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Inicialmente partiu-se do pressuposto de que o ato de presentear animais de estimação possuía maior motivação altruística do que simbólica ou econômica. No entanto, pôde-se depreender ao longo deste trabalho, que existem variações de motivações que não possuem suas fronteiras bem definidas e que podem estar associadas às motivações sociais, mas ao mesmo tempo também relacionadas a outros tipos de interações.

Da mesma forma que GIESLER (2006) em sua pesquisa propõe a construção de um complexo sistema de significativas interações sociais através dos presentes, este estudo aponta para uma reflexão de que o ato de presentear animais de estimação, após uma comparação, não deve ser igualado ao ato entre os humanos.

Este estudo procurou explorar as diversas formas de relacionamentos existentes entre o homem e seu animal de estimação, para que a partir daí pudessem ser identificadas as verdadeiras motivações que levam os donos a comprar presentes para os seus animais.

Após a análise de dados desta pesquisa, cabe apresentar algumas considerações que respondem as perguntas propostas no início deste trabalho.

No universo de proprietários de cães, incluindo aqui a experiência da pesquisadora deste estudo, os relacionamentos existentes envolvem emoção, afeto, dedicação, cuidado, controle e sentimentos.

Na maioria dos depoimentos os animais são considerados como um membro da família, mais especificamente como filhos, mesmo quando esta característica não está explicita nos discursos analisados. Os animais de estimação, neste caso os cães, são percebidos como seres que não crescem, isto é, são sempre crianças, e por isso necessitam de cuidado, atenção e dedicação. Ao mesmo tempo existe um sentimento de amizade e companheirismo, que tornam estes cães uma extensão da personalidade do próprio dono e o transformam em adultos capazes de compartilhar os melhores e piores momentos de suas vidas.

É sabido que algumas espécies de seres vivos estabelecem uma relação de dependência por questões de sobrevivência e para suprir algumas necessidades fisiológicas. No caso do homem e do cão, estabeleceu-se entre eles o que é chamado de "comensalismo psíquico" (DELARISSA, 2003), no qual existe uma relação harmônica onde há troca de benefícios, dos quais são muito mais de origem mental do que instrumental e funcional.

A partir daí procurou-se ao longo desta pesquisa verificar como esta relação é capaz de interferir na motivação que leva o indivíduo a presentear os seus animais. Com base nas diversas teorias existentes sobre o ato de presentear entre os indivíduos e que foram estudadas para subsidiar um maior entendimento desta pesquisa, pôde-se perceber que a relação de troca é mais fraca e ocorre em menor intensidade.

No caso dos animais, a percepção que o receptor tem ao ser presenteado é inexistente, uma vez que o animal é um ser irracional incapaz de expressar objetivamente suas emoções ao receber um presente. Neste caso, o ato de presentear está associado mais significativamente à expressão de amor ágape, o que não inviabiliza uma forma de troca, a troca emocional.

O cão ama apesar de todas as dificuldades que podem existir no relacionamento com o seu dono, apesar das broncas, dos castigos e dos tapinhas no traseiro. Não importa o quanto tempo se esteja ausente, mas quando o seu dono chega em casa, a satisfação é tão intensa como se a ausência tivesse sido enorme. A esse amor denomina-se de amor incondicional e, por conseqüência os proprietários acabam amando os seus animais de estimação desta mesma forma. Este sentimento motiva o indivíduo a comprar presentes apenas para agradar o seu amigo pet, sem se importar com datas, preços ou justificativas, o importante é vê-lo feliz. Esta motivação ocorre com maior freqüência nas situações em que o animal é visto como um filho.

Nos casos em que o animal é percebido como um amigo, é possível identificar claramente que ocorre a troca econômica onde se procura dar presentes que tenham algum significado prático e que de alguma forma acarretarão em algum benefício ao doador.

Alguns estudos anteriores (GOODWIN, 1990; BELK, 1991; KOMTER, 1997; PÉPECE, 2002; ERTIMUR, 2005), revelaram que as datas comemorativas são fatores normativos que levam o indivíduo a presentear seu semelhante e que podem ser facilmente constatados pela grande quantidade de campanhas publicitárias que possuem forte apelo ligado a estas datas. No entanto ao se explorar tal perspectiva na realidade homem / animal de estimação, constatou-se que até existe o ato de adquirir presentes nestas datas, mas que tal fato não é determinante e nem serve como motivação para a compra dos presentes.

Um outro aspecto importante identificado nesta pesquisa e que cabe registrar é o de que, mesmo existindo os diversos tipos de relacionamento entre o dono e seu cão e que estes podem determinar a escolha dos presentes a serem comprados, o fato do indivíduo ter um animal sob

os seus cuidados revela um sentido de posse que pode ser associado à extensão do próprio ser. O homem vive na dualidade entre o ser e o ter, onde suas posses determinar sua personalidade, seu contexto social e suas realizações. No caso do animal esta referência é ainda maior, por ser um ser vivo é possível associá-lo diretamente a personalidade do dono. Neste caso além da troca econômica existe a troca simbólica no ato de presentear, uma vez que o animal representa aquilo que o indivíduo é, ou que pelo menos gostaria que fosse.

