúda a aurora de seu glorioso ressurgimento.”470
A Itália, segundo o jornal, estava na vanguarda das nações civis, ao prestigiar o Catolicismo, aprovar o ensino religioso nas escolas públicas e obrigar a exposição do crucifixo nos tribunais. A revolução fascista era a única e verdadeira, pois reconhecia Deus: “o Fascismo fez da religião a base fundamental da Nação. Isso levou a Nação italiana pela via luminosa das tradições católicas, via que conduz a Itália a ser a mestra dos povos.”471
Nas palavras de Mussolini transcritas pelo Staffetta, seria inútil a batalha contra a religião, “uma luta contra a religião é uma luta contra qualquer coisa de indistinguível, incompreensível, intocável, é uma luta contra o espírito na sua forma mais íntima e profunda”472; desta forma, um Estado só pode tornar-se vencedor quando luta contra outro Estado, jamais
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Staffetta Riograndense, 08 nov. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 08 nov. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 23 abr. de 1930.
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quando tenta o sobrenatural. O Duce usa o exemplo de Bismarck e de Napoleão, vencidos e castigados pela força divina e acrescenta: “na concepção fascista de Estado totalitário, a religião é absolutamente livre em seu âmbito e completamente independente.”473 O Estado fascista não ignora a religião, porém mantém com ela um sistema regulado via acordos. Mussolini destaca os pactos de 1929 como uma “obra imortal” e congratula-se com a paz religiosa e civil que goza a Itália, paz que é baseada na colaboração dos dois poderes cujo fim é um só: o homem.
Os ideais de Justiça social cristãos estão contidos na legislação italiana; a Carta
del Lavoro, no fundo, observa o jornal, já existia no Antigo Testamento. A dignidade do trabalho,
a justa distribuição de renda e a não-apropriação indevida dos bens produzidos pela coletividade podem ser encontradas no Levitício, no Pentateuco, nos Salmos - o Fascismo tinha no Livro Sagrado a sua inspiração. O apreço aos valores religiosos conduzia o governo à proteção de outra instituição fundamental ao imigrante: a família cristã. Salvar a família não é apenas um dever religioso, mas sim patriótico. Após alardear o decrescente número de nascimentos ocorridos em diversos países da Europa - evidência de uma ameaça à perpetuação familiar, fruto de uma educação laica de inspiração maçônica e pagã -, o jornal passa a expor as medidas tomadas por Mussolini no intuito de reverter o quadro na Itália. Aos solteiros eram vedados os cargos de importância dentro do partido fascista, pois, segundo o Duce, “quem não é chefe de alguma família, não sabe comandar a família maior que é o grande grupo do partido fascista.”474 Incentivar o matrimônio, em especial o cristão, era a obra edificante mais importante de Mussolini. Os resultados dessa política já eram perceptíveis na Itália, afirmava o jornal, pois as estatísticas apontavam que 96,88% dos matrimônios celebrados no ano de 1931 haviam sido realizados diante de sacerdotes católicos e que 99% dos homens haviam se casado com mulheres católicas, o que provava que, para se formar uma “verdadeira” e “boa” família, era necessário encontrar uma mulher religiosa.
A instituição familiar estava garantida e protegida pelo Estado fascista; juridicamente, o matrimônio religioso tinha efeitos civis, e o Código Penal estabelecia penas duríssimas aos maridos que maltratassem as suas esposas; desta maneira, a santidade da família estaria a salvo. Mas não era apenas isso: o governo isentava de impostos aos casais que tivessem grande quantidade de filhos, ou seja, quanto maior a prole, menor a taxa de impostos; além disso,
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Staffetta Riograndense, 23 jan. de 1935.
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as famílias numerosas gozavam de descontos nas contas de eletricidade, no preço do gás, nos transportes coletivos. Ainda, o governo distribuía prêmios às mães que tivessem o maio número de filhos, eram condecorações honrosas entregues em Roma pelo próprio Mussolini. Já aos que não se casavam entre os 25 e os 65 anos eram submetidos a uma taxação especial: “uma taxa de 70 liras entre os 25 e 35 anos; de 100 liras entre os 35 e 50 anos e de 50 liras entre os 50 e 65 anos.”475 O jornal esclarecia que o dinheiro arrecadado iria para a Ação Nacional de Proteção à Maternidade e à Infância. A certeza da perpetuação familiar era saudada pelo Staffetta, pois, deste modo, a Itália estaria à frente, à testa das nações no que dizia respeito ao progresso na legislação social.
