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5.3 Hvorfor benytter ikke fler seg av bonusene der nytteverdien av å benytte seg av de

5.3.5 Tapsaversjon

A partir dos estudos de Moraes e Galiazzi (2007), já referenciados nessa dissertação, mas que servirão novamente para a última análise de dados, propõe um estudo sobre as produções textuais discursivas feitas pelos alunos, como forma de resposta à última questão do instrumento de pesquisa (questão 27). Questão conclusiva da ferramenta e que convidava o participante da pesquisa a escrever livremente caso tivesse algo a acrescentar e quisesse expor alguma opinião. Segundo Moraes e Galiazzi (2007):

[...] o processo da análise textual discursiva não está inteiramente sob o controle do pesquisador. É auto-organizado. Mesmo sem conhecer o ponto de chegada, entretanto, é um modo de intervir na realidade, assumindo-se o pesquisador como sujeito histórico, capaz de participar na reconstrução de discursos existentes. (MORAES e GALIAZZI, 2007, p.137)

Assim, mesmo sem saber o ponto exato de chegada ao se reconstruir os discursos, consideramos a sua importante validade para a compreensão das realidades investigadas. O pesquisador é um sujeito/agente externo ao espaço ocupado pelo aluno, então como um sujeito histórico e capaz de participar na intervenção dessa realidade, cabe a ele respeitar a fala/escrita do aluno e o que ele tem a dizer. Por esse motivo construímos a análise dos registros.

O universo total de questionários válidos obtido pela pesquisadora foi de 129. Dos participantes da escola particular 9 fizeram usos das linhas da questão 27. Entre eles um falou a sua opinião sobre a participação na pesquisa. A aluna explica: “Gostei muito de participar dessa pesquisa. Te desejo tudo de bom, e que tenha um ótimo ano pela frente!”. Os outros oito falaram as suas opiniões sobre o tema “educação”, propondo algumas perspectivas interessantes, observe os discursos:

“Sou contra a existência do vestibular, por isso somente estudo para poder engressar na universidade que quero.” (Deise) “Muito Obrigado! O colégio não prepara totalmente o aluno para o vestibular, mesmo dando toda a matéria. Acredito que devíamos ter aula de cursinho dentro do colégio para melhor preparo.” (Júlio) “O colégio nos automatiza para que passemos em uma prova e, logo após, esqueçamos tudo – ou quase – o conhecimento adquirido, visto que este foi útil apenas p/ o ingresso no ensino superior”(Max) “Bem eu acho que as escolas deveriam preparar melhor os seus alunos para o vestibular e também disponibilizar aulas de línguas estrangeiras além do inglês e do espanhol” (Anderson) “Gostaria de dizer que a educação no Brasil, pública e privada, se incentivada com o investimento que merece, pode alcançar a excelência dos demais países centrais” (Helen)

“Acho que as aulas particulares são vistas, pelos alunos de escolas particulares, como desnecessárias, porém na minha opinião o colégio devia incentivar os alunos que têm mais dificuldades em frequentá-las”(Fabrícia) “Não consigo um cursinho ou aula particular devido aos horários que tenho que cumprir em meu trabalho, que complicam a situação” (Éder) “Não vou prestar o vestibular esse ano, mas daqui a um ano ou dois por razão de querer realizar um intercâmbio cultural antes” (Kelly)

Em resumo, os dois últimos alunos (Kelly e Éder) explicaram as suas próprias situações com relação às perspectivas de futuro. A aluna Fabrícia expressa a visão dela sobre as aulas particulares. Informa que essa atividade seria vista de forma negativa pelos alunos, interessante o apontamento feito. Mas, complementa que caberia à escola incentivar os alunos com maiores dificuldades de aprendizagem à buscarem a atividade. Já a fala da Helen, do Anderson, do Max, do Júlio e da Deise mostra as respectivas opiniões sobre a educação. Sendo que a aluna Helen argumenta sobre a questão da necessidade de incentivos na educação do Brasil. Anderson, Júlio, Max e Deise opinam mais criticamente sobre algumas práticas e certas falhas da escola: automatização das aprendizagens, melhorar o foco para a preparação para o vestibular, necessidade de mais línguas estrangeiras, aulas de cursinho dentro do colégio e, por último, um posicionamento contra o vestibular.

Do universo participante da escola estadual apenas dois textos foram produzidos. O aluno Wagner diz: “Muito interessante a sua pesquisa” e o aluno Ricardo escreve: “Não”. Os outros alunos não desejaram acrescentar mais nada ao questionário. No entanto, ler um comentário como o do Wagner faz todo o processo investigativo valer o esforço, o tempo e a dedicação. O pesquisador pode se sentir verdadeiramente recompensado.

O retorno dos alunos da escola municipal, por fim, foi mais numeroso do que o da última escola. Alguns alunos, seis no total, se sentiram motivados a escrever sobre as ideias que tiveram no momento de aplicação do questionário. Abaixo estão transcritas as produções textuais discursivas dos alunos. Exatamente como eles escreveram.

