5. Results
5.2. Teacher Interviews
5.2.3. Teacher C
Levando-se em conta os diversos meios de trabalhar com casos, os instrumentos avaliativos são bastante variados. Por isso, a aná- lise de casos pelos alunos poderá ser avaliada não somente com o tradicional instrumento da prova escrita,109 mas também a partir de trabalhos escritos extraclasse, provas orais, simulações e mui- tas outras técnicas didáticas, que devem ser selecionadas de acordo com os objetivos do professor.
Apesar de largamente enraizada na tradição jurídica, a prova final, escrita, restringe o espectro avaliado. Por exemplo, não é pos- sível estabelecer se o aluno é capaz de expressar-se oralmente com fluência e convicção, e nem se ele aprendeu a pesquisar em fontes de diversas naturezas para formar sua opinião e conclusões a res- peito do caso proposto. Isso, no entanto, não significa que as provas escritas finais devam ser banidas quando adotado o método do caso.
AVALIAÇÃO E MÉTODOS DE ENSINO EM DIREITO
Ao contrário, sua importância consiste justamente em permitir ava- liar a capacidade de expressão escrita do raciocínio jurídico dos alunos, habilidade esta que é fundamental ao profissional do direi- to, principalmente no sistema brasileiro (e continental europeu), onde os processos são baseados em peças escritas.
Contudo, por meio do método do caso, o aluno desenvolverá mais habilidades e competências para a atividade profissional em situações diversificadas. Assim, além de tornar-se possível avaliar os alunos amplamente, estes terão mais oportunidades para demons- trar os conhecimentos alcançados se forem avaliados várias vezes através de diferentes métodos, conforme testado empiricamente por um professor norteamericano.110 Segundo esse estudo, poucos alunos mantiveram excelente desempenho em todos os métodos de avaliação, e muitos dos que costumavam tirar notas muito baixas em uma avaliação obtinham resultados consideravelmente melho- res em outra, desde que esta fosse baseada em outro método (BURMAN, 2001, p. 138).
Em outro estudo empírico, também realizado nos Estados Uni- dos, um professor colocou à prova o método de avaliação baseado em uma única prova final escrita e o método baseado em várias avaliações ao longo do semestre. Os resultados por ele apresenta- dos indicam não haver grande oscilação na nota média das turmas, independentemente do método de avaliação empregado. No entan- to, este professor realizou uma pesquisa de opinião entre os alunos sobre os métodos e verificou que a maior parte deles prefere ser avaliado em várias ocasiões diferentes, apesar de isso implicar em mais trabalho para eles (REES, 2007, pp. 527-528). O resultado dessa pesquisa indica que os alunos preferem a avaliação formativa, par- ticularmente útil na avaliação de cursos baseados no método do caso. De fato, é possível introduzir uma série de momentos de ava- liação diversificados com o emprego desse método de ensino, conforme exemplificado abaixo.
Embora os estudos citados apresentem conclusões aparente- mente opostas, vale notar que é recorrente nos comentários feitos pelos alunos nesses experimentos o fato de que, quando são ava- liados em mais de uma ocasião, recebem um feedback sobre seu trabalho. Eles entendem que isso é importante para melhorarem o seu desempenho. Os eventuais comentários feitos pelo professor
ao longo das avaliações auxiliam os alunos a identificarem os pon- tos fracos e fortes de seu aprendizado. Além disso, os alunos entrevistados indicaram que várias avaliações ao longo do semes- tre acabaram constituindo um importante instrumento de estudo e preparo para as provas finais (BURMAN, 1952, p. 454; BUR- MAN, 2001, p. 139; REES, 2007, p. 528).
A comparação entre os diversos instrumentos de avaliação, por sua vez, não parece indicar claramente qual o mais adequado para o ensi- no baseado no método do caso. De fato, verifica-se que este método de ensino pode ser considerado ainda mais interessante justamente por permitir que se construam avaliações em diversos formatos.
Assim, trabalhos extraclasse permitem ao professor estabelecer que sejam feitos individualmente ou em grupos e, de acordo com o objetivo da disciplina e o prazo para a realização do trabalho, que o professor exija considerável aprofundamento no conteúdo atra- vés da pesquisa para a confecção do trabalho escrito e articulação dos problemas jurídicos relevantes do caso proposto. Essa discus- são pode ser ainda mais ampla, caso o professor exija a comparação entre dois ou mais casos, sejam eles da mesma natureza (por exem- plo, apenas decisões de tribunais) ou diversas (decisões judiciais e narrativas de fatos).
Seminários, por sua vez, obrigam os alunos a prepararem o caso a ser discutido para que possam expor os seus aspectos relevantes de forma didática e clara. Nesse cenário, exige-se tanto a pesqui- sa, requisito essencial no caso dos trabalhos extraclasse, quanto a desenvoltura oral dos alunos, que devem evidenciar em sua apre- sentação que se colocaram as perguntas necessárias para a identificação dos problemas dos casos propostos e sua resolução.
Provas orais, em seu turno, sobretudo quando é possível estru- turá-las de tal maneira que o aluno somente tome conhecimento do caso e do viés que deverá analisar no tempo de preparo para a prova,111 testam a habilidade do aluno para lidar espontanea- mente com perguntas e a sua capacidade de expressar oralmente um raciocínio coerente.
Finalmente, as provas escritas também são uma possível forma de avaliação no método do caso, porque permitem avaliar como o aluno se expressa por escrito e, em relativamente pouco tempo, sobre as questões colocadas.
AVALIAÇÃO E MÉTODOS DE ENSINO EM DIREITO
A partir dessas considerações, pode-se verificar que os diferen- tes usos do método do caso permitem sejam conciliadas a avaliação formativa e a avaliação de caráter predominantemente certificató- rio, apesar de, como já mencionado, parecer mais adequada a avaliação formativa, que ocorre durante a aula, pois é neste momento que se torna particularmente evidente o processo de construção do raciocínio jurídico indutivo pelo aluno, se compa- rado à situação em que os alunos realizam uma prova ou um trabalho. Nessas situações, pode haver apenas a consolidação do que o aluno aprendeu com as aulas baseadas em método do caso.
No decorrer da aula, o processo cognitivo de construção do conhecimento é evidenciado porque o aluno expressa o seu pensa- mento oralmente e de forma espontânea, submetendo-o à análise do professor e dos outros colegas de classe. O processo de aprendiza- gem é uma construção conjunta (professor e a classe) do raciocínio e de detecção do problema jurídico, no caso da narrativa.
Por tal razão, pode-se dizer que o mecanismo avaliativo mais efi- caz do ensino a partir do método do caso é aquele que procura avaliar oralmente como se dá a explicitação do raciocínio jurídico indutivo do aluno tomando por base o caso analisado. E isso ocor- re durante as aulas.