Como já foi dito anteriormente, esta pesquisa tem um grau de ineditismo e como tal carece de novas pesquisas e detalhamentos das abordagens apresentadas. Este trabalho certamente não se encerra aqui, muito pelo contrário, alguns outros aspectos não abordados ao longo deste estudo devem ser considerados e sugerem a elaboração de novas investigações.

Sugere-se estender esta pesquisa para o universo de outros animais de estimação, como os gatos por exemplo, a fim de se avaliar se o comportamento existente na relação do dono com estes animais levam às mesmas motivações apresentadas aqui.

Explorar a relação existente entre o homem e os animais de trabalho e exposição, procurando identificar novas motivações que levam o indivíduo a presentear o animal.

E por fim, aplicar esta pesquisa exploratória em outras culturas onde os animais de estimação possuem um significado diferente. Na cultura oriental por exemplo, o cão não possui um papel importante no contexto social, vale investigar que outros animais estariam desempenhando este papel.

Fabricantes, fornecedores e comerciantes do mercado pet devem considerar as diversas abordagens discutidas neste estudo e seus resultados, como uma importante ferramenta a ser utilizada na melhoria de seus investimentos na área. Associar os tipos de relacionamentos existentes com a motivação que leva um consumidor a presentear seus animais, poderá ajudá- los na escolha de produtos adequados para cada perfil.

O fato de ter sido identificado que as datas comemorativas não são um fator motivador tão importante que influencie de maneira quantitativa a busca por presentes para animais de estimação, deve ser considerado ao usar a estratégia de atuar de maneira intensa neste período. Esta pode não ser a mais adequada forma para alavancar as vendas.

Cabe, portanto aos gestores de empresas ligadas a animais de estimação, uma reflexão sobre estes aspectos de forma a identificar as verdadeiras oportunidades de negócio que estejam associadas ao objeto fruto deste trabalho.

Dentro do contexto de estratégia de marketing, sugere-se uma maior exploração destas motivações objetivando incentivar cada vez mais o comércio pet hoje em franco crescimento, de maneira a direcioná-lo e atender de forma adequada às expectativas dos consumidores.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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7. ANEXOS

ANEXO 1

PERFIL DOS INFORMANTES

Sexo Idade Família Animal Relação

Mulher 59 Solteira sem

filhos

Labrador (macho)

Filho

Homem 32 Mulher e filha 2 Labradores

(macho e fêmea)

Amigo

Homem 35 Mulher sem

filhos

2 SRD2 (machos) Filhos

Mulher 29 Marido sem

filhos

2 SRD (machos) Filhos

Mulher 46 Marido, 2 filhos

e mãe

Dushund (macho) Amigo criança

Mulher 45 Marido sem

filhos

Dálmata (fêmea) Filho

Homem 42 Mulher sem

filhos

1 Pointer e 1 Boxer (fêmeas)

Filho

Mulher 72 Marido, filhos e

netos

Dálmata (macho) Neto

2

ANEXO 2

PROTOCOLO ÉTICO (McCracken, 1988:69)

Meu nome é Luciana Uchôa Mitidieri. Estou realizando a pesquisa sobre o tema: As Relações entre Consumidor e Animais de Estimação e as suas influências no Ato de Presentear. Esta pesquisa faz parte da minha dissertação de Mestrado em Gestão Empresarial da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE) – Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. No site www.ebape.fgv.br podem ser encontradas maiores informações sobre a EBAPE e a FGV.

O Professor Eduardo André Teixeira Ayrosa, Ph.D. é o orientador desta dissertação e pode ser contatado através do telefone (21) 2559-5744 e do e-mail [email protected] , para fornecer quaisquer outros esclarecimentos que se façam necessários. A aluna Luciana Uchôa Mitidieri é a pesquisadora responsável pela pesquisa e pode ser contatada através do telefone (21) 9942-5920 e do e-mail [email protected] caso você tenha alguma dúvida.

Obrigada por sua disposição em participar deste projeto de pesquisa. A sua participação é muito importante e será apreciada.

Antes de começarmos a entrevista, gostaria de garantir-lhe, mais uma vez, que ao participar deste projeto você tem alguns direitos muito bem definidos.

Primeiro, a sua participação nesta entrevista é totalmente voluntária. Você pode se recusar a responder qualquer pergunta a qualquer momento. Você pode se retirar da entrevista e dá-la por encerrada a qualquer momento.

Esta entrevista será mantida em confidencialidade e estará disponível apenas para os membros da equipe de pesquisa.