Ao progresso social só se comparava o econômico; assim, os ideais desenvolvimentistas e técnicos são parte de um esforço nacional de recuperação da altivez do povo italiano frente às humilhações do passado. O Fascismo havia recuperado a estima do povo e dado a confiança necessária para projetar o futuro. Agricultura e indústria eram os carros-chefe deste progresso. Cerimônias como as de premiação para os maiores produtores agrícolas, como no caso dos vencedores da Bataglia del Grano, eram transcritas pelo Staffetta. Exaltavam-se os procedimentos técnicos implantados pelo Fascismo no cultivo do solo como o seu preparo, adubação, fertilização, uso de novas máquinas e outros. Enaltecia-se a força de vontade e o trabalho dos agricultores que, apesar das dificuldades climáticas, conseguiam colher safras significativas. A recuperação de áreas incultas e a distribuição de lotes agrícolas aos colonos são feitos reconhecidos pelo mundo todo. Mussolini discursa, inaugura novas comunas agrícolas, rende homenagem à inteligência, à tenacidade e ao espírito de sacrifício do povo. A cada nova conquista, a Revolução dos Camisas-Negras exulta, “nós somos fascistas, e mais que olhar para o passado, estamos sempre atentos para o futuro.”476
É do temperamento da raça essa frenética ação e busca. O Fascismo passa a dignificar o trabalho e combinando-o com a genialidade da estirpe, torna a Itália um país ordeiro e progressista. O ritmo de crescimento e bem-estar parecem estar isentos das instabilidades internacionais que tanto afligiam o mundo na década de 1930. O país é descrito como imune e auto-suficiente às crises internacionais, havia um clima de harmonia que pairava sobre a Itália - uma perfeita comunhão entre povo e regime. A cada novo feito, um destaque especial, uma
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Staffetta Riograndense, 20 jan. de 1932.
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ferrovia, uma estrada, uma indústria, seguem-se às festas, às homenagens, às falas empolgantes do Duce à engenhosidade dos trabalhos - a Itália parece um imenso canteiro de obras. Os prodígios acumulam-se como os da aviação italiana que, cruzando o Atlântico rumo à América sob o comando de Ítalo Balbo, faziam repercutir positivamente no jornal. As homenagens rendidas aos aviadores por Getúlio Vargas, quando da passagem dos mesmos em 1931 no Rio de Janeiro, também são noticiadas. Cabe destacar que a recepção dos aviadores na Itália ganha destaque nas palavras do chefe do governo:
hoje, depois de vosso triunfo classicamente romano, declaro que o haveis feito pelo mérito da Itália e da Revolução. Pela Itália porque durante os vinte mil quilômetros de vôo que com o passar do tempo se tornará legendário, centenas de milhões de homens, de todas as línguas do mundo, pronunciaram o nome “Itália”. Quando estiveram na América, despertaram, com a vossa presença o patriotismo daquela grande comunidade de italianos. Vosso mérito é também o da Revolução, porque o vosso feito, envolto da camisa negra, consagrou no céu de dois continentes a Revolução Fascista.477
Da cruzada pelo progresso engaja-se até o clero italiano que merece condecorações governamentais. Enfim, a Pátria distante (agora grande e forte) serve de orgulho aos italianos do mundo todo. Há o desejo claro, por parte do jornal, de estabelecer a ligação entre a Itália fascista e os símbolos que ela sustenta e os colonos imigrantes da região italiana do Rio Grande do Sul. Estes devem sentir-se ao espelho da “nova Itália”, comungar de seus ideais, sustentar sempre a sua ascendência e mostrar através de seu valor o quanto é capaz a raça. Ter em alta o nome italiano é função de cada imigrante que agora, amparado pelo Fascismo, sente-se reconhecido.
Mas é sempre preciso não esquecer que, conforme nota Loraine Slomp Giron, apesar do esforço em estender a influência fascista sobre o colono em geral, e que por mais que se procurasse abarcar a coletividade regional para suas fileiras, o movimento não se deu a partir de uma motivação espontânea da população, “mas foi induzido de fora para dentro pelos – italianos no exterior - que tinham vindo organizá-lo.”478 O colono em geral apresentou uma certa simpatia pelo Fascismo mas não aderiu a ele completamente. A organização das células fascistas locais, como os fasci, processou-se através do aliciamento de associados. Os convidados a participar destes núcleos eram elementos da sociedade regional que possuíssem alguma representação como: “industriais, comerciantes, médicos e profissionais liberais de sucesso.”479
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Staffetta Riograndense, 04 out. de 1933.
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GIRON, 1994, op, cit., p. 83.
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Ao espelho da Itália progressista filiavam-se os notórios imigrantes; era através deles que o país distante se via e se reconhecia a sustentar os símbolos do progresso. Da mesma forma, a elite local procurava essa ligação, o que lhe fornecia prestígio, honrarias e, acima de tudo, negócios lucrativos.
O clero, seguramente incluído na elite local, fazia parte destes segmentos sociais simpáticos ao regime de Mussolini. O Staffetta fazia eco à voz da Igreja regional e contribuía para construir uma imagem positiva do Fascismo. Mas, mais do que o regime em si, era necessário encontrar a síntese que lhe personificava, a figura que o constituía. Era preciso condensar objetivamente o que mais o representava, enfim, tinha-se que glorificar o seu condutor e o seu guia.
