5.4 Hvorfor tilbyr spillselskapene bonuser der forventningsverdien for spilleren overstiger det
5.4.4 Adferdsøkonomi ved oddsspill
Mark Bray estuda com rigor o fenômeno das aulas particulares. Considerado como o pioneiro no debate sobre o tema, é ele quem faz a introdução e explicação da metáfora da educação na sombra. Pelas evidências encontradas pelo autor de um sistema que teria o seu desenvolvimento de forma paralela aos sistemas formais de educação que ela é construída. O autor ainda enfatiza a importância dos estudos sobre o fenômeno em ascensão em todo o mundo, já que ele pode justificar para o observador muitas mudanças que estão ocorrendo nas sociedades. As explicações podem inclusive criar e perpetuar desigualdades sociais. Em consonância com o discurso anterior, sobre a origem do fenômeno no Brasil é visível como pode ser usado como instrumento de perpetuação. Mesmo historicamente estando imersos dois séculos a frente da origem, ainda é perceptível traços que persistem. Ainda se configura como uma prática das elites, resiste voltada para essa classe social e ainda, reforça desigualdades nos processos de ensino e aprendizagem.
O autor enfatiza que a educação na sombra pode traduzir muitas das modificações que acontecem nas sociedades. Se olharmos para os dados, em conjunto com a origem do fenômeno, entendemos que já houve uma tímida mudança e a prática está mais difundida entre as classes sociais. Hoje o acesso à diferentes formas de ensino não está tão significativamente limitado à determinadas classes sociais. Não que a desigualdade tenha desaparecido das sociedades modernas, pelo contrário, muito se vê de diferanças de oportunidades, principalmente quando se fala em educação no contexto brasileiro, mas novas políticas e novos movimentos têm objetivado a redução desses distâncias. Uma causa e efeito evidente na simples análise feita nessa dissertação é a de que quanto maior a renda familiar,
maior será o investimento em educação. Mas, mesmo aqueles que possuem rendas mais reduzidas, estão fazendo diferentes esforços para conquistar os objetivos pretendidos. Por exemplo, a procura por cursos preparatórios “alternativos”, aqueles que não demandam investimento de dinheiro, cada vez mais estão sendo expandidos por causa da grande procura.
Nos estudos feitos pelo autor e com a imensa quantidade de dados analisados por ele, encontra-se a explicação de que na maioria dos países, a mistura de características positivas e negativas cria um quadro complexo, e poucas sociedades têm bem desenvolvido formas de resolução destes problemas. E mais, os formuladores e os planejadores de políticas preferem evitar a tomada de decisões difíceis, optam, então, por ignorar o fenômeno e deixar que as demandas do mercado ditem os rumos da atividade. Segundo os dados obtidos para o desenvolvimento da presente dissertação, a hipótese do desconhecimento está comprovada. Pouca literatura existe sobre o tema e o que está publicado não consegue explicar com precisão todos os pontos envolvidos no fenômeno.
Criada a possibilidade de retorno aos dados do autor (BRAY, 2009), é possível comparar o que foi encontrada pela pesquisadora nos dados e as apresentações do autor sobre os países investigados por ele. Segundo Mark Bray, o fenômeno tem crescido em grande escala no cenário mundial e apresenta alguns dados para comprovar, propomos, então, alguns exemplos para aproximar dos dados que foram obtidos na pesquisa. Segundo pesquisas do autor, na Índia 41,3% dos estudantes relatou ter frequentado alguma forma de tutoria privada, sendo que do total aproximado de um terço dos gastos das famílias é investido em educação (BRAY, 2009, p. 20). Outro exemplo é Bangladesh, onde 33.229 famílias participaram da investigação e resultado apontou que 21,4% dos estudantes, no ano de 1998, recebeu algum tipo de tutoria privada (BRAY, 2009, p. 17). Na China, dos 4.773 domicílios participantes da pesquisa, 53,5% dos alunos, do que seria o Ensino Médio brasileiro, contrataram tutores particulares, no ano de 2004 (BRAY, 2009, p. 17). No contexto de Hong Kong, a investigação que envolveu 13.600 domicílios, no ano de 2005, sugere que 48,1% dos alunos do Ensino Médio (o secundário) frequentou aulas de explicação. Os dados encontrados na cidade de Porto Alegre, ligados ao recorte de contexto proposto, sugerem uma porcentagem de aproximadamente 21,3% de alunos do Ensino Médio que frequentou algum tipo de aula de explicação ao longo do ano de 2013 (Gráficos 54, 55 e 56). Sugere-se assim que o panorama brasileiro analisado está inserido no contexto global e o estudo se aproxima das afirmações propostas por Mark Bray. Evidente que mantendo as devidas proporções, pois o pesquisador faz uma análise muito mais abrangente do contexto mundial.
Sobre a questão dos prováveis impactos sociais, os dados apontam ser possível que as formas de tutoria privada agravem as desigualdades sociais. No contexto da escola pública, tanto as aulas particulares, quanto as atividades extracurriculares estão mais difundidas entre aqueles sujeitos os quais as famílias possuem mais recursos financeiros. Uma forma de romper esse ciclo de exclusão está na possibilidade do governo criar e patrocinar outras formas de compensação pelos deficiências dos sistemas educacionais. O que, gostaríamos mesmo de reforçar, já está mais presente, mesmo que timidamente, no contexto das políticas educacionais. Por exemplo, quando os alunos da escola municipal enfatizam a frequência nas aulas de redação, o movimento para romper o ciclo se faz presente, pois essa atividade é patrocinada pela própria escola pública. Ou mais, os cursos alternativos, também são um indício de novas possibilidades. Um exemplo, é o cursinho pré-vestibular oferecido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As aulas são ministradas por alunos da própria instituição, que trabalham voluntariamente; o objetivo do projeto é permitir aulas preparatórias de forma mais acessível.
Por fim, mantemos o pensamento defendido por Mark Bray (similar as ideias apresentadas por Pierre Bourdieu) sobre a influência da pressão familiar e do espaço social. Eles estão diretamente ligados com as possibilidades de sucesso e mesmo de “fracasso” escolar. Quanto menores forem os investimentos em educação menores serão as chances de sucesso, na lógica que se impõe. Por isso as despesas com diferentes formas de educação, nos três contextos investigados, tendem a ter um crescimento visível. Os espaços de investigação de Mark Bray apontam percentuais cada vez maiores em investimentos em educação na sombra. As distâncias entre aqueles com condições de maiores e menores investimentos tende a aumentar se novas políticas e novas práticas de equidade não forem trabalhadas adequadamente.