Partes desta entrevista poderão ser usadas no relatório final da pesquisa, mas, em nenhuma circunstância, o seu nome ou características que permitam a sua identificação serão incluídas no relatório final.

Agradeço sua atenção e peço assinar como prova de que li este protocolo para você.

________________________________________________________(Assinatura)

________________________________________________________(Nome por extenso) ________________________________________________________(Data)

ANEXO 3

ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA

Roteiro da entrevista Informar ao entrevistado:

Privacidade e confidencialidade da entrevista – assinatura do Protocolo Ético (McCracken, 1988:69)

Tema da pesquisa: As Relações entre Consumidor e Animais de Estimação e as suas influências no Ato de Presentear.

1. Por favor, fale um pouco sobre você, sobre sua trajetória de vida

profissional...Agora que você falou da sua trajetória profissional fale um pouco sobre trajetória pessoal. Famílias, amigos, sobre o que você gosta de fazer, seus interesses.

2. Iniciemos com sua infância e sua relação com animais de estimação....(ir até o momento atual).(Pedir para mostrar as fotos e buscar perceber a relação com o animal na forma de apresentação das fotos)

3. Como você adquiriu seu animal, comprou ou ganhou? Fale-me sobre este processo de aquisição, a escolha da raça, do tamanho, do sexo. (Se tem pedigree verificar se isto é importante para o respondente e por quê?)

4. Como você define a sua relação com o seu animal ? Se tivesse que comparar com uma pessoa, qual seria ela? E que grau de relacionamento esta pessoa tem com você?

5. O tratamento que você dá ao seu animal de estimação pode ser comparado a um tratamento dado a um humano? Que tipo de relação humana estaria aí

simbolizada?

6. Se você tivesse que comparar seu animal com um objeto, qual seria ele? 7. Se você não tivesse um cão teria outro animal de estimação? Qual? 8. Se você fosse adquirir outro cão escolheria uma raça diferente, porque?

9. O seu animal é castrado? Como você vê a questão de castração de animais de estimação?

10.No caso de seu animal adquirir uma doença grave, incurável e que o fizesse sofrer, você o sacrificaria? No caso de morte de seu animal, você pensa em fazer algum ritual simbólico para o "enterro"?

11. O que você faz para agradar seu animal? 12. O que você acha que o faz feliz?

13. Durante o dia (caso o respondente trabalhe o dia todo), com quem você deixa o seu animal?

14. (caso o respondente deixe o animal sozinho em casa) Você acha que o seu animal sente solidão e sofre por ficar tanto tempo sozinho?

15. Qual o sentimento que você sente pelo seu animal? 16.Você conversa com o seu animal?

17.Você compra presentes para você? Que tipo de presentes e com que freqüência? 18.Você compra presentes para o seu animal? Que tipo de presentes? Em que você

pensa quando está comprando seus presentes?

19.Aonde você compra os presentes? Com que freqüência?

20.Ao fazer a escolha do presente você pensa no que seria bom para o animal ou no que seria melhor para você?

21.Você escolhe algum produto para se identificar / parecer / ser reconhecido pelo grupo de proprietários de animais de estimação?

22.Ao escolher o presente, este tem a ver com você ou com o seu animal? 23.Você compra roupas, sapatos, jóias, brinquedos para o seu cão? Justifique. 24. Quando o animal não gosta do presente o que você faz?

25.Você percebe alguma relação de troca, isto é, você dá o presente esperando alguma coisa em troca?

26.A questão do preço interfere na hora da aquisição de um produto? 27.Quanto você gasta, aproximadamente, por mês com o seu animal?

28.As datas comemorativas têm alguma influência no hábito de compra de presentes para o seu animal?

29.Você participa de algum grupo de discussão que tenha o assunto animal de estimação como principal objetivo?

Orkut, Sites, Fotolog, etc.

30.Você gosta de "exibir" seu animal para que outras pessoas possam admirá-lo? 31.Para encerrar eu gostaria de fazer uma última pergunta. O que seu(s) animal(is)

representa(m) na sua vida?

QUALIFICAÇÃO DO ENTREVISTADO (McCracken, 1988: 67) 1. Nome do Entrevistado:

Idade:

Natural de: tempo que mora no Rio:

Estado Civil:

2. Contexto Familiar:

( ) Solteiro ( ) C/ namorado ( ) comprometido (mora junto) ( ) Viúvo Filhos:

Nome: idade:

reside em: 3. Formação Ocupação:

Maior nível de formação: 4. Religião:

Quão religioso(a):

( ) muito ( ) médio ( ) pouco ( )indiferente Qual?___________ Freqüência ao serviço religioso:

( ) diário ( ) semanal ( ) mensal ( ) muitas vezes ao ano ( ) anual ( ) raramente 5. O animal está presente no ato da entrevista?

Entrevistador: Data:

Local: Hora: