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O emergir das TIC trouxe consigo um novo modo de interação social, uma nova forma de comunicar-se. Essa comunicação acontece de modo virtual, ou seja, acontece como possibilidade, como potência que se atualiza mediante a intenção de dizer e de ouvir. O sujeito faz uso dos meios de comunicação ‘modernos’, das TIC, e abre possibilidade de troca de informações das mais variadas formas, mediadas pelas potencialidades da ‘máquina’.

Ao observar a sociedade contemporânea Silva e Silveira (2009) dizem que há uma série de transformações tecnológicas e mudanças na sociedade que se reflete em diversos aspectos, sejam eles econômicos, políticos, sociais, culturais, entre outros. Tais transformações acontecem devido às novas necessidades que as pessoas adquirem e torna-se de vital importância que as pessoas se adaptem a essas transformações para inserir-se na sociedade.

Segundo Castells (2005, p. 459), nesse “novo sistema de comunicação organizado pela integração eletrônica de todos os modos de comunicação, do tipográfico ao sensorial, não é a indução à realidade virtual, mas a construção da realidade virtual”. Castells (2005) diz que esse novo sistema de comunicação transforma radicalmente o espaço e tempo, tidos como dimensões fundamentais da vida humana. O autor afirma que o tempo é apagado no novo sistema de comunicação, visto que passado, presente e futuro, podem ser programados para interagir entre si em uma mesma mensagem. O faz-de-conta, na visão de Castells (2005), vai se tornando realidade na cultura da virtualidade real.

O ciberespaço, além de potencializar a comunicação, permite que as mensagens fiquem armazenadas e disponíveis para aqueles que se interessem. Esse armazenamento possibilita que o diálogo esteja ‘sempre’ vivo, mesmo numa comunicação assíncrona (onde as mensagens não são instantâneas), o que vai constituindo um ciclo no qual as intenções vão se expondo e formando uma teia de interesses e produção de significado.

O fato de cada sujeito responder ao seu tempo leva Bicudo e Rosa (2010, p. 35) a dizerem que,

O “aqui e o agora” são o aqui e agora de um internauta individual e singular. Mas suas características são fluidas, uma vez que o “agora” é de quem adentra o ciberespaço, mas que o percebe como um agora em que está interagindo com o outro, podendo não saber quem é o outro, podendo não saber quem é o outro em sua presencialidade carnal, como corpo próprio, nem qual é o “agora”

desse outro. Mas é um outro que expressa suas ideias, seus sentimentos e outras manifestações de seu modo de ser por meio de um texto, com o suporte da rede informacional. E aí se dá uma fluidez e um dinamismo que vai criando “realidades virtuais”. Ou seja, esse movimento dinâmico vai se espacializando na medida em que vai ao encontro ou de encontro a outras ideias, que se bifurca, que se expande, construindo um grande texto, por ser formado por acréscimos, ou construindo um hipertexto, por ser interconectado, organizando dados e conhecimentos produzidos.

Tais afirmações de Bicudo e Rosa (2010) corroboram os dizeres de Castells (2005) quando afirma que ‘o espaço modela o tempo’. Ou seja, entendemos que o espaço, no caso o ciberespaço, vai modelando o tempo, tempo de interação, de resposta, de ação dos sujeitos uns com os outros, em seus modos de estar-junto.

Nesse espaço mediado pelas TIC, ou seja, o ciberespaço, a questão do corpo também é muito importante.

A leitura de Bicudo e Rosa (2010) nos mostra que ao visar, por exemplo, a um computador, faz-se dele um objeto intencional, dando-lhe sentido independente de perceber todas as suas qualidades. Os autores afirmam que, na relação com o objeto técnico ou com qualquer objeto intencional, se realiza aquilo que Merleau- Ponty designou como síntese do corpo próprio, que acontece a partir de todas as percepções vividas. O computador, por exemplo, integra o mundo constituído pelo corpo que desenvolve um determinado esquema corporal em relação ao mundo. Esse esquema corporal fica claro se pensarmos na naturalidade com que falamos ao celular ou com que ‘adolescentes’ interagem por meio da Internet. A partir de um dado momento o corpo já não percebe a máquina tal sua familiaridade com ela; o objeto acaba tornando-se extensão do corpo que percebe o mundo por ele.

Sobre a questão do corpo, Baldanza (2006, p. 1) diz que,

Face às novas tecnologias de comunicação e informação, pensar no corpo apenas como visto há séculos atrás torna-se imprudente ou até mesmo irreal. Isso porque com o surgimento de tecnologias que possibilitaram a comunicação à distância, desde a escrita até mais recentemente a Internet, surgem novas formas de sociabilidade onde não mais é preciso estar face a face para interagir com outras pessoas. Como conseqüência, pode-se dizer que a representação do corpo e suas significações também se alteram, quando se trata deste novo espaço.

Ainda sobre o corpo, Bicudo e Rosa (2010, p. 37), pautados nas ideias de Lévy (2005), dizem que,

Há uma “tele” presença que é mais do que a posição do meu corpo em outro espaço/tempo. Meu corpo próprio está aqui, nesta sala,

sentado nesta cadeira, intencionalmente diante da tela deste computador e com ele operando, respondendo às solicitações (problemas, mensagens) que chegam e que eu mesmo me coloco, intencionalmente. A expressão do meu corpo próprio, veiculada pela linguagem falada e escrita, está aqui e lá, onde a comunicação me leva. Meu interlocutor ou interlocutores estão, também, lá e aqui à moda de uma quase presença.

Segundo Bicudo e Rosa (2010, p. 57), o ciberespaço “é um espelho que pode refletir o pensar, ou seja, explicitá-lo; que pode dar o feedback ou tornar-se espaço desse feedback, ou, mesmo, pode vincular-se ao processo de reflexão de forma quase orgânica”. Essa afirmação nos faz buscar uma compreensão acerca do estar- com o outro no ciberespaço, o estar-junto.