“Queria que o Brasil fizesse mais faculdades federais para dar chance para quem não tem como pagar assim igual a mim quero chance para todos que tem o sonho de engressar no Ensino Superior só isso peço” (Pablo)

“Acho que as aulas a noite são muito dispersas. Muitos alunos não se preocupam com os outros. Conversam, fazem bagunça, atrapalhando o rendimento dos demais. Afinal quem quer mesmo tem que ter muita força de vontade. Além de chegar cansada do trabalho ter que se esforçar mais para aprender” (Pilar)

“Além de aprender para melhorar as oportunidades de trabalho gosto de estudar coisa interessante para mim.” (Vitor)

“Não gostaria não obrigada” (Nilce)

“Não gostaria de acrescentar nada” (Tobias)

“Se possível gostaria de saber o resultado deste questionário” (Alanis)

A primeira fala, a do Pablo, é um pedido de ajuda, daquele aluno que tem realmente interesse em dar continuidade para os seus estudos, mas se vê distante como ele diz “de um sonho” que tem. As possibilidades, felizmente, no Brasil, deixaram de estar limitadas às instituições federais, hoje, através das novas políticas afirmativas que visam um aumento da democratização do acesso ao Ensino Superior. Sistema de cotas nas universidades, financiamento educativo, programas do Governo Federal e outros têm possibilitado o ingresso mais democrático nas instituições, mas vemos que mesmo assim, os alunos, principalmente por causa da situação financeira em que se encontram, enfrentam muitas barreiras. Não faremos uma análise mais detalhada, caberia um outro estudo mais atento sobre os discursos dos alunos e que necessidades são realmente enfrentadas nesses momentos de enfrentamento de pontos de ruptura. O fim do Ensino Médio e o ingresso no Ensino Superior é um deles. A fala da Pilar também se constrói como um pedido de ajuda. A realidade da grande maioria das salas de aulas, nos mais diversos contextos, está marcada pelo excesso de interferências. Estejam elas ligadas ao comportamento dos alunos ou até mesmo com as condições físicas precárias das instituições de ensino. A fala da aluna demonstra qual o sentimento dela (e que representa a fala desejosa de muitos que não se expuseram) com relação ao desejo de estudar e ter que enfrentar uma realidade muitas vezes perversa. Vitor também concorda com a Pilar e diz que o estudo vai mais além do que os seus desejos para o futuro, pois ele gosta de estudar coisas interessantes para ele. Ainda, citamos as duas produções que agradecem a pesquisadora

e dizem não ter mais nada a acrescentar. Elas são importantes porque demonstram a dedicação dos alunos com a pesquisa, mesmo que eles não tenham mais nada para acrescentar ou comentar eles escrevem algo. Mostram assim que tiveram interesse em contribuir de alguma forma. Por fim, a aluna Alanis diz desejar saber o resultado do questionário, confirmando desta forma o que as duas frases, do Tobias e da Nilce, começaram: os alunos se sentiram agentes do processo investigativo, contribuíram ricamente para a pesquisa e mais ainda tiveram interesse em saber dos resultados, o que foi feito. O contato foi deixado na escola (e- mail, telefone e dados da pesquisadora) para que aqueles que desejassem pudessem entrar em contato com a pesquisadora e então ela repassaria o trabalho completo.

5 ENTRELAÇAMENTOS: DA TEORIA PARA A REALIDADE

Após exposta a análise dos dados empíricos coletados, passamos para o momento da dissertação onde a realidade encontra a teoria. A revisão teórica feita nos capítulos que precedem a análise dos dados será revisitada. Algumas pesquisas feitas por autores consagrados sobre o tema educação na sombra foram citados, serão estes que aqui reaparecerão com a intenção de comparar realidades muitas vezes distantes. Partimos para uma releitura do capítulo dedicado à origem do fenômeno no Brasil para tentar compreender o panorama da atividade no presente. Em seguida um outro olhar será dedicado ao capítulo sobre a produção do pioneiro no tema da educação na sombra, Mark Bray. Depois, o projeto Xplica será retomado, pois contempla o panorama da atividade na sombra em Portugal. Da mesma forma as aproximações serão feitas com o trabalho da pesquisadora que investigou o contexto das aulas particulares na cidade do Rio de Janeiro (Nascimento, 2007). Bem como o trabalho que investiga outro recorte brasileiro, feito pelos pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (MARIUCCI, ). O último espaço será dedicado a uma tentativa de diálogo com as produções referentes à sociologia da educação de Pierre Bourdieu que estão de alguma forma embasando todo o percurso reflexivo proposto por este trabalho. É sabido que a obra do autor é extensa e complexa, por isso, quando falamos sobre “a sociologia da educação” dele, direcionamos para aquelas obras que foram pertinentes à reflexão e serviram de base teórica para o processo de investigação.

5.1 A CASA E SEUS MESTRES: DA ORIGEM DO FENÔMENO PARA O TEMPO