3.2.2 – O DUCE
Mussolini parece capitanear em sua personalidade todos os elementos a que se atribui à Nação. É dele que emana a força transformadora, é a própria encarnação do regime, o homem superior que dirige o país; cada novo passo da Itália, constitui-se em uma prova sempre mais evidente das qualidades do “grande estadista”. Em seus discursos reconhece-se “que se trata de um homem que fala aos outros homens como um irmão maior que sabe confortar com sua autoridade e com seu válido apoio.”480 O punho forte do ditador é que estabelece a hierarquia e a ordem moral necessária ao progresso; desta maneira, o Duce “ama a seu modo uma vida séria, austera e religiosa, a qual, em certo sentido, postula o infinito e o ultraterreno”.481 Ainda, “os
No entanto, a própria autora observa que a “italianização” promovida pelo Fascismo não deixou de atingir a população em geral. Segundo a mesma: “os imigrantes sentiam que seu trabalho era reconhecido e, em muitos casos, a animosidade que sentiam pela pátria, que os rejeitara, foi esquecida. Os colonos reconciliaram-se com a pátria de origem. Esta nova posição revela-se no setor cultural. Os colonos deixam de envergonhar-se de sua aparência humilde, de seus dialetos, segundo alguns testemunhos – até o sotaque italiano ao falar português passou a ser considerado de bom tom.” Id. p. 108.
“o ufanismo era um sentimento novo e gratificante, os desvalidos imigrantes apátridas perceberam no seu trabalho um sentimento maior de reconhecimento pela pátria. Os imigrantes passaram de colonos desconhecidos a símbolo do trabalho útil e produtivo. A Itália abria os braços para seus filhos de há muito esquecidos, e estes a reconheciam como pátria e se reconheciam como italianos.” Id. p. 109.
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Staffetta Riograndense, 14 jan. de 1931.
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fascistas desdenham a vida cômoda, afirma o Duce.”482 É importante ressaltar aqui, que o trabalho é a principal marca do estadista:
Mussolini, o homem da experiência, é inatingível pelas circunstâncias externas. Pelo fato de seu nascimento, pelo fato de seu ambiente de origem, pelo fato de sua formação pessoal, pelo fato da atmosfera de onde viveu e cresceu, ele poderia ceder a tirania de similares tendências. Mas ele se manteve afastado de toda influência perniciosa com uma energia e uma probidade viril estupenda. Vindo do povo, ousou pensar que os calos nas mãos não dão forçosamente o talento para conduzir um povo.
Ele teve esta idéia fecunda, corajosa de que, em um Estado, o qual se quer viver é preciso trabalhar. Logo, ao trabalho todos. Cruamente, sabiamente o Duce disse que isto pode servir tanto para o espiritual quanto para o temporal: quem não se mexe, morre.483
Mussolini é hábil, porque transigente; conciliador, sabe conformar-se e acomodar-se às situações mais difíceis. O jornal parece confirmar a idéia de um líder pacifista e tolerante, imagem que a própria propaganda fascista fazia no mundo e que a diplomacia italiana esforçava-se por construir. “Ele está em todos os lugares, vê tudo, faz tudo”484, sua onipresença e onividência são atributos de um homem excepcional - Mussolini é o Deus encarnado da Revolução Fascista:
Em uma semana resolve trezentos problemas. Preside pessoalmente o Conselho das Corporações, escuta os discursos dos oradores técnicos, discute, tira conclusões, dá o seu parecer, que se impõe, não porque ele é um mestre mas porque sua opinião representa o bom senso, a clarividência.485
Sua extraordinária atividade coloca-o um degrau acima dos estadistas comuns, “as horas de seu dia são inumeráveis, Mussolini é infatigável”, assiste às manobras navais, permanece horas em marcha com seus soldados em manobras terrestres, dirige-se aos oficiais que se maravilham pelos seus juízos, conversa com o povo, com os operários, debate com intelectuais “a atividade do Duce, mais que extraordinária, é certamente prodigiosa. Pouquíssimos homens podem igualar-se a ele. Mussolini demonstra ter nítida consciência da grave responsabilidade que carrega. Este é certo um grande mérito diante de Deus.”486 Agrada ao divino e aos homens, “sente, mas sabe. Imagina, mas conhece. Decide, mas prevê.”487 Os traços de sua latinidade como a mobilidade, a agilidade, a facilidade em expor seu pensamento, unem-se a uma postura rígida, sólida, pesada, ao exemplo de uma personalidade germânica. Ponderado, sabe argumentar, “fala
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Staffetta Riograndense, 29 ago. de 1934.
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Staffetta Riograndense, 29 ago. de 1934.
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Staffetta Riograndense, 11 out. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 11 out. de 1933.
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Staffetta Riograndense, 11 out. de 1933.
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sem pressa, com calma, certo de que ninguém haverá de perturbá-lo, escolhe as palavras que quer, articulando sílaba por sílaba como que as colocando entre vírgulas.”488 Sua figura magnetiza as massas, seu gênio impressiona; segundo D. João Becker, “Mussolini e o Fascismo souberam dar continuidade à história italiana em seu sentido mais perfeito [...] ambos constituem uma coroa magnífica da vitória alcançada em uma campanha heróica e diuturna.”489
No momento em que o Comunismo se preparava para assaltar a península, o Duce, com seu intuito político e apoiado pela massa, soube salvar a Itália da catástrofe; para o jornal, Mussolini é o “herói que luta em defesa de uma nova era de paz, traz uma espada em sua