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5.2 The policy context – four distinct different directions

5.5.7 Teacher education

Conforme Morgan (2007), o termo paradigma, no âmbito da teoria das organizações, pode ser utilizado para denotar uma visão implícita ou explícita da realidade, buscando, então, caracterizar e definir uma visão de mundo, que se constitui na maneira de abordar e estudar uma realidade.

O papel do paradigma, como visão da realidade social, pode ser utilmente analisado em termos de quatro amplas visões de mundo – funcionalista, interpretativista, humanista radical e estruturalista radical. Cada visão representa uma escola de pensamento, diferenciada em abordagem e perspectiva sobre a natureza da realidade de que trata. Por fim, o desafio que os paradigmas apresentam à teoria organizacional é repensar a própria natureza do objeto do qual tratam (MORGAN, 2007).

No contexto dessa abordagem, o presente trabalho toma o paradigma interpretativista como perspectiva da realidade que pretende conhecer. Tal escolha justifica-se pelo fato de o paradigma interpretativista focalizar a maneira como as realidades organizacionais são criadas e sustentadas, buscando compreender o processo pelo qual essas realidades surgem, sustentam-se e se modificam a partir do ponto de vista do participante em ação.

Amparou-se, então, nessa visão de mundo, o paradigma interpretativista, por este trabalho procurar estudar o conteúdo, o contexto e o processo de um fenômeno organizacional. Ou, melhor dizendo, o que, por que e como ocorreram as mudanças estratégicas de uma organização, possuindo, ainda, um enfoque de investigação em relação à percepção dos gestores quanto ao fenômeno estudado.

Compartilha, assim, a presente pesquisa, o entendimento interpretativista de que as realidades organizacionais emergem como estruturas simbólicas governadas por regras, na medida em que os indivíduos se envolvem em seus mundos por intermédio de práticas e códigos específicos, com a finalidade de atribuir uma forma significativa a suas situações (MORGAN, 2007). E ainda com o argumento de Sausen (2002), quando este afirma que a visão interpretativista parte do pressuposto de que as pessoas agem em função de suas percepções e valores e que seu comportamento tem sempre um sentido, um significado, requerendo, portanto, o entendimento do processo de mudança organizacional a compreensão das ações e reações das pessoas, como agentes de mudança no contexto da empresa.

Ao mergulhar mais detalhadamente na abordagem contextualista de Pettigrew (1977, 1985, 1987, 2013), verificou-se que, para o referido autor, ao contrário da forma como a prática da pesquisa é muitas vezes ensinada, pesquisa é um processo social, e não apenas um ato racional. A realidade da atividade científica possui aspectos artísticos e subjetivos. Assim, a grande premissa dos seus trabalhos é considerar a pesquisa como um processo artesanal, e não meramente a aplicação de um conjunto formal de técnicas e regras (PETTIGREW, 1985).

Neste sentido, Pettigrew (1985) buscou, como resposta aos pontos fracos da literatura atual, a base ontológica e epistemológica do contextualismo como teoria do método, considerando, ainda, aspectos como a teoria e a prática da pesquisa da mudança organizacional.

Contextualismo é uma das quatro taxonomias – que juntamente com formismo, mecanicismo e organicismo, foram utilizadas pelo filósofo Stephen Pepper (1942) para descrever visões de mundo a partir de metáforas da realidade. Assim, o contextualismo pressupõe que a realidade é construída pelo observador, como uma corda é construída a partir de fios entrelaçados (JOHNSON, 1987). Tendo suas raízes no pragmatismo de William James e Charles Sanders Pierce, o contextualismo está preocupado com o evento em seu ambiente, utilizando-se da pesquisa qualitativa, e sugerindo como metáfora o acontecimento histórico (PETTIGREW, 1985, 1990).

É nesse sentido que Pettigrew toma o método de aplicação do contextualismo como um modo de análise para a mudança estratégica organizacional. Em resumo, na teoria

contextualista os pontos-chave a enfatizar na análise da mudança são: em primeiro lugar, a importância de estudar a mudança no contexto de níveis interligados de análise; em segundo lugar, a importância da relação temporal da mudança, localizando-a no passado, presente e futuro; em terceiro lugar, a necessidade de explorar contexto e ação – como o contexto é um produto da ação e vice-versa; e finalmente, a hipótese central sobre o nexo de causalidade. Nesse tipo de análise a causa da mudança não é linear nem singular – a busca de uma grande teoria simples e singular de mudança é improvável dar frutos. Na teoria e prática da mudança a tarefa é identificar a variedade e a mistura de causas da mudança e explorar ao longo do tempo algumas das condições e dos contextos em que ocorrem essas misturas (PETTIGREW, 1990).

Assim, de acordo com Pettigrew (1985), uma pesquisa contextualista exige os seguintes pré-requisitos:

a) Níveis de análise claramente delineados, teórica e empiricamente conectados; b) Descrição dos processos, ou seja, a sequência de ações e eventos relacionados

ao fenômeno em estudo, levando em conta o passado e o futuro, relacionando- os com o presente;

c) Teoria de processo que explique a sequência de eventos ao longo do tempo; d) Relacionamento das condições contextuais, nos níveis de análise, com o

processo em observação.

Em termos de questões práticas de pesquisa de coleta de dados e da classificação dos dados em grandes categorias para a análise, Pettigrew (1985) sugere os seguintes passos básicos:

a) Descrever o processo ou os processos sob investigação, os quais, por exemplo, podem ser processos de conflito, tomada de decisão ou mudança;

b) Expor nessas descrições qualquer variação ou constância entre os processos; c) Analisar os processos pelo uso das teorias existentes de processo ou

desenvolvendo novas;

d) Identificar no contexto os níveis de análise e as suas categorias ou variáveis. São, por exemplo, os níveis do contexto a serem restritos e as características do contexto intraorganizacional;

e) Descrever e analisar a variabilidade entre os contextos através dos quais os processos estão se desenrolando;

f) Considerar os critérios alternativos que podem ser utilizados para avaliar o resultado do processo em estudo. Este é um problema de pesquisa de

dificuldade prática, mas boas fontes para auxiliar a reflexão desse problema estão contidas na literatura.

Por fim, tão importante para o sucesso da análise contextualista quanto da descoberta dos componentes acima, a chave para a análise está em posicionar e estabelecer relações entre contexto, processo e resultado (PETTIGREW, 1985).

A fim de atender aos pré-requisitos da pesquisa contextualista, sob a abordagem de Pettigrew, as próximas subseções apresentam os passos da presente pesquisa.